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18
fev

Os heróis envergonhados

Marco Aurélio Brasil

Aos doze anos, numa viagem de família de São Paulo ao Nordeste, precisando me entreter naquelas estradas intermináveis, comprei um gibi do Homem Aranha. Foi paixão à primeira lida. Pelos anos seguintes, li tudo o que consegui de gibis de heróis, porque estava apaixonado. Mas era uma paixão clandestina. Eu a confessava a uns poucos amigos, porque histórias em quadrinhos eram coisa de criancinha, e lá estava eu, com 16, 18 anos, lendo Batman e Watchmen.

 Muita coisa mudou desde então. Os heróis hoje são uma quase unanimidade, fazem os melhores filmes, estampam camisetas de marmanjos, levam multidões a eventos como a Comic Con Experience.
O que me faz lembrar do vestibular da ESPM que prestei no ano em que começaram a se multiplicar as denúncias contra o então presidente Collor. O tema da redação foi “pobre do país que precisa de heróis”. Nos sentíamos idiotas por ter acreditado que ele era o salvador da pátria que vinha montado num cavalo branco para combater as mazelas da nação. Não era.hero
O tempo passou e nós continuamos precisando de heróis, por isso forjamos outros. Fernando Henrique Cardoso, com sua classe e envergadura de intelectual, a capacidade de matar o monstro da inflação. Lula, com sua identificação com o povo sofrido, as metáforas de futebol e com o milagre do crescimento, o Brasil disparando como um foguete na capa da The Economist.  FHC agora lida com denúncias sérias. Lula possivelmente às vésperas da prisão. Até o papa, herói mundial, perde as estribeiras.
São todos humanos. Todos humanos demais. E talvez exatamente pela falta de ícones de carne e osso os heróis fantasiados tenham alcançado a notoriedade que não tinham há algum tempo, porque nós precisamos da ilusão (?) de que alguns de nós poderiam ser algo mais.
Bem, quando você percebe que nossos grandes líderes têm fraquezas, pode dar de ombros e dizer: isso faz parte da paisagem. As minhas fraquezas e incoerências também são parte da paisagem. Ou pode acreditar que há uma oportunidade nesse estado de coisas. Pode confiar no Deus que disse “No dia em que eu agir… então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem” (Malaquias 3:17 e 18). E pode se colocar à disposição.
Não para ser um ícone. Mas por ter escolhido o Ícone certo. Não para alcançar a glória fumacenta dos heróis humanos, mas para sentir o que Romanos 5:1 chama de “a paz com Deus“, a incomparável satisfação de ter permitido que Ele fizesse em você tudo o que Ele pode e quer fazer.
Quando todos estão decepcionados e acreditando que somos todos iguais e que nossas obras ocultas cheiram necessariamente mal, que você perceba a oportunidade. E se lance nas mãos de Quem o pode fazer algo muito diferente.

16
fev

Pr. Felipe Tonasso, convida

Comunicação

Você já desejou transformar algo em sua vida e até hoje nunca viu acontecer? Chegou a hora de experimentar uma verdadeira Metamorfose…

Venha assistir o 3º tema da série, Metamorfose, com Pr. Felipe Tonasso.

Hoje, às 18h30. Saiba mais: Programa Viva

*Permitida a permanência  de crianças no auditório somente a partir de 7 anos, pois nossa programação é gravada. Para as crianças oferecemos programação especial na Sementinha, todos os sábados, às 18h30.

16
fev

Importante: aos pais

Comunicação

O programa Viva – Uma Experiência Real é transmitido ao vivo e gravado. Por este motivo não é permitido o ingresso de crianças (até 7 anos) no auditório. Agradecemos aos pais que deixarem seus filhos aos cuidados de nossos voluntários na Sementinha, programação que acontece em paralelo ao programa Viva, todos os sábados, às 18h30. Este é o departamento infantil da Nova Semente, foi fundado em 2005 e existe para levar nossas crianças a uma experiência real com Deus.

16
fev

Programa Começos

Maninho Alves

O programa Começos continua neste sábado, 17/fev, às 17h, com o quarto tema da série O Mundo dos Mortos: Vale De Ossos.  Esperamos você no auditório Nova Semente! Saiba mais: Programa Começos

Este programa é voltado àqueles que buscam conhecer a Bíblia de maneira profunda, mediante ao estudo de suas narrativas e profecias e seus desdobramentos ao longo da história humana.

16
fev

Dar

Gelson de Almeida Jr.

