Monthly Archive: novembro 2017

30
nov

As ofertas relâmpago e a eternidade

Marco Aurélio Brasil

“Eu precisava estar lá”, é a frase que escuto soprada baixinho lá no profundo de meu inconsciente enquanto minhas retinas refletem as cenas de fúria consumista da Black Friday na TV. Uma pilha de caixas com televisores é disputada com euforia violenta. Uma senhora com um enorme sorriso de triunfo é questionada se sabia qual era o preço normal da TV e ela responde que não, apenas se atirou sobre ela quando viu que havia muita competição. Mais cedo, uma loja lançou uma série de promoções às cegas. Você comprava sabendo quanto pagaria mas não sabia o que estava comprando. Algumas pessoas afeitas ao jogo pagaram R$900,00 e levaram televisores que custavam originalmente R$ 15.000,00. Como na abertura do filme argentino Relatos Selvagens, eu tenho a impressão de estar vendo um documentário sobre a vida na savana africana, e aquela vozinha lá longe lamenta o que estou perdendo por não estar lá.

Bauman comenta essa multiplicação de ofertas pululando aos nossos olhos afirmando que “a produção contínua de novas ofertas e o volume sempre ascendente de bens oferecidos… são necessários para manter a velocidade da circulação de bens e reacender constantemente o desejo de substitui-los por outros, ‘novos e melhorados’; também são necessários para evitar que a insatisfação dos consumidores com um produto em particular se condense num desapreço geral em relação ao próprio estilo consumista de vida”. Segundo o grande sociólogo polonês, esse estado de coisas encontra um complemento perfeito nas novas tecnologias. As novas gerações preferem o mundo on line, em que vigora a ilusão de que é possível multiplicar o número de contatos (“amigos”), sempre de forma superficial, “em nítido contraste com o mundo off-line, orientado para a tentativa constante de reforçar os laços, limitando muito o número de contatos e aprofundando cada um deles.”
 
A cultura da dopamina, do prazer do novo, das recompensas químicas instantâneas, não quer nada com laços aprofundados. Ela se sente mal em relacionamentos duradouros. Em chegar perto o suficiente para sentir o cheiro do outro. No custo de realmente investir e cultivar relações estáveis. Isso vale para uma carreira, um emprego, um casamento, um círculo de amizades, uma igreja, tudo.
De novo vale a pena citar Bauman, que afirma que homens e mulheres estão “sempre atormentados pela eventualidade (apenas a eventualidade) de que cada passo possa se revelar um erro; ou pela eventualidade (apenas a eventualidade) de que seja tarde demais para anular as perdas que ele possa causar. Vem daí a aversão a qualquer coisa ‘a longo prazo’, seja o planejamento da própria vida, sejam os compromissos assumidos com outros seres vivos” (Capitalismo parasitário, páginas 35/36 e 67/68).
Entre o prazer de um like neste texto e o custo do like eterno, que requer um relacionamento aprofundado, algo dentro de mim pede o primeiro. Mas graças a Deus, que apela à minha razão. E minha razão, permeada da luz que coloca as coisas em perspectiva, pede o que é eterno.

29
nov

O Senhor é… Libertador

Gelson de Almeida Jr.

Continuando a série de mensagens sobre o texto de Salmo 18:2, intitulada “O Senhor é”, quero me deter hoje em Deus como nosso Libertador. Após perdoar a mulher apanhada em adultério, que muitos, erroneamente, afirmam ser Maria Madalena e falar de Sua Missão e autoridade Cristo afirmou que “(…) se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36).

Momentos antes de proferir as palavras acima os fariseus, do alto de sua arrogância, haviam dito a Cristo não serem escravos de ninguém (v.33), assim mesmo Ele afirma que a verdadeira libertação só Ele, como Deus, poderia conceder.

Num mundo caótico, onde o pecado cada vez mais aprisiona suas vítimas, é essencial termos um Libertador. Muitos, como os fariseus, sequer imaginam ser prisioneiros. Nossa prisão pode ser de vários tipos, vícios, sejam eles de qual tipo for, relacionamentos pobres ou destruídos, negativismo, obsessões, amargura e rancor, etc., mas não importa o que seja, podemos ser libertos.

