Tag Archive: Amor de Deus

14
nov

Em torno de mim

Marco Aurélio Brasil

A tenda do santuário israelita deveria ser repartido em dois compartimentos. O Santo tinha exatamente o dobro do tamanho do Santíssimo. Uma cortina que não chegava até o teto separava os dois
aposentos. Apenas sacerdotes poderiam adentrar o Santo e o Santíssimo só era visitado por pés humanos uma vez ao ano, pelo sumo sacerdote, no dia da expiação, a festa que os judeus comemoram até hoje com o nome de Yom Kipur.

Quando o sacerdote, depois de passar pelo altar e pela pia do pátio, entrava no santuário, ele tinha à sua direita uma mesa com doze pães. À frente, um pequeno altar onde se queimava incenso constantemente e à esquerda o famoso castiçal de sete velas que adorna as sinagogas de hoje. Atrás da cortina, apenas uma coisa: a arca, uma caixa folheada de ouro dentro da qual encontravam-se as tábuas com os dez mandamentos. Essa caixa era fechada por uma tampa sobre a qual havia dois anjos com os rostos escondidos pelas suas asas e era ali, por entre esses anjos, que a glória de Deus se revelava e por vezes enchia a tenda de luz – que devia refulgir em todos os móveis de ouro – e fumaça.

É interessante notar que uma das figuras mais marcantes com que Jesus Se apresentou é a do pão. Ele disse que é o pão do Céu e quem comer desse pão não tornará a ter fome. Os pães que ficavam sobre a mesa do santuário eram trocados toda semana e têm sido entendidos como um recado divino de que Ele daria o pão de cada dia a Seu povo, sempre. Pão é o tipo de coisa que não se come uma vez por mês numa ocasião especial. Come-se todo dia, da mesma forma como devemos nos alimentar espiritualmente de Jesus Cristo, passando tempo com Ele, que está representado no santuário pelos doze pães da mesa.

À frente, o incensário, que tinha não apenas uma finalidade prática bastante óbvia, que era perfumar aquele ambiente onde sangue dos sacrifícios era espargido constantemente, mas também representava as orações do povo (segundo Apocalipse 8:3 e 4). O recado é que podemos orar a qualquer tempo, pois 24 horas por dia, 7 dias por semana, a fumaça daquele incenso subia, passava pelo vão superior da cortina e chegava até a arca, o símbolo do trono de Deus Pai. Ele nos ouve a qualquer tempo, não impõe obstáculos nem intermediários. Ele ouve, dizia o incensário.

Por fim temos o castiçal. O profeta Zacarias teve uma visão com o castiçal (Zacarias 4) e viu que ele era um símbolo do Espírito Santo. O mesmo Espírito que, quando desceu sobre os discípulos no
Pentecostes, fez com que eles parecessem velas ambulantes, pois sobre a cabeça de cada um havia algo parecido com uma chama. Segundo a visão de Zacarias, o Espírito Santo utiliza o combustível de nossa devoção, de nossa leitura e meditação na palavra de Deus, para nos usar como luzes neste mundo. Nada do que estou dizendo aqui é dogmático, mas estou sugerindo que o castiçal representa o Espírito Santo.

Lembrando que a tenda era sempre montada virada para o leste, temos nos quatro pontos cardeais: ao oeste, Deus Pai; a norte, Jesus, Deus Filho; a sul, o Espírito Santo.

Mas meu recado predileto nisso tudo é saber que no meio da trindade, no exato ponto eqüidistante entre cada pessoa da trindade, estou eu, está minha oração. A divindade me cerca, está voltada para mim, debruçada sobre mim. Eu não mereço, mas é assim.

03
out

Cinco sentidos

Marco Aurélio Brasil

Posso abrir a minha Bíblia, por exemplo, em II Reis 20 e ali no verso 5 verei Deus dizendo a Isaías para ir falar ao moribundo rei Ezequias que Ele viu suas lágrimas. No salmo 116:1 o salmista parece dar pulos de alegria porque Deus ouviu seu clamor. Ali em Mateus 8: 2 e 3, Jesus não se contenta em curar um homem de lepra: Ele o toca, para fazê-lo (uma medida interessante para curar o pobre homem não apenas de seu mal físico, mas dos emocionais também). Minhas orações e sinceros louvores sobem a Ele “como cheiro suave”. Posso abrir a minha Bíblia de ponta a ponta e encontrarei um Deus que ouve, que fala, que vê, que cheira e o melhor: está debruçado sobre mim e sobre você.

