Tag Archive: A Palavra

29
abr

Raízes e Frutos

Cristo ao entregar sua vida pela humanidade, limpou-nos definitivamente do pecado e ato contínuo nos proporcionou o caminho que leva à salvação, consequentemente, à vida eterna. Nesse ínterim, que compreende reconhecermos o sacrifício, aceitá-lo e alcançarmos a salvação, somos chamados a produzir frutos. Caso contrário, seremos arrancados e lançados fora.

Se pensarmos nossas vidas como árvores, a seiva que nos alimenta e faz crescer é a Palavra. Por ela crescem frondosos os nossos galhos e raízes. Pela Palavra aprendemos os mandamentos e, através deles, convertidos e conduzidos pelo Espírito Santo, produzimos frutos.

Em tempos de desequilíbrio e violência, é fácil nos contaminarmos com julgamentos e ira. O Brasil e o mundo têm apresentado situações intoleráveis de corrupção e injustiça que facilmente contaminam o coração. E aqui importa ressaltar – contamina tão somente àquele que não tenha seus pés fincados à Rocha – vale dizer, em Cristo e nos valores e mandamentos ensinados por ele.

Por ocasião de sua carta aos efésios, o apóstolo Paulo apresentou o seguinte ensinamento contido no Salmo 4 – “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha e não deem lugar ao diabo”.

Somente somos contaminados se nos encontramos imaturos, faltando-nos suficiente apoio recebido pela Palavra, pela oração e pela entrega incondicional ao Espírito de Deus que nos transforma. É como a árvore que possui galhos longos, mas uma raiz curta. Aqueles em dado momento lhe serão pesados e ela por certo tombará.

Diante das corrupções de toda sorte deste mundo de orgulhos, a quem compete o julgamento efetivo, podendo fazê-lo com verdadeira justiça? Ao Eterno, tão somente. A nós, nos é devido cumprir os mandamentos e guardar a fé em Jesus, para que tenhamos direito à árvore da vida. Ainda em face dos desequilíbrios humanos, se nos cabe lançar mão da lei dos homens – e muitas vezes é justo que o façamos –, que ela seja buscada e aplicada com amor, afinal, o que diz o mandamento, senão – amai-vos uns aos outros, amai os vossos inimigos e por eles orai.

Para alcançarmos tal desiderato, guardando-nos da contaminação do mundo, necessitamos do conhecimento das escrituras, mediante o qual compreendemos efetivamente a necessidade de levarmos o nosso pensamento cativo a Cristo, rogando ao Pai, em nome do Justo, que nos purifique o coração e a mente, livrando-nos do mal.

Eterno, damos graça por sua infinita bondade. Que possamos crescer com o mandamento. Que nossos galhos possam crescer frondosos e bonitos, com raízes fortes e profundas. E que possamos dar bons frutos, pois, do contrário seremos arrancados. Para tanto, que cada um de nós compreenda quão imprescindível seja o esvaziar-se, para que o Espírito Santo habite em seu interior.

Sadi – O Peregrino da Palavra

08
abr

Sabe o que é ser livre?

A páscoa cristã será comemorada em alguns dias. Originada da festa de Pessach – a páscoa judaica –, encontra sua razão no Cristo como o cordeiro imolado e sem defeito que derramou seu sangue a fim de que fossemos marcados para a liberdade. A exemplo do cordeiro imolado no Egito, o qual com seu sangue foram marcadas as casas, o sangue derramado por Cristo marca a todo a que a ele se chegar e o confessar o filho de Deus, tanto quanto se entregue ao seu senhorio, cumprindo seus mandamentos.

Ao o aceitarmos como nosso senhor e salvador, o filho de Deus morto por nós, criaturas perdidas em um mundo de engano e pecado, recebemos dele a luz que nos guia no caminho da liberdade, rumo à terra prometida. Assim como Moisés guiou o povo pelo deserto, salvaguardando-os das intempéries pelo poder de Deus, quanto mais Cristo que foi o único que desceu do céu e para lá voltou no momento em que a morte fora vencida em sua ressurreição.

