Tag Archive: Fé

02
ago

Não basta dizer, tem que ser

Gelson de Almeida Jr.

Certa feita Gustave Doré (1832-1883), pintor francês, desenhista e profícuo ilustrador de livros do século XIX, perdeu seu passaporte e precisava atravessar a fronteira. Identificou-se ao guarda e explicou sua situação. Por mais que dissesse quem era e pedisse para atravessar a fronteira, o homem negava sua passagem. Num dado momento o homem pediu-lhe que provasse ser realmente Doré. Ele pediu um papel e um lápis e fez um desenho do local e seus arredores. Boquiaberto o guarda disse-lhe que passasse. Só Doré conseguiria fazer aquilo.

Vez por outra somos colocados em situações onde nossa identidade como cristãos é questionada. Muitas vezes, por mais que digamos quem somos, ficamos descreditados. Mas existe um modo seguro e eficaz de comprovar quem realmente somos: a prova prática da fé que abraçamos. Não basta dizer que somos cristãos, precisamos mostrar que realmente o somos. Falando a um grupo de fariseus, Cristo disse que muitos o honravam com os lábios, mas o seu coração estava longe dEle (Mateus 15:8).

Abraham Lincoln disse que podemos enganar uma pessoa durante muito tempo, algumas por algum tempo, mas não podemos enganar todas o tempo todo. Acrescento ainda que não podemos enganar o Eterno nunca. São de Cristo as palavras: “Nem todo aquele que se refere a mim como Senhor entrará no Reino dos Céus. A questão decisiva é se a pessoa faz a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mateus 7:21 – BV).

O que nos salva é a fé em Cristo Jesus o nosso Senhor e Salvador. Mas se esta fé for morta, isto é, sem obras que a comprovem e sem a transformação do caráter e do ser como um todo, nunca poderemos nos declarar cristãos, muito menos esperar entrar de posse da eternidade. Afinal, não basta dizer. Temos que ser cristãos.

13
jul

Gente como a gente

Marco Aurélio Brasil

A história da ditadura brasileira, quando escrita pelos ditadores, nunca traz o termo ditadura. Fala em “revolução”, termo muito mais simpático, que evoca Robespierre, Danton e Marat. A história soviética, contada pelos soviéticos, pinta Lênin e Stalin como santos e heróis. Os filmes de guerra americanos mostram, em geral, os americanos como agentes da liberdade e dos valores mais nobres da civilização, os mocinhos da história. E por aí você entende meu estranhamento ao ler o relato dos discípulos de Jesus pintados por eles mesmos.

Tomé, segundo Caravaggio

O Novo Testamento é incrivelmente honesto quanto à grandeza (ou falta de) de seus protagonistas, o que é incrível se considerarmos que foram eles mesmos quem o escreveram. São pessoas tridimensionais, com falhas e lacunas gritantes. O único discípulo ao qual é atribuído algo que se possa chamar de uma virtude é Natanael, de quem Jesus diz que era um “israelita em quem não há dolo” (João 1:47). Não ter dolo é uma coisa boa, mas imagine os professores de Educação Moral e Cívica dos anos 70 sendo orientados a contar aos alunos que “Costa e Silva era uma pessoa sem dolo” e só isso. Nenhum elogio adicional, nada.

Os evangelhos, portanto, são uma aula magnífica sobre como tratar com pessoas sem grandes virtudes. Jesus demonstra o tipo de relacionamento capaz de transformar discípulos erráticos em apóstolos intrépidos. Temos uma aula sobre como tratar com os arrogantes (Pedro), como tratar com os pecadores contumazes (Mateus), como tratar com os estourados (João e Tiago), como tratar com os fanáticos políticos (Simão, o zelote). Mas meu preferido nessa lista é Jesus ensinando como tratar com pessoas como eu. E sim, estou falando de Tomé.
Tomé passa praticamente em branco durante todos os evangelhos. Em três anos e meio de caminhadas com Jesus, Tomé não fez absolutamente nada de muito relevante para merecer ser registrado em algum dos quatro evangelhos. Mas quando Tomé chegou no cenáculo naquele domingo de ressurreição e viu a excitação frenética de seus companheiros, o que ele demonstrou não foi uma descrença covarde, mas a coragem de confessar sua descrença. Ele se recusou a entrar no clima de festa enquanto seu coração não admitia a possibilidade de festa. Foi essa descrença que possibilitou sair de seus lábios, mais tarde, uma das frases mais fantásticas registradas por um ser humano nos evangelhos: “Senhor meu, e Deus meu!” Jesus me ensinou como tratar com a descrença honesta. Ele Se aproximou com amor e se ofereceu para ser tocado por Tomé, quando outro líder qualquer teria censurado sua falta daquilo que Jesus mais precisava que eles tivessem: fé.
Estranho, portanto, que nós, em teoria seguidores de Jesus Cristo, tenhamos uma reação tão diferente à descrença. Nós desestimulamos a confissão da falta de fé, mesmo vendo no episódio de Tomé que essa honestidade intelectual é muitas vezes o trampolim para o louvor mais genuíno. Jesus Cristo mostrou como transformar a dúvida em culto. É convivendo junto com essas pessoas e deixando que elas vejam e toquem as evidências de nossa própria ressurreição.
Acho que se eu confessar minha absoluta falta de grandes virtudes inatas, poderei ser conduzido a prestar culto genuíno. E poderei agir com os outros como Jesus agiu.

