Tag Archive: obediência

24
mar

Cuidado: Tinta Fresca

Gelson de Almeida Jr.

“no dia em que dela comer, certamente você morrerá” Gênesis 2:17 NVI


Dias atrás a escola onde trabalho foi pintada, quando vistoriava o serviço uma funcionária veio até mim, preocupado em que ela não se sujasse com a tinta fresca, apontei para uma porta e disse-lhe:

– Cuidado para não se sujar, a tinta está fresca.

Menos de cinco segundos depois ela já estava com o dedo sujo de tinta. Tristeza, espanto e arrependimento estampavam seu rosto quando, muito sem graça, se virou para voltar à sua sala. Fizera o que todos fazem ao verem um aviso de “tinta fresca”, passou o dedo para conferir.

O Eterno dera vários avisos sobre a “tinta fresca”, mas o casal, que tinha à sua disposição 99,99% do jardim, resolveu tocar no 0,01% que lhe era vedado. Não fizeram isso porque queriam pegar o que não lhes pertencia, mas porque queriam o algo mais que a serpente prometera, não sabiam bem o que era, nem entendiam direito o que conseguiriam caso tivessem, mas queriam. E o resultado não poderia ser pior.

Duas promessas haviam sido feitas caso tocassem no fruto, o Eterno lhes prometera a morte, a serpente lhes prometeu um conhecimento superior. Desacreditaram no Criador e acreditaram na “criatura”. Ao assim proceder causaram um dano irreparável em sua relação com o Eterno e gravaram em seu DNA a marca da desobediência, da rebelião. É bem verdade que não morreram instantaneamente, mas, assim que pecaram, começaram a morrer.

Assim como o galho seccionado da árvore não morre de imediato, mas tem sua sentença de morte decretada, o ser humano que decide agir de modo contrário e independente do Eterno tem sua sentença de morte decretada, pois o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23). Se você, ao contrário da morte, deseja a vida, e a vida abundante e plena, só tem um caminho a seguir, ser um ramo da videira celeste e nela permanecer unido (João 15:5). Criador ou criatura, a quem você dará ouvidos?

18
jan

Receita Infalível

Gelson de Almeida Jr.

No último domingo, 15/01, o tele dramaturgo Jayme Monjardim publicou em sua conta no Instagram foto onde exibe o braço com sua mais nova tatuagem (foto ao lado), os trinta e um versículos de Gênesis 1. Segundo o tatuador, ele não gosta muito de imagens e queria tatuar algo relacionado à religião e ao livro do Gênesis, assim sendo, tatuou todo o capítulo 1.

Assim que vi a foto e li a notícia lembrei do desejo divino do Eterno para Seus filhos, “(…) siga os meus conselhos e grave na memória as minhas instruções. Amarre-as aos seus dedos; grave-os firmemente no seu coração” (Provérbios 7:1 e 3 BV). Quando o Eterno afirma isto Ele se refere a algo muito mais forte e profundo que uma tatuagem externa, Ele deseja que Sua Lei seja nossa linha mestra de conduta, nossa referência em tudo o que fizermos, se isto ocorrer, Sua vontade será a nossa, Seus desígnios serão os nossos e tudo nos irá bem.

Falando aos hebreus, Paulo afirma que, após o sacrifício de Cristo por nós, o Eterno fez uma aliança conosco, Sua Lei seria impressa em nosso coração (entendimento). A princípio pode parecer algo impositivo, mas o complemento da promessa é fantástico, Ele afirma que, após firmar essa aliança, não se lembraria mais de nossos pecados (10:16 e 17).

Paulo ainda convida, os que já firmaram essa aliança com o Eterno, para que se dirijam diretamente ao Eterno confiantes, pois Ele os receberá (v.22). Aí está a receita infalível para se dirigir ao Altíssimo de forma a não recear absolutamente nada.

02
nov

O Segredo

Gelson de Almeida Jr.

maos-postas-em-oracaoCerta feita fui questionado por membros de uma igreja da Grande São Paulo ao dizer que poderíamos ter nossas orações atendidas, assim como os apóstolos haviam sido atendidos. Lembro-me que entre os que me questionaram estava um homem que disse que muitas de suas orações não tinham sido atendidas pelo Pai. Perguntei-lhes se acreditavam na Bíblia e todos disseram que sim. Em seguida pedi que lessem João 14:13-14, onde Cristo deixa bem claro que recebermos “tudo” quanto pedirmos em Seu nome. O questionamento foi mais forte ainda, um senhor disse que fazia todas as suas orações em nome de Jesus, mas que várias delas não eram atendidas.

