Tag Archive: Yeshua

16
out

# Palavras que nutrem

palavras-que-nutremSe você tivesse que comer suas palavras, elas o nutririam ou o envenenariam? Para bem responder a esta pergunta, com real justiça à verdade, permita-se estar consciente do peso de cada palavra que pronuncia. Se seu coração está alinhado ao do Cristo, haverá de se lembrar da passagem do evangelho de Mateus em que ele mesmo, o Mestre, aconselha que se bem considere toda a palavra dita, afinal, haverá um dia em que os homens darão conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Considere que pelas palavras que houver dito, será absolvido ou condenado.

Se por ventura pense como boas as suas considerações, sem avaliar de fato se suas palavras afetam vidas ao seu redor, ou a você mesmo, não tomando ao Cristo como o teu diapasão, que se considere então pelos frutos de uma árvore. Ainda assim deverá contemplar a verdade para julgar com retidão. Entende que a árvore boa não pode dar um fruto ruim, e da mesma forma uma árvore ruim dar bons frutos? A boca, segundo Jesus, fala do que está cheio o coração. Eis a realidade das palavras que nutrem ou envenenam o interior do homem e o seu redor. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más.

Compreende ao menos que se tuas palavras te nutrem e não te envenenam, é porque nelas há amor? Afinal, como, sem amor, poderia amar a si mesmo? Como, sem amar a si mesmo, poderia amar ao seu próximo? O Mestre, conhecendo os pensamentos humanos, disse que todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. Quanto mais o homem, pequena porção, se lhe faltar o amor.

Antes de dizer algo, que possa te nutrir ou envenenar, lembre-se do que por fim disse o Cristo, posto que o céu e a terra passarão, mas as palavras dele permanecerão. A Palavra que ele pronunciou, esta nutre e permanecerá, porque ela é a Verdade, o Caminho e a Vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

28
fev

# Luz

candeiaSe há um testemunho maravilhoso com que nos deparamos quando conhecemos um verdadeiro discípulo de Cristo, é estarmos diante de alguém capaz de amar tanto as revelações da Palavra que as internaliza em sua vida, transformando-se a olhos vistos. Muitos diriam: “Esta pessoa é uma bênção”. E é exatamente isso. Uma bênção porque se permite transformar-se, contudo, maior ainda, quando dessa forma influencia positivamente o mundo à sua volta.

Converter-se é transformar-se, é receber luz para resplandecer, e é, sobretudo, se permitir conjugar-se lâmpada para os que estejam na escuridão. Há uma sabedoria judaica que interpreta as palavras do Eterno quanto ao uso do melhor azeite para a menorá no seguinte sentido: “Não é para mim que acendem a lâmpada, mas para as pessoas que ainda estejam na escuridão”.

A palavra da nova aliança revela o magnífico ensinamento do Mestre enquanto o registra afirmando que ninguém acende uma candeia e a esconde. Pelo contrário, coloca-a em lugar apropriado para que possa iluminar a todos os que estão na casa. Portanto, assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. Palavras de vida eterna!

A Palavra nos guia de tal forma segura através dessa existência obscura e tortuosa que é o mundo, que faz necessário entendermos o quão tamanho relacionamento requer de nós um aprofundamento consistente em sua sabedoria, passando da letra para o espírito, vivenciando-a sobremaneira, internalizando seus mandamentos para que resplandeçam. O testemunho depende disso. Nós dependemos disso para crescermos.

Cumprir o mandamento é bênção, afinal, afirmou o Eterno: “Prestem atenção! Hoje estou pondo diante de vocês a bênção e a maldição. Vocês terão bênção se obedecerem aos mandamentos do Senhor”. Muito bem, contudo bênção maior diante dos olhos de Deus é fazermos resplandecer essa luz que dos mandamentos recebemos e por ela somos transformados.  A senhora White tem um depoimento em seus testemunhos que diz: “Todos exercemos uma influência que fala a favor da verdade ou contra ela. Desejo levar comigo as inconfundíveis evidências de que sou uma discípula de Cristo”.

Que a luz do Eterno, bendito seja o Seu nome, resplandeça em nós, alcançando a quem dela precise.

