Monthly Archive: outubro 2016

30
out

# Viver no Espírito

viver-no-espiritoO que fazer quando tudo o que você realiza não seja compreendido por quem esteja ao seu lado? Que seja bem compreendido, tudo o que viermos a fazer por alguém não deve ser realizado esperando retorno algum. Contudo, cumpre dizer, é difícil lidarmos com situações que se apresentem pelo diapasão da ingratidão ou da distorção de valores. Pior em uma relação como essa é quando a reação venha de quem se diga discípulo de Cristo. Não raro encontramos pessoas que, ainda que saibam da necessidade da transformação pelo Espírito de Deus, agem sem qualquer alinhamento à Palavra.

A transformação é uma necessidade para o revestimento da nova criatura. Só assim poderá de fato crescer espiritualmente. E esse crescimento passa pelo repensar a vida, os comportamentos, os conceitos, os pensamentos e os valores. Ninguém que passe por uma transformação pelo Espírito de Deus continuará a ser a mesma pessoa de antes, agindo em desalinho à Palavra do Eterno. Sede santos, como eu sou santo, ensinou-nos o Mestre.

Diante dessas dificuldades cumpre-nos estarmos preparados, vigiando o que pensar ou o que falar. Ou seja, também apresentarmos a real transformação em nossas vidas. Sem isso, é bastante complicado, ou mesmo impossível suportar com amor situações como essas. Só transformados podemos reagir de forma totalmente contrária como reagiria o mundo diante de ingratidões e transformação de valores. A isto se mostra o verdadeiro viver pelo Espírito.

É por essas e outras que o conselho do Mestre é tesouro para todo aquele que crê – Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Por isso tudo, que nós possamos alcançar nossa salvação agindo em alinhamento com o Espírito de Deus. Se estamos nele, encontramos equilíbrio que o mundo desconhece. Vivemos no Espírito e pelo Espírito. Se agimos por nós, afastando-nos dele por razões que a carne nos imponha defesas, a queda, a tristeza, o desequilíbrio serão uma realidade mais difícil de se viver do que propriamente a ofensa recebida.

Que a paz e a graça do Cristo revista a todos ao longo desta nova semana.

Sadi – O Peregrino da Palavra

27
out

Qual é a sua resposta?

Gelson de Almeida Jr.

“Dá-me, filho meu, o teu coração”.  Provérbios 23:26


dar-coracaoUma jovem, a quem a mãe sempre advertia para que aceitasse a Cristo como o seu Salvador pessoal, não suportando mais os constantes apelos da mãe, disse: “Um dia eu vou mãe, mas agora quero curtir minha juventude, quando estiver velha eu volto para a igreja”.

Tempos depois o pastor visitou a família e ouviu a história da mãe, acompanhada de um pedido para que fizesse alguma coisa. O pastor estava com uma xícara de café quando a jovem entrou na sala. Ele a cumprimentou e ofereceu-lhe a xícara com um “resto” da bebida no fundo dizendo: “Você pode beber o resto de café da minha xícara, pois eu não quero mais? ” Demonstrando uma certa revolta a jovem perguntou-lhe se não achava ser uma grosseria oferecer-lhe o resto do seu café.

O pastor disse que achava que sim, mas que seu objetivo não era ser grosseiro, mas fazê-la refletir se não estava fazendo o mesmo com Deus ao lhe oferecer o “resto” de sua vida. Acerca disto Salomão escreveu: “Não deixe o entusiasmo da mocidade fazer com que você esqueça o seu Criador. Honre a Deus enquanto você é jovem, antes que os dias maus cheguem, quando você não vai ter mais alegria de viver” (Eclesiastes 12:1 BV).

Dias atrás, uma jovem senhora me relatou sua experiência de conversão e a alegria de haver encontrado o Salvador. Como é bom ver pessoas que, com muito da vida pela frente, escolhem seguir o Mestre, escolhem dedicar sua vida a Ele!