Mostrei-lhes que não bastava orar e pedir em nome de Jesus, mas que existiam algumas regras básicas para que assim pudéssemos proceder. Nos versos anteriores e posteriores a esta promessa de Cristo Ele coloca algumas condições, crer nEle (v.12), guardar Seus mandamentos (v.15) e conhecer e ter o Espírito de Deus dentro de si (v.17). Davi, que teve muitas orações atendidas e outras não atendidas, a quem o Eterno chamou de “homem segundo o meu coração” (Atos 13:22) afirma que os que se deleitam no Senhor, entregam o seu caminho a Ele e nEle confiam, tem os desejos de seu coração atendidos (Salmo 37:4 a 6).

Quando o Eterno for o centro de nossa vida, o Senhor de nossas ações, quando, assim como Cristo, nossa comida consista em fazer a vontade do Pai, nossos pedidos serão por Ele atendidos. Caso contrário, até poderemos pedir “em nome de Jesus”, mas estaremos correndo um sério risco de citar o Seu nome, mas de fazer os pedidos em nosso nome e, nem sempre o que “eu quero” é o melhor que o Pai pode me conceder. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e Ele tudo fará” (Salmo 37:4).

16
set

Obediência

Gelson de Almeida Jr.

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. João 15:14


obedecer-e-desobedecerGosto da história do garoto que estava sentado junto ao portão que dava acesso à propriedade da família quando dele se aproximou Napoleão Bonaparte com seus homens, ele queria cruzar a propriedade, mas o menino o impediu. Zangado, o arrogante general se identificou e ordenou ao menino que o deixasse passar. Educadamente o garoto fez-lhe uma reverência e disse:

– O senhor vai querer que eu desobedeça meu pai? Esse portão está fechado, aqui ninguém passa, conforme meu pai determinou”.

Obediência admirável a desse garoto que, tendo à frente tão grande prova, não hesitou em obedecer ao pai. Tivessem Adão e Eva agido como o garoto e o pecado não teria entrado em nosso planeta. Tivesse o povo de Israel agido como o garoto e o plano do Eterno teria se cumprido há muito. Quanta dor e sofrimento já existiram ao longo da história apenas porque o Pai foi desobedecido!

Mas, antes que culpe os que vieram antes de você, pergunto: Será que sua vida e daqueles que o rodeiam não seria diferente se você obedecesse às ordens do Pai? Quanta dor, quanto sofrimento, quantas lutas e batalhas deixariam de existir se as ordens do Pai fossem obedecidas! O passado não pode ser mudado, ele não mais lhe pertence, mas o presente e o futuro sim. Obedeça as ordens do Pai, você só terá a ganhar.

26
ago

O Melhor Amigo

Gelson de Almeida Jr.

Existe uma lenda árabe que relata a história de dois amigos que discutiram quando viajavam pelo deserto. A discussão foi tão acalorada que um deles acertou o rosto do outro com um soco. Imediatamente, o que foi agredido, se curvou e escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo me deu um soco no rosto”.

Continuaram a viagem em silêncio até que se depararam com um oásis, começaram a se banhar e, o que havia levado um soco, começou a se afogar e foi salvo pelo outro. Assim que se recuperou, pegou um instrumento pontiagudo e escreveu numa pedra: “Hoje, meu melhor amigo salvou minha vida”.

pazA Bíblia apresenta inúmeras demonstrações de amizade do Eterno para conosco. O Salmo 23 apresenta um pequeno resumo disso. Afirma que o Eterno é nosso Pastor e, como tal, não nos deixa faltar alimento, nos faz repousar em lugares tranquilos, nos refrigera a alma, está ao nosso lado nos momentos mais difíceis, nos ampara e restaura mesmo quando rodeados de adversários. Finaliza dizendo que bondade e misericórdia são Seus traços característicos.

Cristo morreu em nosso lugar, pois é nosso Amigo e Seu amor é incondicional. Somos seus amigos por escolha Sua (João 15:3 3 16). É por essa razão que que quando o magoamos Ele escreve nossas faltas na “areia” do tempo. Ele não guarda rancor nem mágoa, faz questão de esquecer as coisas ruins (Hebreus 10:7), mas valoriza cada ato de obediência de nossa parte, pois é assim que mostramos ser seus amigos (João 15:14). Portanto, vá até Ele, você pode procurar, mas nunca achará amigo igual ou maior ao Eterno.