Quem vive dias de luz pode não avaliar muito bem a importância de se haver cultivado o senso de que há sobre si um Deus capaz de enxergar uma lágrima, mesmo aquela minúscula que não chega a escorrer pela face mas que causa um terremoto interno. Um Deus disposto a falar e a ouvir. Essas pessoas podem até se conformar com a noção de um Deus distante, indiferente. De um Deus energia impessoal. De não existir um Deus. Mas e quando a luz rareia? E quando aparece aquela frente fria tapando o sol? Elas sempre vêm, ninguém fica sob o sol o tempo todo neste mundo aqui.

Sei o valor de se cultivar essa noção pela experiência de meu primo Valdecir Lima, por exemplo. Em meados dos anos 80 ele estava nos EUA fazendo seu mestrado e cheio de dívidas para pagar, o que o faria permanecer ainda um longo tempo por ali. Mas um belo dia seu pai falou que estava com saudades e pediu para ele voltar. Ele – o pai – daria um jeito de equacionar a situação. Valdecir voltou, fizeram uma festa para ele, juntaram a família toda. De tarde, seu pai sentou em uma cadeira e nunca mais levantou, vítima de um ataque cardíaco.

Dez ou quinze dias depois dessa experiência, sentou-se na escrivaninha e expressou o que estava sentindo rascunhando uma poesia que começava assim:

Você, que se sente pequeno

Dirige seus olhos a Deus…”

A estrofe seguinte dizia:

Deus sabe o que vai dentro d’alma

Deus ouve a oração suplicante

Deus vê sua angustia e o acalma

Deus faz de você um gigante…

Deus sabe

Deus ouve

Deus vê”
Essa poesia meses mais tarde recebeu uma inspiradíssima melodia de Flávio Santos e desde então “Deus sabe, Deus ouve, Deus vê” vem sendo cantada e regravada à exaustão e.apesar de tão recente, mereceu ser incluída no Hinário Adventista. Tem essa estrada fenomenal porque é fruto de uma experiência genuína e que não fala grego para ninguém. Todos se identificam com ela, porque todos um dia se sentem pequenos.

Podem vir com quilos de argumentos racionais e desmistificações sobre você, mas a única coisa capaz de fazê-lo um gigante no momento da maior pequenez é ter conhecido e prosseguido em conhecer um Deus que sabe, que ouve, que vê, que fala e que não tem nada mais emergencial do que cuidar de você.

30
jun

Misericórdia

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que uma mãe foi até Napoleão Bonaparte afim de clamar por misericórdia para seu filho, que acabara de ser condenado à morte. O imperador afirmou que, sendo reincidente, merecia a pena capital, a mãe retruca dizendo  que não queria justiça, queria misericórdia. Napoleão diz que ele não merecia misericórdia, gentilmente a mãe diz que se ele merecesse, não seria misericórdia. Napoleão, finalmente diz que o jovem teria a misericórdia aplicada em seu caso.

Muitos acham que, por alguns “bons atos” praticados, são dignos de misericórdia por parte do Pai, esquecem-se de que, Ele mesmo afirma que nossos bons atos não passam de trapos imundos (Isaías 64:6). Como pecadores que somos, não merecemos nada além da morte (Romanos 6:23a), mas, pela misericórdia divina, receberemos, gratuitamente, a vida eterna.

Em se tratando de salvação, misericórdia, graça, favor imerecido, clemência ou outro qualquer termo correlato, é tudo a mesma coisa. É o Eterno nos tratando de um modo que não merecemos. Disse alguém certa vez que misericórdia divina é Cristo pagando o preço (morte) dos meus pecados e nós recebendo a recompensa a que Ele tinha direito.

Nascemos e vivemos como fruto da misericórdia divina, cada situação do dia a dia, onde somos vitoriosos, também é fruto da misericórdia divina, ou seja, tudo o que temos e somos é fruto dessa misericórdia. Deste modo, não nos resta outra alternativa a não ser agradecer continuamente ao Pai por tão grandiosa dádiva e viver à altura de todo esse modo maravilhoso como somos tratados. Por que não aproveita e, agora mesmo, eleve uma prece de gratidão ao Eterno por aquilo que você é e por tudo que você tem e ainda terá, afinal, a única coisa que podemos dar-Lhe é a nossa gratidão.