O profeta Joel diz que o dia do Senhor está próximo, mas que há multidões no vale da decisão (3:14). Muitos acham que podem rejeitar o convite do Eterno, ou deixar a mais importante decisão de sua vida para depois, sem que isto lhes cause maiores problemas. Paulo aconselha que não deixemos o convite do Pai cair no vazio (Hebreus 3:7-8).

Neste exato instante o Espírito está a lhe convidar, qual será sua resposta?

26
out

Amigo da Onça

Gelson de Almeida Jr.

amigop73 anos atrás (23 de outubro de 1943), surgia, na revista O Cruzeiro, a charge de um personagem que se tornou muito conhecido em nosso país, o Amigo da Onça. Ao criar esse personagem o cartunista Péricles Andrade Maranhão jamais imaginara que o personagem irônico, satírico e crítico, viraria adjetivo para aqueles que, como amigos, são pouco ou nada confiáveis, pois colocam os amigos em situação constrangedora ou vexatória.

Por mais hilário que seja o personagem ninguém gosta de ser conhecido como “amigo da onça”, muito menos ser amigo de alguém que proceda como o personagem, mas, infelizmente, já nos deparamos com alguém assim ou já agimos como um. Salomão diz que aqueles que possuem muitos amigos sempre tem falsos amigos, mas que há amigos que são mais chegados que um irmão (Provérbios 18:24).

Num mundo dominado pelo pecado é praticamente impossível não se decepcionar com alguém, mas a Palavra de Deus afirma que há um amigo em quem se pode confiar plenamente, Cristo, pois Ele nos revelou toda a vontade do Pai e Cristo mesmo afirma que não fomos nós que o escolhemos, mas foi Ele quem nos escolheu (João 15:15 e 16).

Como é bom saber que, num mundo onde ódio, falsidade, mentira, orgulho, presunção, falta de caráter, hipocrisia são características tão comuns aos seres humanos, temos a certeza de que fomos escolhidos para uma relação de amizade verdadeira com Aquele que é o Criador de todas as coisas e o Redentor de nossa alma.

Não importa quanta dor, decepção ou tristeza as pessoas nos causem, o que importa é que temos um Amigo mais chegado que um irmão, Alguém que, verdadeiramente, quer o nosso melhor, pois nos ama de verdade. Alguém que nunca nos decepcionará.

25
out

Perseguindo aquela benção

Marco Aurélio Brasil

O livro de Rute não é nem de longe a história mais esquisita da Bíblia, mesmo assim fico pensando em por que ela está ali. Há algumas explicações possíveis. Uma delas é enxergar Rute como uma simples crônica daquele tempo dos juízes. Outra opção seria Rute servir para pontuar como uma estrangeira se tornou ascendente do grande rei Davi. Seria, portanto, uma história de graça e inclusão, temas não tão frequentes no Velho do Testamento, embora tenhamos histórias como a de Raabe e Jonas como exceções honrosas.

 E é claro que muita gente prefere ver em Rute uma história de amor. Boaz se casa com a estrangeira Rute e de quebra restitui a Noemi todas as propriedades que seu marido Elimeleque perdeu nos tempos de fome. E vivem felizes para sempre.

Bem, uma coisa é clara: Boaz era bem mais velho que Rute. Quando ela menciona a questão do resgate que parentes deveriam fazer, insinuando casamento, ele parece que até chora de gratidão de que ela tenha falado sobre isso com ele e não com alguém mais jovem. Só esse detalhe já arruína o conto de fadas que muita gente monta na cabeça ao recordar a história. O texto não refere nenhuma vez paixão ou amor, como na história de Isaque e Rebeca, por exemplo.