22
abr

O celular tocou e…

Gelson de Almeida Jr.

celular no carroDias atrás uma amiga dirigia pelas ruas de São Paulo quando o celular tocou, a baixa velocidade do trânsito trouxe-lhe uma sensação de segurança e ela resolveu atender a ligação. Um solavanco fez o celular cair a seus pés, como não visse perigo aparente, se abaixou para pegá-lo. Nesse instante o carro da frente parou. Você pode imaginar o que aconteceu a seguir, apesar da baixa velocidade ocorreu uma violenta colisão.

Felizmente ela não teve nenhum ferimento, mas a colisão causou “perda total” em seu veículo. Agora utiliza um veículo muito inferior ao seu, concedido pela companhia de seguros, que logo será devolvido e terá que providenciar outro meio de locomoção. Também apresenta sintomas de pânico. Quanto prejuízo por uma simples desobediência! A autossuficiência e sensação de segurança e impunidade foram completamente desastrosas para ela.

Longe de querer criticá-la quero fazer uma pequena comparação do que ocorreu com ela e o nosso comportamento diário. Temos um conjunto de regras deixadas pelo Eterno que, se seguidas fielmente, nos trará segurança nessa vida e garantirá a vida eterna. Infelizmente muitos, por excesso de confiança, descuido, despreocupação e desprezo às Leis divinas passam por situações de constrangimento e dor.

Embora muitos achem que os preceitos do Eterno são desnecessários, e nos impedem da total felicidade, Tiago os chama de “lei da liberdade” (2:12), o salmista afirma que pensava neles muitas vezes para não fazer coisas erradas (Salmo 119:11 BV) e Paulo afirma que a lei é santa e o mandamento é justo e bom (Romanos 7:12).

Desobedecer a lei pode parecer algo inofensivo, que não trará maiores consequências, mas desobediência nunca é algo seguro, Tiago afirma que a desobediência de apenas um dos preceitos divinos nos torna culpado de todos (2:10). Minha amiga teve uma segunda chance e me garantiu que aprendeu a lição, agora andará dentro daquilo que a lei pede. Com certeza você recebeu outra chance após desobedecer aos preceitos divinos, o que está fazendo com essa nova oportunidade?

27
jan

Eu!!!

Gelson de Almeida Jr.

“(…) minha família é a mais pobre… eu o menor na casa de meu pai”. Juízes 6:15


 

placa com setaVocê já se sentiu pequeno demais diante de um trabalho que tinha que fazer? Alguma vez recebeu uma incumbência que gostaria de não haver recebido? Esse foi o caso de Gideão. O anjo do Senhor apareceu-lhe e ordenou que se preparasse para combater os midianitas, povo que, há muito, oprimia o povo de Israel.

Era uma tarefa tão inglória que, na primeira oportunidade, 22 mil homens abandonaram o exército e voltaram para casa. Após mais uma prova, 9.700 homens foram dispensados, restaram apenas trezentos. Para piorar, Gideão viu que a batalha seria contra uma coligação de povos do Oriente. Como derrotar milhares de soldados muito bem preparados e armados com apenas trezentos homens, que tinham nas mãos uma espada e um cântaro com uma tocha acesa? Humanamente falando, não tinha como dar certo, não tinha como acabar bem, a não ser por um detalhe, e que detalhe! O Eterno estava com eles.

Ao longo da História o que não faltam são exemplos de tarefas “inglórias” e “missões suicidas” dadas a pessoas comuns. A Noé foi pedido que construísse a arca, a Abrão foi pedido que abandonasse tudo para se engajar num projeto divino, a Davi foi pedido que reinasse em Israel, a João Batista foi pedido que preparasse o caminho para o Messias… Com certeza você conhece outros exemplos.

A todas essas pessoas o Eterno pediu que deixassem o que faziam e obedecessem à Sua voz. O mesmo se dá conosco, provavelmente o convite não virá do modo que veio a eles, nem será para uma empreitada com a mesma com a importância social, mas, com certeza, terá importância individual igual ou maior.

Portanto, quando o Eterno lhe pedir algo ou indicar uma direção, não importa qual ou quando, ou o que peça a você, não tente alegar despreparo ou falta de condições para atender. Aquele que pede é O que dará a vitória, Ele é fiel, não mente e nunca abandonou um filho seu.

26
out

# Filhos Rebeldes

A escritora adventista, Ellen White, registrou em seu livro “Só para Jovens”, a assertiva: “Estamos vivendo numa época infeliz para os jovens. A influência que predomina na sociedade é favorável a permitir que os jovens sigam a inclinação natural de sua própria mente”.

