Monthly Archive: abril 2017

29
abr

Raízes e Frutos

Cristo ao entregar sua vida pela humanidade, limpou-nos definitivamente do pecado e ato contínuo nos proporcionou o caminho que leva à salvação, consequentemente, à vida eterna. Nesse ínterim, que compreende reconhecermos o sacrifício, aceitá-lo e alcançarmos a salvação, somos chamados a produzir frutos. Caso contrário, seremos arrancados e lançados fora.

Se pensarmos nossas vidas como árvores, a seiva que nos alimenta e faz crescer é a Palavra. Por ela crescem frondosos os nossos galhos e raízes. Pela Palavra aprendemos os mandamentos e, através deles, convertidos e conduzidos pelo Espírito Santo, produzimos frutos.

Em tempos de desequilíbrio e violência, é fácil nos contaminarmos com julgamentos e ira. O Brasil e o mundo têm apresentado situações intoleráveis de corrupção e injustiça que facilmente contaminam o coração. E aqui importa ressaltar – contamina tão somente àquele que não tenha seus pés fincados à Rocha – vale dizer, em Cristo e nos valores e mandamentos ensinados por ele.

Por ocasião de sua carta aos efésios, o apóstolo Paulo apresentou o seguinte ensinamento contido no Salmo 4 – “Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha e não deem lugar ao diabo”.

Somente somos contaminados se nos encontramos imaturos, faltando-nos suficiente apoio recebido pela Palavra, pela oração e pela entrega incondicional ao Espírito de Deus que nos transforma. É como a árvore que possui galhos longos, mas uma raiz curta. Aqueles em dado momento lhe serão pesados e ela por certo tombará.

Diante das corrupções de toda sorte deste mundo de orgulhos, a quem compete o julgamento efetivo, podendo fazê-lo com verdadeira justiça? Ao Eterno, tão somente. A nós, nos é devido cumprir os mandamentos e guardar a fé em Jesus, para que tenhamos direito à árvore da vida. Ainda em face dos desequilíbrios humanos, se nos cabe lançar mão da lei dos homens – e muitas vezes é justo que o façamos –, que ela seja buscada e aplicada com amor, afinal, o que diz o mandamento, senão – amai-vos uns aos outros, amai os vossos inimigos e por eles orai.

Para alcançarmos tal desiderato, guardando-nos da contaminação do mundo, necessitamos do conhecimento das escrituras, mediante o qual compreendemos efetivamente a necessidade de levarmos o nosso pensamento cativo a Cristo, rogando ao Pai, em nome do Justo, que nos purifique o coração e a mente, livrando-nos do mal.

Eterno, damos graça por sua infinita bondade. Que possamos crescer com o mandamento. Que nossos galhos possam crescer frondosos e bonitos, com raízes fortes e profundas. E que possamos dar bons frutos, pois, do contrário seremos arrancados. Para tanto, que cada um de nós compreenda quão imprescindível seja o esvaziar-se, para que o Espírito Santo habite em seu interior.

Sadi – O Peregrino da Palavra

27
abr

O Deus superadimplente

Marco Aurélio Brasil

Existe essa passagem de Gênesis que só entendi recentemente e que até então me soava muito estranha. Está no capítulo 15, quando Deus aparece a Abrão dizendo que daria Canaã de presente à sua posteridade e Abraão pergunta como poderia ter certeza disso. Na sequência, Deus pede que Abrão tome alguns animais (apenas animais que posteriormente integrariam o sistema sacrifical do santuário de Israel). Abrão obedece. Ele mata os animais e depois os corta ao meio. Passa o resto do dia inteiro espantando os abutres que queriam se banquetear com os animais mortos até que no crepúsculo ele cai num sono estranho e apavorante. Nesse momento Deus prediz a Abrão que sua descendência seria escrava no Egito, mas quando o tempo de misericórdia dado aos amorreus de Canaã se cumprisse, eles voltariam e tomariam aquela terra. Nesse momento já é noite e então uma tocha de fogo passa por entre os animais partidos.

Essa tocha de fogo é bem semelhante àquela que andava entre os anjos da porta do Éden, àquela coluna de fogo que se via sobre o arraial do Israel do Êxodo e à que aparecia sobre os querubins do propiciatório da arca da aliança. Era, portanto, claramente uma expressão da presença divina. É Deus Quem está andando por entre aqueles animais mortos.

