Monthly Archive: junho 2017

30
jun

Misericórdia

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que uma mãe foi até Napoleão Bonaparte afim de clamar por misericórdia para seu filho, que acabara de ser condenado à morte. O imperador afirmou que, sendo reincidente, merecia a pena capital, a mãe retruca dizendo  que não queria justiça, queria misericórdia. Napoleão diz que ele não merecia misericórdia, gentilmente a mãe diz que se ele merecesse, não seria misericórdia. Napoleão, finalmente diz que o jovem teria a misericórdia aplicada em seu caso.

Muitos acham que, por alguns “bons atos” praticados, são dignos de misericórdia por parte do Pai, esquecem-se de que, Ele mesmo afirma que nossos bons atos não passam de trapos imundos (Isaías 64:6). Como pecadores que somos, não merecemos nada além da morte (Romanos 6:23a), mas, pela misericórdia divina, receberemos, gratuitamente, a vida eterna.

Em se tratando de salvação, misericórdia, graça, favor imerecido, clemência ou outro qualquer termo correlato, é tudo a mesma coisa. É o Eterno nos tratando de um modo que não merecemos. Disse alguém certa vez que misericórdia divina é Cristo pagando o preço (morte) dos meus pecados e nós recebendo a recompensa a que Ele tinha direito.

Nascemos e vivemos como fruto da misericórdia divina, cada situação do dia a dia, onde somos vitoriosos, também é fruto da misericórdia divina, ou seja, tudo o que temos e somos é fruto dessa misericórdia. Deste modo, não nos resta outra alternativa a não ser agradecer continuamente ao Pai por tão grandiosa dádiva e viver à altura de todo esse modo maravilhoso como somos tratados. Por que não aproveita e, agora mesmo, eleve uma prece de gratidão ao Eterno por aquilo que você é e por tudo que você tem e ainda terá, afinal, a única coisa que podemos dar-Lhe é a nossa gratidão.

28
jun

Cansou, pegue uma carona!

Gelson de Almeida Jr.

Anos atrás, quando o acesso a bicicletas com marchas era muito restrito, inúmeras vezes vi garotos pedalando ladeira acima quase que sem forças para terminar o trajeto, até que aparecia um caminhão ou um ônibus e, sem pensar duas vezes, agarravam na lateral do veículo ladeira acima. Era interessante ver o sorriso de alívio e alegria quando chegavam ao alto da rua.

Nos evangelhos encontramos uma grande quantidade de homens e mulheres que estavam a subir a “ladeira” de sua vida quase sem forças, prestes a desanimar, até encontrarem o Salvador, que lhes deu uma “carona” ladeira acima. Desânimo, desesperança, tristeza, pesar, dor, nada resistia à presença do Salvador, a vida triste e sem sentido tinha um novo colorido, um novo sentido, Cristo operara a mudança.

As bodas de Caná, Marta e Maria, a mulher com fluxo sanguíneo, Jairo, a viúva de Naim, Bartimeu, o paralítico junto ao tanque de Betesda e o endemoninhado de Gadara são apenas alguns exemplos de situações onde a presença e atuação do Salvador mudou completamente o rumo das coisas. Mesmo para aqueles que achavam que a vida estava boa e tranquila, como Zaqueu, as coisas melhoraram.

O Homem que deu novo sentido à vida de seus contemporâneos quer fazer o mesmo na sua. Não importa o problema pelo qual esteja passando, não importa o tipo de vida que tenha ou a situação em que se encontre Ele pode mudar a sua sorte. Ele pode, e quer dar, um novo sentido à sua vida. Neste exato instante Sua mão está estendida em sua direção, apenas confie e pegue-a. A promessa é clara, o seu fardo se tornará leve e o seu jugo suave (Mateus 11:28-30).

27
jun

Baratos

Marco Aurélio Brasil

Nesse tempo de informação abundante em que vivemos é difícil acreditar na bondade latente do ser humano. De tempos em tempos somos colocados cara a cara com fatos que nos lembram o quão bárbaros e sórdidos podemos ser.