Além do objetivo principal, Rute me faz recordar que o casamento, possivelmente antes de ser um palco para o exercício do romantismo, é um palco para o exercício do serviço. Boaz supre as muitas necessidades de Rute. O felizes para sempre tem mais a ver com cuidar das necessidades emocionais e materiais do outro do que com violinos e luz de velas. Esse elemento está presente, claro, porque a necessidade disso para um ou ambos os cônjuges é frequente. Mas não é diária. De um modo geral, a mulher precisa ser ouvida com empatia diariamente, precisa se sentir protegida, sentir afeto e perceber apoio doméstico no seu companheiro, do mesmo jeito que o homem precisa se sentir respeitado, precisa de uma vida sexual regular (e não apenas na hora dos violinos e das velas) e precisa de companheirismo.

Você está insatisfeito com seu casamento? Bem, o Código Civil diz que ninguém pode exigir o cumprimento das obrigações de outra pessoa se suas obrigações para com ela não estiverem cumpridas. Acho que o princípio se aplica aqui também. A pergunta não é o que o outro está fazendo ou deixando de fazer, mas se você está atendendo a todas as necessidades do outro. Que muitas vezes a gente nem conhece.

Ter o suprimento mútuo das necessidades emocionais que um ser humano do outro sexo pode suprir e ainda ter paixão, romantismo e atração é uma das bençãos mais fantásticas. Boaz me lembrou de como é bom perseguir essa benção.

22
out

# Retende firme a palavra

retende-firme-a-palavraSempre ouvimos falar que crianças têm sido mal alfabetizadas, que a população brasileira não gosta de ler e que as universidades cada vez mais ensinam menos a pensar. A política, por exemplo. Muitos levantam brados em favor de palavras de ordem, no entanto, quando chamados ao debate para que exponham a compreensão profunda do que dizem ou do sistema que combatam, não conseguem responder com precisão nem a primeira pergunta que lhes seja feita.

Temos vivido tempos de mudanças que ao invés de enriquecerem, só empobrecem, afinal, está tudo nos computadores, no ciberespaço, e ali se pode buscar a informação a qualquer momento. Isso não é ruim, contudo, a perda da capacidade de pensar a partir de informações precisas e pontuais sobre determinado assunto, não raro tem sido a tônica. Para dar um exemplo, não são poucas as pessoas que se esqueceram ou desconheçam as regras de ortografia apenas por terem se acostumado às correções de texto em seus computadores. A falta do incentivo à leitura é a causa dessa perda inestimável. Da mesma forma, os que são incapazes de uma simples interpretação de texto.

E se a questão fosse o desaparecimento das escrituras pela imposição de uma nova ordem mundial, com uma religião única? O que fariam os cristãos se lhes fossem tiradas as escrituras? Quantos, de fato, as teriam estudado com afinco, se dedicando à sua plena compreensão, podendo inclusive citar seus versos de memória? Milhares se desesperariam se essa hipótese se concretizasse, e por diversos motivos. As escrituras apresentam não apenas a riqueza dos testemunhos, das promessas, dos acontecimentos futuros e seus sinais, mas a educação para que o homem se oriente neste mundo desequilibrado.

Tal como parte da humanidade se entrega à relativização da educação de base – afinal, por que estudar se está tudo na rede –, não raro a igreja de Cristo se entrega aos sermões de um sacerdote quando este lhe pareça confiável ou carismático, ou ainda, quando a palavra lançada seja de interesse pessoal. Poucos são os que agem pelo diapasão dos judeus de Beréia, que ao receberem a palavra de Paulo e Silas, conferiam-na diariamente nas escrituras para se certificarem que era mesmo assim o que ouviam.

Por não ser a conferência o ato corriqueiro da igreja de Cristo ao longo dos tempos, sobretudo na atualidade, que a nossa atitude e oração sejam no sentido de o homem crente no Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus de Israel, Ele que enviou o Messias, a quem aguardamos o retorno, posto que centro de toda a obra que nos conduz de volta ao Eterno, se debruçar na palavra e por ela aprender a viver pela fé, em oração, pelo espírito, retendo-a firmemente em seu interior, assim colocando em prática toda a fiel instrução, afinal ela é viva e eficaz, apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Sadi – O Peregrino da Palavra

21
out

Isto sim é Confiança!

