Monthly Archive: fevereiro 2017

28
fev

Coisas que os evangelhos me dizem

Marco Aurélio Brasil

Você nunca leu a Bíblia? Você até já tentou, mas nunca conseguiu? Os primeiros livros lhe parecem enfadonhos e estranhos demais? Ora, comece pelos evangelhos.

Os quatro primeiros livros do chamado novo testamento, que narram, sob óticas distintas, a vida de Jesus, especialmente os eventos mais marcantes daqueles três anos e meio em que Ele desenvolveu Seu ministério público, são de fato muito mais palatáveis que boa parte da Bíblia. Entretanto, nem mesmo eles garantem que o leitor atento vá estranhar algumas coisas.

Ele vai ver que Jesus cumpre uma antiga profecia que falava sobre uma criança que seria Emanuel, que quer dizer “Deus conosco”. Ele vai ver Jesus reivindicar em diversos momentos essa condição, de ser Deus entre os homens, de ser o velho conhecido dos hebreus, “Eu Sou”, encarnado. Está precisamente aí o primeiro ponto de estranhamento dos evangelhos: na nossa lógica, pessoas em um nível muito elevado jamais partilham a experiência dos desafortunados. No máximo uma Lady Di visita um hospital de mutilados de guerra, sorri para as fotos, abraça criancinhas e assina um cheque. Agora, ir lá, vestir a roupa deles, comer o pão deles, sentir o que eles sentem, entregar-se inteiramente e até a morte, isso sempre foi e sempre vai ser irrazoável para o ser humano médio.

Os evangelhos começam, portanto, nos apresentando um amor ilógico, um amor de proporções e objeto totalmente distintos do que possamos chamar razoável. O objeto somos nós, o amante é o Criador e Mantenedor da vida, o tamanho desse amor ainda não conheceu régua que o possa medir.

Mas o leitor atento vai estranhar outras coisas também. Vai estranhar o jeito como esse Deus Se relaciona com as pessoas, como dá atenção e favores a quem não pode retribuí-los, a quem as pessoas na verdade evitariam a todo custo. Vai estranhar Sua escala de prioridades, Seus valores, Suas idéias. Vai ficar intrigado com tamanha potencialidade incapaz do mínimo ato para beneficiar-Se a Si próprio.

Os evangelhos levam tudo bem além do que poderíamos fantasiar. Me mostram que aquele Deus que Se interessa por mim, que Se comunica comigo, que está no comando da minha vida e dos cursos deste mundo, ao qual fui apresentado em outros livros da Bíblia, devota um tal amor por mim que o faz tomar medidas desesperadas como aceitar diminuir-Se, privar-Se do que tinha de melhor, não desviar do escárnio e do cuspe, dos cravos, da lança e dos pecados que não cometeu. Mostram um Deus que Se faz vulnerável, loucura das loucuras! Mostra o Rei do Universo aceitando desconectar-Se da fonte da vida, anuindo com experimentar minha própria solidão, meu senso de desajustamento, minha angústia existencial. Faz o impensável para que eu não sinta mais nada disso.

Os evangelhos me dizem muitas, muitas coisas e nem poderia ser diferente, afinal, foram eles que me apresentaram ao meu melhor amigo! E à medida que fui tomando familiaridade com eles, que eles foram tomando parte indivisível do que sou, o que antes fora estranhamento aos poucos transmudou-se em outra coisa. Tornou-se maravilhamento.

Sempre tive dificuldades para lidar com declarações de amor e ainda bem que não ouvi tantas assim ao longo da vida, mas posso te garantir, nenhuma me deixou tão sem ação, sem palavras e gestos, do que a que li nos evangelhos. Me senti indigno e impotente, e, no meio de tanta confusão, o que fiz foi simplesmente sorrir por entre minhas lágrimas.

Os evangelhos me dizem que não precisa mais que isso. Ele sorri também. Louvado seja o nosso Salvador!

