Tag Archive: Amor

24
ago

Inclusive você e eu

Marco Aurélio Brasil

O discurso de inclusão radical demorou 2.000 anos para pegar no breu. Jesus disse que não rejeitaria ninguém que fosse a Ele e comandou Sua igreja a fazer o mesmo pelos mais pequeninos. Ele afirmou que até mesmo os perdedores (pobres de espírito, pacificadores, de coração partido e cheios de misericórdia) tinham lugar à mesa de Seu Reino. Não há dúvidas de que o discurso inclusivo tem seu nascedouro em Jesus Cristo.

Nos últimos anos, muitas vezes apesar dos cristãos, e não por causa deles, esse discurso começou a repercurtir. Raça, religião, gênero e até opção sexual passaram a não mais se prestar a rotular pessoas como inferiores.
A cruzada da inclusão não parou aí. O avanço das ciências humanas e biológicas (sobretudo psicologia, sociologia, antropologia e terapia ocupacional) começou a apontar outros párias que precisamos incluir em nossa marcha civilizatória: deficientes físicos e mentais, índios, pessoas com transtornos ou déficits de integração sensorial (que em outro tempo seriam rotuladas simplesmente de esquisitas ou frescurentas), portadores de síndromes e transtornos dos mais diversos.
Engraçado que quanto mais se avança nesse sentido, maior e mais violenta passa a ser a reação contrária. Quanto tempo não ficamos sem ver uma manifestação ostensiva dos supremacistas brancos? Por que os atentatos do fundamentalismo Islâmico deslocaram-se do mundo muçulmano para o ocidente que prega tolerância e inclusão? Por que maníacos que se dizem conservadores pregando um discurso totalmente anti-inclusão, segregador e eugenista começam a crescer em popularidade?
O ser humano precisa de referências sólidas. Uma hierarquia de gêneros ou raças, ou a superioridade do bonito sobre o feio e do popular sobre o esquisito é um referencial dos mais simples – tentar dinamitá-lo pode suscitar um ódio que a zona de conforto anterior sequer suspeitaria.
E qual é o papel do cristão nisso tudo?
O cristão precisa desesperadamente nascer de novo. Ele precisa deixar o velho homem morrer e nascer uma nova criatura. Uma criatura despida de outros referenciais que não aqueles marcos radicais de amor universal – sim, até aos inimigos! – que Ele lançou.
Para que o discurso de Jesus não seja apropriado indevidamente por quem O odeia e despreza e para que o mundo saiba que o evangelho tem poder.

29
abr

Raízes e Frutos

Cristo ao entregar sua vida pela humanidade, limpou-nos definitivamente do pecado e ato contínuo nos proporcionou o caminho que leva à salvação, consequentemente, à vida eterna. Nesse ínterim, que compreende reconhecermos o sacrifício, aceitá-lo e alcançarmos a salvação, somos chamados a produzir frutos. Caso contrário, seremos arrancados e lançados fora.

Se pensarmos nossas vidas como árvores, a seiva que nos alimenta e faz crescer é a Palavra. Por ela crescem frondosos os nossos galhos e raízes. Pela Palavra aprendemos os mandamentos e, através deles, convertidos e conduzidos pelo Espírito Santo, produzimos frutos.

Em tempos de desequilíbrio e violência, é fácil nos contaminarmos com julgamentos e ira. O Brasil e o mundo têm apresentado situações intoleráveis de corrupção e injustiça que facilmente contaminam o coração. E aqui importa ressaltar – contamina tão somente àquele que não tenha seus pés fincados à Rocha – vale dizer, em Cristo e nos valores e mandamentos ensinados por ele.

Por ocasião de sua carta aos efésios, o apóstolo Paulo apresentou o seguinte ensinamento contido no Salmo 4 – “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha e não deem lugar ao diabo”.

Somente somos contaminados se nos encontramos imaturos, faltando-nos suficiente apoio recebido pela Palavra, pela oração e pela entrega incondicional ao Espírito de Deus que nos transforma. É como a árvore que possui galhos longos, mas uma raiz curta. Aqueles em dado momento lhe serão pesados e ela por certo tombará.