Um século depois de seus registros, parece-nos o referido texto um escrito da atualidade. Nossa época, mais ainda está sob essa influência devastadora dos novos conceitos culturais. Estamos, de fato, vivendo o tempo do fim. Um tempo em que os filhos não ouvem e nem obedecem aos pais, em muitos casos agredindo-os verbal e fisicamente.

As relações de poder e os brilhos do mundo que, juntos, pregam a independência, têm sido os grandes responsáveis que levam os jovens a crerem no engano de poderem dizer, ou fazer o que lhes dá na cabeça. Distorcem os valores e empreendem nas mentes em crescimento, um comportamento desequilibrado, conduzindo-os a um futuro instável no que concerne ao respeito próprio e alheio.

Para tanto, basta ver como os jovens tratam seus professores. É muito preocupante para o futuro da sociedade, o que dizer então para a salvação eterna dessa geração. Em se tratando dos pais, ou estão a colher o que plantaram, seja por terem agido com descuido em dado momento, seja por terem sido eles mesmos o exemplo, ou estão vivendo um tormento produzido pela sociedade, esta que influencia a quem deseja.

E conclui a escritora, ela que foi uma das pessoas mais influentes no nascimento da igreja adventista do sétimo dia: “Se os filhos são muito rebeldes, os pais têm a ilusão de que quando forem mais velhos e raciocinarem por si mesmos, abandonarão os hábitos errôneos e se tornarão homens e mulheres úteis. Que engano!”, exclamou.

O que fazer nestes casos? Orar? Amar? Sim, é preciso exercer misericórdia. Sempre. Contudo, e se tais filhos põem em risco a sanidade do lar? E se já crescidos, insistem em fazer o que querem, empreendendo hábitos de uma vida desregrada, impondo sua vontade por anos seguidos, em um lar em que seus pais sejam pessoas de bem, cristãs ou não?

O antigo testamento determina atitudes radicais em relação a tais rebeldes. Foi por esse mesmo testamento que viveu e orou o Cristo, contudo Ele nos ensinou a amar aos que nos ofendem e nos maltratam.  O que fazer nestes casos? Amar um filho que te ofende e te maltrata, significa aceitar viver debaixo de sua opressão e desrespeito? Colocá-los para fora de casa é algo que contrapõe à nova aliança anunciada por Jesus?

E você, cristão que conhece a palavra, o que faria nestes casos extremos, em especial se eles já atingiram idade adulta mas não têm independência financeira? Que sua resposta não seja imediata, pois trata-se de uma análise profunda de seres humanos, dos ataques a que estejam sujeitos e do amor ensinado pelo Cristo. Mas, enfim, há um limite para isso?

A paz do Senhor esteja contigo e tua casa!

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

01
jun

# A cada Pôr de Sol

Os passos de um homem bom são confirmados pelo SENHOR, e deleita-se no seu caminho. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o SENHOR o sustém com a sua mão. (Salmo 37).

Imagine que o Eterno, perfeito como não podemos imaginar, pois sua perfeição passa pelo amor, característica esta também difícil de alcançarmos o entendimento, pois somos criaturas egoístas, imperfeitas e pecadoras, mas, enfim, este Ser que um dia nos criou perfeitos, ainda consiga nos amar mesmo diante de nossa pequenez.

Por que isso acontece? Porque Ele nos deu seus mandamentos, suas leis e, depois o Messias que viria a selar toda a promessa de que falavam a lei, os profetas e os salmistas, para que guardássemos os mandamentos e a fé no Messias, pois desde o início havia um plano de resgatar-nos do chão de onde nos encontrávamos. Agora vivemos o tempo do fim. Resta-nos aguardar com fé a volta de seu Filho que virá a resgatar os justos que viveram pela fé.

O homem, o fiel, o cristão, o discípulo, seja o nome que tome, que aprendeu a seguir o Caminho mediante a lei, os evangelhos, as cartas do apóstolo Paulo, Pedro, Tiago, Judas, João e, o Livro da Revelação de Yeshua, mais conhecido por Livro do Apocalipse e guarda os mandamentos e a fé em no Filho de D’us e aprendeu ser um bom homem, corrigindo-se todos os dias de sua herança pecaminosa, esse é por quem deleita-se o SENHOR e a quem Ele estende Sua mão, independente se o homem a peça por ela.

O fato é que O Eterno, por um amor que ainda não entendemos, estendeu Sua mão a sua criatura para levantá-la do chão, um pouco depois do início da criação de tudo, quando a humanidade se viu corrompida pela mal; e o fez para que a redimisse do erro cometido pela desobediência, quando sua criatura preferiu dar ouvidos às curiosidades da imperfeição, representada pelos argumentos mundanos daquele que luta para destruir tudo o que é de D’us.

