Tag Archive: A Palavra

27
ago

# Reflexões de uma vida efêmera

Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; (1 Pedro 1:24)

Um tanto quanto pensei que fui,

Hoje o sou tão somente

 A revelação da verdade.

 

 Ao final, vi o que fui,

Não sendo nada,

Refletia a tudo;

 

Hoje tudo o que sou,

Tudo o que estou,

É o que se transformou em mim;

 

Nem sei mais quem,

Nem como,

Nem por que;

 

Também as lembranças

Não me restam,  

Nem estas a recordar;

 

Só a lição continua…

Com a folha que cai,

Com a vaidade que esvai,

 

Hoje nada soa dos meus dias,

Até meus ais estão calados,

Tudo pelo que outrora rejeitei;

 

Caminhos eternos,

Incorruptíveis,

Permanentes;

 

Depositados no Seio que eu não quis,

Nos dias em que me endeusei,

Construído que fui ao apego;

 

E o tempo de minha vida,

Não é nada mais diante de mim,

Enganoso que foi meu coração;

 

Mesmo na firmeza do homem que fui,

Só restou-me uma verdade,

Era tudo vaidade;

 

E das obras de minhas mãos,

Vaidade e aflição debaixo do sol,

De onde não restou proveito algum;

 

Onde está o que ajuntei diante de mim?

Tendo o mesmo fôlego que um animal,

Passo pelo tempo determinado por Deus;

 

Na multidão dos sonhos,

Nem a abundância me fartou,

Ainda que ouvisse – “Teme a Deus!”;

 

E insisti em gastar os dias na vaidade,

Como sombra que num instante se esvai,

Efêmera, sem saber o que será depois de mim;

 

Com riso de tolo que fui,

Regozijei com os ímpios sepultados,

Mas, até aos santos os vi esquecidos,

 

E segui confiando na vaidade,

Concebendo o trabalho,

E produzindo a iniqüidade,

 

Ainda assim permanecia o Senhor,

Enquanto eu, sem reconhecer o caminho,

Cria apenas na infinidade de meus dias;

 

E por toda a ilusão,

Secou o feno e definhou a erva,

E não há água nos poços;

 

Antes tivesse ouvido aos profetas,

Quanto ao Senhor que subsiste eternamente,

Que dirige a erva que seca, e as flores que caem;

 

Sendo outeiro, me tornei deserto,

E pelo que neguei transitório então me vi,

E a verdade eterna se fez no que fui;

 

Nem posso mais dizer que sou,

Inexistente é o nome,

Efêmero, a herança.

 

Sadi – Um peregrino na Palavra

 

13
ago

# Dia do Pai

Estamos há um dia da comemoração secular do dia dos pais. Dia este quando nossos progenitores são paparicados, presenteados, e honrados com palavras de carinho e admiração, compartilhando o domingo com seus filhos. O detalhe desta comemoração é que está sempre vinte e quatro horas depois do verdadeiro dia estipulado pelo próprio Pai da humanidade, e Criador de todas as coisas que sempre a guarneceu em meio ao ambiente natural, com frutos, água pura, sombras sob as árvores, e tudo o mais que nos foi dado para vivermos com dignidade, em que pese a infidelidade do primeiro homem no paraíso. E assim como sabemos que os pais não abandonam seus filhos, não dando a eles serpentes quando estes pedem pelo alimento, quanto mais o Pai que nos criou e nos deu o seu próprio filho, Jesus, para que fossemos redimidos do pecado e reconciliados com o Pai Eterno. Portanto, que neste sábado, possam os pais refletirem, assim como seus filhos, futuros pais, ser este, o sábado, um dia especial e divino para a honra da lembrança e adoração ao Pai de todos nós. E que desta forma, aqueles que ainda não se reconciliaram a Ele por meio do Filho, possam vir a conhecê-Lo, que certamente entregarão as suas vidas em Suas mãos, a fim de que possamos todos juntos, pais e filhos, vivermos na eternidade, pela razão de formarmos a familia de Deus, sendo nós, a humanidade, seus filhos a honrá-lo e adorá-lo para sempre.

