Monthly Archive: outubro 2017

31
out

Êxtase

Marco Aurélio Brasil

Num belo dia Aristóteles resolveu inventar que o homem é dividido em três: corpo, alma e espírito (ou mente). A ideia se tornou popular, acabou ganhando os séculos, alcançou guarida na teologia católica e grassa absoluta ainda hoje. Corolário dessa idéia é a de que o mundo do corpo é baixo e ruim, ao passo que o mundo superior é o da mente e do espírito, o mundo das ideias e do êxtase.

Êxtase vem do grego ek stasis, que significa estar separado de si. Pessoas espiritualizadas de nossos dias fazem da corrida atrás dele o grande sentido de suas vidas. Experiências místicas, transes
sobrenaturais, sensações de arrebatamento em que o corpo, aquela coisa baixa e vil, fica lá longe, e o espírito se desdobra para viver o gozo da plenitude espiritual.
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Infelizmente muitos cristãos também pregam a necessidade de se experimentar algo assim, também. Infelizmente porque a Bíblia jamais afirma que somos seres divididos em corpo, alma e mente, como se nosso verdadeiro eu estivesse aprisionado numa casca imperfeita e Deus só Se comunicasse plenamente ao nos libertar dessa casca, e não descreve nenhuma experiência mística como essa.

Ao contrário, a Bíblia afirma que somos seres unos. Diz que nosso corpo, somado a fôlego de vida, forma um ser vivente (Gênesis 2:7), o que equivale dizer que corpo e fôlego de vida separados um do outro não são nada.

A experiência mística que Jesus prega é mais sutil. Acontece quando estamos dentro de nós mesmos, muitas vezes sentindo uma dorzinha nas pernas, uma coceira em algum canto ou frio na ponta do nariz. Passa pela razão, ao invés de subvertê-la e o arrebatamento que provoca não torna a criatura uma espécie de bêbado ou catatônico, mas alguém que, com espírito e com entendimento, alça louvores a Deus.

Quem vive numa cidade grande, como eu, está sujeito o dia todo a estímulos cujo intuito é não nos permitir olhar para dentro de nós mesmos, parar para pensar. São luzes, cheiros, sons e imagens que
vendem experiências, baratos, êxtases. É a cerveja que resolve nossos problemas de desajustamento social, é a roupa ou a bolsa que impõe respeito, é a promessa de ver estrelas comendo um chocolate ou da realização plena num ato sexual libertário.

Cristo propõe um tipo de desafio diferente. Convida a fazermos uma auto-análise honesta e iluminada pela Sua lei. Sugere que passemos tempo com Ele em oração e refletindo em Sua palavra. Pede que depositemos nEle nossos sentimentos e aspirações, e que esperemos. Esse negócio de esperar não tem muito que ver com êxtases, não é mesmo? É mais parecido com o sacrifício de começar um programa de exercícios físicos: as banhas acumuladas só vão desaparecer depois de um bom período de luta, lentamente, depois que cada exercício for repetido incontáveis vezes com o mesmo zelo, com persistência, e a nova forma alcançada vai demandar prática constante para ser mantida.

Esse é o tipo de arrebatamento que devemos buscar.

27
out

Outubro Rosa

Comunicação

Outubro Rosa é uma campanha de conscientização que tem como objetivo principal alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos.

O câncer de mama é o mais incidente na população feminina mundial e brasileira, excetuando-se os casos de câncer de pele não melanoma.

No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estados avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%.

Tocar o próprio corpo e reconhecer sinais de possíveis mudanças é uma importante ferramenta de empoderamento da mulher frente à própria saúde, mas não substitui a mamografia, por exemplo.

A idade é uma das causas apontadas como principais, mas sabemos que o risco pode aumentar com os hábitos de vida e fatores genéticos associados.

Alguns dos fatores de risco são:

  • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
  • Sedentarismo (não fazer exercícios);
  • Consumo de bebida alcoólica;
  • Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X).
  • Primeira menstruação antes de 12 anos;
  • Não ter tido filhos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Não ter amamentado;
  • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
  • Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
  • Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
  • História familiar de câncer de ovário;
  • Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
  • História familiar de câncer de mama em homens;

O câncer de mama em homens é raro. Estima-se que, do total de casos da doença, apenas 0,8% a 1% ocorram em pessoas do sexo masculino.

Mudar estilo de vida pode reduzir 28% dos casos de câncer de mama de inflamação generalizada, o que a torna mais vulnerável a fatores cancerígenos. O recomendado é que o índice de massa corporal não ultrapasse 25, prevenindo 14% dos diagnósticos.

