Tag Archive: Amor

07
May

A você, minha Mãe

MãesHá momentos na vida em que mesmo tendo a certeza de que é somente debaixo das asas do Pai onde encontramos refúgio seguro, é de nossa mãe que lembramos desejando um abraço, ouvir a sua voz ou apenas contemplar o seu rosto. Algumas vezes isso não nos é mais possível, contudo há dentro de nós algo que ainda nos acalenta quando é dela que falamos: o amor de mãe.

Um simples olhar seu já nos diz que os seus braços estão abertos para nos receber, compreendendo tudo o que há dentro de nós sem que precisemos dizer coisa alguma. E normalmente querem tão somente acalentar, pois o coração de mãe é o que mais se aproxima à semelhança do coração de Deus: afinal, sabe o que vai dentro do coração de cada filho.

Amor incondicional é o que se dispõe desde o instante em que sabe que nos carregará em seu ventre por alguns meses. Talvez seja esse o tempo quando se formata em cada uma delas a consciência da eternidade, a elas revelado para que recebam a essência do caminhar ao nosso lado enquanto haja ar em suas narinas, gerando-nos quantas vezes for preciso ao longo de nossa jornada.

Sua existência é tão bem-aventurada que o próprio salmista se encarregou de transmitir as palavras do Eterno, a traduzirem o ventre como o limite primeiro onde já nos encontrávamos debaixo dos olhos do Senhor. “Por Ti tenho sido sustentado desde o ventre”.

Mãe, o que falar de você enquanto somente as lágrimas dos meus olhos conseguem traduzir a gratidão que transborda de meu coração, inundado de amor por você, sentimentos que me dizem jamais poderei retribuir à altura os seus gestos. Resta-me ajoelhar diante do Eterno e clamar para que derrame bênçãos sem medida sobre sua vida, ainda que nesse momento eu possa ouvi-la dizer que eu, seu filho, sou toda a bênção que você esperava da vida.

Mãe, muito obrigado por tudo que entregou a mim, ainda que eu me confesse impedido de mensurar ou conceituar com justa medida todo esse ato de amor. Creio eu, um dos mistérios que a humanidade haverá de conhecer quando da volta do Cristo – a intimidade do coração de mãe em seus instantes com o Eterno.

Com amor, teu filho,

Sadi – Um Peregrino da Palavra

15
Jan

Braços Abertos

Gelson de Almeida Jr.

“Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. (Lucas 23:42)


As palavras acima são as únicas, que se tem conhecimento, proferidas pelo chamado bom ladrão a Cristo. Condenado à morte e pendurado numa cruz ao lado dEle, em seus últimos momentos de vida, olhou-O e viu o amor e perdão que nunca conhecera. Com lucidez e arrependimento, nunca apresentados antes, dirigiu-se ao Doador da vida e pediu um lugar em Seu Reino.

O ciclo de mudanças em sua vida finalmente estava completo, atingira o ápice possível a um ser humano. A vida de crimes terminou quando foi preso, mas sua vida errante só terminou na crucifixão ao lado de Cristo, seu “encontro” com o Salvador habilitou-o à vida eterna.

Recentemente, conversando com uma pessoa sobre a maravilha do amor divino, citei o episódio acima. Ela me disse que achava um absurdo esse homem, que dedicara sua vida ao crime, ser perdoado por apenas essa frase, esse pedido. Disse-lhe que o perdão viera não pelo pedido, mas pela sinceridade que o acompanhava.

O amor do Pai é assim, não conhece fronteiras ou limites, não se sujeita a convenções humanas de nenhum tipo, é perfeito, incomparável, indescritível e está à disposição de todos os que dele precisarem, o buscarem e o aceitarem.

homem braços abertosO Homem que passou a vida abrindo os braços aos seres mais abjetos e desprezados pela sociedade, que curara e restaurara toda a sorte de doentes, tanto os físicos como os sociais, morria, mas com os braços ainda abertos. Braços que nunca se fecharam em vida continuaram abertos na hora da morte. Esses mesmos braços estão abertos esperando por você. Não hesite, vá até Ele, feche o ciclo de sua vida e receba a salvação.

25
Oct

# Amor e Amizade

amor e amizadeNestes dias eu li um texto de um psiquiatra a quem admiro, contudo, não foi bem o que eu esperava encontrar. O assunto versava sobre a diferença entre o amor e a amizade, e à medida que o pensamento do autor se desenvolvia, restou claro que para ele o amor corresponde a uma busca para nos completarmos, sobretudo por carregarmos desde a infância a necessidade de sermos amados, devido ao recebimento do amor de mãe a que nos acostumamos.

