Tag Archive: Povo Escolhido

11
fev

# Protestantes…

Tenho visto com frequência, cristãos e pastores falarem contra as igrejas que têm o sábado bíblico como o dia de descanso. Eles afirmam que o sábado como um dia de descanso havia sido dado tão somente aos judeus. Uma aliança entre Deus e Seu povo como relata o Antigo Testamento. E com a vinda de Jesus determinando uma nova aliança, mediante a Sua ressurreição entregou a toda a humanidade não apenas a redenção definitiva dos pecados, mas também um novo dia de descanso e adoração a Deus. A saber, o domingo.

No entanto, para sustentarem sua afirmativa, estes se esquivam da verdade histórica, esta que sem qualquer questionamento faz prova material de que a mudança do dia da adoração a Deus tenha ocorrido pelas mãos convenientes de antigos imperadores. E a própria igreja de Roma confessa sem o menor constrangimento que nos anos seguintes a estes decretos, os papas reafirmaram o descanso dominical durante seus concílios, por serem eles (os papas) os únicos capazes de interpretar, mudar e determinar aos fiéis o curso da fé originada nas escrituras.

Fico tentando entender como tanta gente instruída na palavra de Deus possa ler a bíblia e não aceitar a verdade, relativizando conceitos segundo a conveniência humana. Talvez por medo de se comprometerem em face de séculos de doutrina.

Dito isto, pergunto – os que contestam a guarda do sábado como o dia de descanso para exclusiva adoração à Deus, não são os mesmos que se mantêm rígidos com a pregação sobre o dízimo? Sim, pois, se o dízimo foi também para os judeus, ainda que manifestado muito antes por Abrãao, este compromisso de fé fazia parte da lei do antigo testamento. Mas, certamente me responderiam – “Jesus ao seu tempo disse para dar o dízimo” (Mateus 23:23). No entanto, eles se abstêm de dizer que Jesus nesta passagem se dirigia tão somente aos fariseus, chamando-os inclusive de hipócritas, por pagarem o dízimo e desprezarem a justiça, a fidelidade e o amor de Deus. Afinal, Jesus enviou os discípulos aos pares para pregarem a boa nova, orientando-os que não levassem bolsa, e que se sustentassem apenas do que lhes fosse dado a comer e dormir. Não seria o caso de agir também conforme esta orientação?

E mais, será que os cristãos protestantes se esqueceram da passagem de Romanos 11:11 em que Paulo diz com todas as letras que foi por conta da transgressão de Israel que a palavra de salvação fora estendida diretamente aos gentios? Ou seja, não fosse pelo erro do povo escolhido, a graça de Cristo teria sido pregada nestes últimos séculos pelos próprios judeus a toda humanidade, dando por finalizada apenas e tão somente a lei sacrificial, onde os pecados eram remidos pela morte de cordeiros.  

Que a paz e a graça de Cristo estejam com todos.

Shabbat Shalom

Sadi – Um Peregrino na Palavra

28
jan

# Na contra mão do mundo

      O patriarca Abraão recebeu o chamado de Deus e ainda que morasse em uma rica cidade, abandonou a tudo e tomando sua família, seguiu em direção ao desconhecido. O apóstolo Paulo, discípulo do renomado educador Gamaliel, e, mesmo sendo respeitado em meio ao seus pares fariseus, também abandonou a tudo diante do chamado divino, seguindo na direção contrária da vida já estabilizada.

       O que há em comum entre eles é a fé que nasceu em um coração tocado por Deus. Desta forma seguiram em busca de fazer a vontade do Criador. Tornaram-se um vaso para a honra do oleiro.

       E quanto a você? Seria capaz de deixar toda sua vida, construída ao longo de anos de trabalho, esforço e dedicação, para fazer a vontade de Deus, mesmo sabendo da necessidade de abrir mão de toda a sua estabilidade?

