Vida!

Vida!

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Excelentes obras de ficção como The handmaid´s tale e Filhos da esperança têm imaginado um futuro distópico em que a humanidade perdeu quase completamente a capacidade de gerar filhos e o resultado desse exercício imaginativo pode ser mais sombrio que visões de cenários pós apocalípticos povoados por monstros ou robôs assassinos.

foto: Cibele Piovesan

Em contraste, a utopia pretérita do Éden nos apresenta a Deus formatando Sua obra prima, o ser mais sublime de toda a criação, um ser humano capaz de gestar a vida. Há algo de divino na maternidade que nem mesmo milênios de pecado conseguiram arrefecer; uma mulher grávida ou amamentando carrega uma aura de eternidade e ofender a mãe de alguém continua assumindo ares de blasfêmia e anátema.
O problema começa quando tanto homens como mulheres (mas especialmente homens), sensibilizados com esse dom divino, respondem ao sentimento reduzindo a mulher a apenas o papel de mãe. Por acorrenta-la nessa posição, roubam dela a oportunidade de ser aquilo para que foi criada, uma igual ao homem, com a missão de, lado a lado com ele, subjugar a natureza. Tá aí a origem do clamor pós-moderno para respeitar a opção da mulher em abdicar da maternidade ou de buscar algo além da maternidade e bem faríamos, como cristãos, em ouvir esse clamor e tratar as mulheres como digna de reverência pela sua maternidade, mas também de respeito absoluto como seres humanos dotados da imagem e semelhança do Pai e da faculdade da livre autodeterminação.
De qualquer forma, penso que nenhuma conquista da mulher poderá sobrepujar a glória da maternidade e, por isso mesmo, as crescentes dificuldades das mulheres modernas em engravidar mostram uma face particularmente cruel dos efeitos do pecado.
Curiosamente, a Bíblia apresenta uma extensa lista de mulheres que não podiam engravidar: Sara, Raquel, Ana, a mãe de Sansão, entre outras. Em todos esses casos Deus interviu, desfez os efeitos daninhos do pecado como uma exceção à regra, para possibilitar que a maternidade fosse ainda mais incrível pelo fato de acontecer em um ambiente improvável, mas nem o milagre operado em Sara pode se comparar ao que Ele fez em Maria, tornando grávida uma virgem. O anjo disse que ela seria celebrada até o fim dos tempos pela sua maternidade e assim tem sido.
Cada vez que uma mulher concebe, Deus está gritando à humanidade como é grande, misteriosa e espetacular a vida. Ele está reafirmando que a vida vale muito e que portanto faríamos bem em não brincar com ela. O número de homens salvos da autodestruição ao aninhar seus filhos aos braços pela primeira vez está aí como testemunha do fato.
Que a vida não cesse de nos espantar. Que a vida aponte ao seu Autor. Que a vida nos salve da autodestruição. Amém.