Monthly Archive: julho 2017

25
jul

Bem aventurados, parte 2 – Os que choram

Marco Aurélio Brasil

“Bem aventurados os que choram, porque serão consolados” Mateus 5:4

O cidadão do Reino:

Flávio já desconfiava que a leitura daquele livro sobre a vida (e, especialmente, a morte) de Jesus havia mexido com ele. Começar a orar seria evidência suficiente, não? Mas a confirmação definitiva só veio quando se pegou vertendo grossas lágrimas e soluçando em pleno metrô, no caminho do trabalho aquele dia. Seu choro, tão raro, agora era abundante, a ponto de os circunstantes sentirem-se desconfortáveis.

Começou exatamente uma estação após descer a garota semi-nua e extremamente maquiada que estivera ali. Era uma profissional, decerto, mas sobretudo uma garota. Uma garota.

Flávio percebeu que a leitura daquele livro havia mexido com ele quando identificou que as causas de seu choro sentido eram duas: o que aquela menina fazia com sua vida e o que ele mesmo havia pensado olhando o corpo provocativo dela. Sem dúvida, um choro muito raro.

* * * * *
O reverso:

Paulo recebeu o pastor com sua melhor expressão de respeitabilidade e por uma hora e meia esforçou-se por convencê-lo de que a vítima era ele. Mostrou por a mais b que sua vida sexual com a esposa vinha insatisfatória havia muito tempo, que ela havia desleixado a aparência, que ela não tinha muito ânimo para acompanhá-lo nas atividades da igreja, que o diálogo com ela era difícil, que ela
fazia cobranças demais. Deu exemplos. Mostrou provas. Refutou os argumentos contrários e as passagens bíblicas apresentadas pelo pastor e terminou batendo a porta com força quando ele se foi. Nunca se sentira tão injustiçado.

Foi enterrar o desgosto no apartamento da amante.

* * * * *

“Os cristãos não apenas choram porque seus pecados colocaram Jesus na cruz, mas eles, como seu Senhor, choram por um mundo perdido e dilacerado pela violência”.
George Knight, No Monte das Bem Aventuranças, 11/01.

20
jul

PAUSE

Comunicação

Sábado (22/07), às 18h30, Pr. Felipe Tonasso apresenta 3º tema da série PAUSE. Vamos parar no meio do ano para refletir no que foi vivido até aqui, descansar em Deus no que ainda precisa ser feito e tomar decisões para um recomeço. Pause é a ideia de descansar literalmente. O corpo, a mente, a alma, as emoções e ganhar fôlego novo para recomeçar. Você é nosso convidado. .

20
jul

Nossos programas

Comunicação

Clique aqui e tenha acesso à nossa programação, dias e horários. A Nova Semente produz diversos programas para que você possa viver uma experiência real com Deus. Caso não tenha possibilidade de nos visitar acesse nossos vídeos e podcasts em nosso site no menu canais, ou em nosso canal do youtube, clique: novasemente/youtube. Assista ao vivo em nosso site, sábados (11h50 e 18h30), clique: novasemente/tv.

20
jul

De Segunda a Segunda

Comunicação

Sábado, 22/07, às 9h30 e 12h estreia, DE SEGUNDA A SEGUNDA, nova série do programa Comunidade. Através desta série vamos nos Inspirar a desenvolver a comunhão com Deus de forma extremamente prática na rotina diária através do estudo da Bíblia, da oração, da vivência em comunidade e da fidelidade total a Deus. Clique aqui e saiba mais.

20
jul

O Código Sagrado

Comunicação

Série de estudos inédita, baseada na história do êxodo hebreu: o ponto de partida do desenvolvimento de toda teologia jucaico-cristã. Se você quer entender a Bíblia e o propósito da sua existência e o porque existe o cristianismo, é fundamental conhecer as narrativas do livro do Êxodo.. Clique aqui e saiba mais

 

20
jul

Eu sou seu pai, Luke

Marco Aurélio Brasil

“Eu quero ficar boa logo para poder voltar a trabalhar. O mundo está muito doente” – nos dizia a psicóloga Edna Fernandes depois de contar sua história de superação do segundo câncer no programa Consultório de Família da TV Novo Tempo, na última terça-feira.

