Monthly Archive: setembro 2016

30
set

Peça direito

Gelson de Almeida Jr.

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á”. Mateus 7:7


Gosto da alegoria do homem que chegou no Céu e foi recebido com festa. Logo um anjo o conduziu para aquela que seria a sua casa. Não se conteve de alegria ao conhecer a casa. Vendo a sala repleta de presentes pergunta ao anjo se são seus e se poderia abri-los, ouve um sim como resposta. Abre  o pacote maior, era uma bicicleta, desapontado pergunta anjo se ele não iria voar e o anjo diz que sim, pergunta então qual a razão de ganhar uma bicicleta se poderia voar. Diz ainda que na Terra ele queria tanto uma bicicleta, mas que nunca ganhara uma.

Abre outro pacote e vê uma quantidade enorme de dinheiro da Terra. Mais confuso ainda olha para o anjo que, antevendo a pergunta, lhe diz: “Não, você não usará esse dinheiro aqui, aqui tudo é de graça”. O homem abre uma enorme quantidade de pacotes e em todos havia coisas da Terra, que ele não usaria no Céu. Com voz solene diz ao anjo:

– Não consigo entender, porque estou recebendo esses presentes aqui no Céu? Por que não os recebi na Terra, quando realmente precisava deles?

O anjo responde: “Eles eram seus, sempre foram seus, você não os recebeu porque não os pediu. Ficaram estocados na sua sala”.

homem-ajoelhadoA alegoria acima mostra que o problema nessa relação Divindade X humanidade não está num Pai que não atende Seus filhos, mas nos filhos que não pedem direito. “(…) a razão pela qual vocês não tem o que desejam é que não pedem a Deus. E mesmo quando pedem, não recebem, porque o objetivo de vocês está todo errado…” (Tiago 4:2 e 3 BV).

Quando foi a última vez que você elevou o seu pensamento ou a sua voz ao Pai para pedir alguma coisa? O que pediu e como pediu? Se pedirmos corretamente, se for para nosso crescimento espiritual e engrandecimento do nome do Pai, com certeza o receberemos. O texto de hoje mostra que não devemos ter medo de pedir ao Pai, pois, com Seu caráter amoroso e perfeito em tudo o que faz, fará o melhor para você. Não duvide, confie, peça, você será atendido.

29
set

Arroubos românticos

Marco Aurélio Brasil

Romantismo é o nome que designa aquele tempo em que gozava de muita popularidade o gênero artístico cheio de gestos extremados, personagens que iam às últimas consequências, geralmente por amor, mas também por fidelidade à pátria.

Esses dias achei um diário que escrevi em 1996. Eu já não era então propriamente um adolescente, a quem os tais arroubos românticos costumam causar mais impacto, de modo que, relendo o que escrevi, encontrei páginas muito comedidas e razoáveis. Mas isso só até chegar no ponto em que relato a vitória que o coral no qual eu cantava teve em um concurso nacional de corais promovido pela Prefeitura de São Paulo. É verdade, foi uma bela façanha, já que o nível dos concorrentes era altíssimo e há poucos dias da grande final nós não conseguíamos afinar satisfatoriamente a música de confronto. O relato que eu fiz, contudo, no calor do momento, é derramado, cheio de superlativos, de rompantes de entusiasmo, enfim, romantismo puro.
arroubos
Estava lá, lendo aquilo, todo envergonhado, quando me ocorreu que ridículo mesmo é ter vergonha de viver uma grande emoção. O homem letrado, culto, inteligente guarda distância disso, foge dos tais arroubos românticos, (citando Chico Buarque:) chega a mudar de calçada se encontra uma flor, mas o que ganha com isso? A verdade é que aquele momento que eu vivi era verdadeiro, e por pedante e piegas que possa parecer depois de haver morrido aquele instante, a verdade é que ele existiu e eu o vivi! E dou graças a Deus o tê-lo vivido, é muito melhor assim do que ter-me poupado do ridículo e observado tudo com fleuma britânica, distante, mas sem a experiência.

O Deus que me criou não tem esses pudores tolos de viver emoções, de as externar. A Bíblia é coalhada de arroubos românticos Seus. Diz, por exemplo: “Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15). Ou “Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).

Sim, Ele não se furta a experimentar, a viver intensamente um sentimento que vai além da emoção, está acima disso e se chama amor. O maior de todos os arroubos românticos que teve, contudo, não foi escrito em tinta através de um profeta; teve mais silêncios que palavras, mais sombras que luzes, mais reticências que rimas, quadro pintado em sangue sobre uma tela em forma de cruz.