Contudo, pergunto: sabe o homem vivenciar tal liberdade? Por resposta, veja o que fizeram os hebreus quando já estavam a caminho da terra prometida. Sentiram saudades do Egito e de seus prazeres. Lamentaram e murmuraram. Levantaram um ídolo para a adoração. Causaram a indignação em Moisés e ao coração de Deus, não ingressando aquela geração na terra prometida.

Estamos nós libertos ou continuamos no deserto, pensando no Egito, encontrando sempre uma boa resposta para justificar nossos murmúrios e pecados, a exemplo da língua pronta para amaldiçoar? Jesus dizia aos que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. O que é a verdade senão a própria palavra de Deus – “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”.

Essa é a reflexão que temos que buscar ao longo de nossa jornada como peregrinos. Todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres. Viver pela palavra é receber a nova aliança do Cordeiro, mantendo-nos distantes das práticas nefastas deste mundo de ódio, mentira e pecado. Se mantivermos a mentalidade das dificuldades do deserto ou a escravidão do Egito de cada dia, jamais aprenderemos o verdadeiro sentimento de liberdade a que fomos convidados vivenciar pela Palavra, conduzindo-nos em um caminho de transformação onde o amor, a verdade e a pureza são características a nos revestir enquanto vivermos.

Sadi – Um peregrino da palavra

28
jan

# A persuasão das palavras

Outro dia li um professor de literatura ressaltar sobre a importância do que dizemos na internet, afinal isso pode influenciar pessoas, tornando-nos responsáveis pelos sinais que emitimos e rumos que sugerimos. A propósito, contos e histórias são construídos por palavras e suas escolhas dão ritmo ao texto ou o tornam maçante, fazendo com que a leitura seja agradável ou não. Contudo, as palavras, mesmo bem colocadas, não são garantia de bons conteúdos a serem absorvidos por quem lê. É preciso ler as entrelinhas.

Já reparou que determinados discursos servem para qualquer ideologia? Palavras são instrumentos poderosos que desempenham um forte impacto sobre as nossas vidas.  É preciso sempre tomar algum cuidado. Há palavras bem colocadas, com argumentos que parecem lógicos, contudo podem muito bem ocultar a verdade. Estas geralmente são concebidas por argumentos capciosos, que têm a intenção de enganar a quem ouve, induzindo ao erro. Vide a má-fé usada pela serpente. Vide sob que circunstâncias Jesus foi tentado no deserto.

Há vídeos de sobra na internet demonstrando a distorção da palavra de Deus quando usada para obter vantagens. Chegaram ao absurdo de testemunhar que em determinada ocasião a invocação do nome de Jesus não teria sido suficiente, restando ao posicionamento pessoal a vitória sobre o mal. Tal contexto não merece comentários. Pessoas são fortemente influenciadas por discursos inflamados, deixando-se levar quando olham apenas para suas paixões, desviando o seu olhar do Cristo.

Disse Jesus que nos acautelássemos dos falsos profetas, observando seus frutos. Isso serve para qualquer contexto da vida, seja político, profissional ou pessoal. Examinai tudo e retende o bem. Mas como haveria de o homem reconhecer tais nuances? Levando o fato ao exame das escrituras.

Diz a palavra que o fim dos tempos reserva o surgimento do inimigo, enganando até mesmo aos escolhidos. Seu discurso será acompanhado de toda a sorte de artimanhas para que sua palavra se concretize com poder.

Portanto, seja a palavra que saia da nossa boca, seja a palavra que ouvimos, não nos apeguemos à persuasão que engana e seduz. Antes examinemos as intenções do coração, os frutos e o seu reflexo segundo as escrituras, fazendo surgir o que há nas entrelinhas. Por fim, que possamos orar para que Deus purifique nossos lábios e tire de nossa boca tudo o que não seja para edificar junto à Sua obra.

Sadi – O Peregrino da Palavra

 

22
jan

# Compreendendo superações

Algumas pessoas, talvez muitas, não sei, se acham superiores às demais. Em uma outra ocasião eu escrevia sobre a condição daquele que paralisa a sua vida pelo medo e, por isso, vive uma condição bastante inferior à que poderia de fato vivenciar. O seu contrário, ainda pelo mesmo diapasão em desequilíbrio, é aquele que não teme a nada e por isso se sente melhor que os outros.