O mundo está muito doente. Para Erwin W. Lutzer, uma das razões para isso está na quantidade crescente de crianças criadas sem a presença paterna nas últimas décadas. “De acordo com um estudo de longo prazo feito na Universidade de Harvard”, escreve ele, “as crianças que puderam desfrutar de um relacionamento equilibrado com o pai durante a infância tornaram-se mais amáveis, desenvolveram relacionamentos melhores e foram mais felizes no casamento”. E olhe que seu livro Por que pessoas boas fazem coisas más? foi escrito em 2001, portanto com estatísticas 15 anos defasadas, mas já então o número de crianças que moravam sem os pais nos EUA chegava a 40%.
Para acomodar as coisas a gente tem ouvido a repetição incessante de que está tudo bem, mas… amigo, o mundo está doente.
O número de pessoas com sérias questões não resolvidas com a figura do pai é obviamente muito maior do que 40%. Possivelmente um dos elementos que guindou a série Star Wars à posição inigualável de objeto cultural icônico que ela goza seja a relação pai e filho de Luke Skywalker e Darth Vader. Antes de descobrir que o vilão Vader é seu pai, Luke tem uma espécie de visão em que luta com ele e ganha, mas descobre com horror que o rosto por dentro da máscara era o seu próprio. Existe uma carga simbólica profunda ali, com que milhões de pessoas têm se identificado talvez sem nem perceber.
No livro O Abraço de Deus, M. Lloyd Erickson afirma que a relação que temos com o nosso pai biológico afeta diretamente a ideia que fazemos de Deus. Talvez por isso a figura paterna é evocada por Deus na Bíblia nada menos que 1.180 vezes, contra apenas 324 à figura materna.
Tudo isso apenas reforça dois pontos: 1. precisamos mais do que nunca ser fieis ao 5o mandamento. Se não aprendermos a perdoar e honrar nosso pai, estamos abreviando nossa vida na terra, estamos nos negando desenvolver uma relação mais sólida e saudável com Deus, estamos nos furtando a agir em serviço a esse mundo tão doente, já que doentes permanecemos nós também. E 2. Se você é pai, a responsabilidade é grande. “De fato”, escreve Lutzer, “Deus julgará os pais, punindo-os ou recompensando-os com base na maneira como criaram seus filhos”. Nem sempre a decisão de permanecer ao lado dos filhos, na mesma casa que eles, é totalmente nossa, mas a noção da alta responsabilidade que está sobre nossos ombros deveria dosar nosso egoísmo latente e nos ajudar a ser uma imitação de Deus para eles.
O Pai nos ajudará nisso, se tão somente tivermos coragem.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 14/07/2017

19
jul

Não Esconda Deus

Gelson de Almeida Jr.

Certo comerciante, à medida em que enriquecia foi abandonando sua fé. Um amigo seu, preocupado com seu distanciamento do Eterno, fez- lhe uma visita. Colocando uma folha sobre o balcão perguntou-lhe se conseguia ler o que estava escrito nela. O homem disse que conseguia ler claramente e que estava escrito “DEUS”. Colocando uma moeda sobre a palavra pediu-lhe que lesse novamente, o homem disse que não conseguia, pois a moeda escondia “DEUS”. Bem sério, mas com muito amor, o amigo disse-lhe que assim como a moeda escondera a palavra Deus o dinheiro havia escondido Deus de sua vida e convidou-o a voltar aos caminhos do Pai.

Não foi sem razão que o Eterno colocou, como primeiro mandamento do Decálogo, a proibição de colocarmos qualquer coisa entre Ele e nós. Nossas transgressões fazem separação entre nós e o Eterno (Isaías 59:2).  Não existe transgressão (pecado) que não oblitere nossa visão do Eterno e de tudo o que faz por nós. Por mais que achemos que algumas coisas que o Eterno pediu que não fizéssemos são inofensivas, toda transgressão nos afasta do Eterno e de Suas promessas.

Não tenho a menor ideia de como anda sua relação com o Eterno, mas, pecador como todos somos, com certeza você tem alguma coisa que esteja atrapalhando sua relação com Ele. Em seu caso, o que está colocado entre você e o Eterno, o que está cobrindo “DEUS”? Há alguma coisa que tem feito você se distanciar dEle e se desviar de Seus caminhos? Tem você andado em seus próprios caminhos que, por mais que pareçam perfeitos, são caminhos de morte (Provérbios 14:12)?