Para o autor, as relações amorosas entre adultos se assemelham em muito com o sentimento que liga a criança à sua mãe, qual seja o da dependência, não havendo no mesmo diapasão que o da amizade, atitudes de confiança e cumplicidade.

Ao atribuir à amizade verdadeira tais valores, assim como a satisfação da companhia, por certo que o autor encontra boas razões a seus argumentos, no entanto, ao referir-se a esses valores entre amigos como algo mais solidamente alicerçado, por conta de afinidades e interesses comuns, do que caberiam aos casais, perdeu toda a credibilidade que pensei em atribuir ao artigo.

Por certo que ao falarmos de maturidade, o processo de fazer amizades guarda em si aspectos de individualidade bastante marcantes. Há, certamente, todo um paradigma para as escolhas, norteado, sobretudo por interesses comuns; entretanto, como não pensar o mesmo durante o processo de escolha daquele com quem desejamos passar a vida?

A busca do amor é sim, um processo adulto, porquanto deve haver em seu contexto a maturidade, jamais a dependência, ainda que o aprendizado que nos faz amadurecer seja um processo constante ao longo da vida. A busca de um amor que espera o suprimento de carências infantis, ou de um casamento que aguarda o preenchimento de valores materiais, está fadado a não conhecer o processo de amadurecimento que conduz à verdadeira cumplicidade.

Percebe-se, portanto, que o pensamento do referido articulista, mesmo vindo de um homem altamente preparado, inteligente, culto e educado, deve ser tomado como referência para se entender a diferença dos conceitos elaborados pelo mundo, daqueles fornecidos pelas escrituras. E estas proporcionam maturidade apenas àqueles que, de fato, se deixam transformar pelo Espírito do Eterno.

Ame, sim. Tenha amigos verdadeiros. E viva-os a partir da maturidade das escolhas, atribuindo respeito e admiração, jamais dependência. Aquele que busca um casamento para se completar, dificilmente será feliz. Aquele que atribui confiança e cumplicidade às suas amizades mais que ao seu cônjuge, vive incompleto.

O casamento, assim como a amizade, é uma escolha feita para compartilhar, calcado em confiança e cumplicidade iniciais que só devem crescer, e se há algo que dos relacionamentos se espere venham a acrescentar, que seja o próprio equilíbrio da relação, pois esta é a razão pela qual se propõem existir.

Casamento não é meio de suprir carências infantis e jamais poderá ser mensurado menor que um relacionamento de amizade. Ainda que existam amizades sólidas, e assim devem ser, o casamento se solidifica também pela amizade, tanto quanto por interesses comuns que passam a se multiplicar, sobretudo pelo amor. Muito mais do que poderia oferecer a melhor das amizades.

Pense nisso, e seja feliz com seu amor e com seus amigos.

Sady Folch – O Peregrino da Palavra

20
Sep

# Ame e viverá

kjhOntem eu escrevia sobre o triste testemunho que o mundo tem presenciado diante do êxodo que ocorre no Oriente Médio, porquanto a atitude despótica se caracteriza, desde que o mundo é mundo, por violências de toda a sorte apenas para manter o poder.

Dentre a completude dos esclarecimentos que nos levam a amar a Deus (especialmente porque Ele nos amou primeiro), está o fato de Ele não nos forçar a nada, esperando paciente e amorosamente que nos voltemos a Ele. Esta, sim, é uma atitude a que podemos acreditar esteja repleta de verdade e esperança, de segurança e fidelidade em todas as horas.

Os homens que procuram sua própria glória, vivendo por discursos que não passam de armadilhas para os desavisados, a eles todo o cuidado é pouco, pois ainda que o favoreçam com alguns benefícios, será no momento em que mais precisar de sua ajuda quando eles o abandonarão.

Somente nas escrituras podemos encontrar o que de fato é a verdade, sobretudo a compreensão quanto à esperança e a paz, estas que são colunas especialmente preparadas por Deus para momentos turbulentos. Entre todos esses contextos e compreensões, algo se sobressai e os constitui: o amor.

