Monthly Archive: agosto 2017

31
ago

Revolução

Marco Aurélio Brasil

Se você não quer nenhuma mínima mudança em sua vida espiritual, se você quer só continuar fazendo mais do mesmo, tocando nesse ritmo aí, sem grandes crises ou confrontações, receio que não vá dar muita pelota para o que vou escrever, embora talvez você fosse o alvo preferencial destas linhas. Agora, se você sente que falta algo, se fica aquela sensação de que tem um quadro meio torto nessa parede, de que há algo mais por ser vivido no reino de Deus, então quero falar com você sobre a revolução.

Uma revolução está em curso. Melhor dizendo, muitas revoluções estão em curso. Só que pelo menos uma é boa.
Estou me referindo especificamente à revolução protagonizada pela visão que posso chamar genericamente de “discipulado”. A constatação de que Jesus Cristo nos chamou para sermos discípulos e de que a missão do discípulo é seguir os passos de Seu Mestre e cumprir a missão de fazer outros discípulos foi revolucionária em minha vida.
O discipulado provocou pelo menos quatro revoluções em mim, que vou tentar resumir ao máximo aqui:
1. Revolução na noção de evangelismo – se percebo que o método de disseminação do evangelho é relacional, como o relacionamento pessoal do Mestre com seus discípulos, começo a questionar a velha visão de evangelismo por profissionais, de apelo enquanto toca a música, de estudos bíblicos racionais dados à distância, sem envolvimento de quem está discipulando, de livros distribuídos por baixo da porta uma vez ao ano;
2. Revolução na noção do papel de cada um nisso tudo – o discipulado me lembra que a tarefa de fazer discípulos é de 100% da igreja, e não apenas de uns poucos vocacionados para a coisa. Todos os dons espirituais são dados com o mesmo objetivo, o de fazer discípulos. Não posso terceirizar a missão de me envolver com os perdidos, de me relacionar com eles e de apontar ao Salvador para eles;
3. Revolução na noção de sucesso evangelístico – os discípulos de Jesus foram batizados no começo do processo de discipulado. Três anos e meio caminhando com o Mestre dos mestres e eles ainda precisavam aprender coisas cruciais. A ideia de que o papel da igreja é batizar as pessoas e então relegá-las a sua própria sorte é anti-bíblico. A igreja foi comissionada a acompanhar essas pessoas para muito além do batismo, até a maturidade espiritual, quando elas estarão aptas a fazerem discípulos também;
4. Revolução no conceito de igreja – essa ordem de coisas me leva a repensar a forma como a igreja deve funcionar. Uma igreja centrada em programas, fechada em jargões herméticos, praticando uma música absolutamente incapaz de se comunicar com as pessoas em volta, que faz questão de usar uma roupa diferente da comunidade ao redor… essa igreja não está nem um pouco preocupada em cumprir a missão dada por Jesus de fazer discípulos. A igreja precisa ser o ambiente de celebração da salvação ao mesmo tempo que esteja aberta e receptiva a quem ainda não a integra.
Algumas revoluções são boas. E algumas são absolutamente necessárias. Viva a revolução!

30
ago

Resplandeça a Vossa Luz

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que certo homem entrou em casa à noite e achou que a luz emitida pela lâmpada estava muito fraca, não iluminava adequadamente o ambiente. Foi até a lâmpada para tentar descobrir o que estava acontecendo e viu que a mesma estava muito suja. Pegou um pano úmido e limpou-a por completo, ligou novamente a lâmpada e o ambiente ficou muito bem iluminado. A lâmpada estava boa, apenas estava suja.

Ao final do Sermão do Monte, em linguagem figurada, Cristo disse que somos a luz do mundo e que devemos fazer resplandecer a nossa luz (Mateus 5:14 – 16), afirma ainda que uma boa luz tem que ficar num local alto, visível o suficiente para iluminar o local onde está.

Em resumo, isto significa que, no plano espiritual, devemos fazer o melhor possível para iluminar os que estão ao nosso redor. Ao receber a Luz maior, através da presença do Espírito Santo em nós, devemos ser o melhor receptáculo possível para essa “luz”, afim de cumprirmos fiel e dignamente nossa missão. Deus é a Luz, mas nós somos a lâmpada que Ele quer usar para iluminar o caminho dos que estão a perecer nas trevas da ignorância e do pecado.

