Tag Archive: Graça

06
out

Perdoado

Gelson de Almeida Jr.

Provavelmente você conheça a história do médico e filantropo escocês que tinha por hábito ajudar os menos favorecidos. Após sua morte, examinando seus livros, sua esposa, de coração não tão bom quanto o seu, descobriu aquele que seria o “livro caixa” do marido. Em todas as folhas havia o nome de uma pessoa, o procedimento médico realizado e o custo do mesmo, mas, sobre alguns nomes estava escrito: “Perdoada, demasiado pobre para pagar-me”.

A avarenta mulher levou o caso aos tribunais para ver a melhor maneira de receber aquelas pendências, mas ouviu dos magistrados que, se aquelas anotações haviam sido feitas por seu marido, não haveria tribunal no mundo que permitisse que ela cobrasse.

Ao que você nascer, na frente do seu nome o Eterno escreveu “Perdoado, com direito à salvação”. Você já parou para pensar na profundidade disso? Consegue imaginar em como a dinâmica do universo foi alterada apenas para que o Criador viesse aqui morrer em seu lugar? E o preço de toda essa operação, quanto seria? Se sequer conseguimos imaginar o valor, como poderíamos pagar o preço de nossa salvação?

Só existe uma pessoa em todo o universo capaz de fazer com que você perca a salvação, VOCÊ mesmo. Nem o Eterno tirará esse direito de você, pois, tem a imutabilidade como uma de Suas características, Ele não muda (Malaquias 3:6), mas deixou a cada um de nós o direito de escolha.

Salvação ou perdição, só existem essas duas opções, nossas escolhas diárias definirão nossa situação final. Viva bem para viver eternamente.

26
set

Parábola

Marco Aurélio Brasil

Torno a falar-lhes por parábolas, dizendo: Apesar de serem dez os filhos, nenhum deles podia reclamar de falta de amor daquele pai. Havia ali em dose suficiente para cada um, e sobrava bastante. Para que tivessem uma infância e juventude saudáveis, aboletou-se com eles em uma praia paradisíaca, onde tinham espaço e liberdade. Havia um único lugar proibido: o porto, onde, de quando em vez, atracavam navios mercantes do oriente distante. Esses orientais tinham fama de aliciarem jovens nativos que nunca mais eram vistos.

Você já imagina o que aconteceu. Um dia, os filhos saíram juntos para brincar e não voltaram mais. O pai procurou por toda parte, chamou o nome de cada um, e constatou então que o que mais temia havia acontecido. Decerto seus filhos haviam sido seduzidos a embarcar. Por temer que aquilo fosse acontecer um dia, o pai já tinha um plano engatilhado. Vendeu seu negócio, amealhou uma boa quantia e comprou uma passagem para o oriente. Fez um longo, muito longo caminho, para trazer os filhos de volta.

Encontrou-os espalhados, miseráveis mas encantados com as cores, cheiros e texturas daquela terra distante. Horrorizado, constatou que eles já não se lembravam mais dele e não queriam sua companhia.

O pai instalou-se em um lugar onde poderia acompanhar as vidas de seus filhos. Decidiu que, já que eles não queriam contato com algum com ele, teriam sua vontade respeitada; ele ficaria à distância.
Escolheu um deles então, e começou a mandar pelo correio dinheiro, para tirá-lo da mendicância, e fotos de sua vida passada cheia de felicidade – nas quais o filho mal se reconhecia – acompanhadas de cartas prometendo restaurar aquela felicidade se tão somente ele retornasse, garantindo que ele estava muito, muito perto. Pedia, também, que esse filho contasse aos outros essa notícia fantástica.

O dinheiro fez muito bem àquele filho. No contato com os irmãos, demonstrava que era superior, já que era objeto dos favores especiais do pai – embora a palavra pai fosse esvaziada de sentido para todos. Claro que ele não contou a nenhum deles que aqueles favores todos estavam à disposição de cada um deles. Como havia melhorado de posição, resolveu evitar o contato com os irmãos, apenas dando uma olhada em suas práticas e imitando sua devoção ao que chamavam de pais, pinturas de venerandos homens orientais pintadas por eles próprios.