Diante das corrupções de toda sorte deste mundo de orgulhos, a quem compete o julgamento efetivo, podendo fazê-lo com verdadeira justiça? Ao Eterno, tão somente. A nós, nos é devido cumprir os mandamentos e guardar a fé em Jesus, para que tenhamos direito à árvore da vida. Ainda em face dos desequilíbrios humanos, se nos cabe lançar mão da lei dos homens – e muitas vezes é justo que o façamos –, que ela seja buscada e aplicada com amor, afinal, o que diz o mandamento, senão – amai-vos uns aos outros, amai os vossos inimigos e por eles orai.

Para alcançarmos tal desiderato, guardando-nos da contaminação do mundo, necessitamos do conhecimento das escrituras, mediante o qual compreendemos efetivamente a necessidade de levarmos o nosso pensamento cativo a Cristo, rogando ao Pai, em nome do Justo, que nos purifique o coração e a mente, livrando-nos do mal.

Eterno, damos graça por sua infinita bondade. Que possamos crescer com o mandamento. Que nossos galhos possam crescer frondosos e bonitos, com raízes fortes e profundas. E que possamos dar bons frutos, pois, do contrário seremos arrancados. Para tanto, que cada um de nós compreenda quão imprescindível seja o esvaziar-se, para que o Espírito Santo habite em seu interior.

Sadi – O Peregrino da Palavra

25
abr

O aroma do Céu

Marco Aurélio Brasil

Quem quer perfeição? Minha esposa, que é enfermeira, narrou a conversa que ouviu no hospital certa vez: uma médica queixava-se a um colega de ter que fazer determinada tarefa, ao que ele respondeu que, se ela não fizesse, não iria para o Céu. Ela, então, retrucou dizendo que isso seria ótimo, porque o Céu devia ser muito chato.

No filme Matrix, a realidade seria uma ilusão criada por um imenso computador, e essa “realidade irreal” seria propositadamente imperfeita, porque seres humanos não conseguiriam viver bem em um ambiente perfeito. Como Ulisses, vestido de vestes riquíssimas, comendo a comida dos deuses em uma ilha paradisíaca e dividindo a cama com a belíssima deusa Calipso, mas sempre suspirando por sair dali.

Seríamos mesmo incompatíveis com a perfeição? Haveria algum gene em nossa formação que nos poria ao avesso do paraíso? Seríamos fadados a tentar achar uma felicidade fugaz, relativa, dolorida e esquálida por entre um universo entrópico, por entre a sujeira, a incompletude, a solidão, a dor e a fome? Ao pararmos para lembrar dos momentos de gozo passados, parece que somos forçados a concluir com Vinícius de Morais: tristeza não tem fim, felicidade sim, porque mesmo a mais doce felicidade acaba passando, acaba enjoando, acaba perdendo a força.

Pois bem, acontece que Deus é amor. Está lá (I João 4:8), é a definição mais exata do que Ele é. A coisa interessante a respeito de ser amor é que tudo aquilo que quem é amor faz acaba sendo amor também. É impossível para quem é essencialmente amor fazer desamor. Amor é mais que uma virtude, faz parte do núcleo do ser, é princípio, ele dita os atos. Logo, a realidade sonhada por Deus é exatamente aquele estado de enlevo que a gente flagra de quando em quando em pessoas muito apaixonadas, só que eternamente. O Céu não pode ser chato, na medida em que foi pensado pela encarnação do amor! Quem amou, sabe.

Experimentando esse tipo distinto de gozo, calcado na esperança do amor continuado, do amor sem fim, temos o privilégio de conhecer já aqui um tipo de alegria incomum. Podemos experimentar paz, podemos respirar o ar do Céu, que faz com que a lógica se inverta: tristeza tem fim, a felicidade genuína não.

O Céu só é chato para quem não sentiu o seu aroma já aqui.

09
mar

Enquanto isso…

Marco Aurélio Brasil

Só acho importante você saber que enquanto nós ficamos discutindo a rebimboca da parafuseta teológica, as pessoas da igreja adventista do bairro mais afetado pelo Carnaval de rua em São Paulo decidiu não fazer nenhum retiro espiritual, ao contrário, decidiram massivamente vestir um colete com uma declaração de amor ao bairro e, armados com esfregões, luvas e parrudos sacos de lixo, exaustivamente se aplicarem a limpar a vizinhança em todos os quatro dias do feriado, despertando a admiração e surpresa gerais e inspirando outros a fazerem o mesmo.