Feliz sábado!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

11
jan

# Sementes e Frutos

Ripe pomegranate fruitSementes, o nosso caminho é viver para germinar, crescer, florescer e frutificar. Aprofundemos nossas raízes no Eterno. Só assim será possível crescer e dar a Ele frutos agradáveis. Lancemos raízes para baixo, e haverá frutos para cima; diminuamos a nós mesmos para que o Messias possa crescer em nós. Afinal, conforme se registra pelas palavras de Jó, quem do imundo tirará o puro? Ninguém. Contudo, continua ele afirmando que há esperança para a árvore que, se for cortada, se renove sem cessar. Ainda que a nossa raiz esteja envelhecida e o tronco esteja morto, ao cheiro das águas brotaremos, e daremos ramos como uma planta. Lembremos, é a raiz da oliveira quem sustenta a todos, árvores, ramos, raízes, frutos e sementes.

Que nossa vida seja de frutos para o Eterno, bendito seja o Seu nome.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

10
jan

# Árvore e Raiz

Raiz de DaviQual a função de uma árvore? Proporcionar sombra por meio dos ramos, alguns diriam; outros lembrariam dos frutos e por eles, das sementes; e ainda outros tantos diriam de sua função na regulação do clima ou na troca dos gases, tão importantes para a vida na terra. Tudo isso é verdade.

E quanto à parte da árvore que não vemos? Sim, a sua raiz. Qual a sua função? Sabemos que a função da raiz de uma árvore é lhe sustentar a vida, dando-lhe equilíbrio e, sobretudo crescimento para o alto, além de lhe proporcionar seiva e nutrientes.

Há uma passagem em que Paulo escreve certificando-nos de que somos nada além de ramos enxertados na oliveira que é Israel, a fim de participarmos da seiva de sua raiz, pois houve tempo em que dela estávamos separados, posto que éramos estranhos à promessa de um redentor feita ao povo escolhido.

No entanto, adverte o apóstolo, importa não nos gloriarmos contra os ramos naturais por terem sido cortados devido a sua incredulidade, afinal, dois fatos são inquestionáveis; o primeiro é que se o Eterno cortou até mesmo os ramos que eram naturais à oliveira, certamente não nos pouparia; em segundo, é bom e sábio o temer a Deus, pois não somos nós que sustentamos a raiz da oliveira, mas ela a nós.

O profeta Isaías afirmou que do tronco de Jessé, pai de Davi, surgiria o renovo, qual seja, o Messias, este que segundo Paulo, nos regeria e nos daria esperança por meio de sua obra, para que o homem voltasse a ter direito à árvore da vida. Ele é o Messias, a raiz de Davi que venceu. Ele mesmo diz: “Eu sou a raiz e a geração de Davi”.

Ele é aquele que, sendo raiz, executou o trabalho mais árduo, enfrentando obstáculos e descendo aos confins da terra para que a oliveira fosse frondosa, permanecesse firme e frutificasse, sobretudo. Ele foi quem seguiu descendo, certo de que o DNA que lhe dava força e poder vinha do alto; ele a tudo suportou, para que tivéssemos vida, crescimento, frutos e esperança.

Logo, pergunte-se qual a sua função como ramo enxertado na oliveira. Fica a dica. Se a raiz é santa, os ramos também devem sê-lo, pois só assim produzirão bons frutos.

Shabat Shalom.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

03
jan

# Renovando a cada manhã

heaven_blue_doorChegamos ao primeiro sábado de um novo ano. Apesar de o ano ser a contagem do tempo, segundo a volta completa que a terra dá em torno do sol, para o inconsciente coletivo é uma oportunidade de pensarmos nossas atitudes, fazermos planos pessoais e profissionais e também darmos continuidade a tudo o que já vínhamos fazendo.

Refletindo bem, a qualquer tempo pode-se agir assim, repensando a vida e tomando novas atitudes, mas, sejam os dias quais forem, devemos pensa-los, sobretudo como momentos únicos para agradecermos pela vida e seguirmos a jornada rumo ao Eterno; instantes preciosos para renovarmos a fé mediante nossos atos.

Há tempo e propósito para todas as coisas debaixo do céu, segundo o rei Salomão. Ele mesmo compreendeu que não há coisa melhor para o homem do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; e quer coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho, isso é um dom de Deus.

Portanto, faça o que fizer neste novo ano, faça-o para a glória de Deus. O tempo aceitável é agora, diz o Senhor. Graça imerecida, porém, dada a nós pelo Eterno, com amor, para nos reconciliarmos com Ele. É por essa finalidade divina que devemos viver e agradecer todos os dias, renovando-nos a cada manhã.

Seguir em sua direção, confiantes e alegres, dependentes de Sua providência, anunciando a Sua revelação por onde quer que passemos, fazendo o bem, amando e perdoando, não julgando, sobretudo.