Durante todo o assédio daquele pai desconsolado, os orientais não deixavam de seduzir os irmãos, de modo que eles estavam se tornando cada vez mais parecidos com eles até mesmo fisicamente. O pai via tudo, e chorava. Sentia-se só.

Tanto mais quando aquele filho que ele havia escolhido para ser o porta-voz de sua misericórdia passou a rejeitar suas cartas. De fato, esse filho preferiu voltar ao estado de mendicância e escravidão na terra estrangeira, seduzido por quinquilharias e substâncias que causavam prazer tão intenso quanto efêmero. Aquele homem, pai de dez filhos, ainda tendo nos ouvidos os gritos alegres das crianças em sua casa, a algazarra típica de uma casa cheia, padecia uma profunda e irreversível solidão.

Mas o amor poderia levá-lo ainda mais longe. Ele se tornaria um mendigo entre seus filhos. E continuaria a apelar.

08
jun

Onde a meritocracia não funciona

Marco Aurélio Brasil

Uma religião centrada no que se deve fazer e deixar de fazer cai no erro fatal da fé cega na meritocracia. Você pensa: “se eu faço as coisas certas do jeito certo e no dia certo, Deus está obrigado a me amar” (não, infeliz, não. Olha pra cruz de novo e veja que Ele já o ama, e de um jeito muito louco que você é incapaz de reproduzir até pelo seu próprio filho amado). E depois que você se convence de que está colocando Deus no cabresto pelo seu comportamento inatacável, você acaba pensando algo assim: “Eu faço as coisas certas, do jeito certo e no dia certo mais do que aqueles ali, logo, minha recompensa será maior” (ah é, gênio?)

O jovem rico era desses, por isso chegou a Jesus com a pergunta errada, embora pareça tão lógica e natural pra qualquer ser humano: “o que eu devo fazer de bom para conseguir a vida eterna?” Depois que ele vai embora, escandalizado com o desafio feito por Jesus de começar a viver uma religião centrada em um relacionamento e não numa lista de podes e não podes, Jesus se vira para seus discípulos e conta uma das parábolas mais curiosas de todas que estão registradas nos evangelhos. Ele diz que o reino dos céus é como o sujeito que acordou de madrugada e foi buscar trabalhadores para sua vinha, combinando de lhes pagar um denário. Quatro outras vezes esse senhor sai ao logo do dia, colocando mais gente para dentro de sua vinha, dizendo que lhes pagaria “o que for justo”. No final do dia, começando pelos que trabalharam menos, ele dá a todos a mesma recompensa: um denário. O que revolta os que trabalharam o dia inteiro.
Bem, a vinha é uma figura clássica de Israel, o povo escolhido e, na dispensação cristã, da igreja. Logo, a primeira coisa que essa parábola me diz é que tem muito trabalho a fazer. Quanto mais gente for colocada para trabalhar, melhor, porque o trabalho simplesmente não acaba. E é claro que precisamos pensar o que seria “trabalhar na igreja”, já que temos uma ideia tão errada disso. Mas não tenho espaço para isso agora, peço perdão.
A segunda coisa que essa parábola me diz é que a graça divina sempre soa injusta, pelo menos aos olhos de quem está preocupado com o que os outros estão ganhando. Os trabalhadores do dia inteiro receberam estritamente o que fora combinado, o que fora prometido. Em lugar de agradecer ter tido trabalho, eles só estariam satisfeitos se recebessem mais do que os demais.
Se a gente olhasse pra cruz do jeito certo, a gente exultaria o fato de o Senhor ter dinheiro suficiente para dar um denário inteiro aos demais também. A gente exultaria pelo fato do pai ser suficientemente rico para matar um bezerro para festejar o filho que retornou. Se a gente olhasse para a cruz do jeito certo e visse o que ela revela sobre quem nós somos e o que mereceríamos não fosse a graça, iríamos ansiar pelo retorno do irmão rebelde com o mesmo grau de ansiedade do próprio pai.
Mas isso só acontece quando a gente percebe que a religião de Jesus Cristo é centrada em uma relação de confiança, e não nas imitações do comportamento que deflui dessa relação.
Marco Aurelio Brasil, 02/06/17

22
nov

Tem futuro

Marco Aurélio Brasil

Segundo leio em Mateus 4:17, o resumo da pregação de Jesus naqueles primeiros dias era “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. Ele convoca Seus primeiros discípulos e começa a percorrer a Galileia pregando e curando os doentes, um coquetel que se mostra irresistível para as multidões.