Por que Ele fez a gente cuida

E que, enquanto nós ficamos planejando o casamento perfeito, com todos os detalhes para nossa satisfação e glória, alguns jovens decidiram inverter radicalmente a lógica das despedidas de solteiro clássicas, fazendo do seu dia mais especial uma oportunidade de serviço (no caso, contrataram duas prostitutas e as levaram a um local cheio de jovens animados que as sentaram junto a uma mesa lindamente preparada, serviram-lhes um jantar de gala e disseram que naquela noite elas não serviriam, mas seriam servidas, convidando-as a contar sua história, seus sonhos e frustrações e perguntando no que as poderiam ajudar verdadeiramente).

Gostaria que soubesse que enquanto a gente afia as lâminas do julgamento do nosso próximo, um grupo de jovens se reúne todo fim de tarde de sexta-feira em plena Avenida Paulista com cartazes onde se lê coisas como “quer um abraço?”, “quer desabafar?” e “posso orar com você?”, impactando dezenas de pessoas surpreendidas pela graça no meio do deserto de asfalto.
Que, enquanto bolamos estratégias para conseguir mais tempo para assistirmos mais séries, jovens batistas saem pelas ruas de São Paulo entrevistando moradores de rua e postando sua história e sua foto no Instagram, humanizando o que de outra forma veríamos apenas como a degradação humana sem rosto.
Só queria hoje que você soubesse, através desses parcos exemplos que me chegaram aos ouvidos recentemente, que o evangelho de Jesus Cristo está vivo e pulsando, e que algumas pessoas respiram o Reino já aqui e estão mais preocupadas em morrer do que em viver, para viver quando a grande maioria morrer (e para que essa grande maioria seja menor do que seria se eles permanecessem inertes e indiferentes à missão que Cristo nos confiou).

01
mar

Isto sim é amor

Gelson de Almeida Jr.

Anos atrás um orfanato vietnamita foi atingido durante um bombardeio. Várias crianças tiveram morte instantânea e outras ficaram seriamente feridas, entre as que estavam em estado grave havia uma garota de oito anos, que necessitava urgentemente de transfusão de sangue. Testes foram realizados e ninguém da equipe médica era compatível. Saíram pela aldeia procurando um doador. Devido aos ferimentos poucos estavam em condições de doar sangue, mas encontraram um garoto, que era doador compatível.

Deitado numa cama ao lado da garota o menino olhava fixamente para o teto enquanto seu sangue era coletado, mas, instantes depois, começou a soluçar e tapou o rosto com a mão que estava livre. O médico pediu que a intérprete verificasse se ele sentia dor, ele disse que não. Minutos depois soluçou novamente e lágrimas escorriam pelo seu rosto. O médico pediu à intérprete que falasse com ele novamente. Após a conversa ele se acalmou e a enfermeira disse que ele chorara, pois pensara que teria que doar todo o seu sangue para a garotinha.

Com ajuda da enfermeira intérprete o médico perguntou ao garoto porque se oferecera para doar sangue se achava que morreria. Serenamente ele disse:

– Porque ela é minha amiga.

Há pouco mais de dois mil anos, muito antes de você e eu sermos um projeto de vida, Cristo doou Seu precioso sangue para que a morte eterna não nos atingisse (I Pedro 1:18-20). Amor incomparável e indescritível pela raça, essa é a única explicação para ato de tamanha generosidade (João 3:16). Ao invés de nos abandonar à própria sorte, vítimas de nossas próprias escolhas, o Eterno se apiedou de cada pecador, assumindo nossa culpa, Cristo pagou o preço por nossa transgressão.

O sangue do garoto garantiu vida para a amiga, o sangue de Cristo garantiu vida eterna para cada pecador arrependido, a quem Ele carinhosamente chama de amigo (João 15:15). Cristo foi pregado na cruz, mas não foram os pregos que o prenderam na cruz, o que o prendeu na cruz foi o Seu amor por você e por mim. Qual é a sua resposta diante de tão grande prova de amor?