Certa vez participei de um evento promovido pela Polícia Federal em que palestraram diversos policiais especializados em investigar crimes cibernéticos de várias partes do mundo e eu fiquei admirado de ver que na boca de todos eles a prioridade número um de combate é pedofilia. Fiquei sabendo que o crime organizado tem movimentado milhões através de complexas redes de pornografia infantil e que isso está em absolutamente todo lugar.

Eu já sabia bem que pessoas são capazes de fazer qualquer tipo de coisa por dinheiro. O que me deixou pasmo foi descobrir que há um enorme mercado para esse tipo de produto aviltante, atentatório
contra as noções mais básicas de humanidade. Que tipo que aplica seu dinheiro em fotos e filmes em que crianças são abusadas?

Na TV Cultura de São Paulo uma especialista dava um diagnóstico da origem da atração do adolescente por drogas que me pareceu preciso: crescemos ouvindo dizer que para nossa vida ter sentido precisamos estar constantemente sentindo “baratos” (como o da droga). Sexo, uma cerveja gelada, um carro, uma viagem, uma vitória do time, um hamburguer delicioso, um filme cheio de efeitos especiais extasiantes, uma música arrebatadora ou com uma batida primal. A lista não tem fim, assim como a necessidade que temos de experimentar sensações (cada vez mais) fortes. Como o adesivo para pára-brisas metido a espirituoso que eu vejo por aí: “não fumo, não bebo, não transo… morri”.

Sob esse prisma parece absolutamente lógico que pessoas fruto dessa cultura se considerem justificados por seguir seus impulsos animais, mesmo que eles impliquem em destruir para sempre a vida de seres humanos indefesos, como é o que acaba acontecendo com as vítimas da pedofilia (quando elas não são mortas, claro).

Jesus Cristo apresenta uma porta estreita, um caminho difícil, uma subida que mais parece escalada. Esse caminho não será constituído de “baratos”, embora eles existam. Esse tipo de “barato”, contudo, demanda um certo requintamento para poder ser aproveitado. Lembro que meses após parar de comer carne, descobri um prazer que eu nem suspeitava em uma boa salada e então percebi que meu paladar havia se refinado.

Descobrir a graça sutil e extremamente prazeirosa de uma amizade saudável ou de um lar sólido e harmonioso é igualmente difícil para quem está acostumado a encontrar o “barato” no barulho e na
adrenalina, apenas.

A verdade é que se não descobrimos isso, se não optamos pelo caminho em que o “barato” emocional falta boa parte do tempo, se não pisamos a estrada que às vezes parece silenciosa e solitária, vamos fatalmente justificar atos injustificáveis. Como os desprezíveis pedófilos. E eu não quero semelhança nenhuma com essa gente.

23
jun

Perdoado

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que durante o Império Romano um jovem foi julgado e condenado à morte por crime de traição. Assim que a sentença foi proferida seu irmão mais velho, conhecido por haver dedicado anos de sua vida defendendo a pátria, se levanta e pede a palavra. Erguendo os cotos dos braços mostra o resultado de defender a pátria contra seus inimigos. Reconhecendo a culpa do irmão pede que seja perdoado, pede que ele não receba o merecido castigo pelos crimes cometidos, mas que fosse levado em consideração tudo o que ele fizera pela pátria e o irmão fosse perdoado. Conseguiu o perdão do irmão.

Paulo afirma que o salário do pecado é a morte, mas completa dizendo que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus o nosso Senhor (Romanos 6:23). É muito bom sabermos que, como filhos do Eterno, temos um irmão mais velho que se ofereceu para morrer em nosso lugar, Alguém que passou por todo o tipo de tentação, mas sem pecado (Hebreus 4:15).

Assim como aquele homem foi o advogado de defesa do irmão e, pelo que havia feito, conseguiu que a pena de morte fosse retirada, Cristo, nosso irmão mais velho, diariamente se apresenta diante do Eterno, o Juiz de todas coisas, mostra Suas mãos ainda com as marcas dos cravos e pede que sejamos perdoados.