 É nesse contexto que Ele se assenta num monte e começa o maior de Seus sermões registrados, um sermão revolucionário e de uma profundidade inigualável, que começa com uma lista de tipos de pessoas consideradas felizes por Ele, e felizes porque havia promessas inefáveis para um futuro que Ele não diz se está longe ou perto.

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 Confesso que até hoje não sei bem como ler as bem aventuranças. Será que Jesus está dizendo que eu tenho que procurar ser pobre de espírito, chorar e ser perseguido? Se Jesus enumera qualidade que todos deveríamos perseguir (algo que funciona melhor com “misericordiosos”, “puros de coração” e “pacificadores”), Ele não estaria estabelecendo assim um tipo diferente de salvação pelas obras?

 Sei que muitos teólogos tentam explicar “o que Ele realmente quis dizer” quando falou de pobres de espírito, chorões e perseguidos. Pobres de espírito seriam pessoas que não maquinam o mal, os que choram seriam os que se arrependem pelo pecado e assim por diante. Mas preciso admitir que fico um pouco desconfortável com essas nossas tentativas de torcer o texto para que ele diga mais ou diferente do que está escrito.

 Talvez Jesus não esteja exatamente enaltecendo qualidades que Ele gosta, mas, além de pontuar que a recompensa final está diferida para um momento no futuro, Jesus parece estar frisando a proximidade do Reino. Segundo Jesus, o Reino é tão presente e tão perto que qualquer pessoa, mesmo aqueles que eram então (e até hoje, claro) vistos como perdedores e fracassados sem futuro, como os ignorantes, os que não se vingavam, os que sofriam terrivelmente, bem, até esses poderiam ingressar no Reino. O Reino estava acessível a todos! Na verdade, esses aí estavam mais perto dele do que os que estavam confortáveis e gozando do sucesso efêmero das pompas deste mundo.

 Se é isso mesmo, eu, que tenho a Bíblia lida e relida, anotada e grifada, eu, que adoto com extrema desenvoltura uma grossa casca de santidade e religiosidade, posso estar mais distante do Reino que Ele instalou neste mundo do que os improváveis. Porque na lista de Jesus, geralmente é bem aventurado quem nem suspeitava disso.

O Reino está perto, @migo. Suas portas estão abertas. O futuro diferido é radiante. O convite foi feito mais uma vez.

08
set

Reações e ações

Marco Aurélio Brasil

Existe no Evangelho uma série de axiomas e conceitos que causam estranheza às nossas mentes cartesianas, condicionadas pelos postulados científicos que nos são transmitidos na escola. Philip Yancey chama a atenção em um de seus livros para a esquisita matemática divina, em que, por exemplo, 1 (no caso, uma ovelha) causa maior impacto e alegria que 99. Outra aparente ilogicidade na dinâmica da salvação está na relativização da lei da ação e reação.
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Em II Crônicas 20 lê-se a história do reino de Judá recebendo a notícia de que um enorme exército marcha contra si, um exército com o qual medir forças é loucura. Apregoa-se uma reunião para oração, porque o rei Jeosafá percebeu que aquela situação só Deus poderia remediar. No meio da tal reunião um cidadão se levanta e diz pra todo mundo ficar tranquilo, porque no dia seguinte deveriam sair ao encontro do exército inimigo e nem precisariam levar armas, porque Deus cuidaria de desbaratá-lo. Ele fala só isso, sem maiores detalhes. Nós sabemos o final da história; sabemos que uma briga interna entre as diferentes etnias que compunham o exército fez com que ele implodisse. Mas eles não sabiam. Sabiam, no entanto, que exércitos não costumam auto-destruir-se. Sabiam que era – pela razão humana – impossível que alguma coisa freasse a marcha daquela multidão armada até os dentes. Mesmo assim, fizeram a coisa mais
esquisita: não, eles não jogaram nenhum sapato na cabeça do cidadão que falou aquilo; não, eles não ficaram ressabiados e disseram “bom, vamos ver então”. A Bíblia diz que eles começaram a louvar! Mesmo antes de receber a benção prometida, louvaram como se já a tivessem nas mãos. E o relato diz que no dia seguinte, quando saíram ao encontro do inimigo cantando, ou melhor, exatamente quando começaram a cantar e louvar foi que começou a briga que dizimou o exército.