26
ago

O Melhor Amigo

Gelson de Almeida Jr.

Existe uma lenda árabe que relata a história de dois amigos que discutiram quando viajavam pelo deserto. A discussão foi tão acalorada que um deles acertou o rosto do outro com um soco. Imediatamente, o que foi agredido, se curvou e escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo me deu um soco no rosto”.

Continuaram a viagem em silêncio até que se depararam com um oásis, começaram a se banhar e, o que havia levado um soco, começou a se afogar e foi salvo pelo outro. Assim que se recuperou, pegou um instrumento pontiagudo e escreveu numa pedra: “Hoje, meu melhor amigo salvou minha vida”.

pazA Bíblia apresenta inúmeras demonstrações de amizade do Eterno para conosco. O Salmo 23 apresenta um pequeno resumo disso. Afirma que o Eterno é nosso Pastor e, como tal, não nos deixa faltar alimento, nos faz repousar em lugares tranquilos, nos refrigera a alma, está ao nosso lado nos momentos mais difíceis, nos ampara e restaura mesmo quando rodeados de adversários. Finaliza dizendo que bondade e misericórdia são Seus traços característicos.

Cristo morreu em nosso lugar, pois é nosso Amigo e Seu amor é incondicional. Somos seus amigos por escolha Sua (João 15:3 3 16). É por essa razão que que quando o magoamos Ele escreve nossas faltas na “areia” do tempo. Ele não guarda rancor nem mágoa, faz questão de esquecer as coisas ruins (Hebreus 10:7), mas valoriza cada ato de obediência de nossa parte, pois é assim que mostramos ser seus amigos (João 15:14). Portanto, vá até Ele, você pode procurar, mas nunca achará amigo igual ou maior ao Eterno.

07
jul

Declaração de amor

Marco Aurélio Brasil

Recebi essa declaração de amor aqui. Veja que linda:

“A despeito das telas que pinto ao amanhecer e no ocaso, tingindo o céu em mil tons, e dos quadros móveis (o cabelo dela balançando, o sorriso espontâneo de sua filha, a igreja cheia, flores, árvores, casas e montanhas, tudo) que te crio; a despeito da música que te faço de mil formas (não só os pássaros, não, mas o soar do telefone na hora exata, a palavra de conforto que vem de canais inusitados, o som da panela de pressão cheia); a despeito dos perfumes que você acha em frascos vários (a seção de frutas do supermercado, o pescoço dela, o cabelo de seu filho); enfim, mesmo a despeito de tantas e tantas declarações de amor, a maior das quais ecoando ao longo dos séculos desde o Calvário, sei que você precisa de palavras diretas vez em quando.
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Eu, que com amor eterno te amei, com laços de benignidade te atraí, que dei vidas pela tua vida e povos por você, queria deixar claro que meu amor não é de ocasião, como são os amores de homens tantas vezes. Não quero que pense que te quero para provar algo a alguém, ou para saciar uma necessidade minha. Não, eu queria que você entendesse que o seu sorriso é lindo. Quando ele se apaga uma luz se extingue aqui dentro também. Você não faz a mais pálida ideia do quanto eu gostaria que ele, o seu sorriso, fosse eterno. Aliás, essa era a minha ideia lá, bem no começo. Gostaria que você entendesse que tua presença aqui ao meu lado é o que mais quero, que sinto falta de você e que a ponte sobre o abismo, sobre o fosso, vai estar sempre abaixada.

Quero que você entenda que meu amor independe das coisas que faz para me agradar. Elas são ótimas, eu mesmo coloquei em você o desejo de concretizá-las, mas sabe, esse amor é coisa mais velha, coisa curtida. É amor pensado, provado, pesado e aprovado. É amor frutífero, criativo, abrasante, enternecedor,impulsionador,
capacitador. É amor total, agape, alto, sublime. Etéreo mas palpável.