Quando se referiu a esse tipo de cativeiro Cristo foi além, afirmou que somos escravos e escravos do pecado (v. 34). Um escravo tem apenas duas maneiras de se tornar livre, se o seu senhor o libertar ou se outro senhor, com poder maior que o seu, proporcionar a libertação. Em nosso caso, como escravos do pecado, jamais seremos libertos pelo “senhor do pecado”, mas nosso caso não é perdido, existe Alguém que quer nos libertar e Seu poder é muito maior que o dele

Mas nunca seremos livres se não seguirmos algumas regras:

  1. Reconhecer que somos escravos do pecado (o primeiro passo para a cura é o reconhecimento da doença).
  2. Reconhecer que o inimigo e suas armadilhas são fortes demais para nós.
  3. Reconhecer que somente um Poder muito maior que o nosso poderá nos libertar por completo (João 8:36).
  4. Reconhecer que o segredo da libertação está em conhecer a Verdade (João 8:32).
  5. Reconhecer que uma vez libertos devemos permanecer em Cristo para não cairmos novamente (João 15:5 e 7).

Busque o Eterno, seja livre e desfrute da verdadeira liberdade.

28
nov

Alimentando uma velha amizade

Marco Aurélio Brasil

De repente você encontra aquele velho amigo e percebe com melancolia que a conversação abundante e gostosa de outrora parece que morreu. Vocês tentam um assunto, aí forçam outro, mas nada engrena. O fato de não se verem mais com tanta freqüência parece que minou toda a intimidade e com ela o viço da relação.

Se você está aqui há tempo suficiente para notar que não existe nada mais valioso que uma amizade, você certamente concluirá, como eu, que poucas coisas são tão tristes quanto um ótimo relacionamento que se degradou. E você vai concluir, decerto, que para evitar uma desilusão assim você precisa cuidar muito, muito bem, das amizades que tem agora. Cuidar de cultivá-las com a maior exclusividade possível e não apenas com algumas palavras apressadas no meio de muitas outras pessoas.

Fui lembrado disso pela retomada de uma amizade antiga dia desses. Eu não havia programado nada. Apenas cheguei em casa de viagem e constatei que estávamos sem luz. Família fora, então ali estava eu, sozinho, no escuro de uma noite fria e chuvosa, sem condições de tomar o banho quente que eu estava projetando mas também sem condições de ligar a televisão ou o computador.

O engraçado foi que no sábado anterior eu estava falando para a minha classe de escola sabatina sobre a importância e o poder da oração. Ou seja, eu estava falando do imperativo que é manter a intimidade e o contato substancioso para deixar sempre viva essa nossa principal amizade. Para vergonha minha, preciso confessar que foi preciso esse estado de coisas, fatores externos e além de meu controle, para que a minha mais importante amizade fosse retomada.
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Me enrolei em um cobertor, aconcheguei-me no meu sofá e orei durante uma hora inteira, sem pressa, de forma espaçada, tocando cada faceta de minha vida e da minha família, aspirações atuais, incertezas, amigos queridos, familiares, colegas de trabalho, de igreja, gente que há muito tempo não vejo, tudo.

Eu já vinha exercitando orar enquanto caminho da estação do trem até o escritório e por outros cantos, mas não dá para comparar com a experiência de um mundo desligado e escuro para que Jesus brilhe. Os aparelhos todos silenciosos para que Jesus fale. Sem nada concorrendo pela minha atenção, sem a pressão do relógio. Foi então, depois dessa deliciosa experiência, que recuperei os bons efeitos da amizade nos tempos da maior intimidade: com a ajuda de uma lanterna consegui rascunhar a letra de uma música que um amigo havia pedido e que eu ruminava fazia tempos. Porque essa amizade genuína inspira, anima, cura e dá norte e somos pequenos demais para abrir mão disso tudo.

Mas foi preciso um blackout para eu lembrar do mais importante. Registro aqui o fato na esperança de não esquecer jamais.

24
nov

O Senhor é… ROCHEDO

Gelson de Almeida Jr.