Isso não faz sentido. Desculpe, mas não faz. Na lógica humana, a reação vem depois da ação. O mais razoável seria louvor depois de ver com os próprios olhos aqueles cadáveres cobrindo o vale. No entanto, por uma sobrenatural confiança no caráter dAquele que fez a promessa através de uma pessoa comum, eles anteciparam as coisas e isso foi a senha para que Deus agisse.

A inversão da ordem natural das coisas também vale quando se trata da atuação divina. O relato do filho pródigo diz que ao ver o filho apontando lá na estrada, aquele pai aflito pelos anos de separação sai correndo. Ao alguns libaneses ouvirem essa história estranharam o fato de um homem de posses, um homem de posição, sair correndo. Na mesopotâmia, homens nessa condição jamais correm, apenas caminham dignamente. Aquele pai, contudo, sai correndo e o abraça e antes que o filho possa esboçar qualquer explicação dá ordem para que preparem
um banquete. Tudo isso antes do louvor do filho pela bondade do pai! Não, o filho estava resolvido a mendigar um lugar entre os mais humildes servos, mas o pai não permite isso, ele coloca-lhe o anel no dedo, cobre de vestes o seu filho perdido e o restitui à condição da qual nunca deveria ter saído. A verdade é que Deus não espera o louvor para sorrir e se regozijar. Isso não é o mais importante para Ele, embora seja muito importante. Lá em II Crônicas, sua alegria começou ao ver Seus filhos reunindo-se em oração para buscar Sua ajuda. Ele sabe que aí não há nada no Universo que os pode fazer mal, pois eles estão sob Suas asas. Para um pai explodindo de amor, não há alegria maior. Aliás, o que se espera de um Deus que nos ama loucamente muito antes de lembrarmos que Ele existe?

A conclusão a que chego é singela: se você não está louvando a Deus agora, das duas uma: ou não conhece Suas promessas ou não conhece o caráter dAquele que fez as promessas. E também: se você não está olhando para Ele, está furtando da pessoa que mais te ama em todo o Universo a maior alegria que Ele pode ter.

04
ago

Ilegítimas defesas

Marco Aurélio Brasil

Pessoas. Eis aí a fonte de nossos maiores traumas. São elas que nos deixam embaraçados; elas que parecem nos olhar como quem nos julga todo o tempo; elas que exigem de nós, desde muito cedo, atitudes frequentemente contrárias à nossa real vontade. Pessoas nos machucam muito fundo. São pessoas que nos rejeitam. São pessoas que nos ignoram. São pessoas que nos perseguem, atazanam, pressionam, subjugam. Desde muito cedo aprendemos, então, a definir pessoas como coisa perigosa.

Para nos protegermos e evitar toda sorte de dores acima e outras tantas, desde muito cedo é que aprendemos a arte dos rótulos. Portamo-nos para com elas de forma análoga à que adotamos andando por entre as gôndolas de supermercados. Olhamos os produtos, batemos o olho nos rótulos e não precisamos experimentar o conteúdo para saber que gosto ou utilidade tem.
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A diferença é que com as pessoas nós mesmos rotulamos. “Experimentar” pessoas, você sabe, pode ser muito, muito perigoso. Então, evitamos isso de forma muito acomodada e confortável, batendo o olho nelas e tacando algum rótulo que justifique nosso afastamento. Sempre em “legítima defesa”, of course. É melhor utilizarmos rótulos genéricos, tais como “ultrapassado”, “moderninho”, “cafona”, “japa”, “preto”, “playboy”, “branquelo”, “pé rapado”, “crente” e por aí afora, do que nos expor a riscos desnecessários.