Assim como uma lâmpada suja não cumprirá seu papel adequadamente, não cumpriremos nosso papel como “luz do mundo” se o pecado estiver manchando/sujando nossa vida. Peça ao Eterno que o limpe de todo o mal e o torne Seu conduto de luz a este mundo. Somos a morada do Espírito Santo (I Coríntios 6:19), não temos o direito de buscar menos que a perfeição

29
ago

As bem aventuranças – VI

Marco Aurélio Brasil

“Bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.
Mateus 5:10

O cidadão do Reino:

– O que eu quero saber – disse o dr. Agnaldo passando um olhar duro por cada rapaz ou moça que o ouvia com ar intimidado, ao redor da mesa – é porque o rendimento dos estagiários está tão baixo. Péssimo. Abaixo da crítica.

Jorge, o mais antigo, pigarreou e disse:

– Doutor, a verdade é que isso aqui já foi um time. Todo mundo se ajudava, tinha espírito de corpo, sabe? – dr. Agnaldo gostou da expressão. Ele mesmo a usava o tempo todo em suas preleções – Mas –
continuou Jorge – de uns tempos pra cá… O senhor sabe, tem estagiário que não colabora, que se faz de bobo quando a gente pede uma coisa, que quando bate cinco horas na sexta-feira sai correndo
como se fosse virar abóbora…

Boa parte dos presentes virou os olhos para Dênis, que ficou muito vermelho. Ele lembrou de quando Jorge lhe perguntou por que razão ele não fazia como todos os estagiários, pegando um recibo de táxi e indo de ônibus até alguns foruns mais afastados, embolsando a polpuda diferença, ou por que ele não ia direto pra casa quando tinha que visitar um forum mais próximo, afetando ter perdido muito tempo lá. Suas práticas estavam prejudicando os demais. A reação de Dênis foi justamente fazer-se de bobo, perguntando: “ué. Mas isso é certo?”

Levantando os olhos, Dênis deu com o olhar de intensa reprovação do Dr. Agnaldo e pensou que seu mundo não era aquele ali. Teve saudades do reino do Céu.

O Reverso:

Milton aproximou-se da rodinha dando uma olhada na própria roupa para ver se estava “legal”. Alguém contava uma piada nojenta de tão suja. Ele riu escandalosamente com os demais. Na seqüência, um outro contava uma piada em que um usuário de drogas ridicularizava e prevalecia sobre os caretas. Antes de terminar, esse alguém olhou para Milton, como que lembrando que havia um evangélico na roda, hesitando se devia terminar ou não, mas Milton ria tão alto e fazia um esforço tão evidente para ser simpático, que ele se sentiu encorajado a caprichar no final. A gargalhada de Milton se poderia ouvir a muitas quadras dali.

* * * * * * *
“Os bons e os nobres raramente são perseguidos, porque até os pagãos acham que essas pessoas são exatamente como eles mesmos. Não são os bons que são perseguidos, mas os justos, aqueles que estão vivendo a vida de Jesus como é apresentada nas bem aventuranças. A verdadeira justiça cristã faz com que a mera bondade e nobreza humanas tenham aparência egocêntrica e esfarrapada.”
(George Knight, in No monte das bem aventuranças)

25
ago

Vamos conversar?

Comunicação

Todos os sábados, às 15h30, o momento para você compartilhar histórias de vida, sabedoria, conquistas, alegrias, perdas, dificuldades e encontrar soluções a partir da interação dessas experiências conosco. Você é nosso convidado.

Diálogos 15h

25
ago

Faltou Pouco

Gelson de Almeida Jr.

26 de julho de 1956, o transatlântico italiano SS Andrea Doria que, oito dias antes saíra da Itália, rumo a New York, estava a poucas horas de completar sua viagem. Cerca de 1670 pessoas estavam a bordo e os, cerca de 1200 passageiros, se dividam entre dormir, assistir filme no cinema do navio, jogar cartas, dançar e passear no convés. Eis que um violento choque é sentido, assustados os passageiros não tinham a menor ideia do que lhes acontecera, o MS Stockholm cravara sua proa quebra gelo a estibordo do Andrea Doria, que começa a adernar.

Causas alheias a eles, fizeram com que, mesmo com uma fantástica operação de salvamento, cerca de 50 pessoas perecessem com o navio. Para esses desafortunados faltou pouco para chegarem ao seu destino.

Em sua jornada rumo à Terra Prometida o povo de Israel passou por muitos percalços, mas, quando já avistavam a tão almejada cidade de Jericó, um descuido fez com 24 mil pessoas perecessem (Números 23), para esses, os poucos quilômetros que faltavam para entrar de posse da tão bendita promessa, nunca foram percorridos.