29
set

Arroubos românticos

Marco Aurélio Brasil

Romantismo é o nome que designa aquele tempo em que gozava de muita popularidade o gênero artístico cheio de gestos extremados, personagens que iam às últimas consequências, geralmente por amor, mas também por fidelidade à pátria.

Esses dias achei um diário que escrevi em 1996. Eu já não era então propriamente um adolescente, a quem os tais arroubos românticos costumam causar mais impacto, de modo que, relendo o que escrevi, encontrei páginas muito comedidas e razoáveis. Mas isso só até chegar no ponto em que relato a vitória que o coral no qual eu cantava teve em um concurso nacional de corais promovido pela Prefeitura de São Paulo. É verdade, foi uma bela façanha, já que o nível dos concorrentes era altíssimo e há poucos dias da grande final nós não conseguíamos afinar satisfatoriamente a música de confronto. O relato que eu fiz, contudo, no calor do momento, é derramado, cheio de superlativos, de rompantes de entusiasmo, enfim, romantismo puro.
arroubos
Estava lá, lendo aquilo, todo envergonhado, quando me ocorreu que ridículo mesmo é ter vergonha de viver uma grande emoção. O homem letrado, culto, inteligente guarda distância disso, foge dos tais arroubos românticos, (citando Chico Buarque:) chega a mudar de calçada se encontra uma flor, mas o que ganha com isso? A verdade é que aquele momento que eu vivi era verdadeiro, e por pedante e piegas que possa parecer depois de haver morrido aquele instante, a verdade é que ele existiu e eu o vivi! E dou graças a Deus o tê-lo vivido, é muito melhor assim do que ter-me poupado do ridículo e observado tudo com fleuma britânica, distante, mas sem a experiência.

O Deus que me criou não tem esses pudores tolos de viver emoções, de as externar. A Bíblia é coalhada de arroubos românticos Seus. Diz, por exemplo: “Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15). Ou “Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).

Sim, Ele não se furta a experimentar, a viver intensamente um sentimento que vai além da emoção, está acima disso e se chama amor. O maior de todos os arroubos românticos que teve, contudo, não foi escrito em tinta através de um profeta; teve mais silêncios que palavras, mais sombras que luzes, mais reticências que rimas, quadro pintado em sangue sobre uma tela em forma de cruz.

Ele não se envergonha desse ato extremo de amor. Nós, objeto dele, é que nos envergonhamos muitas vezes. Que pena. Que triste ser sábio, culto e letrado, homem moderno, e guardar a distância fleumática e insensível de tão maravilhosa declaração de amor!

Ele viveu e vive o amor em toda sua extensão para que o amor possa fazer parte de nossa experiência. Hoje Ele me convida a, pois, experimentar. Decidi não me envergonhar disso.

12
maio

Ladeira abaixo

Marco Aurélio Brasil

Li em algum lugar o depoimento de uma americana sobre sua infância. Ela contava que quando tinha cinco anos ficava verde de vontade de imitar seus irmãos e descer uma ladeira coberta de neve no trenó, mas nunca permitiam que ela fizesse isso porque era pequena demais.

Um dia ela acordou e sentiu-se infinitamente maior que no dia anterior. Ela estava sentindo que “ficar grande” não poderia ser outra coisa qualquer senão o que ela tinha experimentado naquela noite. Intuía, contudo, que sua mãe dificilmente concordaria com essa constatação assim, tão científica, cabeça dura que era, e então decidir fazer a coisa às escondidas. Pegou o trenó e se embarafustou ladeira abaixo. Sua mãe só percebeu quando ela voltou chorando, toda ralada e machucada. Apesar de ter sido advertida milhões de vezes de que aquilo não era coisa pra se fazer, a mãe abriu os braços e tratou de mitigar sua dor.
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Escondida nessa historinha encontro a razão pela qual entendo que Cristo diz que o reino dos Céus é das crianças e que quem não se tornar como uma não verá a salvação. É que nossa estúpida racionalização adulta, da qual tanto nos ufanamos, torna absolutamente impossível que, ao nos encontrarmos em situações que tais, contra as quais recebemos zilhões de advertências, ao nos flagrarmos ralados, moídos, ensanguentados, em farrapos e sem forças, corremos para todos os lados, desde que não seja para os braços do Pai, já que temos vergonha de mostrar que não só não confiamos na Sua ideia de segurança, como a nossa ideia se revelou um perfeito fracasso! Temos vergonha e orgulho e fugimos do Seu olhar.