Deixar de lado o sedentarismo e queimar as gorduras levam a um equilíbrio dos hormônios e isso age de forma protetora contra o câncer. Mas comece em ritmo moderado, como uma caminhada mais acelerada, e por, no mínimo, 30 minutos diários. Com o tempo, a dica é tentar aumentar a intensidade ou estender o período. Essa medida isolada pode diminuir em 11% os casos de câncer de mama.

Alimentos de origem vegetal: frutas, legumes, verduras e leguminosas (como feijão, lentilha, grão-de-bico) têm o poder de inibir a chegada de compostos cancerígenos às células e, ainda, consertar o DNA danificado quando a agressão já começou.

É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias.

As mulheres devem procurar imediatamente um serviço para avaliação diagnóstica ao identificarem alterações persistentes nas mamas. No entanto, tais alterações podem não ser câncer de mama.

Os principais sinais e sintomas do câncer de mama são:

  • Caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;
  • Alterações no bico do peito (mamilo);
  • Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço;
  • Saída espontânea de líquido dos mamilos

Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

No Brasil, a mamografia e o exame clínico das mamas (ECM) são os métodos preconizados para o rastreamento na rotina da atenção integral à saúde da mulher.

A recomendação para as mulheres de 50 a 69 anos é a realização da mamografia a cada dois anos e do exame clínico das mamas anual. A mamografia nesta faixa etária e a periodicidade bienal é a rotina adotada na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama. Tal estratégia pode reduzir a mortalidade por câncer de mama pode chegar a 25%

Para as mulheres de 40 a 49 anos, a recomendação é o exame clínico anual e a mamografia diagnóstica em caso de resultado alterado do exame médico. Segundo a OMS, a inclusão desse grupo no rastreamento mamográfico tem hoje limitada evidência de redução da mortalidade

Além desses grupos, há também a recomendação para o rastreamento de mulheres com risco elevado de câncer de mama, cuja rotina deve se iniciar aos 35 anos, com exame clínico das mamas e mamografia anuais.

Segundo o Consenso de Mama, risco elevado de câncer de mama inclui:

  • História familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos;
  • Câncer bilateral ou de ovário em qualquer idade;
  • História familiar de câncer de mama masculino;
  • Histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipía ou neoplasia lobular in situ.

A definição sobre a forma de rastreamento da mulher de alto risco não tem ainda suporte nas evidências científicas atuais e é variada a abordagem deste grupo nos programas nacionais de rastreamento. Recomenda-se que as mulheres com risco elevado de câncer de mama tenham acompanhamento clínico individualizado.

O importante é a mulher passar em avalição médica anual e ao perceber qualquer alteração no seu corpo procurar ajuda especializada. E como vimos hábitos alimentares e de exercícios físicos podem diminuir muito o risco de se ter câncer de mama.

Outubro Rosa: Nova Semente na luta contra o câncer de mama.

27
out

Permalói

Gelson de Almeida Jr.

“Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto…” (João 15:5)


Quando o permalói, liga de Ferro e Níquel, com traços de outros metais de notáveis propriedades magnéticas, foi descoberto os especialistas ficaram impressionados com o seu alto poder magnético, mas chamou a atenção o fato de que para manter seu alto magnetismo o permalói deve estar em linha direta com a atração magnética da Terra, caso contrário perderá seu poder magnético.

Na vida cristã acontece algo parecido, quando direcionamos nossa vida para o Eterno nosso poder de atratividade se torna muito grande e podemos levar almas aos Seus pés, mas se estamos voltados para as coisas desse mundo, se nossas preocupações não são as coisas eternas, até podemos ter magnetismo, mas nunca cumpriremos o ideal do Mestre para nós que é o de produzir muito fruto e frutos que permaneçam.

Num mundo dominado pelo pecado, com os mais diferentes “atrativos”, fomos escolhidos pelo Pai para sermos a força atrativa que levará almas aos Seus pés (João 15:16), mas para que isso seja uma realidade, e verdadeiramente cumpramos nosso papel, precisamos estar unidos a Ele numa ligação viva e direta.

Assim como o permalói perde seu alto poder magnético se não estiver em linha direta com a atração magnética da Terra, perderemos nossa função atrativa como cristãos se não estivermos em linha direta com o Pai, o grande Centro Magnético Espiritual do universo. Direcione toda a sua vida para o Eterno e seja o permalói na vida de todos os que o rodeiam, atraindo-os e levando-os ao Reino dos Céus.

