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21
jan

# O medo de viver

Já reparou como o ser humano vivencia o medo a ponto de obstruir o avanço de seus próprios sonhos? O medo paralisa a vida e as boas iniciativas. Ele é um produto dos nossos pensamentos – limitantes, cumpre dizer –, e se torna real apenas em nossa mente.

O medo, se alimentado, pode afetar profundamente a vida de uma pessoa. Seja na área familiar, profissional ou mesmo espiritual, esse sentimento nefasto pode nos levar a crer que não somos merecedores da felicidade, tudo porque tais crenças enganosas acabam nos fazendo acreditar que não somos capazes de realizar metas e alcançar objetivos que nos levariam ao crescimento em qualquer dessas áreas.

O resultado pode se ver em pais que não tem autoridade sobre seus filhos ou amor pleno em seu casamento, profissionais que passam a vida aceitando migalhas, quando poderiam fazer a diferença na vida das pessoas e, por fim, crentes que não confiam em Deus e na sua Palavra.

A bíblia fala de temor em muitos de seus versos. O medo, vale dizer, algumas vezes nos protege de situações perigosas e isso é benéfico, no entanto, das vezes em que ele se torna apenas um fruto de nossos pensamentos limitantes, se apresenta como lamentável, pois a vida passa e com ela, muitas vezes, as oportunidades únicas.

Diversos homens na bíblia tiveram medo, contudo, aqueles que o entregaram a Deus, seguiram em frente e venceram. Os que o alimentaram, provaram apenas não confiar em Deus.  O que disse Deus pela voz de Isaías? “Não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa”. O que o impede de viver sob esse comando divino?

Veja qual foi a decisão de Josué quando ouviu a voz do Senhor dizendo: “Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois, o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. Esta foi a sua decisão: “Percorram o acampamento e ordenem ao povo que prepare as provisões. Daqui a três dias vocês atravessarão o Jordão neste ponto, para entrar e tomar posse da terra que o ­Senhor, o seu Deus, lhes dá”.

Não é maravilhoso? Isso é fruto do amor e da confiança em Deus. Em qualquer circunstância de nossa vida podemos tomar a lição de João em sua primeira carta: “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.”

Por fim, pela experiência real que buscamos com Deus, que jamais o medo de anunciar a Sua palavra tome conta do nosso coração. A princípio, esta sentença de Jesus Cristo nos acompanhe: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno”.

Quem lê, entenda. Viva a vida com coragem e amor!

Sadi – O Peregrino da Palavra

20
jan

Faça a Diferença

Gelson de Almeida Jr.

Um ateu ouviu o testemunho de um homem que por muito tempo fora dominado pelo vício da bebida. Assim o homem acabou seu relato o ateu disse que tudo aquilo era uma grande bobagem, que não passava de tolice e imaginação, que era uma fuga da realidade, um sonho. A seguir sentiu um puxão na camisa, era uma garotinha que lhe disse:

– Por favor senhor, se ele estiver sonhando não o acorde. Ele tem sido um pai maravilhoso desde que teve um encontro com Jesus e parou de beber”.

Embaraçado o homem afastou-se, sem dizer qualquer outra palavra.

Poucos instantes antes de retornar ao Céu, o Mestre ordenou aos discípulos que, após receberem o poder, da parte do Espírito Santo, fossem Suas testemunhas, começando próximo de onde viviam até os “confins da Terra” (Atos 1:8). Não tenho dúvida de que, eles e outros, fizeram a sua parte, a prova é que as boas novas do Evangelho chegaram até nós, que estamos a milhares de quilômetros daquela região.

Ser cristão nada mais é que ser uma “testemunha”, uma testemunha do que o Eterno pode fazer na vida de alguém.

Quando colocamos uma roupa elegante, fazemos um corte no cabelo ou penteado que nos tornam atraentes, é comum ouvimos elogios e perguntas do tipo: Onde você comprou? Quem fez? Como conseguiu? Também é comum, ao contarmos de viagens ou passeios que fizemos, os ouvintes desejarem fazer o mesmo que nós. Estamos sendo boas testemunhas e outros querem fazer como nós, mas que tipo de testemunhas somos no aspecto espiritual? Aquilo que mostramos em nosso cotidiano faz com que outros desejem fazer o mesmo?