Bem, o que descobri recentemente é que no Oriente antigo, quando duas pessoas estabeleciam uma aliança, elas partiam um animal e andavam pelo meio dele. A expressão para “fazer uma aliança” significa literalmente “cortar uma aliança”. O simbolismo daquilo é: estou assumindo uma obrigação com você; se eu não a cumprir, que aconteça comigo o que aconteceu com esse animal. Na sequência, lemos: “Naquele dia, Iahweh estabeleceu uma aliança com Abrão” (verso 18). Abrão só precisou ter paciência para ver.
O que me constrange nessa história é que Deus cumpriu fielmente Sua parte da aliança estabelecida com Abrão. Quem merecia ser despedaçado era Israel, apenas. E mesmo assim Ele se entregou para ser partido por aquele povo e por todos os povos que aquele povo deveria ter abençoado. O que me constrange é esse amor sobrenatural.
Moral da história: a parte dEle Ele cumpre. E a sua também, se você deixar.

26
abr

O Encontro – Parte I

Gelson de Almeida Jr.

Inicio hoje uma série de reflexões, tiradas do texto bíblico, sobre indivíduos que tiveram um encontro com o Mestre. O encontro de hoje, entre o jovem rico e Cristo, está relatado em Mateus 19:16-22.

Apresentando-se com ar de humildade, chama Cristo de Bom Mestre, durante a breve conversa e ao final do encontro, mostrou-se nada humilde, pelo contrário, arrogante, presunçoso e amante de coisas, ao invés de pessoas.

Dirigindo-se a Cristo pergunta o que deveria fazer para herdar a vida eterna, ouve o Mestre ordenar que guarde os mandamentos, sorri satisfeito, em sua concepção, era fiel cumpridor de todos eles. Cristo, após dizer que lhe faltava apenas uma coisa para que herdasse a vida eterna, mexe com aquilo que estava oculto, aquilo que talvez ninguém visse. Ordena-lhe que entregue seus tesouros aos pobres e o siga. Ele foi embora muito triste, tinha muitas riquezas, não trocou-as pela vida eterna.

Como ele, muitos tem seu encontro com o Doador da Vida, mas, riquezas materiais, um emprego vantajoso, ou algo parecido, impedem que sigam o Mestre. Como o jovem, acham que por guardar uma série de preceitos/mandamentos, tem a vida eterna garantida. Alguns até frequentam os principais cultos da igreja e fazem algum trabalho por lá, mas quando descobrem que para prosseguir no caminho rumo à eternidade terão que abrir mão de alguma coisa no plano material, ficam frustrados. Não era bem isto que imaginavam ser a vida de um cristão. Paulo afirmou que o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males e que esse comportamento tem feito com que alguns virem as costas para Deus (Efésios 6:10 – BV).

O Eterno não precisa de bens materiais, tudo é dEle (Salmo 24:1), mas, quando pede algo, está apenas a testar a espécie de fé que possuímos. O jovem rico teve seu encontro e foi reprovado no teste, perdeu a eternidade. Não proceda como ele, entregue seu coração ao Pai, dedique-se a Ele, torne-O o primeiro, o melhor e o último em sua vida e a vida eterna será sua.

25
abr

O aroma do Céu

Marco Aurélio Brasil

Quem quer perfeição? Minha esposa, que é enfermeira, narrou a conversa que ouviu no hospital certa vez: uma médica queixava-se a um colega de ter que fazer determinada tarefa, ao que ele respondeu que, se ela não fizesse, não iria para o Céu. Ela, então, retrucou dizendo que isso seria ótimo, porque o Céu devia ser muito chato.

No filme Matrix, a realidade seria uma ilusão criada por um imenso computador, e essa “realidade irreal” seria propositadamente imperfeita, porque seres humanos não conseguiriam viver bem em um ambiente perfeito. Como Ulisses, vestido de vestes riquíssimas, comendo a comida dos deuses em uma ilha paradisíaca e dividindo a cama com a belíssima deusa Calipso, mas sempre suspirando por sair dali.

Seríamos mesmo incompatíveis com a perfeição? Haveria algum gene em nossa formação que nos poria ao avesso do paraíso? Seríamos fadados a tentar achar uma felicidade fugaz, relativa, dolorida e esquálida por entre um universo entrópico, por entre a sujeira, a incompletude, a solidão, a dor e a fome? Ao pararmos para lembrar dos momentos de gozo passados, parece que somos forçados a concluir com Vinícius de Morais: tristeza não tem fim, felicidade sim, porque mesmo a mais doce felicidade acaba passando, acaba enjoando, acaba perdendo a força.