06
ago

# O reconhecimento da Obra

Há um bom tempo, na edição da Folha NS publiquei um texto que procurava demonstrar o quanto tinha sido significativa a obra que se realizava na Rua Cubatão, 77, no bairro do Paraíso em São Paulo. Sim, onde hoje se encontra instalada a Igreja Adventista do Sétimo Dia – Nova Semente.
Na época, testemunhada por centenas de pessoas que por ali passavam, a perceber trabalhadores que dia e noite se movimentaram ininterruptamente, estes “donos” de suas “certezas” que os levou ao final da obra, tornando-se como se dizia – “A Obra de um Sonho”.
O sonho de um pastor e de muitos dos discípulos de Cristo que o acompanharam. Todos acreditavam no sonho. E recordo-me que as linhas daquele texto ressaltaram a passagem bíblica que afirma não adiantar ao homem edificar a casa, se o Senhor antes não o faz.
E este foi o diferencial naquela obra de alvenaria, pois, com todo respeito aos trabalhadores da época, mas, o que esteve à frente de tudo foi o Senhor, à medida que os dirigentes da igreja sempre tiveram suas vidas consagradas a algo maior que um simples templo de pedras.
Esta sim a única certeza de que podemos nos sentir donos, posto que resultado de uma decisão própria. A comunhão, a entrega, a obediência, e a consagração a Deus fazem toda a diferença para se empreender qualquer sonho na vida, e mesmo para se viver.
Hoje se pode afirmar que certamente aquele sonho estava no coração de Deus, pois, passados muitos meses desde a inauguração, aquele se tornou um verdadeiro templo de louvor e adoração ao Deus verdadeiro.
Devido a projeção que tomou o trabalho de evangelização ali empreendido, pastores importantes para a igreja adventista mundial se fizeram presentes para o conhecerem de perto, como os senhores, Dr. Jon Dybdahl, Dr. Ganoune Diop, e inclusive o próprio Pr. Ted Wilson, presidente mundial da IASD.
Mas, por certo a maior obra que ocorreu desde a sua inauguração, foi a realizada na vida de dezenas de pessoas que passaram a freqüentar aquele templo de adoração, e ali ao ouvirem o anúncio do evangelho de amor revelado por Jesus, pregado não apenas com a seriedade e o respeito a que o próprio Cristo demonstrou ter ao Pai, presenciaram também testemunhos de vida que traduzem não fábulas sensacionalistas como as anunciadas em tantas igrejas, mas, de experiências reais com Deus, onde o obedecer e o confiar tornam-se as pilastras mestres de toda a fé.
Parafraseando o Dr. Dybdahl que ali esteve, e que dizia que precisamos colocar os óculos do Senhor, fazendo alusão à passagem bíblica de 2 Reis 6:15-17, quando o profeta Eliseu orou ao Senhor para que mostrasse ao seu servo que eles estavam protegidos diante da ameaça do exército que estava a frente, e Deus mostrou os anjos que os guarnecia, certo me parece que muitos que têm entregue a sua vida a Jesus desde que conheceram a IASD Nova Semente, tem entendido profundamente o que seja viver pela fé, e confiando ao Senhor toda a sua vida.
Para terminar, empresto da saudação do pastor Edson Nunes, que em certa ocasião também escrevendo para a Folha NS, afirmou como se argamassa uma igreja para que frutifique na eternidade. “É preciso – escrevia ele – deixar as nossas próprias razões de lado, para conseguirmos olhar e enxergar o outro, e só assim construiremos esta comunidade”. “Pense com amor” – afirmava, concluindo – “Edifique esta comunidade – Ame!”
Nossa garantia, nossa certeza, nossa proteção, e porque não dizer, nossa obra, está além das belas paredes do templo e da pessoa física do pastor, que com tão grande amor tem se dirigido aos que ali buscam o único alimento que sacia, está no reconhecimento do amor e do cuidado com que Deus passou a dirigir as nossas vidas dentro e fora da igreja.
Louvo e adoro a Deus por isso.
Feliz Sábado.