Gosto da frase que diz que ser cristão é fácil, difícil é fazer a diferença. Seja diferente, faça a diferença, seja uma testemunha.

19
jan

Você tem esse dom

Marco Aurélio Brasil

Quando Jesus ordena Sua igreja a ir e fazer discípulos, a ordem é dada a 100% da igreja, e não a uma elite dotada sobrenaturalmente de poderes para fazer discípulos. A compreensão de que essa tarefa é de uns e não de outros talvez seja impulsionada por um entendimento errado da questão dos dons espirituais.

Só Paulo fala dos dons espirituais. Em Romanos, em I Coríntios e em Efésios ele exemplifica que dons seriam esses enumerando-os em listas certamente apenas exemplificativas. Digo certamente porque as listas são diferentes. Romanos, fala em profecia, serviço, ensino, encorajamento, generosidade, liderança e misericórdia (12:6-8). I Coríntios fala em sabedoria, conhecimento, fé, cura, milagres, discernimento, línguas e de novo profecia (12:8-10), enquanto Efésios fala em apostolado, profecia (de novo), evangelismo, pastorado e mestrado (4:11).

imagem: Columbia Crown & Cross

Olhando essas listas, é fácil perceber algumas coisas: 1. O dom que os cristãos em geral afirmam frequentemente que não existe mais é o único que aparece nas três listas – profecia (especialmente interessante se lembrarmos que em I Coríntios 1:7 Paulo afirma que nenhum dom faltaria à igreja até a volta de Jesus); 2. Alguns dons que nós supervalorizamos em alguns meios, como o da música, não aparece em nenhuma dessas listas; 3. O exemplo máximo de todos os dons listados nas três listas, à exceção apenas do também supervalorizado dom de línguas, é o próprio Jesus Cristo.
O ministério de Jesus foi dedicado preponderantemente à formação de discípulos. Ele os tinha sempre perto de Si, Ele discutia com eles os acontecimentos do dia, Ele passava tempo explicando a eles Sua ética e teologia superiores. Ele faz isso em grande parte porque sabe que vai estar pouco tempo visível nesta Terra; logo vai estar no Céu desempenhando outra fase do processo de salvação do homem, mas ainda vai haver muita, muita gente, gente de toda nação, tribo, língua e povo para ser discipulada. Então Ele envia o Espírito e o Espírito divide os dons que Ele tinha todos entre cada membro da igreja, para que a igreja em ação seja a exata expressão do que Ele foi. E para que discípulos sejam feitos.
A doutrina dos dons espirituais nos ensina que todo cristão convertido tem pelo menos um dom espiritual. E o comando é para cada cristão convertido se engajar na tarefa de fazer discípulos. Mesmo ainda cheios de falhas. Mesmo com uma teologia míope. Mesmo sendo ainda quem somos e não quem haveremos de ser. Porque é discipulando que somos transformados no que haveremos de ser.
Como uma empresa que tem múltiplos departamentos fazendo coisas completamente diferentes mas com um fim comum, a igreja existe para fazer discípulos com suas múltiplas frentes de ação. E Jesus Cristo convida você hoje a se engajar nessa tarefa.

18
jan

Receita Infalível

Gelson de Almeida Jr.

No último domingo, 15/01, o tele dramaturgo Jayme Monjardim publicou em sua conta no Instagram foto onde exibe o braço com sua mais nova tatuagem (foto ao lado), os trinta e um versículos de Gênesis 1. Segundo o tatuador, ele não gosta muito de imagens e queria tatuar algo relacionado à religião e ao livro do Gênesis, assim sendo, tatuou todo o capítulo 1.

Assim que vi a foto e li a notícia lembrei do desejo divino do Eterno para Seus filhos, “(…) siga os meus conselhos e grave na memória as minhas instruções. Amarre-as aos seus dedos; grave-os firmemente no seu coração” (Provérbios 7:1 e 3 BV). Quando o Eterno afirma isto Ele se refere a algo muito mais forte e profundo que uma tatuagem externa, Ele deseja que Sua Lei seja nossa linha mestra de conduta, nossa referência em tudo o que fizermos, se isto ocorrer, Sua vontade será a nossa, Seus desígnios serão os nossos e tudo nos irá bem.