Que “irmão” maravilhoso temos nós! Pagou o preço, a morte que nos era devida, ao morrer no Calvário e a recompensa, fruto de Sua obediência, foi passada a nós. Não sei como você fará, mas confesso que a Eternidade será insuficiente para que eu Lhe agradeça tamanha benção. Se você é grato por tudo que Ele fez e faz por você diga-Lhe o quanto O ama e viva à altura desse amor.

22
jun

Vida!

Marco Aurélio Brasil

Quem valoriza mais a vida? O cristão que prefere perdê-la numa fogueira a abdicar a fé ou aquele que se aferra a ela de forma resiliente? Para Oscar Wilde, só os superficiais não julgam pelas aparências, mas isso é mais espirituoso que verdade. As aparências enganam.

A Bíblia está repleta de interjeições de espanto pela vida como esta: “Eu te louvarei porque de um modo assombroso e tão maravilhoso fui feito” (Salmo 139:14), e, quando você pasma com o fato de existir, a consequência lógica é adorar ao Criador, como fez o salmista. Ou, como se lê em outro trecho, “Temam a Deus lhe deem glória, e adorem aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas!” (Apocalipse 14:7). Ora, acostumados a lidar com líderes que desejam ser adorados como deuses, a gente tende a desconfiar um pouco do Deus que parece exigir adoração.

Mas o fato é que se você se admira com a complexidade da estrutura de seus ossos, de sua pele, de seu pulmão, olhos e sistema digestivo, se você se espanta com o fato de poder raciocinar na beleza e no mistério profundo disso tudo, se você se dá conta de que cada inspiração e expiração das milhares que dá a cada dia é nada menos que um milagre que o acaso não poderia explicar, se você perde o fôlego ao admirar a grandeza do Universo, você passa naturalmente a pagar o preço da existência, que é a adoração ao Criador.

Diferentemente dos reis da terra, Deus merece ser adorado.
Quem não pode senão deixar de ver as digitais de um Criador espetacular na sua própria existência e O adora com espírito e verdade começa a considerar sua vida com muito mais seriedade. A Bíblia inteira e suas evidências exteriores, como a complexidade da vida, gritam o tempo todo: “com a vida não se brinca!!”

E é por não brincar com a vida e reconhecer que ela integra algo bem maior que ela mesma que os cristãos estão dispostos a perdê-la agora momentaneamente para estar nela sempre e sempre. É por se reconhecer valiosos demais por serem objeto de um amor tão absurdo que eles estão dispostos a se rebaixar e servir. As aparências enganam.

Portanto, pior do que perder a vida é a manter negando-lhe a sacralidade. Valorizar de fato a vida é não admitir que qualquer conveniência interfira na adoração que dela decorre tão naturalmente. É adorar em espírito e verdade sempre a Quem fez a terra, o céu, o mar e as fontes das águas.

21
jun

Corpus Christi

Gelson de Almeida Jr.

Semana passada comemorou-se o Dia de Corpus Christi. Sendo um feriado com “emenda”, muitos aproveitaram para colocar o descanso em dia, passear, viajar, etc., mas, qual é, verdadeiramente, o significado desse feriado?

Criado no século XVIII, por ordem do papa Urbano IV, é um dia onde se comemora a Eucaristia, cerimônia que tem a sua correlata nos meios evangélicos, a Santa Ceia, uma celebração que relembra a morte e a ressurreição de Cristo. Sendo essa a origem e a razão de ser do dia de Corpus Christi, faço uma pergunta, quanto tempo você gastou meditando no sacrifício de Cristo por você e na importância de Sua ressurreição durante o feriado, ou nos últimos dias?

A Palavra de Deus afirma que no momento exato o Eterno enviou Seu Filho, nascido de mulher (Gálatas 4:4), que Seu nome seria Jesus, pois nos salvaria dos nossos pecados (Mateus 1:21) e que Ele seria Deus conosco (Mateus 1:23). Qual a razão de tudo isto? Como pecadores estamos destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23) e o preço a ser pago pelo pecado é a morte (Romanos 6:23), mas, é maravilhoso saber que O Pai nos ama de tal maneira que enviou Seu Filho para que pagasse o preço do seu, do meu, dos nossos pecados (João 3:16).