Queria que você soubesse que olhei cada instante. Os balbucios, as
quedas, os risos, as pernas bambas e as apalpadelas em tudo que havia pela frente, na primeira infância. Os vôos, espadas de madeira, amoreiras trepadas, risos, perguntas, abraços, suspiros, quedas e carências da segunda infância. Vi os titubeios, os suspiros, risos, quedas e pulos, as piadas, cismas e carências da pré-adolescência. Eu estava lá durante os vazios, mas também durante os risos, as leituras, o ensimesmamento, as conquistas, tropeços, gafes, canções e faltas da adolescência, também nos encontros, confirmações, tropicões, momentos de vergonha, projetos, criações, amores e confirmações de fé que se seguiram. Vi com muita alegria a formação do homem. Vi com alegria como enxergou as setas que deixei pelo caminho, pegou as pistas,
seguiu os passos. Sorri largo no seu casamento, sorri largo no
nascimento de cada filho. Queria que você soubesse que estou pronto para sorrir largo muito mais vezes, e já estou sorrindo agora, porque, definitivamente, eu amo você. E esse amor é o continente de onde sai o amor que você comemora com ela. Você sabe, não é?

Mesmo assim, é bom que certas coisas sejam ditas.”

07
maio

A você, minha Mãe

MãesHá momentos na vida em que mesmo tendo a certeza de que é somente debaixo das asas do Pai onde encontramos refúgio seguro, é de nossa mãe que lembramos desejando um abraço, ouvir a sua voz ou apenas contemplar o seu rosto. Algumas vezes isso não nos é mais possível, contudo há dentro de nós algo que ainda nos acalenta quando é dela que falamos: o amor de mãe.

Um simples olhar seu já nos diz que os seus braços estão abertos para nos receber, compreendendo tudo o que há dentro de nós sem que precisemos dizer coisa alguma. E normalmente querem tão somente acalentar, pois o coração de mãe é o que mais se aproxima à semelhança do coração de Deus: afinal, sabe o que vai dentro do coração de cada filho.

Amor incondicional é o que se dispõe desde o instante em que sabe que nos carregará em seu ventre por alguns meses. Talvez seja esse o tempo quando se formata em cada uma delas a consciência da eternidade, a elas revelado para que recebam a essência do caminhar ao nosso lado enquanto haja ar em suas narinas, gerando-nos quantas vezes for preciso ao longo de nossa jornada.

Sua existência é tão bem-aventurada que o próprio salmista se encarregou de transmitir as palavras do Eterno, a traduzirem o ventre como o limite primeiro onde já nos encontrávamos debaixo dos olhos do Senhor. “Por Ti tenho sido sustentado desde o ventre”.

Mãe, o que falar de você enquanto somente as lágrimas dos meus olhos conseguem traduzir a gratidão que transborda de meu coração, inundado de amor por você, sentimentos que me dizem jamais poderei retribuir à altura os seus gestos. Resta-me ajoelhar diante do Eterno e clamar para que derrame bênçãos sem medida sobre sua vida, ainda que nesse momento eu possa ouvi-la dizer que eu, seu filho, sou toda a bênção que você esperava da vida.

Mãe, muito obrigado por tudo que entregou a mim, ainda que eu me confesse impedido de mensurar ou conceituar com justa medida todo esse ato de amor. Creio eu, um dos mistérios que a humanidade haverá de conhecer quando da volta do Cristo – a intimidade do coração de mãe em seus instantes com o Eterno.

Com amor, teu filho,

Sadi – Um Peregrino da Palavra

15
jan

Braços Abertos

Gelson de Almeida Jr.

“Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. (Lucas 23:42)


As palavras acima são as únicas, que se tem conhecimento, proferidas pelo chamado bom ladrão a Cristo. Condenado à morte e pendurado numa cruz ao lado dEle, em seus últimos momentos de vida, olhou-O e viu o amor e perdão que nunca conhecera. Com lucidez e arrependimento, nunca apresentados antes, dirigiu-se ao Doador da vida e pediu um lugar em Seu Reino.

O ciclo de mudanças em sua vida finalmente estava completo, atingira o ápice possível a um ser humano. A vida de crimes terminou quando foi preso, mas sua vida errante só terminou na crucifixão ao lado de Cristo, seu “encontro” com o Salvador habilitou-o à vida eterna.