Nem uma condição, nem outra. Sentir medo e se sujeitar ao engano que ele provoca, como afirmei no texto – O medo de viver – é nefasto. Ser ousado e não temer o sucesso de uma empreitada são condições para o crescimento, contudo é preciso encontrar a atitude equilibrada. As escrituras analisam ambas as circunstâncias, oferecendo os caminhos para que esse equilíbrio seja experimentado, proporcionando a segurança e o bem-estar individual, familiar e espiritual.

De posse dessa sabedoria, o homem serve à família, à empresa e à igreja com integridade e senso de justiça. Em família, se tem que usar de rigor com um filho que esteja perdendo o respeito e, consequentemente o rumo, não hesitará em fazê-lo dentro dos limites. Na empresa, a observância aos parâmetros de conhecimento, disciplina e ética lhe são fundamentais. Na igreja, ao reconhecer a linha tênue entre a doçura da misericórdia e a necessidade da instrução, age com amor.

Tudo isso, cumpre ressaltar, deve ser feito tendo às mãos o manual de instrução por excelência – a bíblia sagrada – utilizando todos os instrumentos ali apontados – vale dizer – sabedoria, obediência à palavra de Deus e joelho no chão.

Grande é o poder que move o universo. O homem que se reconhece em Deus, esse permanece firme naquilo que faz e caminha em direção ao alvo maior que o espera. Assim, torna-se forte, e o único engrandecimento que lhe interessa vem do Alto. Incansável, ele promove o sucesso também para os outros, refletindo o reino a que está inserido. Humilde de espírito, ele reconhece o reino de Deus ser constituído de poder e não por palavras.

Eis o homem verdadeiramente superior. Ele o é quando encara a necessidade de superar a si mesmo, para que surja um novo homem. A perseverança nos mandamentos e na fé em Jesus é todo o diferencial de que precisa, e nele não há obstinação pelos poderes efêmeros deste mundo. Ele sabe que o crescimento verdadeiro e equilibrado só pode ser alcançado enquanto estiver alinhado ao poder de Deus que rege o universo.

Assim disse o seu Redentor: “Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil e te guia pelo caminho em que deve andar”. Se der ouvidos aos mandamentos, então o seu nome será exaltado pelo Eterno.

Sadi – O Peregrino da Palavra

30
out

# Viver no Espírito

viver-no-espiritoO que fazer quando tudo o que você realiza não seja compreendido por quem esteja ao seu lado? Que seja bem compreendido, tudo o que viermos a fazer por alguém não deve ser realizado esperando retorno algum. Contudo, cumpre dizer, é difícil lidarmos com situações que se apresentem pelo diapasão da ingratidão ou da distorção de valores. Pior em uma relação como essa é quando a reação venha de quem se diga discípulo de Cristo. Não raro encontramos pessoas que, ainda que saibam da necessidade da transformação pelo Espírito de Deus, agem sem qualquer alinhamento à Palavra.

A transformação é uma necessidade para o revestimento da nova criatura. Só assim poderá de fato crescer espiritualmente. E esse crescimento passa pelo repensar a vida, os comportamentos, os conceitos, os pensamentos e os valores. Ninguém que passe por uma transformação pelo Espírito de Deus continuará a ser a mesma pessoa de antes, agindo em desalinho à Palavra do Eterno. Sede santos, como eu sou santo, ensinou-nos o Mestre.

Diante dessas dificuldades cumpre-nos estarmos preparados, vigiando o que pensar ou o que falar. Ou seja, também apresentarmos a real transformação em nossas vidas. Sem isso, é bastante complicado, ou mesmo impossível suportar com amor situações como essas. Só transformados podemos reagir de forma totalmente contrária como reagiria o mundo diante de ingratidões e transformação de valores. A isto se mostra o verdadeiro viver pelo Espírito.