Falando aos hebreus, Paulo afirma que, após o sacrifício de Cristo por nós, o Eterno fez uma aliança conosco, Sua Lei seria impressa em nosso coração (entendimento). A princípio pode parecer algo impositivo, mas o complemento da promessa é fantástico, Ele afirma que, após firmar essa aliança, não se lembraria mais de nossos pecados (10:16 e 17).

Paulo ainda convida, os que já firmaram essa aliança com o Eterno, para que se dirijam diretamente ao Eterno confiantes, pois Ele os receberá (v.22). Aí está a receita infalível para se dirigir ao Altíssimo de forma a não recear absolutamente nada.

17
jan

Algumas coisas que Reis e Crônicas me dizem

Marco Aurélio Brasil

Em Juízes, a ausência de líderes determinava a degradação moral do povo. Em Crônicas e Reis vemos um fenômeno diferente. Estabelecida a monarquia em Israel – contra a vontade de Deus – o povo não podia mais padecer da carência de um líder, já que sempre haveria um rei. Israel encontrou-se agora numa situação ainda mais aflitiva: a presença de um mau líder.

Maus reis revelaram-se ainda mais catastróficos que o povo acéfalo dos períodos inter-juízes. Em Reis e Crônicas vemos atrocidades medonhas, culminando com sacrifícios pagãos dentro do próprio templo dedicado por Salomão a Deus. Vinha um bom rei, o povo se emendava; mas o rei resolvia escorregar, ou morria, e tudo tornava ao estado anterior de pecado e paganismo. Vê-se ali nitidamente o efeito corrosivo da falta de diligência espiritual, pois o povo começou por não achar nada de mal em adorar um pouco a Deus e outro tanto aos deuses pagãos de madeira e cobre. Daí a sacrificar crianças, envolver-se em orgias rituais e esse tipo de coisas, foi um pulo.

Pobre do país que precisa de heróis, alguém já disse. Pobre do povo que depende de um rei consagrado para perceber que se deve consagrar.

Entretanto, há um fenômeno ainda mais curioso nesses livros. Muitos dos reis chamados de bons, como Asa, Josias e Ezequias, começaram extremamente bem, efetuando reformas profundas, restaurando a religião genuína e influenciando positivamente o povo, até que em algum momento desdisseram todos os atos anteriores com atitudes negativas. Ezequias caiu por egoísmo, Josias demonstrou que sua retidão era fruto da influência do velho sacerdote e não ia além dela, assim como em muitos outros casos a maturidade representou a perdição.

Isso é interessante porque o senso comum atribui a retidão e o acerto nas atitudes aos mais velhos, sinalizando que os mais jovens são insensatos e pouco confiáveis. Vemos que a coisa não é sempre assim. João escreveu que os jovens “têm vencido o maligno” (I João 2:14) e é realmente impressionante a força da juventude consagrada a Deus.

Maior razão para buscarmos vencer o maligno enquanto somos jovens. Para respeitarmos a juventude quando ela fala. E, principalmente, para prestarmos muita atenção a fim de não jogarmos no lixo toda uma vida de fé por um ato de concupiscência qualquer em algum momento da jornada, quando talvez nos sintamos já no Céu, já garantidos na eternidade, já orgulhosos do que fizemos e acomodados com o que atingimos. Quem está de pé, diz Paulo, olhe que não caia (I Corintios 10:12).

Está aí um aviso que bem faríamos em ter ao lado da cama, para ler sempre que levantamos. E é um pouco do que leio em Crônicas e Reis.

13
jan

Recesso

Comunicação

Fique atento ao nosso calendário neste fim de ano e início de 2017. Alguns programas entrarão em recessso. Lembrando que a programação Comunidade continuará normalmente, aos sábados, às 9h30 e 12h. Observe abaixo.

12
jan

Davi – Parte II

Gelson de Almeida Jr.

