Em torno de mim

Em torno de mim

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A tenda do santuário israelita deveria ser repartido em dois compartimentos. O Santo tinha exatamente o dobro do tamanho do Santíssimo. Uma cortina que não chegava até o teto separava os dois
aposentos. Apenas sacerdotes poderiam adentrar o Santo e o Santíssimo só era visitado por pés humanos uma vez ao ano, pelo sumo sacerdote, no dia da expiação, a festa que os judeus comemoram até hoje com o nome de Yom Kipur.

Quando o sacerdote, depois de passar pelo altar e pela pia do pátio, entrava no santuário, ele tinha à sua direita uma mesa com doze pães. À frente, um pequeno altar onde se queimava incenso constantemente e à esquerda o famoso castiçal de sete velas que adorna as sinagogas de hoje. Atrás da cortina, apenas uma coisa: a arca, uma caixa folheada de ouro dentro da qual encontravam-se as tábuas com os dez mandamentos. Essa caixa era fechada por uma tampa sobre a qual havia dois anjos com os rostos escondidos pelas suas asas e era ali, por entre esses anjos, que a glória de Deus se revelava e por vezes enchia a tenda de luz – que devia refulgir em todos os móveis de ouro – e fumaça.

É interessante notar que uma das figuras mais marcantes com que Jesus Se apresentou é a do pão. Ele disse que é o pão do Céu e quem comer desse pão não tornará a ter fome. Os pães que ficavam sobre a mesa do santuário eram trocados toda semana e têm sido entendidos como um recado divino de que Ele daria o pão de cada dia a Seu povo, sempre. Pão é o tipo de coisa que não se come uma vez por mês numa ocasião especial. Come-se todo dia, da mesma forma como devemos nos alimentar espiritualmente de Jesus Cristo, passando tempo com Ele, que está representado no santuário pelos doze pães da mesa.

À frente, o incensário, que tinha não apenas uma finalidade prática bastante óbvia, que era perfumar aquele ambiente onde sangue dos sacrifícios era espargido constantemente, mas também representava as orações do povo (segundo Apocalipse 8:3 e 4). O recado é que podemos orar a qualquer tempo, pois 24 horas por dia, 7 dias por semana, a fumaça daquele incenso subia, passava pelo vão superior da cortina e chegava até a arca, o símbolo do trono de Deus Pai. Ele nos ouve a qualquer tempo, não impõe obstáculos nem intermediários. Ele ouve, dizia o incensário.

Por fim temos o castiçal. O profeta Zacarias teve uma visão com o castiçal (Zacarias 4) e viu que ele era um símbolo do Espírito Santo. O mesmo Espírito que, quando desceu sobre os discípulos no
Pentecostes, fez com que eles parecessem velas ambulantes, pois sobre a cabeça de cada um havia algo parecido com uma chama. Segundo a visão de Zacarias, o Espírito Santo utiliza o combustível de nossa devoção, de nossa leitura e meditação na palavra de Deus, para nos usar como luzes neste mundo. Nada do que estou dizendo aqui é dogmático, mas estou sugerindo que o castiçal representa o Espírito Santo.

Lembrando que a tenda era sempre montada virada para o leste, temos nos quatro pontos cardeais: ao oeste, Deus Pai; a norte, Jesus, Deus Filho; a sul, o Espírito Santo.

Mas meu recado predileto nisso tudo é saber que no meio da trindade, no exato ponto eqüidistante entre cada pessoa da trindade, estou eu, está minha oração. A divindade me cerca, está voltada para mim, debruçada sobre mim. Eu não mereço, mas é assim.