É por essas e outras que o conselho do Mestre é tesouro para todo aquele que crê – Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Por isso tudo, que nós possamos alcançar nossa salvação agindo em alinhamento com o Espírito de Deus. Se estamos nele, encontramos equilíbrio que o mundo desconhece. Vivemos no Espírito e pelo Espírito. Se agimos por nós, afastando-nos dele por razões que a carne nos imponha defesas, a queda, a tristeza, o desequilíbrio serão uma realidade mais difícil de se viver do que propriamente a ofensa recebida.

Que a paz e a graça do Cristo revista a todos ao longo desta nova semana.

Sadi – O Peregrino da Palavra

22
out

# Retende firme a palavra

retende-firme-a-palavraSempre ouvimos falar que crianças têm sido mal alfabetizadas, que a população brasileira não gosta de ler e que as universidades cada vez mais ensinam menos a pensar. A política, por exemplo. Muitos levantam brados em favor de palavras de ordem, no entanto, quando chamados ao debate para que exponham a compreensão profunda do que dizem ou do sistema que combatam, não conseguem responder com precisão nem a primeira pergunta que lhes seja feita.

Temos vivido tempos de mudanças que ao invés de enriquecerem, só empobrecem, afinal, está tudo nos computadores, no ciberespaço, e ali se pode buscar a informação a qualquer momento. Isso não é ruim, contudo, a perda da capacidade de pensar a partir de informações precisas e pontuais sobre determinado assunto, não raro tem sido a tônica. Para dar um exemplo, não são poucas as pessoas que se esqueceram ou desconheçam as regras de ortografia apenas por terem se acostumado às correções de texto em seus computadores. A falta do incentivo à leitura é a causa dessa perda inestimável. Da mesma forma, os que são incapazes de uma simples interpretação de texto.

E se a questão fosse o desaparecimento das escrituras pela imposição de uma nova ordem mundial, com uma religião única? O que fariam os cristãos se lhes fossem tiradas as escrituras? Quantos, de fato, as teriam estudado com afinco, se dedicando à sua plena compreensão, podendo inclusive citar seus versos de memória? Milhares se desesperariam se essa hipótese se concretizasse, e por diversos motivos. As escrituras apresentam não apenas a riqueza dos testemunhos, das promessas, dos acontecimentos futuros e seus sinais, mas a educação para que o homem se oriente neste mundo desequilibrado.

Tal como parte da humanidade se entrega à relativização da educação de base – afinal, por que estudar se está tudo na rede –, não raro a igreja de Cristo se entrega aos sermões de um sacerdote quando este lhe pareça confiável ou carismático, ou ainda, quando a palavra lançada seja de interesse pessoal. Poucos são os que agem pelo diapasão dos judeus de Beréia, que ao receberem a palavra de Paulo e Silas, conferiam-na diariamente nas escrituras para se certificarem que era mesmo assim o que ouviam.

Por não ser a conferência o ato corriqueiro da igreja de Cristo ao longo dos tempos, sobretudo na atualidade, que a nossa atitude e oração sejam no sentido de o homem crente no Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus de Israel, Ele que enviou o Messias, a quem aguardamos o retorno, posto que centro de toda a obra que nos conduz de volta ao Eterno, se debruçar na palavra e por ela aprender a viver pela fé, em oração, pelo espírito, retendo-a firmemente em seu interior, assim colocando em prática toda a fiel instrução, afinal ela é viva e eficaz, apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Sadi – O Peregrino da Palavra

16
out

# Palavras que nutrem

palavras-que-nutremSe você tivesse que comer suas palavras, elas o nutririam ou o envenenariam? Para bem responder a esta pergunta, com real justiça à verdade, permita-se estar consciente do peso de cada palavra que pronuncia. Se seu coração está alinhado ao do Cristo, haverá de se lembrar da passagem do evangelho de Mateus em que ele mesmo, o Mestre, aconselha que se bem considere toda a palavra dita, afinal, haverá um dia em que os homens darão conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Considere que pelas palavras que houver dito, será absolvido ou condenado.