“Não consigo andar com isto, pois não estou acostumado” (I Samuel 17:39b NVI)


Na quarta feira (11/01) falei do “preparo prévio” que Davi tivera antes de enfrentar Golias. Hoje quero me deter nas armas escolhidas para lutar com o gigante, colocaram sobre ele a melhor armadura disponível, a do rei Saul, ele experimentou, mas desistiu, reclamou que sequer conseguia andar. Com sua funda e pedras ele espantara leões e ursos, para lutar com o gigante não seria diferente. O resultado é muito conhecido, vitória completa.

Davi não precisou se utilizar de todo um aparato sofisticado como a armadura real para sair vitorioso, bastou-lhe as armas simples do dia a dia. Saiu vitorioso não porque possuísse uma pontaria espetacular e uma força incrível para arremessar a pedra, saiu vitorioso porque, confiando no Senhor ele foi à luta e o Senhor o honrou, como sempre faz com cada um daqueles que nEle depositam sua confiança.

Ao longo de sua vida você passará por situações parecidas como as de Davi, “leões”, “ursos” e “gigantes” o assaltarão continuamente, tentando fazer com que desista ou seja vencido. O segredo para a vitória não é ter excelentes armas para combater o inimigo e suas tentações, basta que você confie plenamente no Eterno e combata no Seu poder. “O Senhor que me salvou das garras do leão e do urso me salvará das mãos desse filisteu” (I Samuel 17:37 BV).

As armas do outro são dele para ele lutar suas batalhas, por mais simples que seja, use suas armas, não tema, confie, se entregue nas mãos do Eterno e a vitória virá, não há leão, urso ou gigante que possa derrotar um filho de Deus que se coloque em Suas mãos.

12
jan

Aplausos para os deuses tortos

Marco Aurélio Brasil

Não é estranho que Diego Armando Maradona seja tratado por alguns veículos da imprensa de seu país e por muitos argentinos em conversas informais como “Diós”? Assim mesmo, com letra maiúscula. Talvez o apelido se tenha popularizado depois do célebre gol de mão que ele fez em uma partida de Copa do Mundo, que ele explicou afirmando que a mão de Deus havia ajudado à Argentina. Existe por lá até mesmo uma “Igreja Maradoniana”, que afirma ter milhares de fiéis.

Mas a Bíblia diz que o nome de Deus não deve ser empregado em vão e é curioso ver que entre os argentinos ele é aplicado a uma personalidade tão controversa quanto Maradona. Todos sabem que ele teve diversos problemas com drogas, chegando a afirmar que havia desistido de lutar contra o vício, e que ele protagonizou um sem número de encrencas, brigas com jornalistas, discussões acaloradas com autoridades e tantas outras coisas.

Entretanto, Maradona, como ninguém mais, fez bem ao combalido ego de um povo todo; através dele, toda uma nação sentiu-se genial e sua fama representou um alento para os argentinos. Então, retribuem chamando-o “Deus”.

Isso não é fruto de nenhuma característica específica dos argentinos, mas da propensão natural que todos temos de adorar a qualquer coisa que nos dê algo em troca. Vendemos nossa adoração por muito pouco, dispomo-nos a louvar ao que não merece. Você e eu somos assim e bem faríamos em prestar atenção aos nossos objetos de adoração.

Não adoramos apenas ao que chamamos “Deus” e é freqüente não adorarmos de verdade ao que chamamos “Deus”. Em verdade, quando não prestamos um culto consciente ao Único Digno de ser adorado, estamos adorando deuses tortos, prestando culto ao que não nos dá vida, e o triste é que o que não nos dá vida perpetua nossa morte.

11
jan

Davi – Parte I

Gelson de Almeida Jr.

Muito se fala de Davi, o maior de todos os reis de Israel, cujo reinado foi de 40 anos, mas não foi por acaso que foi tão poderoso, quase invencível, pois desde a puberdade fora preparado pelo Eterno. Dificilmente, quando falamos de seu confronto com Golias, citamos suas vitórias contra os leões que saíam dos matagais do Jordão ou contra os ursos que saíam das colinas para atacar seu rebanho. Quando uma ovelha era atacada ele saía atrás e a livrava da boca do predador, foi assim que matara um leão e um urso (I Samuel 17:34-36).

Quando se ofereceu para lutar com Golias, disse ao rei Saul que o Senhor que o livrara das garras dos ferozes animais com certeza o livraria das mãos de Golias (I Samuel 17:37).