O apóstolo Paulo, à época em que ainda era Saulo perseguia e matava os cristãos. Convertido, escreveu aos coríntios dizendo: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha”. Ao dizer isso, Paulo demonstrou a verdade também reconhecida por Pedro, quando escreveu que quem “ama é nascido de Deus, pois Deus é amor”.

As barbáries que presenciamos no Oriente Médio devem nos mover em amor àqueles que sofrem, para fazermos o que estiver ao nosso alcance, ainda que seja ajoelhar e orar, o que, diga-se de passagem, pode muito diante de Deus. Quanto aos déspotas, não devemos odiá-los em nenhum momento, pois são criaturas de Deus e podem a qualquer instante, como ocorrera com Paulo, arrependerem-se e voltarem-se para Deus.

Por estes devemos orar com maior amor ainda, pois ao agirem com tamanha crueldade, sofrem muito, ainda que não o compreendam e também à ignorância de seus atos. Cristo pediu que orássemos pelos inimigos. Pergunte-se se alguém consegue orar por outra pessoa tendo ódio dentro de si. Somente amando-nos uns aos outros é possível que o amor de Deus se aperfeiçoe em nós, possibilitando que Ele permaneça em nós.

Logo, podemos concluir que ainda que estejamos diante de situações pavorosas como as que ocorrem na Síria (e haverá de chegar o dia em que a perseguição aos cristãos, especialmente aos que guardam o sábado ocorrerá) não devemos odiar, tampouco sentir medo, pois, ainda tomando de empréstimo as lições na carta de João, ressalte-se que aquele que sente medo não está aperfeiçoado no amor.

Creio que estas sejam as lições com as quais devemos imprimir a transformação de nossa mente, não nos conformando com este mundo. Amar é tudo o que podemos fazer. Se o fizermos verdadeiramente, tudo o mais nos será acrescentado em força e poder da parte de Deus, pois ainda segundo a carta de João, é o amor que faz com que no dia do juízo teremos confiança.

Que o amor de Deus seja a razão de viver para cada um de nós, hoje e por toda a vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

19
Sep

# Amai, amai, amai.

asdO êxodo que está acontecendo no Oriente Médio em direção à Europa é assustador. Muitos já tendo conseguido chegar àqueles solos, caminham quilômetros tentando chegar a determinados países, encontrando fronteiras fechadas por longas cercas de arame farpado, impedindo-os de ultrapassar, restando em meio ao caminho, nas estradas e ao longo das ferrovias, sobrevivendo apenas pela caridade dos habitantes locais bastante abalados com o imenso sofrimento alheio.

Ainda assim, os dirigentes desses países, tentando manter o equilíbrio de suas estruturas econômicas, não permitem que imigrantes ingressem em suas terras. O que é isso senão o resultado ainda dos tempos do colonialismo, onde governos poderosos tomaram o controle de países no Oriente Médio, Ásia e África, esvaziando-os de seus recursos, sobretudo de seus valores e culturas, desequilibrando-os em todos os sentidos.

O homem sempre foi dominador, não pensando duas vezes em agir com tirania se assim lhe fosse possível. Nos dois últimos séculos, tomaram, dominaram, desrespeitaram tanto quanto o que lhes ia ao coração, mesmo depois de firmadas declarações de direitos humanos, mesmo diante de suas declarações como cristãos.  São resultados, na verdade, do amor que se esfria a passos largos.

O mundo tem se apresentado crudelíssimo, mesmo diante de tantas tecnologias e avanços, direitos e conquistas humanas, em proporção muito maior que nos séculos dos dois primeiros milênios. As escrituras nos falam dessas ocorrências. O amor está esfriando. O que há para fazer? Abrir mão de julgar e tão somente amar. Vibremos o amor neste momento tão difícil. Vivenciá-lo é tudo o que podemos fazer, pois só assim conseguiremos desdobrar esse sentimento tão nobre e digno em ação.

Amai-vos uns aos outros. Amai os que te odeiam. Amai. Amai. Amai.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

26
Aug

Agindo conforme a natureza

Gelson de Almeida Jr.

Gosto da história do monge que caminhava com seus discípulos e, ao passar sobre uma ponte, viu um escorpião se afogando no rio. Imediatamente entrou no rio e pegou o animal com as mãos, mas  este o picou e a dor fez com que o deixasse cair no rio e ser levado pela correnteza. Desesperado o monge pegou um galho e corre pela margem até alcançar o animal e o salvar. Satisfeito, voltou para a estrada e se juntou aos seus discípulos que estavam perplexos e penalizados com sua situação. Um deles lhe perguntou porque salvara um bicho como aquele, ruim e venenoso, disse ainda:

– Que se afogasse! Seria um a menos. Veja como ele retribuiu à sua ajuda. Picou a mão que o salvou. Não merecia a sua compaixão!