Dentro da série de mensagens “O Senhor é” quero me fixar no primeiro adjetivo que Davi dá ao Eterno, ROCHEDO. Segundo as definições mais conhecidas, “rochedo” é uma grande massa de pedra firme, sólida, resistente e inamomível, pode ser escarpada, e, em muitos casos, está próximo ao mar. Como então entender o Eterno como o nosso Rochedo?

Ao escrever o Salmo 18 Davi se recorda da profunda angústia pela qual passara, afirma que estivera à beira da morte e sentia-se cercado de inimigos por todos os lados, mas havia se firmado no Rochedo. Que bela analogia para se utilizar para o Eterno, ROCHEDO!

Provavelmente você já tenha se deparado com um rochedo, quem sabe gastou precioso tempo admirando-o, mas com o ROCHEDO essa não é a melhor atitude, olhar o Eterno e apenas admirá-Lo, pouco ou nada adiantará, em algum momento uma tempestade nos derrubará.

Como nosso ROCHEDO o Eterno nos convida a uma relação mais dinâmica, nos convida a “escalá-Lo”. Quando escala uma montanha um alpinista normalmente enfrenta toda a sorte de problemas, ventos, tempestades, sustos com pequenos escorregões, temor, etc. Da mesma forma podemos passar por coisas do tipo ao buscar o cume do ROCHEDO.

Assim como o alpinista enfrenta problemas durante uma escalada poderemos enfrentar provas durante a subida. O alpinista nunca desiste no meio da escalada, se um problema mais sério surge ou o cansaço é extremo, temporariamente ele interrompe a escalada, mas nada o afasta do rochedo.

Não sei em que ponto você está da subida, pode ser que esteja difícil, mas não desanime, a “vista” no alto compensará qualquer esforço. Acredite, quando chegar lá em cima seu único pensamento será: Valeu a pena subir.

Portanto, não desista de escalar o ROCHEDO da salvação, por mais difícil que seja a escalada e por mais provas que surjam durante a subida, o prêmio final é maravilhoso. Hoje o ROCHEDO lhe dá toda a sorte de segurança e proteção, mas em breve Ele lhe dará a salvação.

23
nov

Gloria

Marco Aurélio Brasil

Hoje concluímos essa série de reflexões sobre os cinco lemas da Reforma Protestante e como nossa prática religiosa pode desdizer aquilo em que professamos crer. Olhando especificamente para o contexto em que estou inserido, a igreja adventista do sétimo dia, consegui identificar problemas com cada um dos quatro primeiros lemas. Temos problemas com o sola scriptura quando baseamos nossas crenças mais nos escritos de Ellen White do que na Bíblia. Temos problemas com o sola gratia quando afirmamos que certas atitudes são essenciais à salvação. Temos problemas com o sola fide quando adicionamos à fé, a única coisa que é requerida do ser humano para salvação, atitudes e comportamentos, quaisquer que sejam eles. E temos problemas com o solus Christus quando pensamos que de alguma forma nossos esforços por perfeição melhoram o sacrifício perfeito e acabado que Jesus fez na cruz. Ok, mas será que temos problemas com o soli Deo gloria, o último lema da Reforma?

Soli Deo gloria significa que toda glória pertence somente a Deus. E essa palavra, “somente”, é categórica. Crer no soli Deo gloria significa que Deus, e só Ele, pode ser glorificado por qualquer coisa certa, justa e boa que nós venhamos a fazer depois da salvação. É Ele quem opera o querer e o efetuar. 

Soli Deo gloria, portanto, como os outros três solas da Reforma que vêm depois do sola scriptura, está diretamente conectado à mensagem de salvação pela graça mediante a fé que revolucionou o cristianismo e o mundo e que está em perfeita consonância com o discurso e a prática de Jesus Cristo.