O ataque do leão preparou-o para o ataque do urso, o ataque do urso preparou-o para o confronto com Golias e o confronto com Golias preparou-o para assumir o trono de Israel. Em cada prova/embate, sem que soubesse, estava sendo preparado para outro confronto/desafio ainda maior. Tudo fazia parte de um bem elaborado plano do Altíssimo, que, do alto de Sua Onipotência, permitia tudo aquilo afim de prepará-lo para uma tarefa muito maior.

Tivesse Davi fugido do leão, não estaria preparado para o urso; tivesse fugido do urso, não estaria preparado para Golias; tivesse fugido de Golias, não estaria preparado para governar Israel. Vale recordar que, ao enfrentar Golias, ele já havia sido ungido como futuro rei, nem por isso fugiu de uma prova, sua confiança no Eterno era inabalável.

Não importa quem você seja, ou o que faça, as provas virão, elas são parte do plano do Eterno para prepara-lo para algo maior, no mínimo a sua salvação. Se Ele permitiu é porque, não apenas sabe o que é melhor para você, mas tem um plano, onde, no final, você será exaltado? O modo como reage a essas provas mostrará até onde você pode chegar.

10
jan

Algumas coisas que Juízes me diz

Marco Aurélio Brasil

O livro de Juízes narra um período de transição na vida do povo de Israel, que começou com a morte de Josué. Josué havia sido eleito como sucessor pelo próprio Moisés, aquele, que falava face a face com Deus, logo, era um líder inquestionável. Mas agora o povo estava assentado na terra prometida, tendo ainda pela frente umas poucas batalhas com os povos que ficaram na terra. Eles agora plantavam e colhiam na terra que manava leite e mel, estavam profundamente acomodados e a dependência diária de um Deus já não era tão palpável. O resultado desse caldo foi um povo de padrões morais elásticos, não enxergando mais muito mal em adorar outros deuses, especialmente os deuses daqueles povos que eles foram deixando ficar por ali.

A primeira metade de Juízes relata as histórias de líderes esparsos que surgiram, geralmente em ocasiões de dificuldades para Israel. Filisteus à porta? Sansão é chamado. Eglom se levanta para escravizar Israel e roubar sua colheita? Levanta-se Eúde. Para Jabim, o remédio é Débora e Baraque e para os edomitas, dá-lhe Gideão.

Repete-se a mecânica: passado o apuro, morto aquele líder, o povo voltava a sua apostasia e seus “ah, Deus não vai se importar se eu fizer isso”, ou seus “Deus entende, Deus entende….”

A segunda metade do livro trata apenas e tão somente do tipo de coisa que se via em Israel nesse tempo de dissolução moral e degradação da religião. É uma cruel crônica de um tempo sem freios, sem lei, sem Deus. Os acontecimentos mais violentos e chocantes são ali narrados: um levita contratado para coordenar um culto a ídolos, um estupro em que o marido da violentada esquarteja sua esposa e encaminha cada pedaço para um território da nação, uma matança que se segue a isso e que dá ensejo a outra matança, enfim, o tipo de história que não contamos às crianças antes delas dormirem, ou lá na igreja.

Existem poucas coisas tão deprimentes na Bíblia do que ver tamanhas atrocidades no seio do povo separado por Deus para ser um exemplo ao mundo, para ser um constante testemunho do poder e da justiça de Deus. Entretanto, a Bíblia distancia-se dos panfletos utopizantes deste mundo, entre outros fatores, por não idealizar pessoas, não mascarar defeitos e não ocultar deslizes.

Juízes me diz que eu preciso cuidar de mim mesmo. Que eu não devo esperar líderes carismáticos, igrejas pulsantes, pregações, livros, amigos, nada que me faça conhecer a Deus. É nossa relação pessoal com Ele que determina nossa salvação e embora Ele utilize muitos meios para nos alegrar, para nos consolar, para nos encher de força e ânimo na vida, não podemos depender de nada disso para nossa salvação. É preciso buscar por nós mesmos, analisar a Bíblia, orar incessantemente.

Quando o assunto é nosso destino eterno vale o bordão atribuído a Dom Pedro: independência ou morte. Desprenda-se de tudo, alcançando a vida diretamente da fonte!

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