Calmamente o monge respondeu:

– Ele agiu segundo a sua natureza e eu conforme a minha.

Se fosse possível, muitos perguntariam a Cristo, antes de descer a este planeta afim de salvar a raça humana, porque vir aqui, um lugar de pecadores impenitentes e pessoas ingratas. Por que vir aqui se muitos não O aceitariam ou seguiriam Seus ensinamentos? Também O questionariam, após retornar aos Céus, se tinha valido a pena tanto sacrifício e sofrimento. Com certeza Ele pensaria em você, em mim e diria:

– Como valeu a pena!

Cristo fez o que fez porque esta é a Sua natureza, Ele é amor (I João: 4:8) e quando se ama se dá o melhor (João 3:16). Infelizmente nossa natureza humana não permite que demos resposta adequada a tão nobre gesto, mas se permitirmos que Ele execute em nós Sua obra transformadora, tudo será diferente, onde há ódio haverá amor, onde há ofensa haverá perdão, onde há mentira haverá a verdade, onde há trevas haverá luz, onde há guerra haverá paz, pois aqueles que estão em Cristo são uma nova criatura, as coisas velhas são passadas e tudo se faz novo (II Coríntios 5:17). Deixe a natureza do Mestre ser a sua e revolucione o mundo.

11
Aug

O quadro na parede – visão

Marco Aurélio Brasil

Portanto, amigos, e para ser mais explícito, continuando o papo da última terça-feira: se a igreja fosse uma empresa e tivesse um quadro na parede com a missão, a visão e os valores, a missão seria: Ir e fazer discípulos, ensinando-os e batizando-os em nome do Pai, do  Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28:18 e 19).

Numa empresa há diversos departamentos. Contabilidade, RH, Jurídico, Marketing, Comercial, Produção, etc. Cada um deles desempenha tarefas muito diferentes das dos demais, e, no entanto, todos estão – ou deveriam estar – trabalhando para um fim comum. A missão da empresa determina que fim é esse.

Bem, a igreja é constituída de pessoas com dons muito diversos, mas todos, sem exceção, deveriam estar trabalhando para o fim de fazer discípulos. Todos.visão

Mas a missão é só uma parte do quadro na parede. Segundo a matéria que consultei, “a visão pode ser percebida como a direção desejada, o caminho que se pretende percorrer, uma proposta do que a empresa deseja ser a médio e longo prazo e, ainda, de como ela espera ser vista por todos” (Rogério Ramos).

Se é assim, qual poderia ser a visão da igreja de Cristo? Se encontramos a missão na Bíblia é lá que devemos procurar a visão também. Para mim está claro que tudo teria que começar aqui:  “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (João 13:35). Afinal de contas, a igreja prega o evangelho do reino, ou seja, essa mensagem de amor e inclusão, “em testemunho a todas as gentes” (Mateus 24:14), ou seja, vivendo uma vida de valores diferentes na frente das pessoas, se relacionando com elas, entrando no caminho delas como Cristo, o Mestre, fazia.

Tristemente, contudo, a imagem que os outros fazem da igreja cristã tem pouco ou nada a ver com isso, com raras e fantásticas exceções.

É que as pessoas não estão lendo o quadro na parede. Ou estão escrevendo outras coisas por cima dele.

Nós temos o norte. Nós temos o vento soprado pelo Pai a nos empurrar. Nós temos tudo de que carecemos para ser aquilo que fomos criados para ser. Se não somos, se não vamos para lá, estamos fracassando.

 

06
Aug

Sobre duas ex-canções

Marco Aurélio Brasil

Houve um tempo em minha vida em que eu bem poderia cantar a canção dos Titãs:

o acaso vai me proteger
quando eu andar distraído

Mesmo depois de haver me convertido de fato à fé cristã, seria só trocar “acaso” por “meu Deus”, mas eu poderia continuar andando distraído por aí. Sei lá, talvez fosse o temperamento, personalidade, mas eu era assim, um tanto inconsequente. Não tinha medo de muita coisa, sentia que algo maior me protegeria, e, se não protegesse… bem, eu não pensava muito nisso. E, por não fazê-lo, saltava de pedras sem me certificar muito bem do que havia embaixo, andava de madrugada pelas ruas do Capão Redondo e coisas assim. Além desses perigos físicos que corria, tinha absolutamente certeza de que seria feliz, dizia a quem me perguntasse que a felicidade era algo que vinha de dentro pra fora e deveria ser independente de qualquer situação exterior, exatamente porque não tinha muito medo.