Desde a entrada do pecado em nosso planeta o egoísmo se arraigou no caráter do ser humano. Muito antes de falar, ou sequer saber o que é, o ser humano mostra que o egoísmo faz parte delea . É um sentimento intrínseco aos seres humanos, aparece disfarçado com os mais diferentes nomes ou conceitos, mas ainda, em sua raiz, é egoísmo.

A lei que rege a Natureza é a “lei do dar”. O sol diariamente nos aquece e ilumina com seus raios; a flora nos dá sombra, flores e frutos; a água que recebem, os oceanos devolvem em forma de vapor, que as nuvens recebem e nos dão em forma de chuva.

Pecadores como somos temos muita dificuldade em dar, dificilmente damos sem esperar algo em troca. Dificilmente estendemos a mão para aqueles de quem receberemos algo além de reconhecimento. Por esta razão acredito que ao Paulo afirmar que “Há maior felicidade em dar do que receber” (Atos 20:35 – NVI) ele esteja trazendo uma das verdades mais difíceis de aceitarmos, talvez, em toda a Escritura, não exista passagem mais controversa para nós.

Como você reage quando lhe pedem algo? Quando está na igreja e pedem uma oferta qual é sua atitude? Quando criança lembro de apelos à liberalidade com palavras do tipo: “Enfie a mão no fundo do bolso e dê uma oferta para o Senhor”. Parece que esse conceito ficou, pois, ao dar, enfiamos a mão no fundo do bolso e pegamos umas poucas moedas que lá estão.

Em todo o Universo apenas nós, seres caídos em pecado, não seguimos a lei do dar. Mesmo nossa rebelião e desobediência não impediu o Eterno de dar, e deu o melhor que tinha, o Filho e o Filho deu o melhor que tinha, Sua vida. Deram o Seu melhor, pois deram de coração.

Na próxima vez em que for solicitado a contribuir com alguma coisa, lembre-se de que a lei que rege o Universo é a lei do dar, pois todo o Universo segue a lei que rege o coração do Pai, a lei do amor. Dê, mas dê com amor e alegria, porque Deus ama o que dá com alegria (II Coríntios 9:7).

15
fev

São tantas emoções

Marco Aurélio Brasil

Estando há um mês e meio lendo os Salmos e havendo chegado no meio do livro, peguei hoje meu caderninho de anotações para dar uma olhada no que me chamou a atenção até aqui.

A primeira observação é o enorme espectro de emoções que eles exprimem. Há de tudo ali: gratidão, louvor por livramento, louvor pela grandiosidade de Deus, clamor por socorro pessoal, clamor por socorro coletivo, angústia existencial profunda, arrependimento por erros cometidos, alegria, tristeza, raiva, confiança, desamparo.
A segunda observação é que muitas vezes duas dessas emoções aparentemente díspares encontram-se no mesmo salmo (geralmente os de Davi). O 25, por exemplo, é cheio de louvor e confiança, até que de repente se transmuda em um angustiado grito por socorro.O 35 é o contrário, o salmo imprecatório é um retumbante clamor pela intervenção divina; Deus parece inerte e distante. Mas ainda assim o salmista reafirma sua confiança nEle. Esse bipolaridade me soa estranha, muitas vezes.
Os Salmos nunca foram meu livro predileto da Bíblia e creio que nunca serão, mas é inegável que eles me ensinam muita coisa. Por exemplo, eles ensinam que minhas emoções não precisam ser mascaradas ou diminuídas. Não fosse por eles, eu teria muita vergonha de admitir que às vezes Deus me parece frio e indiferente. Eu me sentiria culpado por sentir ira ou tristeza. Em seguida, os Salmos me ensinam o que fazer com todas as emoções, as positivas e as negativas. Se o homem segundo o coração de Deus as levava todas aos pés dEle, por que eu deveria fazer diferente? Em terceiro lugar, vejo nos Salmos um combate claro entre a emoção e a razão. A emoção pode ser negativa, mas a confiança em Deus se impõe pela razão e pela memória.
E como é bom aprender coisas enquanto leio refrões como “Esperei confiantemente pelo Senhor. Ele se inclinou para mim e me ouviu… tirou-me de um poço de perdição e me pôs nos lábios um novo cântico”! (40:1,3)

14
fev

Uma Palavra Boa

Gelson de Almeida Jr.

Certo casal que vivia, segundo amigos próximos e familiares, muito bem, teve um desentendimento por uma atitude do filho. A mulher deu as costas para o marido, ignorando tudo o que ele fazia, por mais que ele tentasse a reconciliação ela não cedia.