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que em certa ocasião o cavalo de Napoleão Bonaparte se assustou e ameaçou sair em desabalada carreira. Um jovem soldado percebeu a situação, lançou-se sobre o animal, tomou as rédeas e dominou o animal. Napoleão, demonstrando gratidão diz ao soldado:

– Obrigado Capitão.

Sem pestanejar o jovem pergunta:  – De qual regimento?

Impressionado com a confiança do soldado, o imperador diz:

– Da minha guarda pessoal

O jovem, monta em seu cavalo e se desloca para onde estava a Guarda Imperial, lá chegando diz:

– Sou seu novo Capitão.

Perguntam-lhe por ordem de quem, ele aponta para o imperador e diz: – Dele. Em seguida assume seu novo posto.

confiancaQuando li o relato acima imediatamente me veio à mente a situação de cada um de nós antes e depois da morte redentora de Cristo. Até a morte do ‘Cordeiro que tira o pecado do mundo’ a única coisa que cada ser humano possuía era “ esperança”, mas, após Ele dar Sua vida em resgate de todos os pecadores, a situação mudou, deixamos de ter esperança e passamos a ter “certeza”.

Confiança deve ser a palavra chave para cada cristão, pois deixamos de ser pecadores destinados à morte e passamos a ter direito à vida eterna (Romanos 6:23). Os antes temerosos, receosos e sem esperança agora são convidados a se aproximar, de modo confiante, do trono da graça.

O soldado confiou e agiu segundo a palavra do imperador, foi promovido a Capitão; confie e aja segundo a Palavra do Rei do Universo e você será promovido a irmão do Unigênito, a filho do Pai celeste, mais ainda, terá a chance de reinar ao Seu lado (Apocalipse 22:5b). Você confia nisso?

19
out

A Oração de Dhomini

Gelson de Almeida Jr.

Dias atrás, recebi um vídeo feito por Dhomini, ganhador de um reality show em 2003, onde ele cita um episódio que mudou seu modo de ver a vida. No vídeo, feito meses atrás, ele relata do encontro que teve, em um vilarejo, com um pequeno indiozinho carajá (sic). O garoto lhe pediu dinheiro e disse que era para comprar balas, ele deu R$ 0,75 e viu o garoto entrar num supermercado. Ele entrou também e percebeu que o dono do lugar, acostumado a ver crianças como aquele garoto a mendigar, lhe deu as balas e não cobrou nada. Ao sair do supermercado o rapaz novamente viu o garoto de mãos estendidas, queria devolver o dinheiro, já que não o utilizara.

Ele diz ser esta a maior experiência de dignidade humana que teve em toda a sua vida. Afirma ainda que, após isto, todos os dias eleva uma oração a Deus que seria algo parecido com: “Deus, muito obrigado por ter chegado até aqui, obrigado porque o Senhor me deu tanto tempo de vida”, afirma ainda que se morrer não terá a menor queixa e finaliza sua oração dizendo: “(…) mas vou te falar uma coisa Deus, se você me deixar viver mais um dia eu vou fazer esse dia valer a pena” (grifo acrescentado).

sol-de-papelEssa última parte da oração chamou muito a minha atenção e me fez pensar no que tenho feito em meu dia a dia. Quantas vezes tenho agido sem me preocupar se aquela atitude realmente fará meu dia valer a pena! Escrevendo aos crentes de Corinto Paulo disse: “Assim, quer vocês comam, quer vocês bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10:31).

Disse alguém que a diferença entre dias bons e dias ruins é a nossa atitude. Portanto, faça seu dia valer a pena. Fazer o dia valer a pena é viver de tal modo que a vontade do Pai seja a sua, que os pensamentos do Pai sejam os seus, que os desejos do Pai sejam os seus, que você cuide dos filhos do Pai como se fossem seus, enfim que faça apenas aquilo que o Pai faria se estivesse em seu lugar.