Recentemente, conversando com uma pessoa sobre a maravilha do amor divino, citei o episódio acima. Ela me disse que achava um absurdo esse homem, que dedicara sua vida ao crime, ser perdoado por apenas essa frase, esse pedido. Disse-lhe que o perdão viera não pelo pedido, mas pela sinceridade que o acompanhava.

O amor do Pai é assim, não conhece fronteiras ou limites, não se sujeita a convenções humanas de nenhum tipo, é perfeito, incomparável, indescritível e está à disposição de todos os que dele precisarem, o buscarem e o aceitarem.

homem braços abertosO Homem que passou a vida abrindo os braços aos seres mais abjetos e desprezados pela sociedade, que curara e restaurara toda a sorte de doentes, tanto os físicos como os sociais, morria, mas com os braços ainda abertos. Braços que nunca se fecharam em vida continuaram abertos na hora da morte. Esses mesmos braços estão abertos esperando por você. Não hesite, vá até Ele, feche o ciclo de sua vida e receba a salvação.

25
out

# Amor e Amizade

amor e amizadeNestes dias eu li um texto de um psiquiatra a quem admiro, contudo, não foi bem o que eu esperava encontrar. O assunto versava sobre a diferença entre o amor e a amizade, e à medida que o pensamento do autor se desenvolvia, restou claro que para ele o amor corresponde a uma busca para nos completarmos, sobretudo por carregarmos desde a infância a necessidade de sermos amados, devido ao recebimento do amor de mãe a que nos acostumamos.

Para o autor, as relações amorosas entre adultos se assemelham em muito com o sentimento que liga a criança à sua mãe, qual seja o da dependência, não havendo no mesmo diapasão que o da amizade, atitudes de confiança e cumplicidade.

Ao atribuir à amizade verdadeira tais valores, assim como a satisfação da companhia, por certo que o autor encontra boas razões a seus argumentos, no entanto, ao referir-se a esses valores entre amigos como algo mais solidamente alicerçado, por conta de afinidades e interesses comuns, do que caberiam aos casais, perdeu toda a credibilidade que pensei em atribuir ao artigo.

Por certo que ao falarmos de maturidade, o processo de fazer amizades guarda em si aspectos de individualidade bastante marcantes. Há, certamente, todo um paradigma para as escolhas, norteado, sobretudo por interesses comuns; entretanto, como não pensar o mesmo durante o processo de escolha daquele com quem desejamos passar a vida?

A busca do amor é sim, um processo adulto, porquanto deve haver em seu contexto a maturidade, jamais a dependência, ainda que o aprendizado que nos faz amadurecer seja um processo constante ao longo da vida. A busca de um amor que espera o suprimento de carências infantis, ou de um casamento que aguarda o preenchimento de valores materiais, está fadado a não conhecer o processo de amadurecimento que conduz à verdadeira cumplicidade.

Percebe-se, portanto, que o pensamento do referido articulista, mesmo vindo de um homem altamente preparado, inteligente, culto e educado, deve ser tomado como referência para se entender a diferença dos conceitos elaborados pelo mundo, daqueles fornecidos pelas escrituras. E estas proporcionam maturidade apenas àqueles que, de fato, se deixam transformar pelo Espírito do Eterno.

Ame, sim. Tenha amigos verdadeiros. E viva-os a partir da maturidade das escolhas, atribuindo respeito e admiração, jamais dependência. Aquele que busca um casamento para se completar, dificilmente será feliz. Aquele que atribui confiança e cumplicidade às suas amizades mais que ao seu cônjuge, vive incompleto.

O casamento, assim como a amizade, é uma escolha feita para compartilhar, calcado em confiança e cumplicidade iniciais que só devem crescer, e se há algo que dos relacionamentos se espere venham a acrescentar, que seja o próprio equilíbrio da relação, pois esta é a razão pela qual se propõem existir.

Casamento não é meio de suprir carências infantis e jamais poderá ser mensurado menor que um relacionamento de amizade. Ainda que existam amizades sólidas, e assim devem ser, o casamento se solidifica também pela amizade, tanto quanto por interesses comuns que passam a se multiplicar, sobretudo pelo amor. Muito mais do que poderia oferecer a melhor das amizades.

Pense nisso, e seja feliz com seu amor e com seus amigos.

Sady Folch – O Peregrino da Palavra

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