Não fume. Não pratique o sexo fora das seguras raias do casamento. Não solte a Minha mão. Não deixe de buscar a Minha palavra dia após dia. Não descuide de sua saúde. Não descuide da harmonia da sua família. Para cada conselho achamos algumas ressalvas e exceções bastante razoáveis. Nossa própria ideia de segurança e de riscos que valem a pena ser corridos nos convence fácil fácil, e é nessas horas que, inda que mudos, estamos dizendo a Deus: ok, eu sei o que você pensa a respeito desse assunto em particular, mas entendo que nesse ponto específico você, Deus, está enganado. Eu vou agir contrariamente ao teu conselho e depois, no mais conta comigo. E lá
estamos nós, em frangalhos, chorando, partidos e sozinhos.

Não interessa o Pai com compaixão nos olhos, os braços estendidos em formato de cruz para nos receber e para nos dar o eficaz remédio, nós fugimos dEle por puro orgulho. Fugimos do Único que pode resolver de fato a situação. Lançamos mão de paliativos, tomamos placebos.

Nunca esse chavão foi tão oportuno: não permita que “a criança que existe em você” morra. Evite as ladeiras para as quais você foi avisado a não pisar, mas se as pisar e se encontrar machucado lá em baixo, corra para o Pai. Mais que ninguém Ele nos quer curados.

13
abr

Isto sim é confiança

Gelson de Almeida Jr.

Vem de Tahuape, Nova Zelândia a história da jovem que, numa manhã fria, cinzenta e chuvosa se dirigia apressadamente para pegar o ônibus, se o perdesse chegaria atrasada no trabalho. Eis que um desconhecido dela se aproximou pedindo dinheiro para comer algo, num impulso de muita bondade ela parou, apontou para sua casa e disse:

– Moro naquela casa que se vê lá. No refrigerador está o que sobrou de um leitão assado com batatas. Aqui está a chave. Vá e coma. Quando sair, deixe a chave debaixo do tapete, no corredor da entrada”.

Durante o percurso de ônibus uma ideia a assolou: “Não havia mulher mais estúpida no mundo”, mas deixou esses pensamentos de lado com a convicção de que as pessoas reagem de forma nobre diante de atos de confiança.

Apreensiva chegou em casa, a chave estava debaixo do tapete. Quando abriu a porta viu uma cena que nunca imaginara, tudo estava em seu devido lugar, com uma diferença apenas, a casa estava mais limpa que nunca, até as vidraças haviam sido lavadas. No refrigerador encontrou um bilhete, escrito em letras grosseiras o seguinte: “Prezada senhorita. Talvez você não consiga compreender nunca o bem tão grande que me fez. Faz alguns dias que sai da penitenciária. Estou livre sob palavra. Francamente, foram para mim muito duros estes dias. Porém você me deu o estímulo que me faltava. Um milhão de graças”.

confiançaFazendo uma analogia, poderíamos trocar os dois personagens da história pelo Pai e nós. Presos pelo pecado, estávamos condenados à perdição eterna, sem a menor esperança de salvação. Em todo o Universo apenas Ele confiou em nós e nos deu uma nova oportunidade. O Filho morreu em nosso lugar e nos fez acreditar que ainda existe esperança para nós, trocou nossa perdição pela salvação.

Quando estávamos perdidos Ele saiu a nos buscar, quando estávamos feridos nos curou, quando estávamos desamparados nos tomou em Seus braços de amor, quando estávamos mortos nos reviveu. Se podemos andar de cabeça erguida, se podemos sonhar com a salvação é porque Ele confia em nós e através da morte do Filho deu-nos a chave de Sua casa. Qual é a sua reposta a tão nobre gesto?

24
mar

Meu celular quebrou?

Gelson de Almeida Jr.

Triste, mas muito profunda, a ilustração do idoso que levou seu celular para a assistência técnica. Lá chegando disse ao atendente que queria que seu celular fosse consertado porque não atendia nenhuma ligação de seus filhos. Dias depois, ao retornar, o idoso homem ouviu do atendente que seu celular estava em perfeitas condições de funcionamento, que não fora encontrada nenhuma avaria. Num misto de espanto e tristeza perguntou ao atendente:

– Então quer dizer que meus filhos não me ligam, será que não querem falar comigo?