Este amor é um fato profundo e misterioso que merece muita meditação, leitura e oração que levará o homem a conhecer um pouco deste mistério, sendo sua consequência, se este estiver de coração aberto, sua entrega total aos caminhos do SENHOR, contudo só mesmo no final dos tempos, quando o SENHOR do chão levantar os Seus pela última vez, entenda-se aqueles que O aceitaram e, os levar consigo, a esses revelará a essência de Seu amor.

Que a paz e graça de Yeshua, o Messias, e o Amor de D’us estejam com todos.

Shabbat Shalom

Ṣady – Um Peregrino da Palavra

 

16
mar

# Imagem e semelhança

Depois que o conclave da Igreja Católica escolheu seu novo papa, tenho ouvido opiniões diversas a respeito de Francisco I, ou como ele próprio prefere ser chamado, Francisco. Segundo as reportagens realizadas, aqueles que conviveram com ele durante sua vida eclesiástica, e mesmo o rebanho portenho, todos afirmam que sua principal característica é a simplicidade diante das necessidades materiais, tendo estado, inclusive, sempre muito próximo ao povo a fim de conhecer suas necessidades. Segundo consta, também a humildade o define, pois entende ele ser esta uma particularidade marcante de Cristo, e dessa forma tem buscado ao longo de sua vida entender e viver o ministério e a salvação revelados pelo Mestre.

As opiniões que não têm se mostrado muito positivas tendem a um julgamento externo, por meio de valores que nada representam para a vida voltada a Cristo. Mesmo obedecendo a alguns limites que lhe são impostos pelo cargo de ser o bispo de Roma, as primeiras decisões que ele tomou para manter a coerência com seus hábitos simples que sempre cultivou, a exemplo do momento em que dispensou as vestes talares usadas para a sua apresentação ao povo, ou mesmo o crucifixo de ouro e a limusine papal, em favor de substitutos mais simples, foi para alguns algo que não agradou, pois acreditam que sejam heranças centenárias, verdadeiros tesouros que devem ser mantidos pelo que representam.

Trago este contexto a lume não para aprovar ou desaprovar as atitudes que dizem ao seu respeito, pois só Deus conhece o coração do homem e suas intenções, mas o faço para ressaltar uma passagem de Paulo, utilizada nestes dias pelo pastor Fabiano Mendes ao endereçar-nos um chamado que, mesmo simples e com poucas palavras, creio se tornou alimento e meditação profundos para a igreja esta semana. Escreveu ele que ao observar as pessoas em nossa comunidade e perceber suas buscas por respostas, isso o fez entender a necessidade que teve o apóstolo Paulo quando advertiu aos primeiros convertidos de que somos todos vasos de barro, sem nada de especial em nós mesmos. Ou seja, nada podemos, somos ou entendemos sem a presença das mãos do Oleiro em nós.

A dependência do poder de Deus em nós é o que nos constitui a cada dia mais conscientes da obra feita em nosso favor, qual seja a salvação por meio da cruz de Cristo, tanto quanto é ela que nos conduz à transformação da mente e espírito para a realidade do reino de Deus, e o percurso que nos leva até Ele. Hoje não é apenas a igreja de Roma que vive dependente do poder mundano que criou em torno de si, a ponto de se assustar quando seu dirigente resolve ser mais parecido a Cristo. Também protestantes e evangélicos têm se mostrado pendentes a esperar por um poder que está diametralmente distante da cruz de nosso Senhor e Salvador.

O mundo exerce um poder bastante manipulador, e que não poucas vezes nos confunde, ainda mais dentro das igrejas com suas doutrinas de homens que tornam a verdade em sofismas, e por isso, como bem afirmou o pastor Fabiano em sua chamada à realidade do que seja existirmos como igreja (corpo de Cristo), o cristianismo vive debaixo de uma crise, que a meu ver, diria ser quase institucional.

Para entendermos as respostas que buscamos, ou atingirmos a consciência do que seja viver o agora com Jesus como único intercessor entre nós e o Pai, a fim de atingirmos o alvo que é a nossa salvação pela eternidade, coisas simples precisam ser feitas. Ler, meditar e se deixar transformar apenas pela Palavra de Deus, e orar; orar sempre por meio da Palavra para que mediante a dependência e a obediência a Deus, sejamos transformados em Seus vasos de honra, a conterem mais do que todo ouro e joias de reis e príncipes que se foram um dia; mas, a conterem a certeza da eternidade com o Pai e todo seu reino.

Shabbat Shalom

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

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