Acredite, não existe nada que seja bom o suficiente para ficar entre nós e o Pai. Qualquer coisa que se interponha entre o Eterno e nós será danosa e nos trará prejuízo eterno.

18
jul

Bem aventurados, parte 1- os senhores pobres de espírito

Marco Aurélio Brasil

“Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus”.

O cidadão do Reino:

Caminhando pelo corredor que conduzia à contabilidade, Vânia tentava colocar em ordem a confusão de sentimentos que se digladiavam no seu peito. Ao cruzar a porta estaria cara a cara com aquela que, agora ela sabia, havia pelo menos dois meses espalhava um monte de boatos absurdos sobre sua conduta moral e que fôra, no frigir dos ovos, a responsável por ela ter sido preterida na promoção à gerência.

Tinha ensaiado o que diria a ela, seu sangue fervia, mas a dois passos de abrir a porta da contabilidade notou que a situação ia muito além do que podia administrar. A alternativa “amai os inimigos”
impôs-se, criando um nó em sua garganta e revelando sua incapacidade de agir como deveria. Passou reto pela porta da contabilidade e entrou às pressas no banheiro. Encostou-se à parede sentindo o azulejo frio nas costas, baixou a cabeça e, chorando, suplicou em oração “aquele mesmo sentimento, que houve em Cristo Jesus”.

Depois de longos sete minutos e meio naquela posição, respirou fundo, pisou de novo o corredor e abriu a porta da contabilidade para fazer o impossível.

O reverso:

Impecável, como sempre, no terno italiano, ele passeia os olhos pelo círculo formado à sua volta. Esses homens, esses homens gargalhando de sua última piada, jogando a cabeça para trás, olhando para ele com favor, dizendo com o corpo todo que ele era o tipo de pessoa que eles gostariam de ser. Ele sorve o momento. Não é novidade. Na verdade, já foi mais prazeiroso, ele gostaria de ter doses mais cavalares de glória e reconhecimento, mas sempre é bom. Ele olha esses homens, ele sabe que está no centro, sob os holofotes, no exato lugar em que todos gostariam de estar.

Súbito, seus olhos encontram sua própria imagem no espelho ao fundo do salão e uma pergunta cruel de uma única palavra inocula em si um sentimento novo, o medo. A pergunta é: “será?”

* * * * * * * * * *

“Quatro pessoas: o jovem rico, Sara, Pedro e Paulo. Uma curiosa teia liga os quatro: seus nomes. 

Os três últimos tiveram seus nomes mudados: Sarai para Sara, Simão para Pedro, Saulo para Paulo. Mas o primeiro, o jovem rico, nunca é citado pelo nome.

Talvez seja essa a explicação mais clara da primeira bem-aventurança. Quem procura fazer seu próprio nome, fica sem nome. Mas os que invocam o nome de Jesus – e somente o seu amor – recebem novos nomes e, mais do que isso, recebem uma nova vida.”
Max Lucado, O aplauso do Céu, United Press, p. 55.

14
jul

A Porta Está Aberta

Gelson de Almeida Jr.

Certa jovem, filha única de uma abastada família, que recebera a melhor educação possível, decidiu sair de casa à procura de algo que preenchesse o vazio de sua vida. Por mais que os pais implorassem para que ficasse ela saiu de casa, nada mais a satisfazia ali. Conheceu os melhores, mas também os mais abjetos lugares e afundou-se numa vida de depravação e vício. Certo dia encontrou um amigo de infância que, assim como ela, tivera as melhores oportunidades na vida e desperdiçara todas. O jovem não era nem sombra do formoso rapaz que conhecera e se esquivou do contato com ele. O rapaz disse-lhe que sabia de sua deplorável situação, mas que ela não deveria se sentir superior, pois estava em situação idêntica.

Caindo em si a jovem decidiu voltar para casa. Quando chegou viu a porta entreaberta e uma lamparina acesa na sala. Entrou cuidadosamente, mas deu de cara com sua mãe. A jovem disse apenas que entrara porque a porta estava aberta, disse ainda de seu arrependimento e que queria ouvir, só mais uma vez, a voz da mãe. Abraçando-a a mãe disse que ali era seu lar, que desde que ela se fora nunca mais a porta fora fechada e sempre havia uma luz acesa para que ela soubesse que era bem-vinda de volta.