25
out

Fé Vacilante

Gelson de Almeida Jr.

Homem de pequena fé, porque duvidou? ” Mateus 14:31 (NVI)


Era madrugada e o dia fora intenso. Os discípulos, navegando no Mar da Galileia, percebem um vulto que se movia sobre as águas. Pedro indaga quem é e tranquiliza-se ao ouvir a voz do Mestre, mas, duvidando, pede para andar sobre as águas. Ouve o convite e desce do barco, mas, ao sentir o vento forte, teme, começa a afundar e clama ao Mestre por socorro. Nesse instante ouve as palavras do texto acima.

O homem que testemunhara a cura de sua sogra, a transformação de água em vinho, a cura de leprosos, de endemoniados, de um paralítico, a tempestade no mar que se acalmara, a ressurreição de uma menina e que, horas antes, participara da multiplicação dos pães, agora, frente a frente com o Mestre, teme o vento. Teve coragem para descer do barco, sentiu o mar se tornar sólido sob seus pés, mas temeu o vento!

Convivendo com o Doador da vida temeu afundar no mar. De nada adiantara o tempo passado com o Mestre, ainda possuía uma fé vacilante. Em realidade sua fé nada mais era que uma demonstração clara da confiança que tinha no Mestre. Confiava tanto que desceu do barco. Todavia, entre confiar no Mestre e temer o vento, escolheu temer o vento.

Achava-se forte espiritualmente, mas era fraco, medroso e temeroso. Na verdade Pedro nunca experimentara de verdade o poder transformador do Mestre em sua vida. Conhecia de ouvir e testemunhar, não de experimentar.

Situação parecida é a de muitos hoje em dia. Dizem confiar no Eterno, mas na primeira prova mais aguda sua fé desfalece. Como Pedro, passam tempo com Cristo, mas a fé continua vacilante. Não entendem que para alcançar uma fé inabalável é necessário mais que ficar ao Lado dEle, é necessário viver com Ele e torná-Lo o Senhor das ações. J. Stott, em O Discípulo Radical, afirma que o tamanho da nossa fé está diretamente relacionado ao “tamanho” do nosso Cristo. Nossas ações no dia a dia e nosso comprometimento com o Seu trabalho mostrarão o tipo de Cristo em quem confiamos.

Sua fé não é adequada? Busque conhecer o Eterno de forma empírica e profunda, viva de forma plena e abarcante a fé que professa ter. Não permita que a dúvida e o medo o assaltem. Cristo é maior que tudo e todos e estará ao seu lado até o fim (Mateus 28:20).

19
out

O abismo entre nós

Marco Aurélio Brasil

“Abismo digital” é o nome que se dá à distância intransponível entre conectados e desconectados. Não ter acesso de qualidade à internet em tempos de Sociedade da Informação praticamente condena o excluído digital de qualquer chance de competir como força de trabalho em um pé de mínima igualdade com os demais e, consequentemente, de alcançar todos aqueles valores que constam da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas, como qualquer outra benção, a inclusão também pode se tornar uma maldição, dependendo de como a usamos.