Pois bem, acontece que Deus é amor. Está lá (I João 4:8), é a definição mais exata do que Ele é. A coisa interessante a respeito de ser amor é que tudo aquilo que quem é amor faz acaba sendo amor também. É impossível para quem é essencialmente amor fazer desamor. Amor é mais que uma virtude, faz parte do núcleo do ser, é princípio, ele dita os atos. Logo, a realidade sonhada por Deus é exatamente aquele estado de enlevo que a gente flagra de quando em quando em pessoas muito apaixonadas, só que eternamente. O Céu não pode ser chato, na medida em que foi pensado pela encarnação do amor! Quem amou, sabe.

Experimentando esse tipo distinto de gozo, calcado na esperança do amor continuado, do amor sem fim, temos o privilégio de conhecer já aqui um tipo de alegria incomum. Podemos experimentar paz, podemos respirar o ar do Céu, que faz com que a lógica se inverta: tristeza tem fim, a felicidade genuína não.

O Céu só é chato para quem não sentiu o seu aroma já aqui.

21
abr

Faça-se a Tua Vontade

Gelson de Almeida Jr.

Anteontem escrevi nesse Blog sobre aqueles que fazem suas petições ao Pai sem saberem ao certo o que desejam. Ainda nessa linha quero falar sobre aqueles que sabem o que querem, mas querem as coisas do seu jeito.

Um monge, necessitando de óleo, plantou uma muda de oliveira. Pediu ao Pai chuvas brandas para que as tenras raízes da planta fossem regadas, a chuva veio. Depois orou pedindo sol, o sol brilhou em meio às escuras nuvens. A seguir pediu neve, pois a planta precisava se fortalecer, veio a neve, mas à noite a planta estava morta.

Desconsolado, foi ao quarto de outro monge e relatou sua triste experiência ao irmão de fé. O outro disse que também plantara uma pequena árvore, mas que ela estava muito viçosa e ele quis saber o segredo, “Orei ao Pai, mas, ao invés de ficar pedindo isto ou aquilo, disse-Lhe que confiava plenamente nEle e que queria que Ele cuidasse da planta do modo que achasse melhor”.

Muitos elevam sua prece ao Eterno, mas fazem como o primeiro monge, ao invés de pedir que o Pai faça a Sua vontade pedem o que acham ser o melhor. O Pr. Kleber Gonçalves tem uma frase que acho muito apropriada neste instante: “Cuidado com o que você pede a Deus, vai que Ele concede e você não vai gostar do resultado”. Muitas vezes o Eterno tenta cumprir Sua vontade em nossa vida, mas, insistimos tanto em que as coisas sejam feitas do nosso modo, que Ele nos atende o pedido, apenas para vermos, lá adiante, o erro que foi não deixar que agisse à Sua maneira.

É importante saber o que realmente queremos do Pai, mas, muito mais importante ainda, é deixarmos que a Sua vontade seja feita. Ore, peça, mas deixe-O agir livremente.

20
abr

O reino do ruído

Marco Aurélio Brasil

Todo dia quando entramos no carro ou chegamos em casa do trabalho repetimos inconscientemente essa frase: isso aqui está silencioso demais pro meu gosto. A primeira atitude qual é? Ligar o aparelho de som ou a televisão. Queremos espantar o silêncio, queremos barulho. Assim como ao mocinho do filme, o silêncio nos parece mau agouro.

Faz parte do nosso mundo. O silêncio tornou-se artigo em extinção, indesejado. Para alguns por imaginarem que se não há nada ligado está-se perdendo tempo, há informação demais a ser recebida e qualquer instante é precioso. Para a maioria, contudo, o silêncio não é bem vindo por uma razão mais profunda: é que é no silêncio que se ouve a voz de Deus.

O silêncio nos faz pensar, nos faz meditar um pouco em nossa situação pessoal e não há nada que apavore mais ao homem moderno. Uma boa prova disso é o tipo de diversão predileta da juventude. Luzes frenéticas dançando num ambiente escuro e um som ensurdecedor batendo estaca, marcando o ritmo como se fosse um ritual tribal, e fumaça, claro, muita fumaça. Ali é impossível alguém parar para pensar na vida, para refletir no que está fazendo, no curso que está dando à sua vida, pensar na sua própria solidão, no seu desajustamento. A ideia é colocar todo mundo para fora de si mesmos, catárticos, frenéticos, dopados de uma forma ou de outra.

