Tentativas

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Nós, os que cremos, andamos por este mundo superpovoado como quem nada em um mar de descrença. Nós, os que confiamos, batemos cabeça e patinamos, sofremos e temos muitas vezes a sensação de que confiar e não confiar talvez dê no mesmo. É inevitável sermos assaltados pela ideia de que talvez Deus pudesse fazer as coisas diferentemente, achar algum jeito mais eficaz de lidar conosco. Um jeito que garantisse mais gente para o grupo que crê; um jeito que premiasse a confiança de forma mais visível e palpável.

Ao ser tentado a questionar isso eu também, tentei um olhar panorâmico sobre a história da relação dEle conosco. Primeiro, Ele amou. Cercou-nos de tudo o que precisávamos para termos uma felicidade genuína e um senso de completude e realização. Mas parece que não entendemos e ao escolher conhecer o bem e o mal perdemos a felicidade e a paz.

Ele tentou a comunicação verbal, então. Suas digitais estavam em tudo e o que uma raça que perde a felicidade e a paz pode querer além da esperança de Sua promessa? A transmissão dela de pai para filho deveria ser suficiente. O resultado foi o dilúvio.

Ele tentou separar um homem de fé, cercá-lo de bençãos e fazê-lo habitar o centro do mundo, para que ninguém ficasse sem ouvir sobre Ele e então não perdessem ao menos a esperança, mas seus vizinhos Sodoma e Gomorra viveram e morreram como quem queria continuar não vendo o óbvio.

E se esse homem justo desse origem a uma enorme nação? E se essa nação testemunhasse? E se Ele, além disso, Se utilizasse de expedientes sobrenaturais, com milagres e mares se abrindo, e colunas
de fogo e pragas? Deus pôs em prática esse plano gestando o Seu povo peculiar em um cativeiro de 400 anos para então dar-lhe uma liberdade miraculosa e apoteótica, mas as próprias testemunhas dos milagres preferiram deuses de ouro e de madeira e reclamaram ostensivamente que tudo aquilo era muito pouco.

E se Seu amor fosse traduzido em leis e ficasse talhado em tábuas de pedra? E se o povo tivesse um rei? E se Ele enviasse profetas? E se Ele procedesse a livramentos miraculosos? E se Ele, como um pai
contrariado, deixasse de proceder aos livramentos miraculosos e permitisse o castigo?

E se Ele tomasse a sua forma, andasse e falasse com eles? E se Ele Se deixasse matar por eles? E se Ele, depois disso, habitasse nEles e fosse refletido nos rostos deles?

Ele então me faz esta pergunta emocionada: “que mais podia eu fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito?” (Isaías 5:4).