Cansado daquilo o marido, mesmo sendo dia claro, acendeu uma lanterna e passou a vasculhar cada cômodo da casa. Percorreu um por um, iluminando cada canto. Notava-se que a mulher estava curiosa, mas não queria dar o braço a torcer perguntando ao marido a razão daquilo. Mas, quando ele passou a abrir cada gaveta e a iluminar dentro a mulher não se aguentou mais e perguntou o que ele estava fazendo. Ele respondeu: “Estou à procura de uma palavra boa sua”.

Nem imagino qual seria sua situação se passasse por isto, mas posso imaginar qual seria minha atitude se ocorresse comigo, provavelmente responderia com algum tipo de ironia ou coisa parecida. Felizmente, para o casal, a mulher deu um sorriso, abraçou o marido e se desculpou. A seguir se ajoelharam e oraram pedindo ao Pai que não lhes permitisse repetir a situação.

Em sua carta aos crentes de Éfeso, versão “O Livro”, Paulo nos dá um sábio conselho: “Não pequem, deixando que a ira vos domine. Antes que o dia acabe, façam com que a vossa irritação tenha fim” (4:25 – O Livro).

Em Provérbios 15:1 Salomão nos diz que a resposta delicada anula a irritação, mas as palavras duras suscitam a cólera. No Sermão do Monte Cristo afirmou que serão bem aventurados os pacificadores, ou seja, os que se esforçam pela paz, afirma ainda que serão chamados “filhos de Deus” (Mateus 5:9). Como você reage ao ser ferido com palavras, paga na mesma moeda ou procura apaziguar a situação? Suas palavras no dia a dia são palavras de paz ou de guerra?

Seja um pacificador, seja um “filho de Deus”.

13
fev

Virtude

Marco Aurélio Brasil

A psicologia adverte que a repressão pode ser um barril de pólvora com pavio – mais longo ou mais curto, depende do caso – aceso. Sexo reprimido, sentimentos negados, de alguma forma isso envenena a pessoa, podendo se revelar em traços de personalidade nefastos ou estourar em verdadeiras tragédias. Muito convenientemente, o que muitas pessoas fazem com esse conhecimento é esforçar-se por não negar nada do que tenham vontade, o que faria delas seres humanos mais completos, verdadeiros e bem resolvidos.

Contudo, repressão, aqui, parece indicar não algo que foi recusado, mas algo cuja existência foi negada. O cristão que passa anos ouvindo na igreja que deve amar a todos e que ele não deveria parecer jamais alguém triste, amargurado e desesperado pode reprimir sua tristeza, amargura e desespero – coisas típicas de seres humanos – a tal ponto que, colocando no rosto a máscara com o sorriso constante, fermenta dentro de si um pequeno Dr. Hyde; ele pode aparecer de múltiplas formas: como um fanático fundamentalista, como alguém que desconta sua frustração na sua família, revelando-se um monstro da porta de casa para dentro, como alguém que cultiva hábitos hediondos, como uma pessoa obcecada pela perfeição ou então pelo poder dentro de sua comunidade religiosa – e esses foram apenas alguns exemplos. Essa pessoa não sabe que é triste, ela se convenceu de que o cristão não é triste e de que ela é uma cristã; ela tem muita pena de pessoas tristes, sente-se superior a elas e agradece a Deus por não ser assim.

C. S. Lewis, observando o fato pelo prisma da sexualidade, explicou com melhores palavras: “Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi lançado no subconsciente (geralmente na infância) e é capaz agora de se apresentar à mente apenas em forma disfarçada e irreconhecível. A sexualidade reprimida não parece ao paciente sequer ser sexualidade.  Quando um adolescente ou adulto está engajado em resistir a um desejo consciente, ele não está mexendo com uma repressão, nem incorrendo no menor perigo de criar repressão. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos são mais conscientes, e logo conhecerão muito mais da sua própria sexualidade do que qualquer outra pessoa. Eles chegam a ser profundos conhecedores dos seus desejos, da mesma forma que… um caçador de ratos conhece ratos ou um encanador entende tudo de encanamentos. A virtude –  mesmo aquela só pretendida – traz luz; o vício só levanta poeira”.

Como já observei algumas vezes, primeiramente na minha experiência própria e depois nesses textos semanais, quando queremos achar desculpas para fazer o que sabemos que não deve ser feito, nós as encontramos. Algumas são muito, muito convincentes mesmo. “De qualquer modo, é preciso lutar pelo advento de um tempo em que a virtude dirija os homens.” (Cyro dos Anjos, in Abdias).

09
fev

O Que Jesus Faria?

Gelson de Almeida Jr.