07
jun

Pela Fé

Gelson de Almeida Jr.

Hebreus 11, conhecido como a “galeria dos heróis da fé”, apresenta dezenas de vezes o termo “pela fé”, sendo quatro vezes ligado a Abraão, o “pai da fé”. O texto inicia falando que pela fé Abraão ouviu a voz do Eterno ordenando-lhe sair de sua terra, largar toda a sua comodidade e se dirigir para um local desconhecido para ele, local que apenas o Eterno sabia onde era.

Abraão, que já era rico, ficou mais rico ainda, poderoso e viu o sonho de ter um filho realizado. Olhando a parte final de sua história é fácil dizer que vale a pena seguir as ordens do Pai, mas você teria coragem de largar tudo o que tem afim de seguir uma ordem divina?

Abraão não tinha a menor ideia para onde estava indo ou o que lhe aconteceria pelo caminho. Mesmo assim foi. Tendo o Eterno como Companheiro de viagem nada mais o preocuparia. Diariamente somos colocados em situações que mostram claramente que temos dois caminhos a seguir: o da obediência e o da desobediência ao Eterno e Seus preceitos. Estamos dispostos, como Abraão, a não tergiversar e apenas seguir a ordem do Pai?

Destino, itinerário e situações pelo caminho, tudo era desconhecido para Abraão. Mesmo assim, pela fé, ele foi. Confiava nAquele que o chamara. Em muitas situações do dia a dia teremos que agir pela fé, esquecer os caminhos e destinos conhecidos e partir rumo ao desconhecido. Fiel é Aquele que nos chama e todos os Seus melhores propósitos se cumprirão em nossa vida se o permitirmos. Pela fé! Eis o segredo da vida vitoriosa rumo à eternidade.

25
maio

Insaciável

Marco Aurélio Brasil

O mantra tão anticristão dos Rolling Stones, I can get no satisfaction, pode bem ser cantado por cristãos no que diz respeito a pelo menos um item. Um cristão consciente jamais fica satisfeito com o tamanho de sua fé.

Como uma semente de mostarda

A fé é uma coisa curiosa. Jesus deixa claro que ela pode ser modulada, que ela é um patrimônio que aumenta e diminui, e não algo que simplesmente ou se tem ou não se tem. Jesus censura o tamanho da fé dos discípulos e se refere à fé “do tamanho de um grão de mostarda” como capaz de operar maravilhas. Hebreus 11:6 deixa claro que ela é indispensável (“sem fé é impossível agradar a Deus”), resumindo assim a mensagem central do evangelho de João, que colocou a fé no centro da existência e como máximo objetivo a ser perseguido (como ele escreve na conclusão do evangelho, explicando o objetivo que tinha ao escrevê-lo:“estes [sinais] estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”  20:31).