30
jul

# Segundo os Teus desígnios

Semente, o silêncio diz ao homem:
-“Sê mente sã no teu corpo minúsculo, e testemunha o poder que vem do alto, pronto a viver em teu interior. Desce à profundeza da terra e deixa-te enterrar-te, e morrer; Resta em paz e renasce nova criatura com o amor que o Pai ensinou – Quando o Filho se deixou morrer; Quando desceu ao mais profundo dos horrores e retornou eterno e imaculado. Dono da vida e da morte.
Sê, homem, mais que mente – Sê nova semente; Incorruptível, persistente, crente no advento. Sê, homem, sê mais que mente. Sê corpo, alma e espírito entregue à obra; Irremediavelmente consagrado e testemunha da verdade.
Vive e morre no Senhor para que Ele vivifique em ti o fruto eterno. Não temas morrer para o viver o novo. Sê nova semente plantada e frutificada cem vezes mais. Não temas, o Pai é contigo.”
Semente – poder criador, regenerador, restaurador de dias. De teus jeitos, o caminho em instantes vividos. De tuas formas, a verdade, frutos de libertação. De tua jornada, a vida.
Encontro com Tua face no lugar santíssimo e nas pequenas sementes que encerram o serviço esperado – a servidão alegre e o se deixar renascer. Em ti reside o poder da cruz. O verdadeiro significado do morrer para fazer viver. É altruísmo divino. É mordomia aprovada ao cumprir função específica. É ser chamado para se posicionar à direita.
De ti vieram todas as coisas da terra depois de criadas – Ervas, relvas, árvores, humanos, animais. Travastes guerras sem fim a anunciar a Tua chegada, onde se concentraram as sementes do preparo. Até que surgiste naquele que foi só Teu o instante, e contigo a verdade. Semente para frutos eternos, permanentes, de salvação. Semente de videira que nos deu a graça de sermos ramos, para produzirmos frutos, levando ao faminto o verdadeiro alimento.
Semente – a quem tem fome, sede e ausência de tudo, você, só você se apresenta com a saciedade, o frescor e a proteção. Só você se doa para que eu viva em ti uma nova experiência – Uma experiência real com Deus. Ele, que entregou Sua única Semente Filial, fertilíssima como nenhuma outra. Definitiva. A verdadeira, a porta para a vida, a nova semente para que todos que dela se alimentem não tenham fome, e sejam rios de água viva, e possam cumprir a determinação que receberam – como Tu que o recebeu e cumpriu o Teu papel, dado ser a Nova Semente que está entre nós. E que é por nós. Ontem, hoje e eternamente.