Deste modo, nada mais justo que, diariamente, gastarmos tempo refletindo no sacrifício de Cristo por nós. Como o mundo seria diferente se fizéssemos isto! Mais até, se esse amor fosse o mote de nossa existência!

Com feriado ou não, torne todos os seus dias o dia de Corpus Christi, o dia de lembrar do que o Salvador fez e faz por nós. Dê um sentido diferente à sua vida e a daqueles que o rodeiam, medite nesse amor e ame os outros como seus irmãos em Cristo tratando-os como gostaria de ser tratado.

20
jun

Face a face

Marco Aurélio Brasil

No filme Forrest Gump, o amigo do personagem título, num momento de extrema melancolia, lhe pergunta:

– Forrest, você já encontrou Jesus?
– Eu não sabia que precisava procurar – foi a resposta.

A princípio, o simplório Forrest dá a impressão de ser alguém que reconhece a presença constante de Cristo ao nosso lado. Entretanto, a atitude dele é emblemática de uma enorme massa de pessoas que acredita em Deus mas não liga maior importância ao relacionamento com Ele. Sabem que Ele é onipresente e está por perto sempre, mas não acham que seja de maior importância o preocupar-se com encontrar-se com Ele. Eis aí uma bela prova de que é possível estar ao lado de alguém sem haver experimentado, de fato, um encontro com ele.

Você pode até já haver acumulado uma penca de conceitos teóricos sobre quem é Jesus (há duas semanas eu fiz aqui uma lista deles), mas já se encontrou com Ele? Este encontro, especificamente, não é do tipo que passaria ignorado. Não é do tipo que precisamos pensar muito para responder se já experimentamos ou não.

Existe em Isaías 6 uma demonstração bastante didática do que acontece quando nos encontramos com Deus, face a face. No verso 5 o profeta relata que sua primeira reação foi pensar que estava perdido, que seria fulminado já que tinha “lábios impuros” e morava em meio a um povo que tinha esse mesmo defeito. Ora, pessoas que jamais se encontraram com Jesus dificilmente se preocupam com pureza ou impureza de seus lábios. A gente fala aquilo do que está cheio o coração e no formato que o mesmo coração pede. A primeira consequência após ter sido colocado face a face com Deus é, portanto, a de perceber, possivelmente pela primeira vez na vida, quem realmente somos.

A escuridão é mais espessa logo após intensa luz, e o silêncio é mais pesado se depois de muito barulho. A baixa estatura de alguém é realçada quando chega perto de alguém muito alto e o desempenho de um mau atleta aparece especialmente pífio lado a lado com o de um campeão. É, pois, pelo contraste da nossa natureza com a de Cristo que somos apresentados a nós mesmos. Olhando para Ele, descobrimos nossa pequenez e ficamos aflitos, porque a sensação de conforto e acomodação são repentinamente roubados do nosso peito. De repente não
somos as maravilhas que nos convencíamos que éramos.

Na sequência do texto vemos a cena mais comum da História: Deus tomando a iniciativa de resolver o problema. Isaías teve os lábios – a fonte do que entendia ser o seu problema – tocados por brasas. Imagino que antes disso Isaías tenha ficado especialmente angustiado com o fato de haver fogo ali, mas a boa notícia era que o fogo não estava lá para queimá-lo pelos seus pecados, mas para purificá-lo deles. Deus transformou o Isaías que ele era sem saber até então no Isaías que Ele gostaria que fosse, e em seguida lhe deu uma missão.

É isso o que acontece quando encontramos a Cristo nos caminhos dessa vida. Percebemos o que somos e só aí estamos aptos a experimentar uma transformação que nos leve a ser muito mais do que pensávamos que éramos, estando, assim, prontos para cumprir nosso papel no palco dessa guerra.

Precisamos buscar a Cristo, sim, buscar encontrá-lO de verdade. Precisamos fazer isso enquanto Ele se pode achar.