Ele não se envergonha desse ato extremo de amor. Nós, objeto dele, é que nos envergonhamos muitas vezes. Que pena. Que triste ser sábio, culto e letrado, homem moderno, e guardar a distância fleumática e insensível de tão maravilhosa declaração de amor!

Ele viveu e vive o amor em toda sua extensão para que o amor possa fazer parte de nossa experiência. Hoje Ele me convida a, pois, experimentar. Decidi não me envergonhar disso.

28
set

Procura-se

Gelson de Almeida Jr.

“Procuram-se homens para viagem perigosa. Salário baixo. Frio Extremo. Longos meses de completa escuridão. Perigo constante. O retorno não é garantido. Honra e reconhecimento em caso de sucesso”.


procura-seO anúncio acima, publicado no Times em 1907, a pedido do explorador irlandês Sir Ernest Shackleton, teve resposta de mais de 5000 candidatos. Mesmo não possuindo um histórico favorável de viagens ao Polo Sul, Shackleton conseguiu toda a tripulação que queria.

Por volta de 738 a.C., Isaías, viu, em visão, o Altíssimo assentado em Seu trono em glória e majestade, cercado de serafins que O louvavam. Diante de um Deus tão poderoso reconhece sua pequenez e diz: “ (…) ai de mim! Estou perdido! “. Instantes após ouve o Eterno perguntar quem Ele deveria enviar a falar ao Seu povo, Isaías, que acabara de passar uma experiência transformadora e redentora, diz: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6: 1-8).

Continuamente o Eterno tem procurado homens e mulheres que se disponham a ajudá-Lo na tarefa de salvação da humanidade. Se fizesse um anúncio, com certeza diria que o trabalho nem sempre seria agradável, sem garantia de salário fixo e sucesso aparente.

Diria ainda que honra e reconhecimento dificilmente viriam por parte daqueles com quem se trabalhasse, mas, com toda certeza, ao final de todo o processo, todo aquele que se dispusesse ao trabalho, receberia uma mansão, numa cidade onde as ruas são de ouro, onde a morte, o pranto, o luto e a dor não existem e onde se vive para sempre. Completaria dizendo que, os que aceitassem o desafio, vencessem a tentação da inatividade e trabalhassem por Ele, e com Ele, reinariam ao Seu lado.

Cristo afirmou que a seara é grande e são poucos os ceifeiros (Mateus 9:37). O Eterno nunca fez um anúncio como o de Shackleton, mas, neste exato instante, está a lhe convidar para o trabalho em prol do seu próximo. Muitos tem aceitado o convite, mas poucos tem persistido no trabalho. “A quem enviarei eu, e quem há de ir por mim”? Esta é a pergunta do Eterno, qual é a sua resposta?

27
set

Só nos resta aprender

Marco Aurélio Brasil

O problema do antigo Israel era basicamente o mesmo problema nosso aqui. Eles adoravam a Deus meio que no automático, mas curtiam manter altares para outros deuses ao mesmo tempo.

Então Deus, como um pai que começa a falar mais grosso com o filho, permite que um rei chamado Cusã (talvez cansado com o bullying por causa de seu nome) subjuga Israel por oito anos. Deus ouve o clamor e Otniel, o genro de Calebe, salva o dia. Quarenta anos depois são os moabitas e amonitas que vêm e fazem a festa durante dezoito anos, até Eúde livrar o povo. Oitenta anos depois, os cananitas oprimiram Israel por vinte anos até que a profetisa Débora, com a ajuda de outra mulher, Jael, e, como ator coadjuvante, Baraque, vencem o exército opressor.  Passam-se mais quarenta anos e os midianitas oprimem com requintes de crueldade Israel por oito anos até que se levanta Gideão e depois dele Israel tem novo tempo de paz. E o que Israel faz na paz é que é um problema.
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O capítulo 10 do livro que conta essa história, Juízes, tem um detalhe interessante. Israel voltou a fazer caca, contaminou sua religião com a de todos os povos em volta e o resultado foi que filisteus e amonitas subjugaram Israel por novos dezoito penosos anos. Foi esse o tempo que levou até lembrarem suas origens, sua História e sua teologia. Então se voltaram a Deus e pediram livramento. A resposta divina foi bastante curiosa. Ele lembrou todos os povos dos quais havia livrado Israel naqueles anos todos, e então disse, numa lógica irretorquível: “Ide e clamai aos deuses que escolhestes; que eles vos livrem no tempo da vossa angústia”  (verso 14).
O que Israel fez na sequência determinou sua sorte. Eles confessaram seu pecado e arrancaram os ídolos e altares pagãos de seus domínios. Então Deus suscitou Jefté para salvar a lavoura.
Cansado de clamar por livramento? Cansado de pedir por uma saída? Bem, a conclusão do relato acima pode soar meio legalista, mas a verdade é que às vezes é preciso mais do que meras palavras. O pai que falou grosso espera ver se o filho assimilou devidamente a disciplina a ponto de evitar se colocar em situação de risco outra vez. E a gente demonstra isso arrancando os altares para aqueles outros deuses da nossa casa.
Talvez isso represente a desinstalação de certos aplicativos do celular, ou represente o rompimento em certos relacionamentos, talvez represente ajustar o despertador para outro horário ou pedir o cancelamento da assinatura da Netflix. Não sei, mas você sabe. O fato é que tudo o que está escrito é para nosso ensino. E, como canta Beto Guedes em seu hino à primavera (que acabou de começar), a lição sabemos de cor, só nos resta aprender.

