
Informativo Mensal da IASD Nova Semente

Informativo Mensal da IASD Nova Semente
São Paulo, Julho de 2008.
Olá!
Há muito tempo queria te contar sobre como tem sido minha experiência aqui pelas bandas da Nova Semente. Assim como você, muito escutei a respeito. Do mal, nada retive. Do bom, fui conferir. Que ótimo ter tomado essa decisão. Você sabe como eu andava desanimada com muitas coisas, mas não era culpa de nada nem de ninguém. Simplesmente estava infeliz.
Meus caminhos estavam sem placas de direção, meu chão sem bases, minha visão turva e minha boca nutria um gosto amargo, daqueles que não saem nem com bala ardida. Pois bem, fazendo as vezes de ‘Tomé’, fui ver para crer. Ou melhor, ver para comprovar o tanto que já (quase nada) sabia.
“Quanta gente!”, pensei. Desacreditada que estava, nunca cogitei a possibilidade de algo diferente atrair a atenção daquelas pessoas. Tudo organizado, cada um no seu lugar. Na época, ainda serviam suco depois da programação (que saudade do suquinho), e foi ali que conheci algumas pessoas. Foi engraçado escutar a expressão “voluntários” tantas vezes em uma mesma conversa. É óbvio que todos eram voluntários! Eu mesma trabalhei anos para a minha igreja e nunca recebi por isso.
Só que eu ainda não compreendia, mas meu momento chegaria, com certeza.
E assim foi: uma, duas, três vezes e a vontade de voltar sempre presente. Nunca mais saí. Posso te dizer que muita coisa aconteceu desde então, mas em nenhum momento fui tão feliz em comunidade como sou hoje, aqui. É como já disse e volto a repetir: o problema não eram as coisas, as pessoas, os rituais sacros, a música ou qualquer coisa que seja. O problema era eu. Mas hoje sei que meu problema foi transferido de mãos.
Deus me conduziu até aqui de uma forma tão incrível, que é difícil pensar que seria diferente. Hoje, meus problemas não são mais meus, e melhor, até me esqueço deles. Trabalho na comunidade como nunca e pareço não me cansar. Quero trabalhar mais e sentir na pele e na alma o significado da palavra “voluntário”.
Escutar o barulho estimulante das crianças brincando e vê-las correndo, felizes, faz diferença em meus pequenos minutos de ser humano buscando ser melhor. Receber quem chega pela primeira vez, seja no estacionamento, no pé da escada rolante ou na porta, é inesquecível. Olhares desconfiados se transformam em lágrimas que molham um rosto iluminado pela esperança de uma palavra certa, dita na hora certa. Ou até mesmo captar esses rostos pelas lentes da câmera fotográfica.
Cantar uma música e observar o louvor acontecer nas mãos, bocas e reações daqueles que escutam tudo com muita atenção, é mágico. Conversar com essas pessoas e orientá-las no estudo da Bíblia, orar pelos pedidos – meus e seus – e trocar experiências em um pequeno grupo me faz perceber a importância em permitir que uma troca seja feita sem restrições, exigências ou condições.
Dentro do meu coração já existe uma certeza: eu posso ser boa para outras pessoas. Servir transformou minha perspectiva sobre como as relações podem ser de verdade, e observar a satisfação de todos que trabalham, é meu combustível para continuar. Hoje, eu compreendo.
Uma voluntária da Nova Semente