Um belo dia, os discípulos de Jesus chegaram para Ele e pediram “Aumenta-nos a fé” (Lucas 17:5). É importante contextualizar isso aí. Não são os discípulos da primeira semana ao lado de Jesus que fizeram esse pedido. Esses discípulos já haviam sido enviados em duplas pelo país (Lucas 10) e haviam retornado reportando haver expulsado demônios, curado pessoas e todas essas coisas que você e eu não ousamos nem tentar fazer. Eram esses caras que pediam para Jesus aumentar-lhes a fé. Eram esses caras que, comparando o tanto de fé que tinham com a vida de fé que Jesus exemplificava, percebiam que havia um oceano a mais a percorrer.
É para eles que Jesus responde que se tivessem a fé do tamanho de um grão de mostarda, fariam maravilhas.
Essa resposta indica que fé não é algo que é aumentado sobrenaturalmente. Não havia um botão de volume no peito de seus discípulos que Jesus pudesse simplesmente aumentar e tchanan!, eles teriam mais fé. Jesus não lhes aumenta a fé, Ele os conclama a não estarem satisfeitos. Fé é um músculo espiritual, que só aumenta com exercício. Não dá pra terceirizar o exercício, isso é algo que você tem que fazer por você mesmo.
E, no entanto, a gente vai tocando a vida sem nem atentar para o fato de que nossa fé é ridiculamente pequena. Por estarmos longe de Jesus e de gente parecida com Ele, não ficamos envergonhados com nosso músculo raquítico.
Minha oração hoje é para que nossos olhos se abram e, na primeira montanha que aparecer à nossa frente, a gente caia de joelhos e clame “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade” (Marcos 9:24).

05
abr

O Tamanho da Herança

Gelson de Almeida Jr.

Provavelmente você já ouviu, ou até falou coisas do tipo: “ A galinha do vizinho é mais gorda e os ovos são maiores”, “O terreno do vizinho é melhor, por isso suas plantas crescem mais”, pode ser que até tenha se sentido assim. É comum acharmos que as “bênçãos” do vizinho são maiores que as nossas. Muitos se sentem como tendo o toque de Midas ao contrário, olham para os lados e acham que, enquanto a vida dos outros é só vitória, a sua é só derrota. Mas será que é isso mesmo que ocorre?

Após a morte de Moisés o Senhor procurou Josué e o nomeou líder do Seu povo, aquele que guiaria Israel à Terra Prometida. Reafirmando a promessa feita a Moisés disse-lhe: “todo o lugar onde puserem os pés eu darei a vocês” (Josué 1:3 – NVI). Que promessa maravilhosa, Deus concederia a cada indivíduo todo o território onde pusesse o pé! Mas, muito mais incrível que a promessa, foi o fato de que o povo possuiu apenas um terço de tudo o que poderia ter conseguido. Contentaram-se com pouco, buscaram pouco e receberam pouco.

Quanto tem você aproveitado das promessas do Eterno? Tem se apossado de toda a promessa, não importa qual seja ela, ou, como Israel, tem se contentado com pouco? A grande verdade é que, para tomar posse das promessas, é necessário fé, quanto mais você exercitar sua fé mais conseguirá aproveitar das promessas do Eterno.

Tente se lembrar qual foi a última promessa divina em que você, com fé, tomou posse de toda ela. Qual é o tamanho da sua herança? Com qual disposição vai ao encontro do Eterno para receber Suas bênçãos? A herança de Israel foi do tamanho da sua fé e do seu desejo de se apossar das promessas do Altíssimo. Não se contente com pouco, confie no Eterno, em Suas promessas e tome posse de toda a sua herança, ela já está preparada desde a criação do mundo (Mateus 25:34).

29
mar

Suba a Montanha

Gelson de Almeida Jr.

“(…) a região montanhosa será tua; ainda que é bosque, cortá-lo-ás” (Josué 17:18a – AR)


O texto acima é parte do relato da distribuição da Terra Prometida entre os filhos de Israel, mostra como o Eterno se preocupa com cada segmento do Seu povo, embora uma leitura superficial possa mostrar o contrário.

Orientado por Deus, Josué determinou que os descendentes de José ficassem com o território onde habitavam os temidos cananeus com seus carros de ferro. O povo questiona e lhes é dito para subirem a montanha, derrubarem o bosque e ali se estabelecerem, quando estivessem fortes o suficiente, desceriam ao vale e dominariam os cananeus.

Ainda não estavam prontos para aquela batalha, deveriam subir a montanha, derrubar o bosque e ali permanecer até estarem preparados para a luta contra os cananeus, a batalha não seria naquele instante.

Sendo um povo guerreiro e muito bem armado os cananeus não seriam derrotados facilmente, portanto o Eterno, que conhece o fim desde o princípio, determinou que Seus filhos subissem a montanha e derrubassem o bosque. A vida “no vale” é boa, em alguns casos, porém, antes de desfrutá-la, é necessário que subamos a montanha, derrubemos o bosque, construamos a casa, e ali permaneçamos até estar devidamente preparados.

Talvez você esteja em um momento atribulado, parece que sua vida consiste apenas em subir a montanha e derrubar o bosque. Como você gostaria de derrotar logo os “cananeus” e viver no vale! O vale não é para todos, é para aqueles que suportaram a dureza da subida, as dores da derrubada do bosque e se prepararam devidamente. Não desanime diante das dificuldades do dia a dia, use esse período de provas para se preparar para a grande batalha que está por vir, ela virá e como será gostoso desfrutar da vitória. Não desanime, confie no Eterno, lute e vença.