16
out

# Palavras que nutrem

palavras-que-nutremSe você tivesse que comer suas palavras, elas o nutririam ou o envenenariam? Para bem responder a esta pergunta, com real justiça à verdade, permita-se estar consciente do peso de cada palavra que pronuncia. Se seu coração está alinhado ao do Cristo, haverá de se lembrar da passagem do evangelho de Mateus em que ele mesmo, o Mestre, aconselha que se bem considere toda a palavra dita, afinal, haverá um dia em que os homens darão conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Considere que pelas palavras que houver dito, será absolvido ou condenado.

Se por ventura pense como boas as suas considerações, sem avaliar de fato se suas palavras afetam vidas ao seu redor, ou a você mesmo, não tomando ao Cristo como o teu diapasão, que se considere então pelos frutos de uma árvore. Ainda assim deverá contemplar a verdade para julgar com retidão. Entende que a árvore boa não pode dar um fruto ruim, e da mesma forma uma árvore ruim dar bons frutos? A boca, segundo Jesus, fala do que está cheio o coração. Eis a realidade das palavras que nutrem ou envenenam o interior do homem e o seu redor. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más.

Compreende ao menos que se tuas palavras te nutrem e não te envenenam, é porque nelas há amor? Afinal, como, sem amor, poderia amar a si mesmo? Como, sem amar a si mesmo, poderia amar ao seu próximo? O Mestre, conhecendo os pensamentos humanos, disse que todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. Quanto mais o homem, pequena porção, se lhe faltar o amor.

Antes de dizer algo, que possa te nutrir ou envenenar, lembre-se do que por fim disse o Cristo, posto que o céu e a terra passarão, mas as palavras dele permanecerão. A Palavra que ele pronunciou, esta nutre e permanecerá, porque ela é a Verdade, o Caminho e a Vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

14
out

Gratidão X Reconhecimento

Gelson de Almeida Jr.

“Nenhum dever é mais importante que a gratidão” Cícero


obrigado-iiDias atrás, lendo um artigo sobre Gestão de Capital Humano, me deparei com uma história que já conhecia, a do Capitão Charles Plumb, piloto de combate da Força Aérea norte americana, abatido na Guerra do Vietnã e que ficou preso durante seis anos antes de voltar aos EUA. Em seu retorno, se dedicou a fazer palestras. Certo dia, quando estava em um restaurante, um homem se aproximou e disse:

– Olá, você é Charles Plumb, não é mesmo? Você foi derrubado no Vietnã, mas pelo visto tudo deu certo.

Intrigado com a pergunta feita por aquele homem, cuja fisionomia era familiar, Plumb, perguntou de onde o homem o conhecia.

– Eu era o marinheiro que dobrava seu paraquedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?

– Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje. Muito obrigado.

Naquela noite Plumb ficou a pensar em quantas vezes passara por aquele homem no porta aviões e sequer lhe dera um “Bom dia”! Ele um piloto arrogante e o homem um simples marinheiro, mas que diferença fizera em sua vida!

A partir desse dia, Plumb sempre iniciou suas palestras com a pergunta: Quem dobrou seu paraquedas hoje?

Diariamente pessoas cruzam o nosso caminho, pessoas que muitas vezes nem percebemos, mas que são de muita importância em nossa vida, pois nos ajudam com nossos paraquedas sentimentais, emocionais, religiosos, materiais, mentais, etc.

Como é triste saber que muitos não se dão conta disso e seguem seu caminho, sem olhar para os lados e sem agradecer os que lhes ajudam, agem como se não dependessem de ninguém. Pior ainda é a situação daqueles que vivem sem reconhecer a existência do paraquedas da salvação! Esquecem-se do Pai, Doador de todas as coisas, e seguem rumo à perdição eterna.

Por que não separa agora um tempo para agradecer Àquele que graciosamente lhe concede o dom da vida, a vida que tem agora e a vida eterna? Shakespeare dizia que a gratidão é o único tesouro dos humildes, portanto, seja grato.

13
out

O outro, esse E.T.