Nesse tempo havia também uma outra peculiaridade. Tive uma ou outra paixão mais intensa, mas não havia chegado a amar alguém. Passei até uns bons anos sem namorar. Eu citava, meio jocosamente, para quem vinha conversar comigo sobre o fato, o verso de Cantares: “não desperteis o meu amor até que ele o queira”. Eu afetava uma despreocupação com o fato que não era lá um primor de honestidade. No fundo eu temia que meu amor fosse do tipo que não acorda jamais, temia que pudesse ter alguma incapacidade congênita de amar. Colocava meu vinil dos Smiths pra tocar e enquanto eles cantavam

I know I’m unloveable
you don’t have to tell me

eu cá com os meus botões pensava que aquela podia ser a música da minha vida.

Mas aí tudo mudou. O amor apareceu. Entrou por uma porta insuspeitada, chegou decidido e cravou a sua bandeira no solo ainda sem dono do meu coração. Não havia mal congênito nenhum, a felicidade que eu tinha muita certeza que teria não haveria de ser de um tipo mais raro ou exótico, não, poderia ser do tipo ordinário, o tipo que envolve, entre outras coisas, uma relação de um homem com uma mulher.

Eu não notei imediatamente, contudo, um efeito colateral dessa revolução. Comecei a perder o apetite por pular de pedras e coisas afins, mas só fui notar de fato que algo mais havia mudado quando vieram os filhos. Eles me fizeram descobrir que as coisas têm pontas, e que a altura de uma cama ou um sofá pode ser um abismo temivel. E hoje eu sinto meu estômago revirar ao ouvir falar dos perigos deste mundo. Eu hoje sei que sou capaz de sentir medo.

Amor e medo, descobri, andam de mãos dadas porque quando você ama de repente o seu bem estar, sua felicidade dependem do bem estar de uma outra pessoa, e isso é algo completamente alheio a você, é algo que você não pode controlar. Você pode até colocar protetores de borracha nas pontas e tampar as tomadas e checar as amizades, os horários, os entretenimentos e tudo, mas seu poder de controle será sempre limitado. Especialmente porque você sabe que essa outra pessoa vai poder fazer escolhas e ela as fará, um dia ela vai escolher.

Não é com a mínima ponta de nostalgia que lembro do tempo em que eu andava distraído e me sentia incapaz de amar. A felicidade ordinária me cai muito bem. Sou cheio de gratidão a Deus por ver que Ele, com paciência e amor me conduziu a ela e prefiro mil vezes as novas canções que Ele me deu àquelas outras. Mesmo com o medo ao qual fui tardiamente apresentado.

E por saber que amor envolve medo e por me sentir muito, gigantescamente amado, não posso deixar de sentir um pouco de pena de meu Deus. Imagine o tamanho do medo dEle. Afinal de contas, neste exato instante há mais de 6 bilhões de objetos desse amor rasgado fazendo suas escolhas.

Qual é a sua?

01
Aug

# Mundos diferentes

agapeAo tempo de criança e meninos conhecemos a vida através dos olhos da descoberta, e nossas relações eram como que naturais, quase inexistindo preconceitos ou julgamentos, a não ser diante daqueles que se pretendiam egoístas.

À medida que crescíamos, tornando-nos adolescentes, as antigas convicções passaram a ser confrontadas, haja vista desajustadas ao novo contexto. Não mais haveria espaço para a naturalidade do comportamento de outrora. Agora é o tempo de opção por tribos específicas. É a fase dos julgamentos tanto frágeis como impiedosos. A fase da autoafirmação imposta.

O adolescente segue lapidando suas convicções ou reforçando-as. A fase seguinte pede rapidez de adaptação. É chegada a fase adulta. Se você não acompanhou o processo de transposição, sente-se mais perdido do poderia estar na fase anterior. Estamos definitivamente neste que é o mais longo contexto de nossas vidas.