23
jul

# Em Nome de Deus

Um fim de semana perfeito. O dia estava claro desde o momento em que o sol despertou o horizonte com seus raios. A alegria se expressou de tal forma que os lábios não contiveram o sorriso ao se levantar. Antes mesmo de tomar o café da manhã, pensou em telefonar ao filho. Já iam aí seis meses desde que o rapaz tinha se ausentado do interior para estudar na capital.
– “Bom dia meu filho. Você está de saída? Não vá perder a hora, assim pode chegar a tempo de almoçarmos juntos.”
– “Oi pai, bom dia. Saio dentro de alguns minutos, pois, meu ônibus parte dentro de uma hora, e com certeza estarei aí para o almoço. Sinto saudades de todos, mas, a comida da mamãe é algo que nunca pensei que iria sentir tanta falta.”
Risos de satisfação pelas palavras do filho são ouvidos do outro lado da linha, que completa dizendo.
– “Ok, querido. Estaremos na rodoviária para te buscar. Assim matamos as saudades desde a sua chegada. Um beijo meu filho.”
– “Beijo pai. Manda um beijo prá mamãe também. Até daqui a pouco.”
Marta ainda envolvida pelo sono, desperta com o diálogo e observou sorrindo:
– “Minha alegria ao vê-los tão próximos não tem preço. Querido, te amo muito.” E já se levantando após beijá-lo, pergunta:
– “Afinal, a que horas chega o ônibus?”
– “Vocês dois é que são as coisas mais preciosas que tenho.” Afirma Jorge ainda contagiado pela alegria de poder rever o filho. “Ele já está a caminho. Dentro de duas horas acho que é suficiente para estarmos na rodoviária.”
Enquanto Jorge se dirige ao banho, Marta já na escadaria percebe a empregada terminando de colocar a mesa do café, e diz com a euforia que lhe é característica todas as manhãs.
– “Bom dia Rosália. Que ótimo ver a mesa pronta. Jorge já está descendo e Maurício chega dentro de duas horas. Iremos todos buscá-lo na rodoviária.”
Rosália que já tantas vezes havia carregado Maurício em seus braços ainda criança, disse a Marta sem tirar os olhos da mesa onde terminava de ajeitar os talheres:
– “Bom dia, Dona Marta. Que bom ver a alegria de Seu Jorge em relação a Maurício. Não pude deixar de ouvir aqui em baixo ele se despedindo do nosso menino. Graças a Deus o desentendimento entre eles teve seu fim. Bem se vê que ele está que não se agüenta de tanta felicidade. Benza a Deus.”
– “É Rosália, você tem razão. Esse pai sempre foi louco pelo filho, mas, graças as nossas orações ele aceitou que o menino fosse estudar na capital, ficando longe de nós, mas, ainda acho que essa alegria toda é pelo reencontro, pois, se dependesse dele, Maurício ainda estaria aqui conosco.”
Maurício estava mais magro, e isso foi logo reparado por Marta e Rosália, que juntas afirmavam em coro que dariam um jeito nisso. “Coitado desse menino”, diziam se repetindo. Jorge só preocupava em saber sobre os dias do filho na faculdade. E pensava reflexivo e ainda inconformado – “ele bem que poderia fazer a engenharia na mesma faculdade que cursei há vinte anos.” Todos seguiram direto para casa, e no caminho Maurício só pensava em se desvencilhar de tantas perguntas, afinal, se sentia feliz com a faculdade, e também por retornar a cidade para aquele final de semana.
Chegada a noite, a feira de exposição agropecuária que sempre foi um marco naquele interior, estava repleta pelos visitantes da cidade e dos municípios vizinhos. A pressa para chegarem a tempo do show para o qual tinham comprado um camarote, fez com que Marta saísse esquecendo-se da bolsa, o que foi resolvido por Rosália que imediatamente saltou do carro para buscá-la dentro da casa. E lá foram todos, felizes para aquela que era uma noite que faziam questão de estarem juntos desde que Maurício era um bebê de colo.
Terminado o show foram para a área de alimentação em busca da churrascaria que se tornara hábito nos últimos anos.
Após jantarem, Marta e Rosália se dirigiram ao banheiro a fim de retocarem a maquiagem e assim darem uma volta por toda a exposição. Jorge nesse momento abraça o filho com carinho, e resolve esperar pelas duas na porta do restaurante. Abraçado ao filho, lhe dá um beijo no rosto, dizendo emocionado: “Te amo muito meu filho, e só quero vê-lo feliz”. Maurício afirma entender as considerações e preferências do pai quanto a faculdade em sua cidade, no entanto, procura explicar a Jorge o quanto toda aquela experiência irá lhe fazer bem, podendo ver um pouco o mundo lá fora, virando-se sozinho, e aprendendo a ter responsabilidades por seus próprios compromissos.