24
fev

Águia ou Galinha?

Gelson de Almeida Jr.

É atribuída a Leonardo Boff a história do camponês que pegou um filhote de águia na mata, levou-o para casa e criou junto às galinhas. Certo dia, um naturalista visitando-o viu a estranha cena, a agora águia adulta ciscava entre as galinhas. O camponês conta toda a história e termina dizendo que a águia virara uma galinha. O naturalista disse-lhe que isso era impossível, lá no fundo o instinto de águia prevalecia e ele iria provar isso.

Colocou o animal em um de seus braços, levantou-o o mais alto que pode e balançando-o disse ao animal: Você é uma águia, abra suas asas e voe. A águia olhou para as galinhas no chão, pulou do braço do homem e se juntou a elas. Com ar triunfante o camponês disse-lhe: A águia virou uma galinha. O homem não se deu por vencido e no dia seguinte repetiu o gesto, novamente a águia voltou para o chão.

No terceiro dia ele fez algo diferente, levou a águia para o alto de uma montanha, o sol nascente iluminava a região, repetiu o ritual, tremendo a águia não se moveu. Pegou então a cabeça do animal e fez com que seus olhos se fixassem no sol. Lentamente a águia abriu as asas, começou a batê-las, timidamente ergueu voo, para, instantes depois, desaparecer no firmamento, voltara a ser uma águia.

Criados à imagem e semelhança do Eterno, vivendo muitas vezes entre “galinhas”, esquecemos do propósito para o qual fomos criados. Andamos de cabeça baixa em nos contentamos em andar e ciscar no chão, mas não precisa ser assim. Se permitirmos que Aquele que mais nos conhece e entende nossa situação, Cristo, nos tire do chão, da zona de conforto, se dermos ouvidos à Sua voz, sempre a nos falar, nos animar e nos direcionar para algo melhor e, por fim, fixarmos nosso olhar na Luz, lembraremos quem somos e para o quê fomos criados. O inimigo quer que permaneçamos “galinha”, o Eterno quer que voltemos a ser águia.  Águia ou galinha, ao criá-lo o Eterno fez Sua escolha, mas a decisão final é sua

23
fev

Se você é homem mesmo…

Marco Aurélio Brasil

Ei, homens, levante a mão aí quem gostaria de ser Salomão. Inteligentão, riquíssimo e que tinha para seu deleite pessoal nada menos que o superlativo número de 700 mulheres e 300 concubinas (que apetite, não?). Então, quem queria ser o cara?

Curiosamente, quando Davi, seu pai, vai lhe dar conselhos às portas da morte, a primeira coisa que fala para Salomão é “esforça-te, pois, e seja homem” (I Reis 2:2). Davi não orientou seu filho a ser exatamente corajoso. Orientou a ser homem. Seja homem! Será que é porque Salomão era ainda muito jovem? Bem, ele tinha provavelmente 21 anos. Nem tão jovem assim.