A série documental Dark Net explora os efeitos sombrios da rede mundial. Em seu primeiro episódio, nos apresenta à menina que teve nudes espalhados pela Internet pelo ex-namorado, aos homens solitários que estão se relacionando com uma personagem virtual de um jogo japonês (e com isso perdendo qualquer interesse em relações com pessoas de verdade) e ao sujeito que, exposto à pornografia na rede desde os 12 anos, agora só se satisfaz em uma relação de dominante-dominado em que ele é o dominado, no caso, por uma menina a centenas de quilômetros de sua casa, que recebe avisos toda vez que ele sai de casa e chega no trabalho, que sabe quantas calorias ele come por dia, que consegue acompanhar seus passos via GPS e exige coisas como fotos de joelhos no meio do dia, que ele use uma espécie de cinto de castidade e outras bizarrices. Esse rapaz participa de uma rede social só para quem tem algum tipo de fetiche como esse e se diz plenamente satisfeito com a relação humilhante que tem.
Esse retrato é só mais uma evidência de que vivemos em um mundo de relacionamentos doentes e a Internet parece não ter ajudado nada nisso – ao contrário. Nos inebriamos com likes e coments e aplaudimos o fato de agora poder ver a vida que leva amigos que moram longe e saber o que conhecidos estão comendo. Ao mesmo tempo, cultivamos uma relação absolutamente utilitária com as pessoas mais próximas. Quando um relacionamento não está satisfazendo e atendendo aos nossos propósitos, o descartamos. Jantamos em família com os olhos pregados no celular e esperamos sempre tanto mais dos outros.
Estamos vivendo o ápice de uma revolução que nos levará sabe Deus para onde. A inversão dos paradigmas é gigantesca, quer você concorde ou não com eles. Como escreveu o padre Fabio Melo esses dias: “querem que os padres se casem e os casados se divorciem. Que os héteros tenham relacionamentos líquidos, sem compromisso, mas que os gays se casem na igreja. Que as mulheres tenham corpos masculinizados e se vistam como homens e assumam papeis masculinos. Querem que os homens se tornem frágeis… Uma criança com apenas cinco ou seis anos de vida já tem o direito de decidir se será homem ou mulher pelo resto da vida, mas um menor de 18 anos não pode responder pelos seus crimes…” E sendo esses novos paradigmas seus ou não, se o rapaz que se submete a uma dominadora a centenas de quilômetros se diz satisfeito, isso é liberdade e é bom.
Durante algum tempo a igreja cristã acreditou que precisava fazer programas sensacionais para atrair pessoas, verdadeiros shows. Mas não é isso o que temos para oferecer, especialmente se qualquer pessoa tem dispositivos no bolso que num clique os brindam com shows muito mais fantásticos do que qualquer um que possamos fazer com nossa mão-de-obra voluntária. Só temos relacionamentos genuínos, com seus aspectos bons e os malcheirosos também. Isso é discipulado, isso é pregar da forma certa, em testemunho a todas as gentes, vivendo perto delas e olhando em seus olhos. E o mundo à nossa volta está ávido por isso.
Mas não vamos conseguir dar aquilo pelo que as pessoas ao redor estão morrendo enquanto estivermos com os olhos pregados no nosso celular, esperando o próximo like.

18
out

Está preparado?

Gelson de Almeida Jr.

“Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome tua coroa”. Apocalipse 3:11 (ARIB)

Uma garotinha disse para a mãe que seu professor de classe bíblica havia dito que a Terra não é nosso destino final, que Deus nos concedeu um tempo aqui apenas para que nos preparemos para morar na Nova Jerusalém. A seguir disse: Mamãe eu vejo a senhora se preparando para sair de férias, a tia Elisa se preparando para vir passar uns tempos conosco, mas não vejo ninguém se aprontando para ir para lá.

A garota disse que quando o patrão do seu irmão morrera ele fora para o céu, ao seu lado Benjamin disse que achava que não, pois, quando o patrão ia para o interior, meses antes falava da viagem e se preparava, mas nunca o vira falar sobre ir para o Céu.

Pouco antes de retornar ao Céu o Mestre disse que para lá voltaria, afim de preparar moradas para Seus irmãos (João 14:1 a 3), em breve Ele retornará para cumprir Sua parte no acordo/promessa, Ele está fazendo Sua parte, você está fazendo a sua? O que a garota da ilustração diria de seu preparo para o Céu se convivesse com você? As pessoas mais próximas a você sabem de seu desejo de ir para o Céu, mais ainda, ouvem você falar sobre o Céu?

Quando Cristo retornar à Terra, dentro do grupo daqueles que disseram fazer Sua vontade e seguir Seus ensinamentos, haverá dois subgrupos, os que ouvirão “Vinde Benditos do meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” e os que ouvirão “Apartai-vos de mim…” (Mateus 25:34 e 41). Se quiser ouvir a primeira frase, PREPARE-SE, caso não faça questão não se preocupe, é só viver na letargia, na comodidade, sem se preocupar com o dia de amanhã que a sua “não salvação” estará garantida. E aí, o que via ser?

17
out

Divisórias

Marco Aurélio Brasil

Corre meio solta a idéia de que o ser humano é tripartido em corpo, alma e espírito, ou mente. Isso vem, se as aulas de filosofia serviram pra alguma coisa e eu não estou embaralhando conceitos,
desde Aristóteles, que teve grande influência sobre o pensamento de Agostinho e, consequentemente, do pensamento ocidental de uma forma geral.

O impacto dessa crença não é pequeno. Meu amigo Helio Serafino lembra sempre do exemplo daquele bom irmão que anuncia uma mensagem musical no culto explicando que ela servirá “para nosso deleite espiritual”. Como se o deleite físico de ouvir uma bela música fosse pecaminoso e apenas a nossa “porção espírito” tivesse o direito de se deleitar.