Isso faz com que Jorge ainda com o braço em torno do pescoço do filho, o aproxime para abraçá-lo apertado, e desfecha dizendo, ao dar-lhe mais um beijo no rosto: -“Tenho muito orgulho de você, Maurício.”
Neste momento se aproximam cinco rapazes e um deles se dirigindo a Jorge afirma em tom de ironia: “Vocês são namoradinhos, é? Agora que estão autorizados pela justiça, todos vocês andam de mãos dadas e abraçados. E o beijinho vai sair?”
Jorge afastando Maurício um pouco, responde que aquele a quem está abraçado é seu filho e que não há nenhum mal nisso.
O rapaz insiste dizendo, agora em um tom quase agressivo: -“Vamos, dêem um beijinho. Não custa nada.”
Nisso Jorge aumenta o tom de voz afirmando que o rapaz está confundindo as coisas, além do que estaria passando dos limites. Que fossem embora, pois, não queria confusão.
Bastou ouvir isso para que dois outros que compunham o grupo se exaltassem em direção a pai e filho os empurrando, o que foi de pronto amenizado pelos seguranças que se encontravam na porta do restaurante.
Reunindo-se à Marta e a Rosália, que perceberam pelas caras de ambos ter acontecido alguma coisa, Jorge logo procurou abrandar o assunto, dando-o por um equívoco. Assim seguiram para o passeio pela exposição, indo direto para a área em que estava confinado todo o tipo de gado.
Horas mais tarde resolvem ir embora e, assim que Jorge encosta a chave para abrir o carro, reconhece a voz que vinha de trás, dizendo: -“Afinal mocinha, não vai rolar o beijinho?”. E mal termina de falar, desfere um soco em Jorge que se voltava para trás. Isto o fez cair. Envolvido por chutes e pontapés, ouvindo os gritos de socorro de Marta e Rosália, que também rogavam pela vida de Maurício, Jorge consegue se levantar e de imediato sente alguém agarrar-lhe pelas costas e morder-lhe a orelha com toda a força. A dor foi tão forte que, também desequilibrado pelo golpe, voltou ao chão.
Seguranças separam a briga. Maurício está machucado com ferimentos leves e dores nas costelas, e Jorge, com muita dor percebe que perdeu grande parte da orelha. O socorro veio de imediato, pois, nessas ocasiões de feiras agropecuárias, em que se concentra um grande número de pessoas, é obrigatória a instalação de uma ambulância na porta do evento. Sem falar que o policiamento é ostensivo.
Tomados os depoimentos na delegacia, com exceção de Jorge que se encontrava hospitalizado, e a família que o acompanhava, os jovens agressores chegam à conclusão de que haviam se enganado, mas, ainda assim se defendem frente ao delegado dizendo: – “Nós não tivemos culpa, afinal eles estavam no meio de todo mundo se abraçando e se beijando. Não sei se isso é mesmo coisa de pai e filho. Só pode ser safadeza. E pior ainda se estiver vindo de dentro de casa.”
Os rumos daquelas vidas retomaram a normalidade, em que pese os agressores estarem respondendo ao inquérito em liberdade, mas, ficou uma lição para se pensar quando no dia seguinte, em todas as manchetes dos jornais da cidade e circunvizinhanças encontrava-se estampado: “Pai e filho são espancados e um deles tem a orelha decepada por estarem abraçados e terem se beijado no rosto.”
Todo o contexto fez com que alguns leitores relacionassem o ocorrido com conhecidos fatos históricos. Um beijo no rosto os trouxe à memória como um gesto de amor e carinho já fora deturpado para sinalizar a traição. Uma orelha decepada os recordou a sequência dos mesmos fatos, quando por uma agressão sem propósito, um discípulo do Amor desembainhou da espada e feriu o soldado romano no mesmo lugar, gesto imediatamente repreendido por Jesus, restaurando o ferimento através do poder que havia nele. E por fim, pai e filho espancados fez com que se lembrassem o quanto o Pai e o Filho sofreram no momento do espancamento e da morte de cruz.
De fato, o amor está esfriando e os homens estão cada vez mais intolerantes para com o próximo. Em que pesem as escolhas e atitudes de cada um de nós, o julgamento e decisão cabem apenas ao SENHOR. É direito exclusivo Seu. Sem substabelecê-lo a quem quer que seja. A nós, seres humanos, cabe apenas reaprendermos a amar. E amarmos de fato.
A vida se torna cada vez mais incompreensível, quando um simples gesto de carinho e afeto por um filho, ou mesmo por um amigo, seja interpretado mediante um ato discriminatório, o que por si só é condenável sob todos os aspectos, e culmine em atentado à integridade física do ser humano.
Por intolerâncias e discriminações como esta, guerras têm sido travadas levando o sofrimento e o desespero a milhares de pessoas. Muitas vezes em nome de Deus.