Quando li essa ilustração pela primeira vez fiquei revoltado com a ingratidão daqueles filhos. Acredito que seu sentimento tenha sido parecido com o meu, meu objetivo, porém, não é fazer com que você reflita em sua relação com o pai terreno, mas em sua relação com o Pai eterno.

maos postasAo longo da História Ele tem se mostrado um Pai que se preocupa com Seus filhos, que os trata como se nunca tivessem errado e como se não existisse mais ninguém em todo o Universo. Ele nos ama de verdade e conosco se preocupa, Sua maior alegria é quando, em pensamento ou em oração, o procuramos, mas Sua maior tristeza é quando o deixamos de lado.

Se Ele tivesse um celular para falar com você como seria, Ele o atenderia várias vezes ao dia ou olharia para o mesmo diversas vezes, esperando, em vão, uma ligação?

Não espere Ele descobrir que Seu “celular” está em ordem e que não toca porque você não tem ligado. “Ligue” e fale com Ele agora mesmo, gaste tempo em aprofundar essa relação maravilhosa, Ele ficará feliz, mas quem sairá ganhando será você. Não existe nada melhor que o amor do Pai.

19
fev

Troca com troco

Gelson de Almeida Jr.

Permita-me compartilhar uma ilustração que li dias atrás. Uma garotinha que estava com a mãe em uma loja. Enquanto a mãe estava no Caixa viu, na vitrine, um lindo colar de pérolas brancas numa caixa cor de rosa. Eufórica disse à mãe que queria comprá-lo. As pérolas eram de plástico e o preço era de apenas $ 3,50. Percebendo seu grande interesse a mãe disse-lhe que poderia comprá-lo se juntasse dinheiro fazendo pequenas tarefas domésticas. Assim que chegou em casa a garota viu que tinha apenas 47 centavos em seu cofre.

Aquela foi uma noite diferente, a pequena ajudou nas tarefas, muito além do pedido, ou do que normalmente fazia. Nos dias seguintes ajudou a vizinha e quem mais precisasse. Sua avó lhe deu $ 2,00 e logo ela conseguiu comprar o colar. Amava-o tanto que o usava em todas as ocasiões.

O pai amoroso da menina todas as noites subia em seu quarto para lhe contar uma história antes que dormisse. Uma noite perguntou à filha se ela o amava, prontamente ela disse que o amava mais que tudo. Em seguida pediu o colar de pérolas de presente. Ela disse-lhe que pedisse tudo, menos o colar. Diversos dias o diálogo foi o mesmo e cada dia ela oferecia alguma coisa diferente.

Certa noite o pai viu sua filha triste e com lágrimas nos olhos. Perguntou-lhe a razão, sem dizer nada ela estendeu a mão e deu-lhe o colar. O pai pegou o colar com uma das mãos e com a outra tirou um pacote do bolso e entregou à filha. A garota não acreditou ao ver um colar de pérolas verdadeiras. Estivera em seu bolso desde o início, mas não poderia dar-lhe antes que abrisse mão do outro, de pérolas falsas.

mao divina estendidaDe modo parecido acontece conosco, o Pai tem “pérolas verdadeiras” para cada um de nós. Sendo um Pai de amor quer nos dar o melhor, mas precisa que primeiro nos livremos das “pérolas falsas”. Não importa do que precise se livrar, por melhor ou mais importante que seja o Pai tem algo muito superior para dar em troca. Apenas confie e entregue o que Ele pedir, será uma troca com troco, pois o que receberá em troca será maravilhoso e indescritível.

22
jan

A forca e a Cruz

Gelson de Almeida Jr.

Certo fazendeiro tinha um filho a quem muito amava, mas pesaroso via o filho não se preocupar com o futuro e gastar todo o tempo e o dinheiro que lhe caía nas mãos com festas e diversões. Pediu que lhe construíssem um pequeno celeiro. Assim que ficou pronto o idoso homem para lá se dirigia todas as tardes. Entrava sozinho e passava horas lá dentro. Pelo barulho vindo dava para perceber que ele construía alguma coisa. Ao anoitecer saía, trancava a porta e voltava para casa. Essa rotina se repetiu por semanas.

Certo dia o homem chama o filho e pede que o acompanhe para dentro do celeiro. Lá dentro o idoso homem mostra ao filho a sua obra, no meio do celeiro estava erguida uma forca. Aponta para ela, coloca as mãos no ombro do rapaz, e fala em tom solene:

– Filho, estou velho e, após a minha morte sei que tomará conta de tudo que é meu, sei que deixará a fazenda nas mãos dos empregados e continuará a gastar tudo com seus amigos. Venderá os animais e os bens para se sustentar e, quando acabar o dinheiro perderá todos os seus amigos. Não terá a quem recorrer e vai se arrepender de nunca ter me ouvido. Por isso construí essa forca para você. Quero que me prometa que, caso isto aconteça, você vai se enforcar nela. Rindo, o jovem prometeu ao pai que atenderia seu pedido.