Se por ventura pense como boas as suas considerações, sem avaliar de fato se suas palavras afetam vidas ao seu redor, ou a você mesmo, não tomando ao Cristo como o teu diapasão, que se considere então pelos frutos de uma árvore. Ainda assim deverá contemplar a verdade para julgar com retidão. Entende que a árvore boa não pode dar um fruto ruim, e da mesma forma uma árvore ruim dar bons frutos? A boca, segundo Jesus, fala do que está cheio o coração. Eis a realidade das palavras que nutrem ou envenenam o interior do homem e o seu redor. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más.

Compreende ao menos que se tuas palavras te nutrem e não te envenenam, é porque nelas há amor? Afinal, como, sem amor, poderia amar a si mesmo? Como, sem amar a si mesmo, poderia amar ao seu próximo? O Mestre, conhecendo os pensamentos humanos, disse que todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. Quanto mais o homem, pequena porção, se lhe faltar o amor.

Antes de dizer algo, que possa te nutrir ou envenenar, lembre-se do que por fim disse o Cristo, posto que o céu e a terra passarão, mas as palavras dele permanecerão. A Palavra que ele pronunciou, esta nutre e permanecerá, porque ela é a Verdade, o Caminho e a Vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

02
out

# Responsabilidades e Transformações

responsabilidades-e-transformacoesTendo passado nestes tempos por uma situação em que me vi obrigado a contribuir com aconselhamentos a uma pessoa diretamente ligada a mim, percebi sua insistente reação em se manter sob o mesmo patamar, irredutível.

A sabedoria nesses casos é fundamental, pois não raro estamos diante de alguém movido por conceitos que freiam seu avanço, tais como – “Eu não sou capaz”. Contudo, se faz necessário identificar a presença de maus hábitos conscientes que se movem pelo conforto, situação onde esse alguém costuma se esconder da realidade, agindo conscientemente por pensamentos tais como – “Eu não preciso fazer nada disso” ou “Faço quando quiser”.

Por essa experiência, passei a meditar sobre a forma como algumas pessoas se comportam diante da necessidade de mudança, seja porque saiu da adolescência, seja porque se casou, seja porque assumiu compromissos profissionais, seja porque ouviu o chamado de Deus e se dispôs a andar em Seus caminhos.

Muitos entram para a fase adulta e permanecem no conforto de seus velhos hábitos, vividos a um tempo em que os pais não cobravam deles a responsabilidade de trabalhar. Não raro esses sujeitos se acostumaram a não responder com responsabilidade às advertências de seus pais durante a adolescência, se acostumando a receberem tudo de mão beijada. Por certo eles estarão sujeitos a grandes dificuldades na vida, a não ser que os pais continuem a lhes mimar a vida, tornando-se irresponsáveis em conjunto.

Outros se voltam para o casamento e querem manter os antigos costumes que pautavam a vida individual, enquanto, sabe-se bem, a vida conjugal requer constantemente abrirmos mão de nós mesmos para que o equilíbrio da vida a dois seja o bom reflexo da experiência a que se propôs viver um dia. Nesse diapasão requer-se atitudes em que se faz necessário priorizar o outro em detrimento de nossos próprios interesses, sejam eles quais forem. Se não agem nessa direção, normalmente se submetem a situações de desequilíbrio conjugal, consequentemente, infelicidades.

Da mesma forma aquele que ao iniciar sua vida profissional deixe de se submeter às adequações que se façam necessárias, porquanto cumprimento de metas, profissionalismo, ética, responsabilidade social entre muitas outras vertentes desenham a postura esperada. Neste caso, não raro suas atitudes profissionais serão o reflexo de suas próprias atitudes pessoais, em que pese ser natural e aceitável certas diferenças nestes universos distintos.

Nesse mesmo alinhamento de transformações movidas por responsabilidades conscientes, também o momento em que aceitamos o chamado de Deus, voltando-nos a Ele e caminhando a vida toda em Sua direção. Sabemos que aqui estamos sujeitos a um processo de transformação em todos os sentidos, e diga-se de passagem, muito maior, afinal, sem isso é impossível compreender uma realidade tão distinta das anteriores, sobretudo por transcender aos conceitos do mundo.