16
jul

# A FÉ E A FORÇA.

…e então se pegou pensando – “SENHOR, o que faz com que homens ao serem chamados por Ti sejam movidos a Te seguir, enquanto outros não conseguem sequer ouvir ao que se determina ser o Teu chamado?”
E o coração seguia ferido de morte. Incerto destas convicções, e de haver escutado e entendido o seu próprio chamado.
Em meio à reflexão que de tempos se aproximava das respostas que pareciam brincar, insistindo-se ocultas, ou talvez até por se encontrarem perdidas em reservas que o Criador atribuía a si mesmo, num rápido instante, por pouco despercebido, o ar cortado pelo vento revelou o sol que ainda brilhava, possibilitando enxergar o engano produzido pelo encantamento daquele sofisma que se apresentava diante dos olhos. Físicos e mentais.
O ardil utilizado pela mente distorcida de um espírito limitado, ainda que astuto, naquele momento viu ruir o seu ambiente em meio aos ares, surgindo o abismo que lhe revelava mais uma vez as verdades a ele indeléveis; suas conhecidas desde os tempos idos. Que não poderia ser impedido mostrar o caminho para a vida, assim como estará encarcerado no futuro pela eternidade.
Então daqueles pensamentos se fizeram pronunciar nos lábios as palavras de um antigo profeta – “Tu o sabes SENHOR” – e continuou – “E a tua resposta foi dada quando se permitiu saber que aquele que é a ausência do amor, tenta cegar o entendimento para que não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.
“Certa ocasião” – lembrou-se após chegar a esta resposta que parecia compor o mosaico de sua busca pela verdade – “disse-me um pastor que aquele que segue a fé pela emoção está equivocado com o caminho que a percorre”. Isto no momento trouxe-lhe à memória a assertiva que costumava bradar um famoso poeta lusitano, ao afirmar que aquele que se diz poeta e se dá a escrever poesia por ocasião da emoção, não pode ser chamado poeta, pois, tão pouco está a escrever poesias.
“Jesus referindo-se ao caminho para a salvação, afirmou sê-lo estreito, portanto, de difícil acesso, contraposto ao do engano, sendo este largo, e ilusório por ser sedutor”. E nesta conclusão que tinha contornos lapidares, acrescentava mais um ponto que levasse a reflexão a satisfazer-lhe por completo o vazio.
“Os enganos que permeiam o mundo encontram suas próprias razões e justificativas, que por vezes nem se percebe possam comprometer o caminho, e justamente por elas é que nem todos os chamados chegam a serem escolhidos”, concluía percebendo o desdobramento que se dera por conta da luz que vertia desde o instante em que o que o impedia, havia sido afastado.
“Momentaneamente”, insistia-lhe a mente acrescentar e nisso acreditava. Esta crença ainda o fazia afastado da verdade, mesmo que já desperta frente aos seus olhos todos.
Os sentimentos por vezes exprimiam a obra de uma mentalidade racional, centrada na sabedoria, loucura para o mundo, mas que conseguiam enxergar a conversão a ser produzida apenas por meio da verdade, vivida na plenitude do evangelho, e através dos frutos do Espírito.
No entanto, ao que ainda seguia confuso em suas conclusões, mesmo ao tempo que continha nos recônditos do ser um soar da palavra revelada, seus pensamentos também se arrastavam junto ao peso insustentável de ser humano, este certo apenas das aquisições vividas por experiências reais, advindas de suas forças a acrescentar requisitos a uma conquista, ou à reflexão que viesse a necessitar uma possível derrota.
E tudo pendia a este liame que parecia se intercalar infinitamente, até que se lhe desse por inexistente o suspiro. Nisso acreditava e o sentia em suas bases mentais mais primitivas.
Contudo, era inevitável que se deixasse levar a refletir que a fé, sendo um dom concedido na comunhão, se sustenta a si mesma. E este contraponto lhe causava o incômodo que impedia decidir seguro, pois lhe pesavam as conquistas humanas que se tornaram foco almejado por toda humanidade, pairando em seu coração ainda de forma indecisa, como a única coisa a ser feita, todas as vezes que se deparava com a assustadora verdade para a sua existência – a fé.
“Quanto à perspectiva vista pelo mundo para o que seja a vida, onde os frutos da carne determinam vitórias, fracassos eram parâmetros distorcidos diante da realidade revelada pelo Criador”. Pensava ainda confusa, aquela mente que se tornara campo de batalha, mas, inexplicavelmente também sentia que em breve os enganos da vida, vividos na igreja, e principalmente fora dela, chegariam ao fim conforme a prometida volta de Jesus, a demonstrar quanto são os homens, infiéis, incrédulos ou imprecisos para com o amor que o SENHOR nos deu para viver mediante a fé.
Shabbat Shalom
Obra – “Fragmentos”, Sadi – Um peregrino na Palavra