Em nossa jornada rumo à Nova Terra poderá ocorrer o mesmo, estamos quase lá, falta pouco para conseguirmos, mas um pequeno descuido poderá ser fatal. Um descuido causou a desgraça na vida de milhares de pessoas que estavam no Andrea Doria, mas no plano espiritual a coisa é bem diferente, o Comandante, a tripulação e a embarcação são de primeira, não existe melhor, mas um pequeno descuido nosso poderá ser fatal para nossas pretensões de chegar ao destino final, a Nova Terra.

Esteja alerta e vigilante, cuide para que nada o distraia no caminho, siga fielmente as instruções do Comandante (Cristo) e sua viagem terminará muito melhor que começou. A festa no final da viagem já está preparada, você não vai ficar de fora dela, não é?

24
ago

Inclusive você e eu

Marco Aurélio Brasil

O discurso de inclusão radical demorou 2.000 anos para pegar no breu. Jesus disse que não rejeitaria ninguém que fosse a Ele e comandou Sua igreja a fazer o mesmo pelos mais pequeninos. Ele afirmou que até mesmo os perdedores (pobres de espírito, pacificadores, de coração partido e cheios de misericórdia) tinham lugar à mesa de Seu Reino. Não há dúvidas de que o discurso inclusivo tem seu nascedouro em Jesus Cristo.

Nos últimos anos, muitas vezes apesar dos cristãos, e não por causa deles, esse discurso começou a repercurtir. Raça, religião, gênero e até opção sexual passaram a não mais se prestar a rotular pessoas como inferiores.
A cruzada da inclusão não parou aí. O avanço das ciências humanas e biológicas (sobretudo psicologia, sociologia, antropologia e terapia ocupacional) começou a apontar outros párias que precisamos incluir em nossa marcha civilizatória: deficientes físicos e mentais, índios, pessoas com transtornos ou déficits de integração sensorial (que em outro tempo seriam rotuladas simplesmente de esquisitas ou frescurentas), portadores de síndromes e transtornos dos mais diversos.
Engraçado que quanto mais se avança nesse sentido, maior e mais violenta passa a ser a reação contrária. Quanto tempo não ficamos sem ver uma manifestação ostensiva dos supremacistas brancos? Por que os atentatos do fundamentalismo Islâmico deslocaram-se do mundo muçulmano para o ocidente que prega tolerância e inclusão? Por que maníacos que se dizem conservadores pregando um discurso totalmente anti-inclusão, segregador e eugenista começam a crescer em popularidade?
O ser humano precisa de referências sólidas. Uma hierarquia de gêneros ou raças, ou a superioridade do bonito sobre o feio e do popular sobre o esquisito é um referencial dos mais simples – tentar dinamitá-lo pode suscitar um ódio que a zona de conforto anterior sequer suspeitaria.
E qual é o papel do cristão nisso tudo?
O cristão precisa desesperadamente nascer de novo. Ele precisa deixar o velho homem morrer e nascer uma nova criatura. Uma criatura despida de outros referenciais que não aqueles marcos radicais de amor universal – sim, até aos inimigos! – que Ele lançou.
Para que o discurso de Jesus não seja apropriado indevidamente por quem O odeia e despreza e para que o mundo saiba que o evangelho tem poder.

23
ago

O Atleta Dorminhoco

Gelson de Almeida Jr.

Em 1960, o Suriname enviou sua primeira delegação, composta por um só homem, a uma edição dos Jogos Olímpicos que aconteceriam em Roma. O multirecordista Wim Essajas (foto ao lado) representaria o país na prova dos 800m rasos. Não se sabe ao certo o motivo, mas a direção do evento antecipou o início da prova e enviou mensageiros ao quarto de cada competidor para avisá-los. Fortíssimo candidato ao ouro, Wim Essajas contestou o mensageiro, virou-se para o lado e dormiu novamente, quando acordou a prova estava encerrada. No momento da prova, um dos atletas mais bem preparados estava dormindo.

Na vida espiritual pode acontecer o mesmo conosco. Podemos “dormir” bem na hora da prova, no momento em que a tentação sobrevir, e sermos derrotados. Preocupações do dia a dia, amizades, diversões, carreira profissional são algumas formas deste sono se apresentar. Por essa razão, o Mestre pede que o primeiro lugar seja dado ao Reino de Deus (Mateus 6:33), pois esta é a forma mais segura de estarmos despertos na hora da prova e com chances reais de vitória, pois, com Ele ao nosso lado, não há como sermos vencidos.