15
jun

Inteligência artificial

Marco Aurélio Brasil

E depois da impressionante revolução causada pelo advento da sociedade da informação, o pânico apocalíptico tem a ver com o advento da revolução da inteligência artificial. Dizem que minha profissão (sou advogado) será uma das primeiras a sofrer um enorme baque, já que uma inteligência artificial conectada à Internet poderá fazer um trabalho muito mais rápido e preciso que qualquer advogado. Da mesma forma muitas outras ocupações tradicionais estariam em xeque, nem a medicina fica de fora. E, para muito além da simples perda de empregos, teme-se o que algo praticamente onisciente pode fazer sem o elemento humanidade a conduzir suas ações.

Grandes e boas ficções científicas têm a inteligência artificial como um vilão sinistro do futuro. Em “Exterminador do Futuro”, “2001 — Uma odisseia no espaço”, “Alien, o 8o passageiro”, “Neuromancer”, “Ex-Machina” e tantas obras importantes da cultura recente, a inteligência artificial é um grande vilão, seja porque se convence de que a humanidade faz mal ao planeta, seja porque tem uma visão muito pragmática do valor (ou falta de) de uma vida humana.

A pergunta que me faço honestamente é: a inteligência artificial é mais temível do que a inteligência natural? Existe algo na nossa humanidade que nos faz menos temíveis que uma inteligência sem esse algo?

Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis afirma que “o homem, ainda a engraxar botas, é sublime”, e é verdade. Contudo, não se pode fechar os olhos para o gigantesco lado obscuro da humanidade. Em um dos mais memoráveis diálogos de “Irmãos Karamázovi”, os personagens de Tolstoi estão enumerando casos de atrocidades medonhas, crimes de guerra, atos de crueldade coletiva absurdos, quando um deles conclui: “Penso que, se o diabo não existe, e por conseguinte foi criado pelo homem, este deve tê-lo feito à sua imagem e semelhança”. Davi parecia concordar com isso. Quando ele convocou um censo militar em Israel e isso desagradou a Deus, entre ser derrotado por seus inimigos e sofrer uma praga, ele prefere a praga, explicando mais ou menos assim: “qualquer coisa, menos cair nas mãos dos homens”.

É que o que há de sublime no homem, Machado, meu querido, foi emprestado por Aquele à imagem e semelhança de Quem ele foi criado. E esse algo parece estar cada dia mais fraco. Honestamente, tenho razões de sobra pra descrer que uma inteligência desumana seja mais temível do que tem se mostrado a inteligência humana.

A Bíblia diz que há algo de podre no reino dos homens (sim, mesmo nos homens da Dinamarca!). Temos razões históricas suficientes para desconfiar dessa humanidade que tememos se esvair. Se formos honestos por um minuto, teremos iguais razões para chegar à mesma conclusão olhando para nossa experiência pessoal, para nossas próprias escolhas e para nossa agenda mais oculta. E quando concluo assim, não estou advogando em favor da inteligência artificial, mas da humanidade humilhada perante seu Criador suplicando: “toma as rédeas, Pai, porque se eu comandar os meus caminhos eles poderão dar em destruição e morte”.

Duvide da pessoa no espelho. Confie na Pessoa na cruz.

13
jun

Quem é esse Homem afinal?

Marco Aurélio Brasil

O esquálido com aspecto sofredor e impotente do crucifixo, o sujeito de aspecto sereno e sorridente das gravuras, um tipo cheio de caras, bocas e trejeitos de mão retratado no cinema, um nome que funciona como interjeição para as situações mais diversas. Ou então um espírito evoluído, um grande mestre, um sujeito iluminado, um mero agitador social. Milhões de pessoas, se confrontadas com a dúvida, perguntariam: quem é Jesus Cristo, afinal de contas?

A boa notícia é que ninguém precisa ser ignorante a esse respeito. Basta ler. Ele é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. É, em suas próprias palavras, “o bom pastor. O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas” (João 1:29 e 10:11). Quer saber quem é Jesus Cristo? É nosso substituto, toma sobre si a morte que é nossa pra que nós tenhamos a vida que é dEle, vida em abundância (João 10:10). É meu substituto pessoal, mas é muito mais.

Ele diz que quando eu estiver cansado, posso ir até Ele e encontrar alívio (Mateus 11:28). Jesus é a melhor e mais eficaz terapia que existe, ideal para um mundo cansado, estressado, louco, com casamentos em frangalhos, relações degradadas, assédios morais e exercícios torpes de poder. Mas é muito mais.