Vamos ver se tu é macho mesmo

Tomar 1.000 mulheres para si é sem dúvida uma maneira de se mostrar homem. E, no entanto, o homem mais sábio do mundo logo se revelou um baita idiota. Se deixou enredar pelas suas mulheres, consentiu em construir altares aos deuses pagãos delas (uma postura bem moderna e de mente aberta) e foi lá sacrificar com elas. Para manter o fausto de sua corte, imitou as nações ao seu redor e escravizou a população estrangeira – esquecendo deliberadamente que seu povo havia sido escravo no Egito e fora libertado para ser uma benção a todas as nações, com uma religião superior, uma lei civil permeada de misericórdia e uma ética de tolerância sem par entre as nações de então. Mostrando harmonia com o espírito da classe política brasileira, aumentou a carga tributária até o teto. Ellen White comenta que, de tanto viver entre mulheres, Salomão passou a adotar trejeitos femininos.
Seguramente há um outro jeito de se mostrar homem. Muito macho.
“Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas” (I Timóteo 3:12). Uy. Isso não é muito sexy, né?
E esse aqui, então? “Vós, maridos, amai vossas mulheres”. Ok, tudo bem. Eu digo que amo pizza, amo filmes de ação, amo jogar futebol. Então de boa amar minha mulher. É, mas o verso continua dizendo que tipo de amor tem que ser: “… amai vossas mulheres como Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25).
Salomão, com toda sua sabedoria, foi um idiota, e você não precisa ser. Você precisa realmente ser homem. O maior gesto de masculinidade que você poderá fazer será amar uma só mulher e se entregar por ela. Será governar sua casa para que ela seja uma benção pra muita gente perdida neste mundo. Será honrar o seu Criador, aquele que pode, só ele, perpetuar (eternizar!) o amor. Portanto, esforça-te e seja homem!
Mulheres solteiras, procurem e orem por um homem de verdade. Mulheres casadas, orem pelos seus maridos para que entendam o que é ser homem como eu espero que minha esposa esteja fazendo.

22
fev

Uma bomba e uma garrafa

Gelson de Almeida Jr.

Um viajante, perdido em uma região desértica, quase a morrer de sede, encontra uma cabana desabitada. No quintal havia uma bomba d´água velha e enferrujada. Começou a bombear, mas não saiu uma só gota de água. Cansado, sentou-se ao lado da bomba, só então viu uma garrafa com água e um bilhete preso que dizia para despejar toda a água no reservatório da bomba para que ela estivesse pronta para funcionar. O bilhete dizia ainda para não esquecer de encher novamente a garrafa antes de partir.

Relutou entre matar a sede com aquela velha água e gastá-la toda na velha bomba, arriscando perder tudo, mas resolveu arriscar. Despejou toda a água, agarrou a manivela e começou a bombear. A velha bomba começou a ranger, o filete de água que começou a sair se transformou num pequeno fluxo e logo jorrou água em abundância. Tivesse o viajante tomado a água da garrafa sua sede seria parcialmente satisfeita, mas seguiu fielmente as instruções. Resultado, tomou água muito mais límpida e refrescante que poderia imaginar.

Como o sedento viajante, que ansiava por água fresca, esperamos bênçãos do Altíssimo, que diminuirão, quem sabe até acabarão com alguma situação desconfortável. Muitas vezes essas bênçãos vêm disfarçadas como a velha bomba e a água daquela garrafa. Se, ao invés de seguirmos Suas instruções, decidirmos fazer nossa vontade ou seguir nossos instintos, poderemos ter nossa situação melhorada, mas nunca completamente satisfeita. Só do Doador de toda boa dádiva e todo o dom perfeito (Tiago 1:17 NVI) pode nos conceder muito mais do que necessitamos ou pedimos.

Na próxima vez que pedir algo para o Eterno, e achar que não recebeu o que pediu, olhe ao seu redor, quem sabe existe uma velha bomba e uma garrafa com água e instruções. Fé e trabalho são essenciais para receber qualquer benção Sua. Vale a pena seguir as instruções do Pai.

21
fev

Vamos conversar?

Comunicação

Todos os sábados, às 15h, o momento para você compartilhar histórias de vida, sabedoria, conquistas, alegrias, perdas, dificuldades e encontrar soluções a partir da interação dessas experiências conosco. Você é nosso convidado.

Diálogos 15h

21
fev

Algumas coisas que Malaquias me diz

Marco Aurélio Brasil

Gosto de Malaquias porque ele é ao mesmo tempo um ótimo exemplo de livro dos profetas, com seus apelos ao arrependimento e lembranças do juízo, e um maravilhoso tratado teológico em miniatura, com diversos conceitos profundíssimos expostos em linguagem clara e direta.