17
mar

Trinta e Oito Anos

Gelson de Almeida Jr.

“Estou entregando a você o território… Comece a conquistá-lo e tome posse da terra”. (Deuteronômio 2:31 – BV)


Quando o Eterno pronunciou essas palavras a Moisés trinta e oito anos haviam se passado desde o triste episódio com os dez espias temerosos. Quanta dor, sofrimento e angústia por não haverem confiado no Eterno e em Suas promessas (Números 14:34)! Agora, novamente, perto da Terra Prometida, chegam à região de Hesbom. Siom, rei local, insiste em não deixá-los passar, ao invés de paz ele quer guerra, mas não seria uma guerra qualquer, seria uma guerra contra o povo que tinha Deus como Rei.

Você pode imaginar o final da história. Deus luta pelo Seu povo e entrega a terra e seus habitantes em suas mãos. A geração que não confiara nas promessas no Eterno havia acabado, uma nova geração nascera e crescera confiando no Eterno e em Suas promessas, a peregrinação de quarenta anos chegava ao fim e com ela a jornada em busca do refrigério e descanso na Terra Prometida. O final do texto chave mostra que aquela terra foi de posse perene para o povo de Israel.

Não sei há quanto você espera pela “Terra Prometida”, pelo cumprimento de uma promessa divina ou por um auxílio que parece não vir. Trinta e oito anos aquele povo esperava o cumprimento da promessa, teriam ainda aproximadamente mais dois anos até que ocorresse o cumprimento total, mas o Eterno não os desamparara um só instante. Cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo o Eterno os protegera e os guiara e, quando necessário, lutara por eles.

Talvez, neste exato instante, quando você está a ponto de perder a fé no Eterno e em Suas promessas, Ele está a lhe dizer: “Estou entregando a você o território, não desanime, a vitória está perto, o dia de sua redenção, o dia de parar de chorar e voltar a sorrir chegou”. Não há tempestade que Ele não acalme, não há dor que Ele não cure, não há sofrimento que Ele não acabe. Confie. Ele nunca falha.

22
fev

Uma bomba e uma garrafa

Gelson de Almeida Jr.

Um viajante, perdido em uma região desértica, quase a morrer de sede, encontra uma cabana desabitada. No quintal havia uma bomba d´água velha e enferrujada. Começou a bombear, mas não saiu uma só gota de água. Cansado, sentou-se ao lado da bomba, só então viu uma garrafa com água e um bilhete preso que dizia para despejar toda a água no reservatório da bomba para que ela estivesse pronta para funcionar. O bilhete dizia ainda para não esquecer de encher novamente a garrafa antes de partir.

Relutou entre matar a sede com aquela velha água e gastá-la toda na velha bomba, arriscando perder tudo, mas resolveu arriscar. Despejou toda a água, agarrou a manivela e começou a bombear. A velha bomba começou a ranger, o filete de água que começou a sair se transformou num pequeno fluxo e logo jorrou água em abundância. Tivesse o viajante tomado a água da garrafa sua sede seria parcialmente satisfeita, mas seguiu fielmente as instruções. Resultado, tomou água muito mais límpida e refrescante que poderia imaginar.

Como o sedento viajante, que ansiava por água fresca, esperamos bênçãos do Altíssimo, que diminuirão, quem sabe até acabarão com alguma situação desconfortável. Muitas vezes essas bênçãos vêm disfarçadas como a velha bomba e a água daquela garrafa. Se, ao invés de seguirmos Suas instruções, decidirmos fazer nossa vontade ou seguir nossos instintos, poderemos ter nossa situação melhorada, mas nunca completamente satisfeita. Só do Doador de toda boa dádiva e todo o dom perfeito (Tiago 1:17 NVI) pode nos conceder muito mais do que necessitamos ou pedimos.

Na próxima vez que pedir algo para o Eterno, e achar que não recebeu o que pediu, olhe ao seu redor, quem sabe existe uma velha bomba e uma garrafa com água e instruções. Fé e trabalho são essenciais para receber qualquer benção Sua. Vale a pena seguir as instruções do Pai.