Seguimos confirmando novas convicções que se acrescentam, sem muito tempo para pensar; tão somente alguns valores predeterminados são apresentados para servirem de parâmetros para as novas escolhas. O tempo urge. Os novos rumos são a realidade. Ou os vivemos conforme as poucas fórmulas dispostas, ou nos tornamos párias.

Responsabilidades que se bem percebidas, mais se parecem com opressão; de um mundo totalmente conturbado – mais ainda que ao tempo da adolescência – pois há um sistema de valores ao qual se você não está inserido, é desprezado, restando-lhe as migalhas que por ventura caíam das mesas.

É chegada a fase sinônimo de inutilidade. Já não servimos nem mesmo como conselheiros. Percebemos que o tempo passou e com ele uma vida de incertezas. Contudo, há algo que se apresenta como certo. Um sentimento pelo qual nunca antes o tivemos por experimentado tão de frente, ainda que o conhecido subliminarmente.

Vemos a vida com os olhos da verdadeira descoberta do que seja o mundo. Um oceano profundo e escuro desde o primeiro metro na superfície, repleto por vaidades e descaminhos, imposições e desequilíbrios, conceitos que só servem para formar indivíduos mecanizados, frios e totalmente vazios, ainda que cheios de si.

Todas as coisas são trabalhosas e o homem não as pode exprimir, afirma o sábio rei do Eclesiastes. Não há nada debaixo do sol, continua ele, arrematando que, pregador, ele foi rei sobre Israel em Jerusalém, e ao aplicar o coração ao esquadrinhar da sabedoria, encontrou apenas aflição de espírito.

Este, um texto de lamentações? Não! Antes uma constatação da vida vivenciada pelos padrões do mundo. E o que então serve-nos como descoberta fora do mundo? A nós que somos resgatados pelo chamado do Eterno?

Duas vertentes se revelam por frutífero descobrimento: A fé constante em Hebreus 11 e o amor referido por 1 Coríntios 13. A fé, sim; no entanto, sobretudo o amor. Esse amor, o verdadeiro fundamento de nosso relacionamento com o Eterno – ágape pelo que se deve apresentar.

Digo isso, por conseguinte, termos sido criados à imagem e semelhança daquele que nos amou primeiro, o que nos convoca a compreendermos o que seja encontrarmos propósito no que afirma antes sermos pelo outro do que pelo simples obtermos para nós tão somente. Há riqueza nestes recursos; sirva-se deles sem medida e conheça o que seja viver de forma equilibrada. Feliz sábado do peregrino da palavra!

24
Jun

Lei da liberdade

Gelson de Almeida Jr.

Dois grandes pensadores, J. Locke e Montesquieu, defensores do liberalismo, tentaram resolver o problema ao afirmarem: “Onde não há lei, não há liberdade” e “Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite”, respectivamente. Em sua obra “Amor um sentimento a ser aprendido”, Walter Trobisch afirma que se olharmos com atenção uma vida destruída veremos que tudo começou com a transgressão da Lei de Deus. Parece que ele entendia claramente o sentido do termo “lei da liberdade”. Ele afirma que quando o Eterno nos pede, até nos proíbe alguma coisa, é porque nos ama e quer o nosso melhor.

Mesmo uma análise superficial dos Dez Mandamentos (Êxodo 20:3-17) mostra que todos estão calcados em uma palavra, relacionamento. Na primeira seção os três primeiros mandamentos tratam da nossa relação de respeito com o próprio Deus, o quarto mandamento mostra a importância de separar um dia para aprofundar essa relação, e recarregar as energias através do descanso e meditação. O quinto mandamento inicia a segunda seção falando da nossa relação com as maiores autoridades terrestres abaixo do Eterno, nossos pais, a partir daí temos cinco mandamentos que orientam nosso comportamento em relação ao outro ou àquilo que é seu.

É muito fácil achar quem não goste de seguir a lei, seja ela qual for, mas como é difícil, talvez impossível, achar alguém que não se incomode ao ver o outro desrespeitando a lei. Quando nos deixou Sua Lei o Eterno queria apenas o nosso melhor e queria que, ao segui-la, vivêssemos em pé de igualdade, satisfação e harmonia plena. Ao povo de Israel foi prometido força, longevidade, segurança, prosperidade e moradia se guardassem os mandamentos (Deuteronômio 11:8-10, 13-15, 21-25). Se o Eterno não muda (Malaquias 3:6a), porque conosco seria diferente? O Eterno quer o seu melhor, faça a sua parte, o restante é com Ele.

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