09
jul

# Yerushalaim

“E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças…e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu.” (Apocalipse 21:9-10)
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Naqueles dias só Tu conhecias aquelas tendas
Que se haviam emprestado às tuas muralhas celestes.
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Ordenado e dirigido pelo SENHOR YHWH
O teu povo escolhido agora caminhava liberto,
Pois pelo som dos gemidos que também ouvistes,
Presenciastes a Lembrança do antigo concerto,
E o nome do Redentor a se fazer, enfim, conhecido,
A completar ao que antes revelara aos patriarcas.
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Em meio ao deserto tuas paredes eram presentes,
E os protegia do calor do dia,
Do frio da noite,
Estes peregrinos resgatados em terra alheia,
Levados a terra pela qual se levantou as Mãos,
Prometida ao pai da fé, ao seu filho e a toda descendência.
.
Ainda que por vezes, lamentosos caminhassem,
Toda aquela jornada existencial era para ti,
E ao tempo que não passa e não existe,
Permaneceste firmada na rocha dos séculos,
Ornada de maravilhas, a espera dos escolhidos,
Com lugar preparado a cada um deles.
.
Aos que vagando por um pesado deserto,
Qual ao passado que habitaram outrora,
Cheios de saudades do que não era Teu,
Passageiros se fizeram, se perderam,
Encarcerados em seus lamentos estrangeiros,
Em tempos que pouco se lembravam das promessas.
.
Mas, às duras exortações caminharam,
Eles, frutos da terceira geração patriarca,
Herdeiros da aliança segundo a vontade revelada,
Novamente despertados por fidelidade a Ti
Foram tirados das mãos que lhes açoitava,
Açoite às costas que não lhes sobrevinha peso senão do chicote
.
Costas marcadas não pelos teus mandamentos,
Mas, pelo que se sujeitavam os paladares,
Assim como ao que os olhos lhes adoçassem ao coração,
Mortos em seus corpos sem sentido,
Sangue real em veio estranho, vertido pelo sabor do alimento em miséria,
Preenchidos pelas águas que sobrevinham ao campo de tempos em tempos,
.
E ao caminho só Tu choravas por não se renovarem a cada manhã.
Ainda assim, ao dia presenciava-lhes a condução,
Como à noite lhes ser dado o caminho pelo fogo
A guiá-los da mesma forma como os alimentava,
Com o pão que deitava dos céus purificando-os;
Contudo, eles não ouviam quão rebeldes eram.
.
Em que lugares outros se passavam as décadas,
E os pés lhes cresciam sem que lhes faltassem as sandálias?
Mas, tu, Jerusalém celestial, era menosprezada,
Pelo ídolo, e ao peso do vil metal, substituída,
Ainda que um madeiro já se levantasse àquela época,
A curar-lhes das serpentes, fruto do pecado contra o SENHOR.
.
Porém, continuavam a permanecer diante de um presente obscuro,
Cheios de si, lamentosos, desobedientes e sem fé.
Desejosos a voltarem àquele estado de Egito,
Onde se lhes seduzia o melão e o pepino passageiro,
A saciarem-lhe a efêmera carne,
Em detrimento do alimento que lhes supria o jejum
.
Esquecidos estiveram das vezes em que das trevas
Naquelas searas, a luz de Israel lhes prevaleceu,
A uma quando ressurgiu do fundo da terra,
Para ascender e ser reconhecido como o segundo de todo reino
A duas quando saiu das águas,
Para assim como príncipe, receber as primícias do reino.
.
E mesmo que a água vertesse da rocha,
Não honraram senão à carne falaciosa,
Enfadonha, e caída pelo caminho,
Saudosa de seus pertences,
Logo estes, que nascidos na seiva das doze raízes,
Porém, cresciam sem produzirem as sombras frescas do velho tronco.
.
E a este tempo da vida no deserto,
Tratou o SENHOR de alinhar seus frutos,
Dando-lhes mandamentos e ordenanças,
Pois, assim lhes prometeu ao instante do livramento,
Quando lhes tomou por povo, sendo-lhes Seu Deus,
Mostrando-lhes ser o SENHOR, tirando-lhes do julgo.
.
E Tu, Jerusalém de Ouro,
Morada eterna dos que obedeceram ao SENHOR,
Espera pelos que se edificaram na sabedoria,
E no Amor com que foram tratados, cresceram,
Tornando-se da mesma essência das pedras de teus muros,
Ainda que tenham tido a necessidade da lapidação do deserto.
.
As intercessões foram o exemplo de amor por teus habitantes,
Os sacrifícios se fizeram vivos pelo sacrifício vivo e definitivo,
Os mandamentos restauraram o que lhes foi retirado,
Os concertos e pactos do SENHOR objetivaram a chegada aos teus átrios,
As proibições não se fizeram senão para purificar-lhes,
Aos que foram exterminados de Tua presença, entristeceu ao SENHOR.
.
Assim o SENHOR os levou israelitas à terra prometida,
Como aos ossos daquele que restaurou o amor entre seus irmãos,
E em que pese o guia escolhido não ter gozado do leite e mel daquelas terras,
O próprio SENHOR o sepultou por ocasião de sua morte,
E não se levantou profeta igual a ele em Israel,
Nem tão pouco que o SENHOR tenha conhecido face a face.
.
E desta forma, diante da majestade do SENHOR,
O descanso que encontrará morada nos teus pátios,
Deu início nesta jornada vencida pelos que tem a fé e guardam os mandamentos,
Aos quais o SENHOR abençoa e guarda,
Faz resplandecer o Seu rosto sobre eles, dando-lhes a paz,
Encaminhando-os aos teus portões que lhes está aberto desde o início.
.
Recebe-os, Yerushalaim, em teu solo sagrado,
Pois és a morada do SENHOR, onde viveremos por toda a eternidade.
.
Shabbat Shalom!
Sadi – Um peregrino na Palavra