Se por sentirmos tantos bons desejos na passagem de um ano para outro, seria melhor que nos deixássemos transformar e nos permitíssemos vive-los intensamente a cada manhã, enquanto a terra continua sua jornada em torno do sol.

Assim seja, para a glória de Deus, bendito seja o Seu nome.

Shabbat Shalom.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

21
dez

# Andar pela fé

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Como muitos já sabem, há duas semanas tomamos de empréstimo a narrativa do livro O Peregrino, de John Bunnyan, para analisar a jornada do protagonista, Cristão, que não raro representa a jornada de todos nós em busca da porta que é Cristo, com tudo e todos que cruzam nosso caminho para nos ajudar a avançar ou para nos incentivar a retroceder.

No último episódio Cristão se deparou com a desistência de seu amigo que o acompanhava, pois este ao se surpreender com o primeiro problema que surgiu, um pântano chamado Desânimo, concluiu que não deseja mais seguir, e conseguindo se livrar, saiu sem nem mesmo ajudar a Cristão, voltando à vila que representava o seu conforto. Seu nome era Volúvel.

Cristão, agora sozinho, tentava se livrar do pântano, mas, devido ao fardo que trazia às costas não conseguiu sair e começou a gritar por socorro. Logo surgiu ao seu encontro um homem chamado Auxílio, perguntando-lhe o que ele fazia naquele lugar. Cristão lhe explicou que tentou se aproximar com pressa da porta estreita (Cristo) e quando percebeu, estava atolado naquele pântano.

Ao perceber o conhecimento do homem, Cristão lhe perguntou por que aquele local era tão perigoso, afinal, estava no caminho que leva à porta. Ele ouviu como resposta ser o pântano o resultado do acúmulo dos temores e das dúvidas humanas, que surgem no momento em que estes se conscientizam que sua realidade é feita de toda sorte de imundícia.

Afirmou ainda que o Rei não deseja que o local se torne intransponível, por isso providenciou que colocassem pedras sólidas para que os peregrinos transpusessem o pântano por meio delas, no entanto, quando a tormenta é forte, alguns não as enxergam e caem no pântano.

Enfim, leitor, pergunte-se: nessa sua jornada em direção à porta estreita que é Cristo, quantos peregrinos você conheceu como Volúvel, que acharam que o caminho seria vantajoso, trazendo-lhes facilidades instantâneas, e melhor, que os livraria de todo tipo de problemas, mas ao se depararem com as provas da vida acabaram por desistir do caminho, deixando até mesmo seus companheiros de fé para trás?

Não apenas os fatos que nos provam a fé devem ser esperados, mas ao nos lançarmos no caminho em direção à porta estreita, mesmo em circunstâncias que pareçam tranquilas, devemos andar pela fé para que possamos observar os detalhes à sua volta, a fim de reconhecermos os auxílios enviados por Deus, como as pedras do perdão, da aceitação e da dependência do Eterno que nos ajudam a atravessar os pântanos repletos de transtornos.

Que o amor do Pai seja o alimento de nossa fé, pois Ele amou o mundo de tal maneira que deu seu próprio filho para morrer em nosso lugar.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

20
set

# Atestando a capacidade

jesus_pregandoA semente deste sábado é lançada para meditarmos sobre a quem damos ouvido quando nos fala da palavra do Eterno. Antes, preciso dizer que o texto que escrevi é uma readaptação de uma obra ficcional traduzida e adaptada por Amin Rodor, encontrada na “Meditação diária – 2014 – Ligado na videira”, publicada em 18/09/14.

Em certa ocasião, alguns candidatos bateram à porta de uma igreja para se submeterem a entrevistas para a vaga de pastor. Pois bem, ao final das entrevistas o perfil dos candidatos assustou ao apresentador, e sentindo-se preocupado que outras igrejas pudessem ser vítimas de alguma manobra por parte daqueles homens, desclassificados, em sua opinião, resolveu lhes enviar um relatório dos candidatos, que dizia:

Estes são os candidatos que chegaram a mim para entrevista-los pela vaga de pastor aberta em nossa igreja. Advirto-os quanto aos seus perfis, e caso cheguem por aí, decidam por si mesmos:

Primeiro veio um senhor de nome Noé, que por suas próprias palavras, não fossem pelos poucos membros de sua família, nunca converteu alguém em mais de cem anos de ministério. Mostra-se, portanto, inapto para a função. O seguinte, que atende por Moisés, é tão gago que o dificulta com os sermões. Penso que seria motivo de risos, quando não de membros impacientes. Além disso, é um tanto irritadiço. Imagino que seja pela gagueira.