Adventistas têm problemas com isso? Bem, especialmente nesse último lema da Reforma, a verdade é que todo ser humano tem problemas com isso. Temos dificuldades congênitas em deixar que outra pessoa seja glorificada por algo que nós fizemos. De todos os ensinamentos de Jesus, talvez o mais radical e difícil, logo depois do mandamento para perdoar incondicionalmente qualquer pessoa, é Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mateus 6:3). Essa nossa sede por validação, reconhecimento e admiração nos distancia da pureza do evangelho do Reino. Se, tentar matar essa sede, bebermos da água viva dEle diariamente, o poder dEle, para glória dEle, tornará a luta contra o eu possível e, mais que isso, uma vitória certa.

Que a Reforma continue em cada um de nós e vá realmente até suas últimas consequências.

22
nov

O Senhor é…

Gelson de Almeida Jr.

Num momento de profundo desespero Davi recorreu ao Eterno, reconhecendo que apenas Ele poderia ajudá-lo. Sua situação era tão desesperadora que, para explicá-la, utilizou termos tais como: “laços de morte me cercaram”, torrentes de impureza me impuseram terror”, “cadeias infernais me cingiram” e “tramas da morte me surpreenderam”.

Provavelmente você já tenha se sentido completamente abandonado por amigos, só não diria sozinho porque parece que os amigos tinham ido embora, mas os inimigos haviam ficado. Talvez tenha se sentido como Davi, mas, assim como ele sabia, precisa saber que, não importa a situação, existe Alguém com quem poderá contar em todas as situações. Para Davi o Eterno era Rocha, Fortaleza, Libertador, Rochedo, Escudo, Poder e Torre Alta (Salmo 18:2 – NVI).

O que o Eterno é para você? Como você se relaciona com Ele quando se trata de confiança e entrega? Davi inicia sua lista de adjetivos aplicados ao Eterno chamando-O de SENHOR. Apenas quando o colocamos como o Senhor de nossa vida é que poderemos aproveitar o melhor que Ele tem a nos oferecer.

Início hoje uma série de reflexões intituladas “O Senhor é”. Em cada mensagem utilizarei uma das figuras de linguagem utilizadas por Davi para descrever o Eterno e Sua atuação em favor de Seus filhos. Tenha um restante de semana abençoado, sabendo que ao seu lado existe um Deus cujo maior prazer é ajudar Seus filhos.

21
nov

Alternativas para a adoração

Marco Aurélio Brasil

É comum ver pregações e encontrar cristãos que acreditam que o grande pecado de Satanás foi querer ser maior que Deus. Usam o texto de Isaías 14:13 e 14 para endossar seu ponto de vista, mas por mais que eu leia esses versos, não consigo encontrar ali nada que o confirme. Acompanhe comigo: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”.

Semelhante ao Altíssimo” é diferente de “maior que o Altíssimo”. Na verdade Satanás, que pode ser acusado de tudo menos de burro, desejava ser colocado em estado de equiparação a Deus e gozar do mesmo tipo de devoção que Deus gozava. Com isso estava veladamente dizendo que a lei de Deus que exigia adoração exclusiva era injusta, e se colocava perante os anjos (que são constantemente figurados na Bíblia como estrelas, daí o “acima das estrelas de Deus exaltarei meu trono”) como uma alternativa. Agora vocês têm escolha – dizia ele, e um terço dos anjos preferiu ter alternativas, ainda que fajutas.

Há nesses textos mais um elemento interessante, contudo. Nele, Satanás diz que vai assentar-se nas extremidades do norte no monte da congregação. Ora, o santuário era conhecido como “tenda da congregação” e ele seguia a um modelo mostrado a Moisés de um santuário celeste, o mesmo que mais tarde João vê em visão lá no Céu. Como Satanás referia-se às coisas celestes, e não à tenda humana da congregação, interessante notar que ele quisesse ocupar as extremidades do norte.

Vamos relembrar o que vimos semana passada e retrasada: a tenda do santuário era voltada para o leste. Sem querer parecer dogmáticos quanto a o que cada elemento do santuário representava, mas minha ideia é de que, ao sul, tínhamos o castiçal, símbolo do Espírito Santo; a oeste, a arca da aliança, símbolo do trono de Deus Pai, e a norte… os pães, símbolo da pessoa de Jesus.