Ele começa com uma declaração de amor. Deus usa o profeta para lembrar a Israel que entre todas as nações, ele foi o escolhido, sem qualquer mérito de sua parte. Depois desse lembrete importante, ele começa a fazer uma das grandes perguntas do livro e de todos os livros dos profetas em geral, uma pergunta que eu também ouço cada dia que recordo a enormidade do amor de que sou objeto: como você responde a uma grande declaração de amor? Ou: um amor assim tão ilimitado, tão rasgado, tão escancarado, tão puro e tão sacrificado te deixa indiferente?

Você tem um animal perfeito e sem mácula, mas na hora de sacrificar sacrifica o outro? Você despreza a mulher com quem se casou, tendo casos com outras? Você esquece de devolver o dízimo e jamais se lembra de trazer ofertas a Deus? Você tem uma posição de influência sobre alguém e exerce essa influência para afastá-lo de Deus? Será que esqueceu que um dia tudo isso há de vir a julgamento?

Malaquias nos faz saber os subterfúgios que Israel encontrava para fazer tudo isso sem corar, sem ficar envergonhado. É que eles costumavam dizer coisas como: não existem provas cabais do amor de Deus por nós; Deus foi embora, Ele não liga se o ímpio prospera e o justo sofre; servir a Deus é inútil, etc.. Enfim, o tipo de coisa que Satanás adora repetir e pela repetição convence um mundo.

O profeta diz qual é a solução para esta deplorável situação. No capítulo 3:3, diz que um dia Israel vai “trazer ofertas em justiça”, no dia em que ele for refinado como ouro pelo grande Refinador. No dia em que se submeter Àquele que tanto o ama. Ele fará a obra, Ele efetivará a mudança. “E eles serão meus, diz o Senhor dos exércitos; minha possessão particular naquele dia que preparei; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que o não serve” (versos 17 e 18).

Entre tantas outras coisas, Malaquias diz que o Senhor que jamais muda (3:6) há de eliminar o cinza deste mundo. Haverá apenas o branco e o preto, todo o Universo saberá quem O serve e quem, embora talvez da boca para fora o confesse, não O serve. Haverá um tempo, e eu acredito que não está longe, em que todo aquele que não ignorou a declaração de amor escrita sobre a cruz, a preço de sangue inocente, submetendo-se assim ao Refinador, e Ele o fará justo, e o mundo saberá.

Estar em um ou outro lado depende de nossa capacidade de responder ao Seu amor hoje. Ou vamos continuar repetindo os subterfúgios de Satanás e vivendo como se Deus não estive agora mesmo aqui, do nosso lado, olhando nos nossos olhos, louco de vontade de nos abraçar?

20
fev

# Aprendizados

O livro de Atos narra Felipe sendo orientado por um anjo a se aproximar de uma carruagem, onde se encontrava um importante oficial etíope voltando de Jerusalém, após de ter ido ao templo para adorar a Deus. Ao se aproximar, o ouviu lendo o livro de Isaías e lhe perguntou se entendia a mensagem. “Como posso entender se não há quem ensine”, respondeu. Convidado a subir na carruagem, Felipe anunciou-lhe as boas novas do reino.

Antes de seguir, quero comentar um desenho que assisti nestes dias. Um pai, logo pela manhã, arrumava a mochila de seu filho para juntos irem aos seus compromissos. Ele para o trabalho, o filho para a escola. O dia dos adultos era estafante. Da criança, ainda aprendendo a escrever, uma alegria. Colocado o papel de caligrafia à sua frente, o menino desenhava. Ao agir sempre da mesma forma, era repreendido pelo professor que exigia a lição refeita. Voltava a desenhar.

Leve, como qualquer pessoa que não sucumbiu às exigências estagnantes, ao reencontrar seu pai no fim do dia, mostrava-lhe o desenho. O pai olhava aquilo e se preocupava, acreditando que o filho não alcançaria meta alguma na vida, afinal o dia a dia das pessoas era pesado e formal.