Por outro lado, cresce o mercado da meditação transcendental e da yoga, práticas eminentemente silenciosas e reflexivas. Ali, contudo, a voz de Deus é abafada por um princípio equivocado: a pessoa é convidada a conhecer-se para encontrar o deus que há lá dentro. O meditador busca dentro de si próprio a fagulha divina, e não ouvir a voz de Deus falando dentro de si. Notou a diferença? Ninguém vai ouvir a voz de Deus buscando as respostas na sua própria natureza. De um jeito ou de outro, tapamos os ouvidos para quem tem as palavras certas.

É preciso desesperadamente brecar a correria, desplugar o mundo insano em que vivemos e deixar a voz de Deus falar sem opor apartes, sem tecer observações, sem protestos, ainda que ela principie por nos mostrar como somos solitários, como somos incompletos, como somos egoístas, porque na seqüência Ele vai dizer é como resolver o problema, como Ele de fato já resolveu o problema. É preciso cultivar o encontro.

É preciso treinar os ouvidos a anular a cacofonia estressante da rotina e saber identificar a voz de Deus. Desesperadamente. Que tal agora?

19
abr

O que você quer?

Gelson de Almeida Jr.

Com certeza você já esteve diante de alguém que veio lhe pedir algo e, após um tempo interminável, você não sabia qual era realmente o pedido da pessoa. Sentiu vontade, ou falou algo do tipo: “Mas o que você realmente quer? ” Situação muito parecida com a de muitos quando fazem suas orações. Falam, falam e falam e depois ficam a se perguntar a razão da demora do Pai em responder. Não foram específicos…

Certa feita, ao sair de Jericó, Cristo encontrou um cego mendigando à porta da cidade. Quando o homem ouviu que era Jesus que se aproximava começou a gritar a plenos pulmões para que o Mestre o ajudasse. Cristo parou e mandou que o chamassem, assim que o homem estava diante dEle fez apenas uma pergunta: “O que queres que te faça? ”, sem pestanejar o homem disse: “Mestre, eu quero ver”. Para uma pergunta simples, uma resposta simples, foi curado e passou a enxergar.

Tiago afirma que muitos não recebem nada porque não pedem a Deus e, quando pedem, pedem errado (4:2 e 3). Portanto, na próxima vez em que se dirigir ao Pai, antes de pedir qualquer coisa, imagine que Ele está lhe perguntando: O que queres que te faça? Seja direto, objetivo e peça sem medo. O apóstolo Paulo diz que devemos ser intrépidos e confiantes ao nos dirigir ao Pai (Hebreus 10:22). Vá direto ao ponto e confie, o Eterno dará muito mais do que você pode imaginar ou desejar.

18
abr

Está pago

Marco Aurélio Brasil

Olha, amigo, os dias são maus.

A corrupção que já era velha conhecida agora está nua e rindo da sua cara, deixando claro que ninguém está fora do esquema e que você pode esperar mais estagnação em um país cada vez mais miserável. A “mãe de todas as bombas” está em uso, assim como armas químicas sobre crianças e gente boa. Os líderes das nações mais poderosas fazem exercícios de guerra como crianças cuspindo no chão e desafiando umas às outras a dar mais um passo. A violência está na esquina, afiando suas lâminas, obrigando você a viver em sobressalto. Os casamentos em frangalhos, os filhos ameaçados por quem os deveria proteger e escorar. E no meio de todo o caos o espelho fica nos dizendo que não somos o que deveríamos e quereríamos ser.

 Você tem inúmeras razões para se desencantar de tudo, mas eu preciso lhe dizer que numa sexta-feira de páscoa como essa que acaba de passar, numa páscoa perdida no tempo, Aquele homem na cruz exclamou TETELESTAI!
Tetelestai, que traduzimos como “está consumado”, significa “está pago!” É o que se escrevia nos registros de dívida quando eram quitadas. É o que você exclamaria ao pagar o último boleto daquele carnê interminável.
O que você fez e deixou de fazer, as idiotices megalomaníacas de Trump e Putin, o cinismo e a imoralidade de Aécios, Renans, Lulas, Temers, Alckmins, Jucás e Padilhas, o que fizeram o goleiro Bruno, os Nardoni, as barbáries do estado islâmico e Hitler. Tetelestai.
Claro, cada uma dessas pessoas precisa manifestar a aceitação do pagamento para que ele passe a valer, mas o pagamento foi plenamente suficiente para valer para 100% da raça humana.
Ah, se tão somente a gente aceitasse o fato para viver a vida nova no caminho novo que Ele abriu!
O tetelestai de Cristo não me deixa jogar a toalha. Me convida a descansar na graça estranha. E, em meio à barbárie, à canalhice e à violência, a celebrar o Deus que me salvou.