Acontece que aquilo que é fonte de nossos maiores traumas é também a fonte de nossas únicas reais alegrias. Melhor colocando: é a fonte de nossas maiores alegrias. Já tive ocasião de escrever sobre o tipo de alegria do Céu, que é, basicamente, pessoas, relacionamentos. E os vislumbres que podemos ter da alegria eterna já aqui nesta Terra estão relacionados com pessoas.

Jesus odiava rótulos. Buscava a salvação de fariseus e prostitutas, indistintamente. Andava entre uns e outros com a mesma desenvoltura e lançando sobre todos o mesmo olhar transbordante de amor. Isaías 53:11 diz que, vendo o fruto de Seu trabalho, ou seja, vendo pessoas, pessoas redimidas, Jesus fica satisfeito. Ele sorri ao ver pessoas e espera languidamente que elas olhem para Ele. Lendo os evangelhos eu aprendo que nós podemos deixar passar muitas das maiores alegrias dessa vida, por puro preconceito. Por vaticinar que dessa e daquela pessoas não há de sair nenhuma coisa boa, antes mesmo de “experimentá-las”.

Entre aprender e praticar vai um longo caminho e peço a Deus que me ajude a trilhá-lo. Quer vir comigo?

28
jun

Aqui se faz, aqui há graça

Marco Aurélio Brasil

Aqui se faz, aqui se paga, não é? Sei. Veja Arão, por exemplo.

Poucos personagens da Bíblia me intrigam tanto. Enquanto seu irmão está no Sinai, recebendo as tábuas dos dez mandamentos, ele está lá embaixo fazendo uma escultura em ouro no formato de um bezerro para o povo adorar como se ele fosse seu deus, como se esse ídolo tosco e recém criado tivesse tirado o povo do Egito. E o povo não faz apenas isso, em adoração ao bezerro de ouro o povo “se levanta para folgar”. Arão acaba por estimular uma orgia regada a vinho no meio do arraial israelita.
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O papel de Arão nesse episódio é inequívoco. “Feriu, pois, o Senhor ao povo, por ter feito o bezerro que Arão formara” (Êxodo 32:35). Quer dizer que caiu um raio na cabeça do irmão mais velho de Moisés? Não.
Ele se safou dessa e não apenas isso, mas foi eleito sumo sacerdote na sequência.
Mais adiante ele e sua irmã, Miriã, se lançam a esporte favorito de muita gente: falar mal dos parentes. No caso, de Moisés e de sua esposa. É tanta fofoca que aquilo evoluiu para um verdadeiro motim, uma “sedição”. Deus também fala por nós, diziam eles. Como resposta, Deus faz com que Miriã fique leprosa. Ei, como assim? E Arão?
Moisés intercede por sua irmã e aquela doença incurável é curada. Em Deuteronômio 9 há uma pista de porque Arão se safou também, falando especificamente do episódio do bezerro de ouro:“O Senhor se irou muito contra Arão para o destruir; mas também orei em favor de Arão” (verso 20).
Arão me ensina que não é legítimo alimentar expectativas de que a punição pelos erros (dos outros, mas também dos meus), seja tão automática e exemplar como se isso aqui fosse um filme americano. Arão também me ensina que a graça divina soa injusta muitas vezes. Arão me ensina que uma vida de retidão e devoção a Deus impacta as pessoas ao meu redor, já que foi em deferência à oração de Moisés que seu irmão não fez e pagou já aqui. E Arão me faz lembrar do poder que tem a oração intercessória.
Você quer abençoar seus filhos? Servir a Deus com integridade certamente é um investimento melhor do que qualquer poupança polpuda ou previdência privada. Esse investimento, aliás, pode impactar até mil gerações.

10
jan

Cumprimento – Aperfeiçoamento

VivaNestes dias meditei sobre a questão da vivência da fé efetiva, pois há muitos que apenas se apropriam de frases poderosas das escrituras, acreditando que isso seja viver pela fé.