Marco Aurélio Brasil

Em 2003 a Bolívia foi sacudida por violenta convulsão social cuja causa principal nos é difícil de entender. Parece que o governo resolveu comercializar um recurso natural que lhes é abundante, o gás natural exportando-o e gerando divisas para o país, o que seria muito bom O problema é que, para vendê-lo para os EUA e não tendo a Bolívia acesso ao mar, o jeito seria construir um gasoduto que ligue a Bolívia ao Pacífico através do território chileno. Isso teria causado uma violenta reação no povo, porque o Chile teria “roubado” justamente aquela faixa de terra que seria originalmente da Bolívia, isolando-a do mar e causando-lhe imensos prejuízos. Assim, qualquer negociação com os odiosos chilenos seria vista como uma traição à pátria.
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Uma jornalista boliviana declarou que a causa real da convulsão social, no entanto, é bem outra. Está na sanha norte-americana por acabar com a cultura da coca na Bolívia. Ora, o boliviano masca folha de coca da mesma forma que um americano bebe café e um inglês o chá, é um costume nacional! E os americanos querem saber disso? Eles
sofrem lá com a enxurrada de cocaína que vem da Bolívia e Colômbia, então não querem nem saber dos hábitos nacionais de um paiseco de terceiro mundo, se o cultivo da folha de coca pode ser inofensivo ou não. Para mim, que não bebo café nem mastigo coca, ambos os costumes poderiam ser abolidos tranquilamente, caso houvesse uma razão forte para isso e eu tivesse o poder de determinar tal medida, este poderia ser o meu primeiro impulso.

Tropeçamos todos os dias em exemplos dessa incapacidade humana para entender o outro, para vestir a sua pele, tentar colocar-se em seu lugar. O outro é visto como um tanto bárbaro. Experimento isso toda vez que chego a um restaurante e pergunto quais são as opções sem carne do cardápio; é aí que boa parte das pessoas que me ouvem dizer isso me olham como se eu fosse um e.t. e os mais descolados chegam a perguntar: “como pode alguém não comer carne?” Se soubessem o quanto foi fácil pra mim deixar de comer carne não teriam essa ideia de que é algo impossível. Se soubessem das razões que eu tenho para isso, provavelmente seu estranhamento não fosse tão grande. Mas quem quer saber das razões do outro? Eu mesmo tendo a pensar que quem me olha desse jeito é que é bárbaro.

Tal dificuldade de compreensão e tolerância pode ser encontrada até em uma circunscrição bem menor, uma mesma casa, uma mesma cama. Marido e mulher passam a vida sofrendo as consequências de nossa incapacidade latente para admitir que o outro é todo um mundo, tem hábitos, princípios, experiências, características que são só dele e
que o fazem exclusivo e reclamam respeito.

Respeito e tolerância, é isso que toda pessoa e toda coletividade reclamam, e é, portanto, o que toda pessoa e coletividade deveriam exercitar. Alguns a confundem com cumplicidade e de tanto exercitá-la acabam descrendo da realidade de uma verdade absoluta, o que não é bom, mas a maioria simplesmente quer ser tolerado sem precisar
tolerar.

Se cada um vê ao outro como um e.t., imagine como um e.t. não nos vê a nós? Pois bem, um e.t. andou entre nós: Jesus desceu de uma realidade radicalmente distinta da nossa, e ninguém mais do que Ele teria condições de nos tratar como bárbaros insanos. Ele, no entanto, vestiu literalmente a nossa pele, andou nos nossos sapatos. Ele comeu a poeira dos nossos caminhos, sentiu a dureza de nossa existência, a crueza de nossos pensamentos e o que fez? Abriu os braços. Isso não O impediu de dizer no que estávamos errados, mas jamais deixou de abrir os braços, mesmo para abraçar os errados.

Seríamos capazes disso? Na medida em que Ele pede que tomemos o Seu jugo, ou seja, que levemos a carga dEle, entendo que sim, podemos ser capazes. Ele opera em nós tanto o querer quanto o efetuar. Nos cumpre é experimentar. Peça a graça de tolerar e respeitar.

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