O tempo passou, o homem morreu e tudo aconteceu como previra. O filho perdeu toda a riqueza, os amigos e, por fim, perdeu também a dignidade.O jovem, desesperado e refletindo sobre a sua vida, viu quão tolo havia sido. Lembrou-se de cada conselho do pai e em prantos dizia a si mesmo como sua vida teria sido diferente se tivesse seguido os conselhos do pai. Mas era tarde demais, não lhe restava outra alternativa a não ser cumprir a promessa de se enforcar no celeiro. Já que nunca atendera os pedidos do pai quando ele vivia, atenderia agora depois que ele morrera.

Dirigiu-se ao celeiro, subiu os degraus da forca e colocou a corda ao redor do pescoço. Pensando que tudo o que queria naquele instante era apenas mais uma chance, pulou. A corda apertou seu pescoço, mas o braço da forca era oco e se quebrou. Caiu ao chão e sobre ele caiu uma infinidade de joias de todo o tipo. Junto caiu também um bilhete onde reconheceu a letra do pai e nele estava escrito:

– Meu filho, essa é sua nova chance, aproveite-a. Eu o amo muito.

homem ao pé da cruzÉ muito comum criticarmos o filho da história, mas agimos de forma parecida. O amanhã não nos preocupa e a salvação é coisa de menor importância. Tudo é mais importante que os conselhos do Pai. Imaginamos que todos os Seus pedidos/avisos são coisas de um Alguém exagerado. Adão e Eva foram avisados do mal que os espreitava, mas fizeram o que acharam melhor, o resultado é sentido até os dias de hoje. Felizmente, para eles e para nós, o Pai, que sabe o fim desde o princípio, deixou tudo organizado, para que nosso destino final não fosse o pior. Não ergueu uma forca, “ergueu” uma cruz e nela pendurou Seu Filho, para que todo o que nEle cresse não perecesse, mas tivesse a vida eterna (João 3:16).

Portanto, não importa quão longe você tenha ido, importa que tudo o que precisava ser feito para que os efeitos dos seus erros não o alcançassem já foi feito. Esta é a sua nova oportunidade, sua nova chance. Vá até a cruz e viva.

23
dez

Visão Divina x Visão humana – IV

Gelson de Almeida Jr.

olhos-jesusEm algumas horas a maior parte do mundo ocidental comemorará o Natal, festividade em que se celebra o nascimento do menino Jesus entre nós. Talvez você fique a perguntar o que o nascimento de Jesus tem a ver com o título que escolhi para essa série, pois tem tudo a ver. Não existe exemplo mais clássico para se entender como o Eterno nos vê que a vinda de Seu Filho ao nosso planeta.

Paulo afirma que “(…) vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho…” (Gálatas 4:4) para morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores (Romanos 5:8). Tendo em mente que pecado é iniquidade e iniquidade é rebelião contra o Eterno, fica muito difícil entender a atitude divina para com cada um de nós. Desculpar/perdoar o erro de alguém é coisa por demais difícil para nós seres humanos, mas perdoar, restaurar e tratar um ofensor como se nada tivesse acontecido é algo além da nossa compreensão.

Quando Pedro perguntou ao Mestre quantas vezes deveria perdoar alguém, Cristo disse-lhe que deveria perdoar 490 vezes, o mesmo erro. Do alto da perfeição absoluta o Eterno não nos olha com olhos acusadores, mas com olhos de amor. Gosto da frase que diz que: “A Natureza nunca perdoa, os homens às vezes perdoam, mas Deus sempre perdoa”.

Os olhos humanos são para as falhas, os olhos divinos são para os que cometeram as falhas. Enquanto o homem se detém no erro cometido, o Eterno olha os motivos que levaram ao erro e a disposição de quem errou em acertar na próxima vez. Diariamente o Eterno faz com você o mesmo que fez com Adão e Eva assim que pecaram, ao invés de condenar busca sua restauração, a Adão e Eva prometeu um Libertador, a você ele mostra a cruz e lhe dá a certeza da vida eterna. Deus é isso e sendo Ele quem é e o que é, podemos nos sentir seguros e nos aproximar sem medo da condenação.

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