No verso seguinte eu descubro que posso aprender a ser manso como Ele. Jesus é a garantia de que posso ser aquilo que não sou e nem nunca seria não fosse pelo contato com Ele. É a garantia de que minhas limitações genéticas, do meio em que vivo e as acariciadas por mim ao longo dos anos não precisam me aprisionar para sempre. Jesus é isso tudo. Mas é muito mais. Ele me diz que é caminho, verdade e vida (João 14:6), de modo que não preciso ceder ao apelo fácil do relativismo desse tempo, em que nada é totalmente preto ou totalmente branco. A verdade existe e sabê-lo é como estar agarrado a uma enorme boia em meio ao oceano flutuante. Jesus me dá equilíbrio mental quando me dá o Caminho a seguir, me permite não precisar viver a dar caneladas pelas pedras das trilhas tortuosas e escuras que os homens inventam. É caminho e verdade, mas muito mais.

Jesus disse que sequer o limite que parecia definitivo, a morte, não há de ser definitivo sob Sua mão. “Quem crê em Mim, ainda que morra viverá” (João 11:25). Jesus é a saída para o beco sem saída da morte. Ele me proporciona experimentar por onde quer que eu ande uma iguaria raríssima, que o mundo desconhece e que atende pelo nome de esperança. Jesus é esperança, mas é muito mais.

“A minha paz vos dou” (João 14:27). Quem mais poderia me dar o mais precioso de todos os bens? A fortaleza interior quando a borrasca bate? Quem mais me permitiria manter a sanidade e a tranqüilidade quando alguém que eu amo agoniza ou quando os ventos desta vida carregam o que armazenei? Quem mais me permitiria não desmoronar ao ouvir uma notícia soturna de um médico? Quem seria capaz de me dar paz, senão Cristo?

A verdade é que Ele é isso tudo, mas é mais ainda. Dificilmente, mesmo colando esses diversos 3×4 de Cristo, poderíamos ter um quadro completo do que Ele é. Mas podemos saber o que é esse mais ainda, porque Ele está à distância de uma prece. Sendo experimentado, Cristo vai-Se revelar sempre mais e mais. É trabalho para uma vida inteira, então o que estamos esperando?

09
jun

Por que se preocupar?

Gelson de Almeida Jr.

Gosto muito de esportes e, sempre que possível, acompanho disputas de diversas modalidades. Lembro de como fiquei tenso ao assistir uma partida de futebol em que estava em jogo o título mundial. Terminado o jogo fiquei aliviado, o time para o qual estava torcendo havia se tornado campeão. Hoje, anos após esse dia, posso ver o mesmo jogo, ou lances dele, sem sentir a emoção e ansiedade que senti no momento da disputa. A razão é simples, já sei o resultado e isto me acalma.

Durante Seu ministério Cristo enfrentou situações onde pessoas aflitas o procuravam afim de obter solução para problemas, humanamente falando, insolúveis. Por pior que fosse a situação, mesmo quando Seu melhor amigo faleceu, o Mestre nunca perdeu a calma, Ele sabia o resultado final, e sempre era muito bom.

Diariamente nos deparamos com situações que nos trazem ansiedade, preocupação, temor, e até desespero, sentimentos oriundos da nossa impotência diante dos fatos e da incapacidade de saber como tudo se resolverá, mas não precisa ser assim, Cristo nos convida a trocar de fardo com Ele, deixando o pesado em Suas mãos e tomando o Seu, que é leve (Mateus 11:28-30).

Experimente fazer isso, você verá que sua vida será muito mais tranquila e feliz se aprender a depositar o fardo de sua vida nas mãos dAquele que sabe o fim desde o princípio (Isaías 46:10), que sabe o que falaremos antes de a palavra se formar em nossa boca (Salmo 139:4) e que nos ama com amor eterno (Jeremias 31:3). Deixe-O tomar conta da situação, Ele nunca passou susto ou sobressalto, Ele sabe como tudo acabará. A vida pode nos trazer sobressaltos, mas Cristo nos devolve a paz, a paz verdadeira (João 14:27).

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