07
out

Fiel a Toda Prova

Gelson de Almeida Jr.

fiel-a-toda-provaGosto da ilustração da jovem escocesa que, mesmo em meio a perseguição religiosa contra cristãos evangélicos, se dirigia à igreja para assistir o culto dominical. No meio do caminho encontrou soldados que lhe perguntaram para onde ia. Sua situação era terrível, se contasse a verdade seria presa, se mentisse escaparia, mas desagradaria ao Pai. Pela segunda vez o soldado pergunta para onde ia e ela responde:

– Estou a caminho da casa do meu Pai. Meu irmão mais velho morreu, hoje será lido o testamento e tenho muito interesse em saber o que está escrito nele.

Foi-lhe então permitido continuar sua jornada.

Uma ilustração simples, mas de profundo significado e da qual podemos extrair grandes lições, mas quero me deter em apenas duas, que iniciarei com duas perguntas. Com qual frequência você vai à casa do Pai e o que busca quando para lá se dirige?

As desculpas para não se frequentar as reuniões na igreja são as mais variadas. O pior de tudo é que achamos que todas são válidas para justificar nossa ausência na casa do Pai. Em situação tão triste estão aqueles que vão à casa do Pai, mas não mostram muito interesse no que lá acontece, mal sabem o que se passa “lá na frente”. Furtam-se de participar em programas onde haja necessidade de maior envolvimento ou dedicação, comprometimento é palavra desconhecida em seu dicionário. Mesmo em face da morte, a jovem da história procurava ser fiel nesses aspectos.

O Pai deu o Filho por você, O Filho morreu por você e ambos deixaram Sua Palavra para você.  Analisando sua vida, alguma coisa precisa ser mudada?

01
set

À espera de um milagre

Marco Aurélio Brasil

belos_versiculos_fortalecam_se_no_senhorO cidadão naufragou no meio do Oceano Atlântico. A notícia chegou pelo rádio no continente, alguém ouviu, mas de que adiantaria? Ele estava no meio do Oceano Atlântico! É, mas esse alguém vendeu tudo o que tinha para alugar um helicóptero capaz de chegar até lá e foi ao encontro do náufrago. Encontrou-o boiando apoiado a um pedaço de madeira e mais que depressa jogou-lhe uma escadinha de corda lá do helicóptero. O cara olha pra escadinha, depois olha pro seu salvador e grita:

– Escuta, que prova você me dá de que isso tá bem amarrado aí em cima?

Existem por aí muitos e muitos náufragos que, ao invés de fazer o único gesto que lhes é requerido – segurar na escada que lhes foi lançada, preferem requerer provas “mais concretas” para confiar no Salvador.

Provavelmente não se dão muita conta de que estão boiando no meio do oceano, agarrados a um pedaço de pau. Se virem um milagre, tal como aqueles que estão registrados na Bíblia, aí – dizem eles – crerão. Querem evidências! Eu mesmo já estive entre esses e no meu íntimo argumentava com Deus que, se tivesse uma experiência sobrenatural, um encontro com um anjo, quem sabe?, aí seria mais fácil para mim crer.

Quando Jesus diz a Tomé que “mais bem aventurados são os que não viram e creram”, Ele está enunciando uma grande verdade que esses náufragos insistem em não enxergar: milagres não resolvem o problema. Fé resolve o problema. Fé é o estender da mão e tomar a escada, a partir desse momento o Salvador pode alçar voo, nos levar para cima, nos tirar do meio da água.

Os milagres não resolveram o problema daqueles hebreus saídos do Egito que passaram pelo meio do Mar Vermelho, viram o exército do Faraó pulverizado, andaram sob uma nuvem de fogo à noite e uma nuvem que amenizava o calor causticante do sol do deserto durante o dia e logo dali a pouco estavam adorando um bezerro de ouro e dizendo: esse aí foi quem nos tirou do Egito.

Milagres não necessariamente produzem fé. Ao contrário, muitos dos milagres de Jesus parecem obedecer à lógica inversa: a fé produz milagres. “Vai, a tua fé te salvou”, a gente lê em diversos momentos nos evangelhos. A fé é a senha para que Deus aja ainda mais diretamente.

A atuação de Deus em nossa vida visa resolver o problema e não satisfazer nosso desejo de presenciar coisas emocionantes e fora do comum. Ele age buscando colocar em nosso caminho as experiências que geram fé, que a fortalecem, exercitam, robustecem. O mais importante é que estejamos agarrados à escada que Ele nos lançou ao custo do sangue de Jesus. Ver a escada, ver o mar, esse é o primeiro milagre e muito mais bem aventurado, muito mais feliz e apaziguado é aquele que não necessita mais do que esse primeiro milagre.

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