25
set

Guerra e Paz

guerra-e-pazO que poderia livrá-lo daquele desencanto geral? Seu rosto expressava tamanho abatimento, que era nítida a tradução de sentidos entorpecidos. Parecia que nada poderia movê-lo daquela apatia. Não havia brilho nos olhos, tampouco lágrimas. Seu estado nem mesmo denotava uma tristeza profunda, condizente à situação. De repente, ele passa a mão sobre o seu rosto e olha para a palma ensanguentada. Nem isso o fez mudar seu semblante. Apenas cinco anos de idade e a vida não tem sentido.

O que será ele espera da vida? Com tão pouca idade e nenhuma referência de alegria, ele talvez nem mesmo saiba o que seja sorrir. Naquele instante se potencializa nele o acúmulo de sentimentos distorcidos e confusos, resultado daquilo que entende por realidade. É onde vive e tudo o que tem. Um mundo caótico e violento. Injusto e desequilibrado. Alguns os homens de sua comunidade surgem para acudi-lo. Esse é o seu ambiente desde que Omran nasceu em 2011, ano em que começou a guerra na Síria.

O que difere a vida de muitas pessoas ao redor do mundo à de Omran é apenas a forma como a violência se instala e desenvolve, respeitadas, é claro, as devidas proporções. Quanta gente anda pelo mundo sem brilho nos olhos, com os sentimentos confusos, algumas vezes causados por seus pares, outras por desconhecer outra realidade. Mesmo aos que conhecem a riqueza das escrituras e delas puderam beber água limpa um dia.

Muitas das guerras que assolam nossas vidas estão instaladas dentro das igrejas, nos lares, nos governos, nas escolas e universidades, sustentadas por munições como desprezo, ciúme, rancores, orgulhos e vaidades. O homem tem maltratado a si mesmo quando age dessa forma em relação ao seu próximo. Os conhecedores do evangelho, sobretudo, não deveriam agir de outra forma senão unindo-se ao seu próximo, por ele se preocupando e a ele amparando. Mas essa não é a realidade, e por isso mesmo também de maneira distorcida, não raro o evangelho é desacreditado, a fé se esfria e a igreja que é o corpo de Cristo deixa de cumprir sua missão, que é a de amparar uns aos outros.

Cumpre ressaltar que a razão do evangelho é o encontro com Cristo e a volta aos caminhos do Eterno, contudo, é diante do homem que vivenciamos a sua prática, efetivando o conhecimento que dele se depreende. Pouco ou nada podemos fazer para que guerras como a que assola a Síria possam cessar, no entanto, muito podemos a partir de nossas comunidades, permitindo que transformações se deem de dentro para fora, alcançando nossos irmãos que por um motivo ou outro se encontram apáticos, confusos, e repletos de sentimentos totalmente diversos aos resultantes de uma vida entregue aos caminhos do evangelho. O que dirá então àqueles que nem mesmo conheceram esse resgate.

Amar sem julgar, de forma incondicional, é o que nos resta. E que Deus nos ajude, pois nele podemos todas as coisas, inclusive cessar as guerras internas e externas. Que a paz do Senhor esteja com todos ao longo desta nova semana, proporcionando transformações para um mundo melhor.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

 

23
set

Imagem do Pai

Gelson de Almeida Jr.