Jesus, eterno como Deus Pai, agente criador deste mundo, a expressão visível, audível e, por trinta e três anos até mesmo palpável de Deus, era o posto que Satanás acalentava. Era contra ele a sua
rebelião e isso explica um pouco a forma como ele se esforçou para fazer o ministério terrestre de Cristo fracassar.

O recado divino que tiro disso é mais que uma mera confirmação intelectual de coisas que Ellen White falava. É um convite a prestar atenção àquilo que eu de fato adoro. Satanás ansiava ser adorado como só Cristo pode ser e está disposto a oferecer algumas vantagens em troca. Mas entre elas decerto não se encontram justiça e vida eterna. Por outro ângulo, diminuir a pessoa de Jesus é fatalmente ombrear-se com gente da laia de Lúcifer.

Vamos ficar com o legítimo ocupante das extremidades do norte do santuário celeste.

16
nov

Christus

Marco Aurélio Brasil

Mas então você poderia falar: pelo menos com os dois últimos solas a gente não tem problemas! Será?

O quarto e penúltimo lema da reforma protestante é solus Christus, fundamentado em passagens como Atos 4:12 (“não há outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos”), I Timóteo 2:5, que estabelece Jesus como nosso único mediador entre criatura e Criador e Colossenses 1:15-20, que demonstra que a salvação do homem é obra de um Homem só. Indica a desnecessidade de se dirigir a santos e até a sacerdotes em busca de perdão e salvação, mas muito mais que isso.

Nas últimas semanas tentei defender a ideia de que, conquanto a teologia adventista abrace os lemas da reforma protestante integralmente, frequentemente a prática de muitos adventistas os desmente. Foi fácil achar posturas contrárias ao sola scriptura, ao sola gratia e ao sola fide, mas será que a gente tem tretas com o solus Christus também?

Infelizmente sim.

Sempre que a gente agrega as nossas próprias obras (nossa guarda do sábado, nossa reforma de saúde, nossa conduta moral, etc.) às de Cristo como condições à salvação, estamos solapando o solus Christus. Todo legalismo, tenha ele a casca que tiver ou o verniz teológico que lhe emprestem, diminui o nosso Salvador e se identifica com o paganismo idólatra.

Nosso Deus é Pai, não um ser irascível e volúvel que precisa ser apaziguado e lisonjeado com bom-mocismo ou sacrifícios de qualquer ordem. O amor dEle é incondicional, está provado e gravado em sangue sobre a cruz.

Quem vive o solus Christus em sua inteireza é apaixonado por Jesus Cristo por tudo que Ele – e só Ele – é. E pessoas apaixonadas ajustam seu comportamento sem nem sentir ou sofrer para harmonizar-se com o objeto amado. E, no caso que estamos estudando aqui, pessoas que vivem o solus Christus jamais distorcem Seu evangelho para fazer dele um instrumento de dominação ou uma imitação de paganismo.

A reforma continua!

15
nov

Evangelismo Caseiro

Gelson de Almeida Jr.

Certa feita uma senhora dirigiu-se a Rodney “Gipsey” Smith (1860-1947), considerado por muitos um dos maiores evangelistas internacionais de todos os tempos, e disse-lhe: “Sr. Smith, sou mãe de 12 filhos, mas Deus revelou-me ultimamente que devo pregar o Evangelho”. Com olhar sereno o pregador diz à mulher, “Muito bem, a senhora deve considerar-se muito feliz. É que Deus, chamando-a para pregar o Evangelho, preparou-lhe uma magnífica congregação. Volte para casa e comece sua importante missão”.

Pouco antes de subir aos Céus Cristo deixou claro que faríamos parte do Seu projeto evangelístico sendo Suas testemunhas, mas nos orientou a começar evangelizando os de “casa”, para só então partir para locais mais longínquos (Atos 1:8).

Muitos, como aquela mulher, querem “evangelizar” longe de casa, da família, dos amigos, etc., esquecem-se, porém, que a maior obra evangelística a ser feita é dentro da própria casa. Que valor tem ganhar o mundo e perder os de casa? Mas como é difícil pregar para os de casa! Conhecendo-nos a fundo, como nos conhecem, podem se tornar resistentes ao Evangelho de Cristo, mas é em casa que o Mestre pede que iniciemos nosso “ministério”. Apenas quando conseguirmos evangelizar os de casa, isto é, todos aqueles que são próximos a nós, estaremos verdadeiramente aptos para evangelizar (falar e mostrar) o poder transformador do Pai aos “desconhecidos”.