Passados os dias, as reações do professor e do pai eram as mesmas. Diante de tanta incompreensão, o menino começou a ceder e a apresentar a caligrafia conforme o método. Sua vida foi ficando sem alegria, até o momento em que o pai reparou que o menino não era mais o mesmo. Ao remexer as folhas de caligrafia, percebeu que seu filho desenhava não qualquer desenho, mas dava às letras o formato de algo que encontrasse ao seu redor. Para a letra “D”, por exemplo, desenhava uma joaninha em pé.

Voltando à estrada de Jerusalém, o oficial etíope tinha à disposição doutores da lei ensinando no Pátio do Templo, contudo, homens que não compreenderam que o reino anunciado por Jesus era o esclarecimento do que há muito a lei refletia apenas parcialmente. Por isso, não leram Isaías como a profecia cumprida dias antes, no momento da crucificação.

Cumpre lembrar também, que Felipe, pouco antes da crucificação, ele próprio agiu como o pai e o professor daquele menino, pedindo a Jesus que lhe mostrasse o Eterno, assim como eles pediam à criança, a caligrafia correta, não enxergando o que estava diante de seus olhos.

Por certo que o menino deve aprender a escrever as letras como convém, mas são lições como estas que nos apontam sobre a perda ao se ensinar a essência sem ser capaz de reconhecer a resposta quando diante dela. Assim como Felipe só foi capaz de enxergar o Pai, e consequentemente o reino, depois de perceber a resposta transformadora de Jesus, assim o oficial etíope, tal qual o pai do menino, após compreenderem a clareza que estava efetivamente diante deles.

Queira Deus, aquele professor e os doutores da lei no Templo, possam também ter reconhecido a resposta correta.

Sadi – O Peregrino da Palavra

17
fev

Voe cada vez mais alto

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que após a Segunda Guerra Mundial um jovem piloto decidiu empreender uma viagem ao redor do planeta em seu frágil monomotor. Com pouco tempo de voo ouviu um barulho atrás do seu assento. Viu que era um rato, na hora imaginou o mal que ele poderia causar na lona de seu frágil avião. Pensou em voltar, mas perderia muito tempo e poderia comprometer a viagem.

Lembrou-se então de que os ratos não sobrevivem a grandes alturas. Decidiu então subir cada vez mais. À medida em que subia percebeu que os ruídos diminuíam, logo pararam por completo, o rato não sobrevivera. No alto das nuvens o pequeno roedor morrera e o perigo cessara.

Na vida espiritual muitas vezes ocorre o mesmo, um setor da aeronave de nossa vida fica desguarnecido e os “ratos” entram. Se voarmos baixo o mal estará bem próximo e o fim será iminente, mas, se alçarmos voos cada vez mais altos poderemos ter certeza de que o mal não sobreviverá. Não sobreviverá porque, quanto mais “subirmos” mais perto do Eterno estaremos e, quanto mais perto do Eterno estivermos, menores serão as chances de derrota ou fatalidade.

Por mais que cuidemos sempre teremos “ratos” em nossa “aeronave”, a única segurança está em voar cada vez mais alto e se aproximar mais e mais do Eterno e de Sua influência em nossa vida. Somente perto dEle é que o mal será derrotado.

16
fev

Uma palavra aos santos egoístas

Marco Aurélio Brasil

É muito comum cristãos associarem a ideia de santificação a estilo de vida.

“No cerne de todas as teorias equivocadas sobre o viver santificado”, escreve George Knight (Eu costumava ser perfeito, Unaspress, p. 49), “está a banalização da santidade, em que a vida justa é pulverizada em inúmeros blocos manejáveis de comportamento… Ela … faz com que alguns itens, como a reforma de saúde e o vestuário, sejam o foco da discussão sobre a vida cristã. Esse tipo de ‘santificação’ tem um excelente pedigree histórico. Ele estava no centro do judaísmo farisaico”.