Philip Yancey dá outro exemplo em seu livro “Rumores de Outro Mundo”. Diz que o pastor de sua igreja reclama que as piadas mais sujas do universo são contadas no estacionamento da sua igreja. As pessoas saem do recinto sagrado e se põem a trocar obscenidades que escrupulosamente jamais diriam dois metros adiante, dentro do templo. O sagrado está lá; aqui é lugar de profanação. Aqui, estamos liberados para profanar.

A Bíblia jamais compartimentaliza o ser humano em corpo, alma e espírito (ou mente). Para ela, somos um todo indivisível. Ela nos admoesta a orar sem cessar, o que implica em levar coisas sagradas
para os ambientes laicos também. Pedro orienta a sermos santos em todo nosso procedimento (I Pedro 1:15). Para os fãs do “deleite espiritual”, observo que os salmos estão recheados de expressões de júbilo e prazer até mesmo sensorial extraído de atividades como o louvor e a adoração no templo.

O livro “Fuga para Deus” faz um grande sucesso com o depoimento de um homem que resolveu inocular os aspectos espirituais na mais rasteira e mínima atividade secular, com enorme êxito. As pessoas lêem e se admiram, aquilo parece uma excentricidade, algo raríssimo e novo, embora a ideia esteja presente em cada linha da Bíblia.

Polvilhar a fé e a consciência da presença de Deus em cada um dos 1020 minutos que, em média, ficamos acordados no dia, é muito mais que um desafio para nossas mentes obcecadas com o pão-nosso-de-cada-dia: é um convite que Deus nos faz. Aceitar esse convite e quebrar as divisórias que nossa bagagem cultural inventou significa respirar o ar do Céu já aqui.

12
out

Sobre aquilo que não te define

Marco Aurélio Brasil

Quando os ventos super favoráveis sopraram sobre o Brasil durante os primeiros anos da era Lula, encontraram uma grande demanda por consumo reprimida havia muitos anos. A classe média fez a festa e essa festa representou uma mudança grande de relacionamento com o dinheiro e o que ele compra. Mas toda aquela dopamina liberada com compras já se evaporou há tempos e fica no lugar o mal-estar típico do pós-excesso.

Há um burburinho em torno do filme Minimalistas, que conta esse movimento em prol do desprendimento dos bens materiais. Nas últimas semanas ouvi nada menos que três podcasts sobre o documentário (que está na Netflix). Assistindo o filme com minha esposa, achamos curiosa a empolgação dos rapazes que descobrem uma enorme alegria em darem embora roupas, objetos e móveis que usam muito pouco, ficando só com as peças essenciais e preferidas. Eles escrevem um livro, editam um site e saem pelos EUA fazendo palestras pregando um estilo de vida com menos. Achamos especialmente divertida essa excitação de quem espraia um conceito tipicamente cristão, mas sem Cristo.

O que hoje chamam de minimalismo, o cristianismo chama de simplicidade. A simplicidade é uma das virtudes clássicas, pregada ao longo dos séculos por homens devotos (Francisco de Assis talvez seja o expoente máximo). É claro que não se trata de uma exclusividade do cristianismo, mas essa virtude está enraizada na Bíblia, a começar pelas palavras de Jesus “A vida de um homem não consiste na quantidade de seus bens” (Lucas 12:15) e em passagens como “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm” (Hebreus 13:5).

É que nossa identidade está em Cristo, e não no modelo de nosso telefone, na casa em que moramos, no carro que dirigimos ou na quantidade e variedade de cores de relógios que empunhamos. Nada disso é capaz de suprir o desconforto existencial.

O filme mostra uma mulher que decidiu usar apenas 33 peças de roupa, incluindo acessórios e calçados, durante três meses (como boa americana, deu um nome para o seu “programa”: 333). Para seu espanto, ninguém notou que ela estava repetindo as mesmas roupas diariamente. Já o sorriso dos rapazes que se libertaram da ciranda do consumo, isso muita gente notou e tem se sentido desafiado a mudar o estilo de vida…

Imagina como seria se houvesse gente pregando esse aspecto do evangelho de Jesus e todos os demais também?

11
out

Vamos para o Céu?

Gelson de Almeida Jr.

Certa noite uma garotinha olhou fixamente para o céu por alguns minutos e disse que o Céu deveria ser muito lindo por dentro, se do lado de fora ele já era tão lindo…

Anos atrás, William Herschel examinou o brilho da estrela Sirius (veja foto original em http://spacetoday.com.br/sirius-a-estrela-mais-brilhante-do-ceu-noturno) e calculou que seu brilho fosse o equivalente a 14 sóis, hoje, os avanços tecnológicos mostram que esse cálculo está muito aquém da realidade.