Que o Eterno o ajude a ser um “evangelista caseiro”, que torna Cristo e o Seu Evangelho atrativos a todos que o rodeiam.

14
nov

Em torno de mim

Marco Aurélio Brasil

A tenda do santuário israelita deveria ser repartido em dois compartimentos. O Santo tinha exatamente o dobro do tamanho do Santíssimo. Uma cortina que não chegava até o teto separava os dois
aposentos. Apenas sacerdotes poderiam adentrar o Santo e o Santíssimo só era visitado por pés humanos uma vez ao ano, pelo sumo sacerdote, no dia da expiação, a festa que os judeus comemoram até hoje com o nome de Yom Kipur.

Quando o sacerdote, depois de passar pelo altar e pela pia do pátio, entrava no santuário, ele tinha à sua direita uma mesa com doze pães. À frente, um pequeno altar onde se queimava incenso constantemente e à esquerda o famoso castiçal de sete velas que adorna as sinagogas de hoje. Atrás da cortina, apenas uma coisa: a arca, uma caixa folheada de ouro dentro da qual encontravam-se as tábuas com os dez mandamentos. Essa caixa era fechada por uma tampa sobre a qual havia dois anjos com os rostos escondidos pelas suas asas e era ali, por entre esses anjos, que a glória de Deus se revelava e por vezes enchia a tenda de luz – que devia refulgir em todos os móveis de ouro – e fumaça.

É interessante notar que uma das figuras mais marcantes com que Jesus Se apresentou é a do pão. Ele disse que é o pão do Céu e quem comer desse pão não tornará a ter fome. Os pães que ficavam sobre a mesa do santuário eram trocados toda semana e têm sido entendidos como um recado divino de que Ele daria o pão de cada dia a Seu povo, sempre. Pão é o tipo de coisa que não se come uma vez por mês numa ocasião especial. Come-se todo dia, da mesma forma como devemos nos alimentar espiritualmente de Jesus Cristo, passando tempo com Ele, que está representado no santuário pelos doze pães da mesa.

À frente, o incensário, que tinha não apenas uma finalidade prática bastante óbvia, que era perfumar aquele ambiente onde sangue dos sacrifícios era espargido constantemente, mas também representava as orações do povo (segundo Apocalipse 8:3 e 4). O recado é que podemos orar a qualquer tempo, pois 24 horas por dia, 7 dias por semana, a fumaça daquele incenso subia, passava pelo vão superior da cortina e chegava até a arca, o símbolo do trono de Deus Pai. Ele nos ouve a qualquer tempo, não impõe obstáculos nem intermediários. Ele ouve, dizia o incensário.

Por fim temos o castiçal. O profeta Zacarias teve uma visão com o castiçal (Zacarias 4) e viu que ele era um símbolo do Espírito Santo. O mesmo Espírito que, quando desceu sobre os discípulos no
Pentecostes, fez com que eles parecessem velas ambulantes, pois sobre a cabeça de cada um havia algo parecido com uma chama. Segundo a visão de Zacarias, o Espírito Santo utiliza o combustível de nossa devoção, de nossa leitura e meditação na palavra de Deus, para nos usar como luzes neste mundo. Nada do que estou dizendo aqui é dogmático, mas estou sugerindo que o castiçal representa o Espírito Santo.

Lembrando que a tenda era sempre montada virada para o leste, temos nos quatro pontos cardeais: ao oeste, Deus Pai; a norte, Jesus, Deus Filho; a sul, o Espírito Santo.

Mas meu recado predileto nisso tudo é saber que no meio da trindade, no exato ponto eqüidistante entre cada pessoa da trindade, estou eu, está minha oração. A divindade me cerca, está voltada para mim, debruçada sobre mim. Eu não mereço, mas é assim.

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