J. R. Miller (1840-1912) conta a história de um jovem casal que tinha recém contraído núpcias. Desde os primeiros dias o casamento parecia fadado ao fracasso. As desavenças eram constantes e o casal, em diversas ocasiões, trocou pesadas injúrias. A mulher relata que esperava o marido se preparando para revidar qualquer tipo de atitude mais hostil. Certa noite, durante o jantar, a briga foi intensa e a mulher largou o marido à mesa e foi para o quarto. Assim que entrou viu um quadro com uma representação de Cristo com a pergunta: O que faria Cristo?

Chegou à conclusão de que Ele faria muito diferente se estivesse em seu lugar. Começou a agir conforme imaginava que Cristo agiria. O marido notou a diferença, quando chegava em casa ela não mais se exasperava se ele perdia a calma. Certo dia perguntou-lhe o que acontecia e ela lhe contou. Naquele mesmo dia ajoelharam-se à beira da cama e firmaram um propósito de procurar fazer apenas o que Cristo faria.

As coisas que faz em seu dia a dia você as faz segundo seus instintos ou, antes de cada atitude a tomar, se pergunta: O que faria Cristo? Pode parecer engraçado, mas não deveríamos fazer nada que Ele não faria, por exemplo: não comprar uma roupa que Ele não compraria, não se alimentar de um modo que Ele não se alimentaria, não olhar o que Ele não olharia, não ir onde Ele não iria, não falar o que Ele não falaria e assim por diante.

Experimente fazer isso em sua vida, talvez fique perplexo ao descobrir que, praticamente tudo aquilo que faz, o faz segundo sua vontade e instinto, e não como Cristo faria, isso porque um de nossos principais traços de caráter/personalidade é o egoísmo. É por esta razão que em sua carta aos filipenses Paulo aconselha que tenhamos o mesmo sentimento que havia em Cristo, o sentimento de humildade, entrega e submissão ao Pai (2:2-8).

O que faria Cristo? De hoje em diante faça essa pergunta em todos os momentos de sua vida e seja feliz.

08
fev

Contra a correnteza

Marco Aurélio Brasil

O iluminismo estabeleceu o imperativo de dissociar nossas ciências humanas da religião. O direito precisou abandonar o magistério do “direito natural” (a ideia de que existe uma norma absolutamente justa e que o papel do Direito é buscar alcançá-la), o que deu espaço para a chegada do positivismo. A moral deslocou-se da fé e foi estabelecida no solo muito mais instável do espírito evoluído da civilização ocidental. Não admira que a moral tenha mudado tanto nos últimos 200 anos.

Gilles Lipovetsky, em A sociedade pós-moral, observa que na virada do século XIX para o XX, embora se rejeitasse nos meios cultos qualquer ideia de um Deus que tenha uma lei moral, imperava o culto ao dever. Todo cidadão civilizado tinha deveres para com o próximo, para com a pátria. Uma vida de autosacrifício era requerida de todos. Mas isso durou apenas até meados dos anos 1970, quando a sociedade de hiperconsumo se instalou e, com ela, uma nova era de individualismo extremo. “A nova era individualista conseguiu a façanha de atrofiar nas consciências a alta consideração de que desfrutava o ideal altruísta, redimiu o egocentrismo e legitimou o direito de viver só pra si.””Ao mesmo tempo em que, de todos os lados, se ergue o clamor de angústia pela degenerescência moral, a época atual renegou a fé no imperativo de viver para o próximo, no ideal preponderante de lhe prestar serviço”. 

O autor francês enxerga nos Criança/Esperança e Teletons da vida uma confirmação disso. O ato de doar integra uma agenda radicalmente diferente da que vigorava na sociedade ainda profundamente influenciada pelo cristianismo.Hoje, é um sintoma de boa educação você respeitar o diferente, mas não se espera, ninguém cobra, que você se sacrifique por ele.

Enquanto isso, não muito longe dali, temos Cristo. Nadando vigorosamente na contracorrenteza. Nos chamando para fazer o mesmo. Como observou Ed René Kivitz, todo mundo que descobre que o pai é nosso, descobre na sequência que o pão também é nosso. E não guarda pra si, não come com a volúpia obesa da fartura sem propósito. Temos, portanto, amigos, a ênfase necessária em nossa pregação para este tempo em que vivemos!

O mundo hipermoderno caminha a passos largos para longe da ética de Jesus. Mais que nunca, este mundo precisa de alguns bons homens e mulheres dispostos a viver a Vida para que os que nos rodeiam sintam a nostalgia do Reino.

 

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