Importa dizer que no caminho de volta à Deus seja fundamental estarmos alinhados à Palavra, sobretudo ao modelo de Cristo, sabendo inclusive que, diferentemente das situações anteriores, há fraquezas em nós que só podem ser ajudadas pelo Espírito que passou habitar em nossos corações, se é que de fato o acolhemos. De toda forma, se estamos verdadeiramente em Cristo, e isso significa dizer despidos do velho homem, nenhuma condenação há, afinal, não andamos mais segundo a carne e os confortos do mundo, mas segundo o Espírito.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

21
maio

Justa Compreensão

fardoCompreender as passagens da bíblia também se relaciona ao conhecimento dos contextos que envolveram cada uma daquelas situações descritas. Um exemplo a ser destacado está na passagem do evangelho de Mateus – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Por que ele disse isso? Em um vídeo de René Kivitz, ele nos explica que naquela ocasião as crianças desde muito cedo ficavam sob a responsabilidade de rabinos para aprenderem a Torá. Terminado esse tempo, todos sabiam de cor aqueles versos. Muitos voltavam para suas casas e aprenderiam o ofício de seus pais. Os que se sobressaiam, continuavam os estudos, decorando os outros livros e aprendendo a interpretar a Torá, segundo a vontade de Deus.

Pois bem, todos os rabinos tinham seu próprio jugo, o que significa dizer, um conjunto de regras e interpretações que tinham da lei de Moisés. Em muitas dessas situações o jugo era pesado. Jesus também tinha seu jugo, sua interpretação da lei e queria mostrar aos discípulos e às pessoas qual era a vontade de Deus segundo a Torá. O peso dos outros era tanto que não à toa ele disse: “Ai de vós também, doutores da lei! Porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos”.

O fardo dele, no entanto, era leve e seu jugo suave. E ele quando nos convida a irmos a ele, o faz sem distinção se temos pouco ou muito conhecimento. Para discípulos seus ele escolhe a todos, sem distinção, e as interpretações da lei que ele nos ensina nos destacam, pois não estão relacionadas ao brilhantismo e à erudição, mas à essência que pode se resumir em poucas palavras, esclarecendo-as como nenhum outro poderia, dando-nos a viver ações que contêm mais solidez que todo erudito conhecimento da letra da lei alcançaria.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

30
abr

Flores e Espinhos

Flores e EspinhosO que é natural em nossa vida senão reagirmos às afrontas que nos chegam. Resultado de um processo humano que por milênios nos separou de Deus, tornando-nos escravos de inclinações carnais que não encontram, por exemplo, no domínio próprio, a reação equilibrada que nos faz andar na contramão do mundo.

Assim também as nossas ações que se voltam apenas para o curtir, comer, dormir, elas que são naturais ao homem. Instintos que precisam ser controlados para que não sejam a regra de vida. O domínio próprio faz morrer em nós essas atitudes que se desalinham à natureza de Deus.

Como todos sabem, a vida nem sempre são flores, mas alguns espinhos servem para nos proporcionar a direção ao justo e ao perfeito, aproximando-nos cada vez mais da cumplicidade necessária ao relacionamento com Deus. Por isso a necessidade de plantar sementes que venham do Espírito de Deus, segundo a palavra de Paulo em Gálatas. Se guiados pelo Espírito de Deus, somos tidos por filhos de Deus, segundo também a palavra de Paulo na carta aos Romanos.

Só assim poderemos colher frutos do amor verdadeiro e do crescimento. Vivenciar as dificuldades de um relacionamento pessoal, assim como a dois ou em sociedade, é preciso se alinhar à responsabilidade e à firmeza nos levam a superar nossos limites humanos, fazendo-nos a conhecer a essência do amor que está em nós, à espera da descoberta e crescimento, afinal, fomos feitos à imagem e semelhança de nosso Criador, bendito seja.

Só regando esse jardim se consegue superar problemas comuns aos relacionamentos, a começar de nós conosco mesmos, fazendo com que a vida valha a pena ser vivida de forma transformada. No mais, sim, tudo são flores. E que Deus nos abençoe a todos.

Sadi – Um peregrino da palavra

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