14
abr

Felizes os Mansos

Gelson de Almeida Jr.

Sobre minha mesa tenho os nomes de sete alunos cuja família deverá ser convocada para que tome ciência de ações praticadas pelos mesmos. Um deles fez um comentário ofensivo no grupo de WhatsApp da turma, outro revidou com um comentário pior, em questão de minutos haviam se envolvido numa discussão ferrenha, chegando ao ponto de ameaças à integridade física de terceiros. Tentando se explicar diziam: O fulano começou. Disse-lhes que, tivessem eles ficado em silêncio e tudo teria se resolvido de forma tranquila.

Atitude muito diferente da de Cristo quando estava diante de seus acusadores. Após uma enxurrada de perguntas e acusações, que espantaram o próprio Pilatos, o que realmente impressionou o tribuno foi a atitude do Mestre, silêncio absoluto, não emitiu uma única palavra (Marcos 15:4 e 5). Aquele que criara a Terra com o poder de Sua palavra, que, com um leve gesto, poderia ter destruído a todos, e que era absolutamente inocente, não falou nada. Mostrou que a mansidão, por ele pregada no sermão do monte, não era para ser falada ou defendida, era para ser praticada.

Quantos há que, no plano espiritual, se acham fortes, quase invencíveis, mas são facilmente derrotados no quesito “temperamento”.  Os alunos perderam a condição de inocentes no instante em que deixaram a mansidão de lado e partiram para o ataque. Perderemos a condição de inocente, a possibilidade da intervenção divina plena e, por que não dizer, a eternidade, se deixarmos de lado a mansidão. Saber ouvir e silenciar são as regras de ouro da mansidão e mansidão é condição sine qua non para herdarmos a eternidade.

13
abr

Procura-se líderes

Marco Aurélio Brasil

O desencanto é generalizado. As convocações para manifestações nas ruas atraem uma fração ínfima do número de pessoas que atraíam há até pouco tempo. As pessoas não enxergam mais perspectivas de que as coisas venham a ser como deveriam e isso denota o vácuo da liderança. Não apenas o Brasil, o mundo está ávido por um líder a quem seguir.

Salomão, o sábio, dá essa dica valiosa: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e mesmo quando for idoso não se desviará dele”  (Provérbios 22:6). Gosto dessa tradução de Almeida, que fala do método de ensino. Gente mostrando o caminho não falta. Gente mostrando NO caminho… ah, isso é bem mais raro. Ensinar no caminho implica andar junto, estar disposto a ser exemplo. Ensinar no caminho significa não temer ser a pessoa que se sabe a criança deva ser.
Transportando o mesmo paradigma para a relação líder/liderado, a sede mundial por um líder pode ter muito a ver com a aparente inaptidão do homem do século XXI para a coerência, para a firmeza de valores e propósitos, para pagar o preço da integridade nem que isso represente um sacrifício pessoal qualquer.
Imagine a cena da história do jovem rico, da Bíblia. Se você olhar bem, verá que há ali dois jovens ricos, e não apenas um. Um deles pergunta ao outro o que fazer para ser salvo e a resposta envolve sacrifício. O que perguntou jamais poderia dizer que o caminho que lhe estava sendo proposto era impossível de ser palmilhado, porque o outro era infinitamente mais rico que ele e, no entanto, esvaziou-se, diminui-se, abdicou a tudo para estar ali falando com ele. Quando Jesus fala “vai, vende tudo o que tem e dá aos pobres”, Ele estava simplesmente dizendo “faça como eu fiz”.
Faltam líderes assim. Faltam pais assim. O mundo está ávido por ver isso em você.
Que Deus o ajude a transportar essas palavras para sua experiência pessoal da forma mais adequada, de modo que uma luz brilhe nessa escuridão.

1 2