E se um santo for algo mais parecido com isso do que com um engravatado?

O erro crucial dessa teologia enviesada, que joga a santificação para o futuro e restringe a justificação ao passado, é que ela é uma visão essencialmente egoísta da salvação. Se a santificação é simplesmente uma forma de tornar você uma pessoa melhor, ela é um fenômeno bastante individualista, concorda?

Jesus não permite que pensemos assim.

Como observou John Stott, na narrativa da conversão de Saulo, o até então perseguidor da igreja passa a ser chamado de “discípulo” (Atos 9:26), denotando que ele tinha uma nova relação com Deus, de “irmão” (Atos9:17), mostrando que o encontro com Jesus o conduzira a uma nova relação com a igreja, e “testemunha” (22:15), denotando que sua relação com o mundo também havia sido transformada.

Em Atos 9:15 Deus fala a Ananias que Saulo era “um vaso escolhido”, ou seja, ele havia sido separado para uma obra especial, exatamente o que significa a palavra santo.

O que estou tentando dizer (não sei se estou conseguindo) é que a santificação não é uma coisa que acontece dentro de você e morre aí. Não é um poder para parar de comer entre as refeições, uma dotação espiritual para você não gostar mais de forró, uma unção para você parar de ver pornografia na internet.

Ao contrário: santificação é algo que acontece em você em relação aos outros. A santificação, que começa no momento de sua conversão e, se você permite, se estende por cada dia de sua vida, é um processo operado pelo Espírito que faz com que você olhe para o outro de um jeito radicalmente diferente e cada vez mais diferente. Faz com que você se relacione com o outro de um jeito radicalmente diferente. Faz com que você foque nos interesses e necessidades do outro de um jeito radicalmente diferente.

Segundo I Pedro 1:2, nós somos santificados para a obediência a Jesus. Logo, obediência e santificação não são a mesma coisa, a santificação ajuda no processo de obediência a Jesus, o mesmo que nos mandou amar, perdoar 490 vezes, oferecer a outra face, ir e fazer discípulos. Ah, sim, é dessa obediência que estamos falando primeiro.

A outra, aquelas regrinhas todas, elas no máximo ajudam a completar a tarefa principal.

Cresçamos todos na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. Amém!

 

15
fev

Cristianismo Alegre

Gelson de Almeida Jr.

“Servi ao Senhor com alegria… (Salmo 100:2a ACR)


Certo feita perguntaram ao compositor austríaco Franz J. Haydn a razão de suas composições sacras serem tão alegres. Sem pestanejar ele respondeu:

Não posso fazê-las de outro modo. Quando penso em Deus e em Sua graça manifestada em Jesus Cristo, meu coração fica tão cheio de alegria que as notas parecem saltar e dançar da pena com o que escrevo. Já que Deus me tem dado um coração alegre, deve-me ser permitido servi-Lo com alegria.

Contrastando a isso existe a célebre história do pai e filho que, após o culto dominical, onde o pastor falara da postura do cristão, voltavam para casa na charrete da família. No meio da viagem ocorre o seguinte diálogo:

– Papai, o Jack deve ser um bom cristão, você não acha?

– Por que diz isso filho? Pergunta o assombrado pai.

– Por que ele nunca sorri.

Jack era o animal que puxava a charrete.

É triste ver que, como o garoto, m
uitos acham que Cristianismo é sinônimo de ser carrancudo, pior ainda, acham que ser iracundos, não achar graça em nada e criticar tudo também é sinônimo de Cristianismo. Deus é amor (I João 4:8) e Cristo veio mostrar-nos o caráter do Pai, como seus imitadores devemos agir como ele agiu, de forma amorosa, compassiva, amigável, polida, atenciosa e respeitando as diferenças.

Servir ao Senhor com alegria é muito mais que andar sorrindo por aí, é fazer com que nossas atitudes coloquem um sorriso no rosto de cada um que entrar em contato conosco.

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