Em Seus momentos finais, pouco antes de sua prisão, Cristo convidou parte dos discípulos para orar. Deixando-os a sós, foi um pouco mais retirado para orar sozinho. Ao voltar, encontrou-os dormindo e disse-lhes: “Por que estão dormindo? Levantem-se! Orem para que vocês não caiam em tentação” (Lucas 22:46 – Bíblia Viva). Cristo não precisava da oração deles, mas eles precisavam de orar e entrar em comunhão com o Pai.

Da mesma forma que Wim Essajas e os discípulos podemos estar dormindo às vésperas da maior prova ou acontecimento de nossa vida. De nada adianta preparo prévio se dormirmos na hora da prova. Wim Essejas nunca mais teve outra oportunidade de competir nos 800m, mas você e eu temos, a cada dia, uma nova oportunidade de fazer o que é certo. Aproveite a sua oportunidade, vigiar e orar, eis a receita para a vitória.

22
ago

As bem aventuranças VI – puros de coração

Marco Aurélio Brasil

“Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”.
Mateus 5:8

O Cidadão do Reino:

Caminhavam sem pressa pela calçada que torneava a pequena praça em frente ao prédio onde trabalhavam, gastando os últimos minutos da hora de almoço. André tentava desenvolver um raciocínio sobre a infinitude do que existe para ser conhecido e sobre a inutilidade e empáfia que é pensar que o conhecimento que se tem a respeito de algo é definitivo. Jairo esperava uma brecha para observar que talvez seja esse curso de ideias que tenha levado Salomão a dizer que quem aumenta seu conhecimento aumenta sua tristeza.

Mas naquele momento passou por eles uma belíssima mulher em trajes sumários. Bem sumários mesmo. André interrompeu seu pequeno discurso para dizer com um sorriso malicioso:

– Eu nunca vou cansar de conhecer a natureza, se é que você me entende.

– Hein? disse Jairo sorrindo e André percebeu que ele não fazia a menor ideia do que havia acontecido.

O Reverso:

Precisa falar do reverso?

“Mas as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os limpos de coração” (Mat. 5:8), têm um mais profundo sentido – não somente puros no sentido em que o mundo entende a pureza, livres do que é sensual, puros de concupiscências, mas fiéis nos íntimos desígnios e motivos da alma, isentos de orgulho e de interesse egoísta, humildes, abnegados, semelhantes a uma criança. … Os puros de coração vivem como na visível presença de Deus durante o tempo que Ele lhes concede neste mundo. E também O verão face a face no estado futuro, imortal, assim como fazia Adão quando andava e falava com Deus no Éden.”

Ellen G. White, O Maior discurso de Cristo, ps. 25 e 27

17
ago

Coração

Marco Aurélio Brasil

Existe uma ideia cara especialmente a pensadores de esquerda, pela qual o homem é fruto do ambiente em que ele vive. A aplicação clássica desse pressuposto teórico é isentar de culpa por crimes alguém nascido e criado em um ambiente de pobreza.

Mas somos cristãos, e valorizamos a palavra do Cristo mais do que as tão voláteis ciências dos homens, e Ele posicionou a origem do comportamento humano em outro lugar: Porque do coração é que procedem os maus intentos, homicídios, adultérios, imoralidades, roubos, falsos testemunhos, calúnias, roubos (Mateus 15:19).
Essa afirmativa foi dada como resposta aos fariseus preocupados com rituais de purificação que os discípulos de Jesus pareciam desprezar. Jesus mostra que qualquer purificação precisa vir de dentro para fora.
Os adeptos da ideia de que o meio corrompe o homem desprezam o fato de que a corrupção começou num verdadeiro paraíso. Adão e Eva não tinham qualquer elemento externo a si próprios para culpar por sua rebelião, embora eles tenham tentado fazer isso.
Nós sabemos com quê um cristão deve se parecer. Ele deve se parecer com Cristo. Paulo fala mais pormenorizadamente de hábitos alimentares, conduta sexual, honestidade nos negócios, modéstia no vestir-se. Mas qualquer religião que mede o outro por esses aspectos exteriores e os enfatiza como caminho para obter o favor divino é uma religião típica de fariseus. É uma religião extremamente carismática, e, na verdade, a única religião em que boa parte das pessoas se sente confortável. Mas não é a religião de Cristo. Cristo não prega nada menos do que a revolução do coração.
É esse tipo de sabedoria que fez de Davi um homem segundo o coração de Deus. Afinal, sua oração era: Sonda-me ó Deus, e analisa o meu coração. Examina-me e avalie minhas inquietações. Vê se há em mim algum sentimento funesto, e guia-me pelo Caminho da vida eterna! (Salmo 139:23 e 24).

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