Ao pecar demos as costas ao Pai e à Sua casa, mas Ele nunca desistiu de nós. Ele sabe que aqui não é nosso lar e, para que conseguíssemos chegar em casa, enviou o Filho, que é e o Caminho para a salvação (João 14:6), a Luz para não errarmos o caminho (João 68:12) e a Porta por onde conseguiremos entrar para a salvação (João 10:9). Não tem como errar e Ele não rejeitará ninguém que vá até Ele (João 6:37). Creia, por melhor que seja a vida aqui existe algo muito melhor nos esperando na casa do Pai, aqui não é nosso lugar, nossa pátria é a celeste. Volte para casa, a porta está aberta.

13
jul

Gente como a gente

Marco Aurélio Brasil

A história da ditadura brasileira, quando escrita pelos ditadores, nunca traz o termo ditadura. Fala em “revolução”, termo muito mais simpático, que evoca Robespierre, Danton e Marat. A história soviética, contada pelos soviéticos, pinta Lênin e Stalin como santos e heróis. Os filmes de guerra americanos mostram, em geral, os americanos como agentes da liberdade e dos valores mais nobres da civilização, os mocinhos da história. E por aí você entende meu estranhamento ao ler o relato dos discípulos de Jesus pintados por eles mesmos.

Tomé, segundo Caravaggio

O Novo Testamento é incrivelmente honesto quanto à grandeza (ou falta de) de seus protagonistas, o que é incrível se considerarmos que foram eles mesmos quem o escreveram. São pessoas tridimensionais, com falhas e lacunas gritantes. O único discípulo ao qual é atribuído algo que se possa chamar de uma virtude é Natanael, de quem Jesus diz que era um “israelita em quem não há dolo” (João 1:47). Não ter dolo é uma coisa boa, mas imagine os professores de Educação Moral e Cívica dos anos 70 sendo orientados a contar aos alunos que “Costa e Silva era uma pessoa sem dolo” e só isso. Nenhum elogio adicional, nada.

Os evangelhos, portanto, são uma aula magnífica sobre como tratar com pessoas sem grandes virtudes. Jesus demonstra o tipo de relacionamento capaz de transformar discípulos erráticos em apóstolos intrépidos. Temos uma aula sobre como tratar com os arrogantes (Pedro), como tratar com os pecadores contumazes (Mateus), como tratar com os estourados (João e Tiago), como tratar com os fanáticos políticos (Simão, o zelote). Mas meu preferido nessa lista é Jesus ensinando como tratar com pessoas como eu. E sim, estou falando de Tomé.
Tomé passa praticamente em branco durante todos os evangelhos. Em três anos e meio de caminhadas com Jesus, Tomé não fez absolutamente nada de muito relevante para merecer ser registrado em algum dos quatro evangelhos. Mas quando Tomé chegou no cenáculo naquele domingo de ressurreição e viu a excitação frenética de seus companheiros, o que ele demonstrou não foi uma descrença covarde, mas a coragem de confessar sua descrença. Ele se recusou a entrar no clima de festa enquanto seu coração não admitia a possibilidade de festa. Foi essa descrença que possibilitou sair de seus lábios, mais tarde, uma das frases mais fantásticas registradas por um ser humano nos evangelhos: “Senhor meu, e Deus meu!” Jesus me ensinou como tratar com a descrença honesta. Ele Se aproximou com amor e se ofereceu para ser tocado por Tomé, quando outro líder qualquer teria censurado sua falta daquilo que Jesus mais precisava que eles tivessem: fé.
Estranho, portanto, que nós, em teoria seguidores de Jesus Cristo, tenhamos uma reação tão diferente à descrença. Nós desestimulamos a confissão da falta de fé, mesmo vendo no episódio de Tomé que essa honestidade intelectual é muitas vezes o trampolim para o louvor mais genuíno. Jesus Cristo mostrou como transformar a dúvida em culto. É convivendo junto com essas pessoas e deixando que elas vejam e toquem as evidências de nossa própria ressurreição.
Acho que se eu confessar minha absoluta falta de grandes virtudes inatas, poderei ser conduzido a prestar culto genuíno. E poderei agir com os outros como Jesus agiu.

1 2