Depois deles surgiu um de nome Salomão, que chegou acompanhado de uma comitiva que foi logo atestando suas qualidades, entre elas, a sabedoria, no entanto, percebi que parece ser do tipo faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Em seguida a ele, eis que surgiu, depois de muita insistência, pois queria desistir, um tal senhor Jonas. Quem desistiu dele fui eu. Em seguida, um tal Elias, que me pareceu estar bastante deprimido. Entendi que nenhum dos dois serviria como um bom testemunho para as campanhas da igreja.

Teve também um chamado Oseias. Um chefe de família com sérios problemas em casa. Ou seja, não precisamos de gente desse tipo por aqui. Entre esses, surgiu o Jeremias, alguém que não parou de se lamentar. Tinha lá suas razões, mas me recusei a ouvi-lo. Enfim, destes mais velhos não suportei a nenhum deles, afinal preciso de gente jovem e positiva.

Entre os mais novos, tivemos um que mais parece um hippie, o que não seria bom para imagem da igreja. Atende pelo nome de João Batista. Contemporâneo dele, veio o Pedro, um homem que imagino vocês conheçam; é conhecido por abandonar o barco em meio a situações de perigo. Veio acompanhado de um amigo chamado Paulo, alguém que percebi, gosta de escrever muito, se dizendo um impecável intérprete do Messias.

Não recomendo nenhum deles. Por fim, todos acompanhavam um tal Jesus. Esse é talvez o pior de todos, pois gosta de colocar os outros em uma tremenda saia justa, pois está sempre a questionar as boas intenções dos membros da igreja, falando em meias palavras, como se testasse a inteligência alheia. A este, definitivamente, não nos serve nem para ser o porteiro.

De todos eles, há um apenas que recomendo, pois ainda não pude ficar com ele, pois disse-me que fará uma pesquisa para saber que denominação possa lhe pagar mais por seus serviços. Atende pelo nome de Judas. Tem ótimo trato com as finanças e pensa nos pobres. Ao menos foi o que me disse.

É isso, enfim. Vocês foram avisados, afinal, precisamos conhecer bem aos que fazem parte de nosso círculo, inclusive para que possamos ouvi-los quando falem do Eterno. Não se deve ouvir qualquer um.

Feliz sábado

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

17
ago

# Não haverá mais lágrimas

cristo019Há poucos dias presenciamos a ceifa precoce da vida de Eduardo Campos. A sua morte prematura privou seus jovens filhos da companhia de um pai amoroso, que muito ainda teriam para conhecer da vida ao seu lado. Ontem, minha família e eu vivenciamos uma de nossas matriarcas perder sua filha, depois de ver partir outros dois de seus filhos em outros anos.

Duas situações incomuns, ao menos pelo que se espera da vida e que têm grande repercussão física e emocional em nós, causando-nos o escape do pranto. O que há em comum a todas as situações de perda, mesmo quando da partida dos mais velhos, são expressões de tristeza externadas pelas lágrimas.

O Mestre também chorou. Foi na ocasião da morte de Lázaro; no entanto, o relato de João afirma que Jesus, ao ver Marta e todos os que estavam com ela em prantos, teve seu espírito abalado intensamente, e ele chorou. Foi por compaixão. Em seguida disse a Marta: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?”. Com essas palavras, ele mostra a coerência do conhecimento que veio para ensinar. A certeza da ressurreição.

Pranteamos quando perdemos nossos entes mais velhos, porque somos humanos, criamos laços íntimos e alimentamos sentimentos que nos sustentam em meio à jornada da vida. Outras vezes, quando da perda de nossos jovens, porque somos impotentes diante da morte, sendo que, para ambas as situações, nós não compreendemos verdadeiramente o contexto da vida face às revelações do Eterno, tenha ela o tempo que tiver.

Pranteamos em diversas situações, e em quase todas, por alguma impotência que nos acometa diante de fato que justifique a tristeza. Jesus chorou por compaixão pela segunda vez, contudo nada mais poderia fazer. Ao entrar em Jerusalém, se deparou com uma infinidade de homens que se recusaram ao arrependimento e à mensagem de salvação. Ele chorou pela cidade, narra o evangelista Lucas.