Mesmo observando o céu apenas a olho nu Davi, maravilhado com o poder criador e o amor do Eterno para com Seus filhos, terminou o salmo dizendo: “Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o Teu nome em toda a Terra! (Salmo 8:9)

Como é bom saber que em breve você e eu poderemos desfrutar de todas as maravilhas criadas pelo Eterno, mais ainda, saber que poderemos ver, face a face, Aquele que nos criou, nos redimiu e nos sustenta diariamente. Paulo afirmou que hoje vemos por espelho, mas que chegará o dia em que veremos face a face (I Coríntios 13:12).

Está pronto para o grande Encontro? O dia de vÊ-lo face a face está chegando, não deixe passar nenhuma oportunidade de preparo para esse dia. Por que não eleva seu pensamento em oração agora e agradece ao Eterno por Seu grandioso poder e Amor? Diga-Lhe quanto O ama e o quanto deseja encontra-Lo.

10
out

A distância de Deus

Marco Aurélio Brasil

O personagem de Orlando Bloom em “Cruzada” é um humilde ferreiro que acaba de perder o filho e a esposa. Para piorar, a morte da esposa foi por suicídio, aparentemente por depressão causada pela perda do filho. O suicídio era entendido como um pecado imperdoável. Isso significava que ela teria de ser enterrada com a cabeça separada do corpo e ser condenada ao inferno, como o sádico pároco local lhe explica. Ele então se lança à cruzada tomado de um descomunal senso de culpa e de um igualmente gigantesco desejo de ouvir a voz de Deus. Nenhum lugar melhor para isso do que a Terra Santa, Jerusalém, é o que todos dizem.

Nos dias seguintes ele passa de ferreiro a barão, começa a tomar assento junto com a nobreza e a gozar dos privilégios dela, sobrevive sozinho a um naufrágio no Mediterrâneo e a ataques de mouros. Vê-se herdeiro de uma grande propriedade, amigo do rei de Jerusalém e escapa ileso de mil perigos.

Contudo, a primeira coisa que faz ao chegar a Jerusalém é subir no monte do Calvário e ali orar a noite inteira na esperança de sentir-se melhor e de ouvir a voz de Deus. Como nada sobrenatural acontece, desce dali pensando que Deus Se esqueceu dele, constatação que repete em voz alta algumas vezes durante toda a história.

Naufrágio, batalhas sangrentas e à primeira vista perdidas, favores enormes. E no entanto a sensação de que Deus Se afastou. Ora, não precisamos estar em Jerusalém em 1.100 d.C. para termos plena
identificação com esse personagem. Eu – e acho que você também – às vezes tenho essa sensação. Olho para cima e ouço o estrondo de um silêncio ensurdecedor. Tenho a impressão de que Deus não liga para mim, mesmo estando meu metabolismo a trabalhar com perfeição de relógio, o ar a insuflar meus pulmões, meus olhos, coração, baço, tudo em funcionamento. Mesmo havendo provas que deveriam ser definitivas do cuidado dEle.

No meu caso, há doze anos essa sensação tem sido bastante rara e fugaz. Houve um dia do qual me lembro como se fora ontem. Eu estava deitado na minha cama de solteiro numa tarde modorrenta, abraçado ao meu travesseiro e pensando no porque as coisas não saíam como eu planejava. Como estava participando de pequenos grupos de estudo e oração fazia um tempo, bem como descobrindo a graça de ler a Bíblia todos os dias, automaticamente eu conduzi essa inquietação às mãos de Deus. Com uma clareza cristalina comecei a ver o cuidado dEle na minha vida. Percebi a razão de estar especificamente naquela casa (a pior de todas em que minha família já havia morado). A razão de não ter namorado com aquela garota por quem era apaixonado fazia um ano. A razão de ter encontrado aquela e aquela outra pessoas naqueles exatos momentos. Minha inquietação, você pode imaginar, terminou foi em louvor. E desde aquela tarde perdida no calendário de 1993 eu passei a ouvir menos o silêncio e mais o som de Deus. Uma brisa convidando a confiar.

Para olhar para frente e enxergar mais claramente, é preciso olhar para trás e em volta com olhos umedecidos pelo colírio dEle. E suplicá-lo constantemente. Efeito colateral: paz.

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