02
jul

# Adoração

Adoração foi durante os tempos bíblicos assunto que mais se priorizou por mandamentos, pregações e exortações em meio ao povo judeu, visto que, sabia o Criador que a criatura estava cega diante da influência de Satanás, e que tamanho era o sentimento do homem na adoração que se materializava naquilo que pudesse ver ou tocar. É como se o ídolo fosse um segmento de si mesmo. Algo que a psicologia pode explicar melhor, e que arrisco dizer que desta forma ainda que os adoradores temessem seus deuses, isto parecia fazer com que houvesse uma satisfação pessoal, como uma extensão de sua própria necessidade existencial, tomando a própria matéria em si a ser alimentada. A mente alcançava paz e o homem seguia seu rumo fazendo suas próprias coisas.
Deuses nas formas diversas foram adorados pelas civilizações, e à medida dos tempos alguns se mantiveram intactos, outros se renovaram com novas roupagens, mas, o certo é que a falsa sensação da adoração ao Deus verdadeiro se perpetuou. Muito pelo recorrente pedido de se afastar qualquer tipo de mal. Fosse das plantações, fossem em relação às doenças, fossem pelas derrotas frente aos inimigos, ou seja, sempre com o cunho satisfatório, pessoal, e que normalmente não estivesse ao seu alcance resolver.
Logo se vê que ainda hoje precisa o homem de exortações não apenas nos cultos, mas, especialmente nas praças, a exemplo do que faziam os antigos profetas do Deus verdadeiro, denunciando todo ardil de satanás. A necessidade de levar o evangelho aos povos distantes como tem feito a igreja adventista, é um trabalho exemplar e deve aumentar quanto mais o possa, no entanto, é preciso sair às ruas, e pregar nas esquinas, nas praças, para que sejam alcançados aos especialmente perdidos no engano.
Deus em sua infinita misericórdia providenciou os mandamentos e ensinamentos que tornariam o homem de volta ao seu estado natural, e mais, no início do mundo providenciou um dia da adoração. O sábado, onde especialmente a Ele fosse dada toda adoração e culto. Providenciou que os pecados fossem perdoados e esquecidos, reconciliando a humanidade por intermédio da aceitação de Jesus. Providenciou e ordenou pastores a ensinarem a palavra. Mas, também disse que saíssem a pregar pelas cidades, dependentes do alimento e do pouso daqueles que os acolhessem, ensinando especialmente a adentrar nesses espaços invocando a Paz do Senhor!
Que esta paz ilumine a todos que formam o corpo da igreja de Cristo, e mais, que cai sobre os que não o conhecem, podendo viver todos os dias como no dia de sábado, em alegria por ter uma adoração verdadeira, consciente e viva, repleta de comunhão.
Shabbat Shalom

05
maio

# Vidas Conscientes

Como pode o homem resistir ao chamado de Deus? Aqueles que o ouvem, e se entregam recebem poder para atuar em Seu nome. Na verdade têm sua vida completamente mudada. É uma relação pessoal com Deus que só mesmo os que se entregaram podem expressar o que seja esta experiência.

Mas o mundo ainda comanda muitas escolhas, exercendo forças estratégicas perigosas, que nos levam a comportamentos que nos afastam de Deus. Através do orgulho, da vaidade, do medo, da contestação, da inércia consciente, ou da mornidão, sempre surgirá resistência ao chamado de Deus. E o resultado pode ser desastroso.

Só um coração humilde e quebrantado obterá a coragem suficiente para mudar o destino de sua vida.

Shabbat Shalom

Sadi

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