É preciso dizer que, de certa forma, não se trata de um engano, afinal, se devidamente compreendidas, sobretudo o contexto em que foram criadas, vividas e pronunciadas pelos heróis da fé, apossar-se delas para declará-las em nossa vida é perfeitamente legítimo.

O que procurei ressaltar naquele texto foi a necessidade de se ter uma experiência pessoal e real com Deus, compreendendo, portanto, o entendimento profundo dessas frases. Acreditar que simplesmente Deus atuará em nossa vida sem que haja um passo sequer em sua direção, da transformação, é tolice, a não ser que por Ele mesmo, exista algum propósito em que o chamado encontre razão abrangente que o justifique.

O que disse o Senhor pela voz do profeta Jeremias: – “…buscar-me-eis e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. E então Eu me deixarei ser encontrado por vós“. Eis uma situação em que o Senhor se revela literalmente, proporcionando uma experiência real com Ele. Contudo, veja que uma prática diferenciada é aqui ressaltada. O verso diz anteriormente a essa passagem que devemos o invocar, orar a Ele.

A prática dos mandamentos é o caminho que nos leva não apenas à compreensão da obra, mas, sobretudo à essa experiência que torna a vida um diferencial nessa existência humana. E cumpre dizer, devidamente transformada.

O que diz a palavra sobre a fé? “A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus“. O alimento da palavra é o que faz surgir em nós a fé, contudo, ela não é algo inerente ao ser humano, pois a fé, também diz a palavra, é dom de Deus que nos proporciona vivermos certos de que seremos salvos pela graça.

O posicionamento é tudo no mundo, especialmente quando ele ocorre pela razão maior de nossa existência: alcançarmos o alvo que é a nossa salvação, garantida por Cristo na cruz, contudo, necessária que sua busca se dê rumo ao mandamento, e assim conhecendo o Senhor, afinal, João escreveu em sua carta que “aquele que diz: ‘Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade’.”

Como saber que estamos nele? Também João responde: “qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado“. Viver dessa forma é tudo o que precisamos.

Sadi – O Peregrino da Palavra

18
out

# Conhecer a Vontade de Deus

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Se dissermos que a nossa oração foi atendida, significa que Deus fez a nossa vontade? Sim ou não? Nestes dias me chamou a atenção ter ouvido de pessoas diferentes uma outra frase:  “Deus não atende as minhas orações!”.

Quando a ouvi pela segunda vez, lembrei-me da primeira em dia anterior e prestei atenção ao contexto em que esta pessoa estava afirmando tal sentença negativa. Em nada diferia da pessoa que dissera a mesma coisa anteriormente. Percebi que elas não consideravam a onisciência de Deus nessas situações. Olhavam apenas para si mesmas e aos seus pedidos de oração.

Em ambas as situações veio à minha mente a palavra de Paulo dizendo aos romanos: “… transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimente qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.

Não raro, as conversões passam por uma superficialidade tamanha, ficando as pessoas sujeitas à incompreensão quanto ao que seja a experiência real com Deus, que acabam por desistir do caminho ao qual acreditaram terem se entregue um dia. Aí cabe lembrar a importância dos estudos bíblicos que conduzem os discípulos à verdadeira compreensão dos atos a que devem se atentar para percorrer o caminho; sobretudo permitindo que sua mente seja transformada mediante a renovação realizada pelo espírito que age pela palavra.

Mas, enfim, no caso da oração ser  atendida, significa Deus ter ouvido o pedido? Depende. Se deixarmos Deus ser Deus, a resposta é sim. Se interferir para o resultado for possível e assim o fazemos, pode ser que Deus tenha agido, pode ser que não. É comum ouvirmos pessoas afirmando gratidão e atribuindo responsabilidade a Deus por terem alcançado conquistas que na verdade são essencialmente mundanas. É preciso conhecer a Sua vontade!

E, como conhecermos a vontade de Deus, afinal? Estudando a Sua palavra. Afirmar que Deus não nos ouve ou não atende às nossas orações é antes de tudo não termos nos permitido a transformação para que conhecêssemos a Sua vontade. Isso sem dizer que mostramos desconhecer o que signifique Deus ser soberano.