       Shabbat Shalom

       Sady Folch – Um Peregrino na Palavra

09
jul

# Yerushalaim

“E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças…e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu.” (Apocalipse 21:9-10)
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Naqueles dias só Tu conhecias aquelas tendas
Que se haviam emprestado às tuas muralhas celestes.
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Ordenado e dirigido pelo SENHOR YHWH
O teu povo escolhido agora caminhava liberto,
Pois pelo som dos gemidos que também ouvistes,
Presenciastes a Lembrança do antigo concerto,
E o nome do Redentor a se fazer, enfim, conhecido,
A completar ao que antes revelara aos patriarcas.
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Em meio ao deserto tuas paredes eram presentes,
E os protegia do calor do dia,
Do frio da noite,
Estes peregrinos resgatados em terra alheia,
Levados a terra pela qual se levantou as Mãos,
Prometida ao pai da fé, ao seu filho e a toda descendência.
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Ainda que por vezes, lamentosos caminhassem,
Toda aquela jornada existencial era para ti,
E ao tempo que não passa e não existe,
Permaneceste firmada na rocha dos séculos,
Ornada de maravilhas, a espera dos escolhidos,
Com lugar preparado a cada um deles.
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Aos que vagando por um pesado deserto,
Qual ao passado que habitaram outrora,
Cheios de saudades do que não era Teu,
Passageiros se fizeram, se perderam,
Encarcerados em seus lamentos estrangeiros,
Em tempos que pouco se lembravam das promessas.
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Mas, às duras exortações caminharam,
Eles, frutos da terceira geração patriarca,
Herdeiros da aliança segundo a vontade revelada,
Novamente despertados por fidelidade a Ti
Foram tirados das mãos que lhes açoitava,
Açoite às costas que não lhes sobrevinha peso senão do chicote
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Costas marcadas não pelos teus mandamentos,
Mas, pelo que se sujeitavam os paladares,
Assim como ao que os olhos lhes adoçassem ao coração,
Mortos em seus corpos sem sentido,
Sangue real em veio estranho, vertido pelo sabor do alimento em miséria,
Preenchidos pelas águas que sobrevinham ao campo de tempos em tempos,
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E ao caminho só Tu choravas por não se renovarem a cada manhã.
Ainda assim, ao dia presenciava-lhes a condução,
Como à noite lhes ser dado o caminho pelo fogo
A guiá-los da mesma forma como os alimentava,
Com o pão que deitava dos céus purificando-os;
Contudo, eles não ouviam quão rebeldes eram.
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Em que lugares outros se passavam as décadas,
E os pés lhes cresciam sem que lhes faltassem as sandálias?
Mas, tu, Jerusalém celestial, era menosprezada,
Pelo ídolo, e ao peso do vil metal, substituída,
Ainda que um madeiro já se levantasse àquela época,
A curar-lhes das serpentes, fruto do pecado contra o SENHOR.
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Porém, continuavam a permanecer diante de um presente obscuro,
Cheios de si, lamentosos, desobedientes e sem fé.
Desejosos a voltarem àquele estado de Egito,
Onde se lhes seduzia o melão e o pepino passageiro,
A saciarem-lhe a efêmera carne,
Em detrimento do alimento que lhes supria o jejum
.
Esquecidos estiveram das vezes em que das trevas
Naquelas searas, a luz de Israel lhes prevaleceu,
A uma quando ressurgiu do fundo da terra,
Para ascender e ser reconhecido como o segundo de todo reino
A duas quando saiu das águas,
Para assim como príncipe, receber as primícias do reino.
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E mesmo que a água vertesse da rocha,
Não honraram senão à carne falaciosa,
Enfadonha, e caída pelo caminho,
Saudosa de seus pertences,
Logo estes, que nascidos na seiva das doze raízes,
Porém, cresciam sem produzirem as sombras frescas do velho tronco.
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E a este tempo da vida no deserto,
Tratou o SENHOR de alinhar seus frutos,
Dando-lhes mandamentos e ordenanças,
Pois, assim lhes prometeu ao instante do livramento,
Quando lhes tomou por povo, sendo-lhes Seu Deus,
Mostrando-lhes ser o SENHOR, tirando-lhes do julgo.
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E Tu, Jerusalém de Ouro,
Morada eterna dos que obedeceram ao SENHOR,
Espera pelos que se edificaram na sabedoria,
E no Amor com que foram tratados, cresceram,
Tornando-se da mesma essência das pedras de teus muros,
Ainda que tenham tido a necessidade da lapidação do deserto.
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As intercessões foram o exemplo de amor por teus habitantes,
Os sacrifícios se fizeram vivos pelo sacrifício vivo e definitivo,
Os mandamentos restauraram o que lhes foi retirado,
Os concertos e pactos do SENHOR objetivaram a chegada aos teus átrios,
As proibições não se fizeram senão para purificar-lhes,
Aos que foram exterminados de Tua presença, entristeceu ao SENHOR.
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Assim o SENHOR os levou israelitas à terra prometida,
Como aos ossos daquele que restaurou o amor entre seus irmãos,
E em que pese o guia escolhido não ter gozado do leite e mel daquelas terras,
O próprio SENHOR o sepultou por ocasião de sua morte,
E não se levantou profeta igual a ele em Israel,
Nem tão pouco que o SENHOR tenha conhecido face a face.
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E desta forma, diante da majestade do SENHOR,
O descanso que encontrará morada nos teus pátios,
Deu início nesta jornada vencida pelos que tem a fé e guardam os mandamentos,
Aos quais o SENHOR abençoa e guarda,
Faz resplandecer o Seu rosto sobre eles, dando-lhes a paz,
Encaminhando-os aos teus portões que lhes está aberto desde o início.
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Recebe-os, Yerushalaim, em teu solo sagrado,
Pois és a morada do SENHOR, onde viveremos por toda a eternidade.
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Shabbat Shalom!
Sadi – Um peregrino na Palavra