Quando choramos, liberamos uma descarga emocional que acaba por nos aliviar de algo que não compreendemos ou suportamos, mas que está diante de nós. Sêneca, o filósofo grego contemporâneo do Messias, dizia que “as lágrimas aliviam a alma”.

Portanto, devemos reter em nós a total compreensão da promessa da vida, para que possamos viver pelo dia em que o Eterno enxugará dos nossos olhos toda lágrima. Quando não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor.

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

16
ago

# Poesia messiânica

WFEO poeta de Nazaré, versava com rimas de humor divino, falando com graça sobre o amor e a sabedoria, sobre o reino de seu Pai, permitindo a seus ouvintes e seguidores vivenciarem a falta de sede, mesmo em meio ao deserto humano.

Por isso, acabou por contrariar a religiosidade a sua volta, engrandecida que estava por suas formas orgulhosas. Vasos lindamente adornados, mas sem água alguma; estanques.

A poética de sua realidade subsistiu não pelas instituições religiosas, mas, pela essência que há em suas palavras, retomadas em momentos esparsos da história.

Rimas eternas. Sem tempo de começo ou fim. Impossíveis de serem perdidas. Tanto que, nem mesmo as mais fortes distorções, conseguiram roubar-lhe o espírito, a substância.

Como não entendê-las, ou absorver seus pensamentos mais sutis, ou ainda, deixar de enxergar com seus olhos de poesia, além da tragédia humana?

Que nossa seja versada pelo caminho, pela verdade e pela vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

03
ago

O Menino-Passarinho

Enquanto os pais pescam, crianças passam o dia subindo em árvores, tanto para brincar como para pegar frutas - Fernando Borges-SalvaVidasAmazôniaO conhecido bairro de Higienópolis em São Paulo recebeu nesses dias um morador indesejado. Um menino-passarinho. Saído do interior do Rio de Janeiro depois da morte de seu pai e do desaparecimento de sua mãe, o menino chegou à cidade. Afirmando estar acostumado às árvores, instalou-se no alto de uma das muitas encontradas no bairro, local onde dorme, deixando os moradores em polvorosa.

Entre as declarações dos locais, pode-se ouvi-los confessar atingidos pela atitude do menino, contudo sem se atribuírem qualquer preconceito; afirmam que a rua é um postal para as pessoas e, mesmo que ele não tenha feito nada que o desabone, o passarinho, digo, o menino pode ser uma ameaça, segundo a opinião dos que o querem longe dali. Entre muitos, há quem tenha sugerido derrubar a árvore.

O ponto alto se deu alguns dias depois, com a chegada da polícia (para quem não precisa, pois o caso seria do Conselho Tutelar) que aconselhou o menino a deixar a rua. Ao se recusar foi prontamente agredido pelos moradores…

Nesse dia, voou acuado, mas voltou, sem qualquer arrogância ou retaliação, pois segundo ele, acha a rua bonita. O menino-passarinho está protegido por Organizações que defendem o direito das crianças. Alguns moradores têm lhe dado atenção, conversando com ele. Ele carrega consigo uma enciclopédia de mágicas, mas como não sabe ler, espera que alguém lhe ensine algum truque. Ao dizer sonhar com uma família, seja de onde vier, encontrou alguém disposto a adotá-lo.

O que (ainda) impressiona é que em um lugar como aquele, habitado por pessoas aparentemente educadas e que se dizem instruídas pelas escrituras que ensinam o amor como a base para todos os atos, lição ao que parece bastante relativizada nestes tempos, tenham tão poucas sugestões que façam meninos como o passarinho, acreditarem que há gentileza e amor no mundo, fazendo-os descer das árvores para lhes retribuir com as lembranças do já esquecido mundo onírico de uma criança, mesmo abandonada.

Talvez seja esse o melhor “truque mágico” que poderiam lhe ensinar: atenção, gentileza e amor. Porém, é notório que essa capacidade falte aos adultos, sobretudo aos que se agarram às religiões sem se deixar modificar pelo cerne que as justifica. Amor. É possível que os filhos desses encastelados moradores sejam os únicos que entendam o menino-passarinho, não causando surpresa se, quando dormem, sonhem poder subir aquela árvore para brincarem juntos.

É possível que esses pequenos príncipes, desde pequenos aprendam a se calar diante das posturas de seus pais e, assim, cresçam modificando seus conceitos mais puros, tornando-se reis que preferem derrubar uma árvore, a compreender a necessidade de um passarinho.

Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo”. (Mateus 18)

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Foto na Amazônia, por Fernando Borges.

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