O Eterno, bendito seja o Seu nome, ao não nos conceder um pedido feito em oração, certamente ou está agindo por Sua própria onisciência, evitando, portanto, que tal concessão venha a prejudicar o nosso crescimento espiritual; ou está agindo conforme Sua própria justiça prenunciada na palavra e que um discípulo deveria no mínimo conhecê-la.

Afirmou o Messias: “Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á”. Mas, por que e quando é cumprida essa promessa? Porque amamos a Jesus Cristo, pedindo, portanto em Seu nome; mas, sobretudo por cumprirmos os mandamentos.

Eis a chave para sermos prósperos: estarmos alinhados à vontade do Eterno, conhecendo-a; e isso ocorre quando nos alimentamos de Sua palavra, afinal, é mediante esse contexto ideal revelado por Deus que até mesmo as orações por pedidos que pareçam impossíveis aos olhos do mundo são atendidas. Caso não o sejam, não lamente, estude a palavra, submeta-se à Deus, entregando-se a Ele, consciente de que a Sua vontade é boa, perfeita e agradável.

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

22
set

O seu papel nisso tudo

Marco Aurélio Brasil

Sabe aqueles imperativos absolutos que nós amamos fazer malabarismos retóricos para conseguir relativizar? Coisas como “buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de TODO o coração” (Jeremias 29:13) ou “buscai PRIMEIRO o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33)? Pois é. A Bíblia é recheada deles e quando a gente finalmente entendeu e aceitou a ideia da graça esses imperativos vêm e nos confundem.

Afinal de contas, somos salvos pela graça ou só depois de empregar TODO o coração e de colocar essa busca em PRIMEIRO lugar? Por que razão o mandamento nos ordena a amar com TODO o coração, TODA a alma e TODAS as nossas forças?
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Em minhas leituras diárias estou quase terminando o Novo Testamento e pela primeira vez fiz acompanhar minhas leituras do registro de minhas impressões delas em um caderno. Eu leio um capítulo e então registro no caderno aquilo que me impressionou ou que entendi no texto e essa experiência tem sido fantástica, principalmente para entender a mensagem mais global, e não compartimentada em capítulos. E o resultado dessa experiência tem sido notar a tônica comum a Paulo, Tiago, Pedro e João. Parece que todas aquelas epístolas são um grito desses homens inspirados: “não usem a ideia revolucionária da graça para colocarem o motor na banguela! não pensem que a graça os joga numa zona de conforto! Como disse o profeta Isaías, ‘aqui não é lugar de descanso” ainda. O descanso está mais à frente, não parem de andar!”
A resposta que vejo à pergunta que fiz dois parágrafos acima é: sim, somos salvos TOTALMENTE pela graça. Antes de conseguirmos buscar a Deus com 1% do nosso coração. Enquanto o reino de Deus era a última de nossas prioridades. A graça nos alcançou enquanto estávamos longe e de costas para Deus.
Mas o complemento necessário é: se a graça nos salvou inteiramente enquanto ainda éramos o oposto de Jesus Cristo, ela colocou em nosso coração o desejo genuíno de caminhar na direção da semelhança absoluta com Ele. Isso se faz com a aplicação de todo o coração e fazendo dessa busca o objeto primeiro de nossa agenda. Isso se faz empregando na tarefa de aprender a amar nosso coração, nossa alma e nossos esforços. Não para sermos salvos, mas porque fomos. Não para tentar nos melhorar como pessoas, mas para estar em harmonia com o poder que é capaz de o fazer.
Enquanto estamos nessa caminhada, Cristo alegremente completa o que falta com Sua justiça perfeita. Quando, contudo, interrompemos essa caminhada, estamos acreditando na mentira de que o grau de semelhança com Ele que já alcançamos é suficiente porque já é bem maior do que o das pessoas ao nosso redor ou bem maior do que aquele que tínhamos tempos atrás.
Se Ele te deu o desejo de buscá-lO, é porque você foi alcançado. Empregue nisso tudo o que tem. Ele vai operar cada vez mais o querer e o efetuar.

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