“E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata…” (Malaquias 3:3)


entregaO texto acima causou muita curiosidade em um grupo de mulheres quando o ouviram na igreja. Ficaram dias discutindo o significado do mesmo, até que uma delas se dispôs a ir até um ourives para tentar entender o assunto. Dias mais tarde ela entrou em contato com um ourives em sua cidade e perguntou-lhe se poderia observá-lo enquanto trabalhava. Sem entender muito a situação ele permitiu.

Colocou então um pedaço de prata num recipiente adequado e o levou ao fogo, disse à mulher que deveria fica bem no centro do fogo, onde o calor era mais intenso. Imediatamente assentou diante do fogo e ficou a olhar enquanto a prata derretia. A mulher perguntou-lhe o que fazia e ele respondeu que estava olhando para ver quando a prata ficaria pronta para ser tirada do fogo e não se queimar. Curiosa ela perguntou como sabia o momento exato. Calmamente ele disse: “Quando eu vejo a minha imagem nela”.

Ao longo de nossa vida passamos por provações difíceis, muitas quase nos fazem perder a fé no Eterno e em Seu amor. A ilustração acima mostra que não devemos nos preocupar ou perder a esperança quando elas vierem, pois podem ser a maneira pela qual estamos sendo testados, purificados e preparados para receber a imagem do Pai sobre nós.

Portanto, quando estiver sendo provado, agradeça ao Eterno por Lhe amar de tal modo que está permitindo aquilo para prepará-lo para receber Sua imagem. Um Deus santo, perfeito, puro e amoroso, Criador e Mantenedor de todas as coisas, querer estampar Sua imagem em mim, que privilégio! Não reclame das provas que lhe sobrevierem, agradeça e prepare-se, logo ela chegará ao fim e a imagem do Pai estará estampada em você.

22
set

Admirável mundo novo

Marco Aurélio Brasil

Estamos em meio a uma revolução. Segundo alguns, uma revolução sem precedentes nos últimos 5.000 anos, desde que os sumérios inventaram a escrita e possivelmente sem precedentes pelos próximos 5.000 anos também.

Se tomarmos um homem médio da Europa feudal, as condições de vida da Europa em plena Revolução Industrial seriam absolutamente impensáveis. Qualquer sistema que fugisse à dinâmica vassalo/suserano, plebe/nobreza, fiel/clero, seria impossível de se prever. Muito menos um mundo dividido em comunismo e capitalismo.
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Você e eu crescemos em um mundo assim divido, e a verdade é que ele não se encontra mais assim. Que tipo de sistema governará o mundo daqui a alguns anos? É impossível dizer. A revolução digital é realmente impressionante, está transformando as relações humanas em todos os níveis. Em muito pouco tempo, os especialistas vaticinam, praticamente tudo será feito pela internet, praticamente todos terão sua assinatura digital, boa parte dos contatos pessoais será substituída por contatos virtuais, incluindo-se aí até mesmo coisas como audiências judiciais e cirurgias complexas. Hoje mesmo, alguém com um notebook mais possante pode, de seu escritório, valendo-se da tecnologia wireless vasculhar os computadores de todos os seus vizinhos, desde que conheça um ou dois truques. Os juristas quebram a cabeça para saber se suas leis cunhadas para o mundo presencial ainda têm validade no mundo virtual, especialistas em segurança andam com ar apavorado por aí, pais não sabem como regrar a utilização do computador pelos filhos… e a lista de perplexidades não tem fim.

Ora, as revoluções transformam as relações humanas em todos os níveis, isso é fato. Mas também é fato que há algo que elas não transformam. Estou falando do próprio homem. Este continua o mesmíssimo ao longo dos séculos. Continua absolutamente dependente de comida, de ar, de água, de sol. Continua essencialmente dependente de aceitação por uma coletividade, de um gesto de carinho, de um cafuné. Continua com muito medo, da morte, da vida, do futuro, dos outros. Continua sofrendo solidão, separação, impotência para mudar a realidade, fragilidade. Continua se iludindo, se enganando, se maltratando. Continua correndo atrás do que lhe agride, de satisfação de vontades controláveis, de pequenos prazeres cuja relação custo-benefício é escancaradamente desfavorável. Continua, sobretudo, carente de salvação.

Esteja o homem onde estiver, na linha do tempo: em algum momento antes de Cristo, na Europa selvagem dos primeiros anos depois dEle, durante a idade Média, durante a revolução industrial, no meio da guerra fria, agora, amanhã, depois, não importa; esteja onde estiver, o convite continua o mesmo, e igualmente eficaz: vinde a Mim vós, que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei (Mateus 11:28).

Independentemente do mundo que venha por aí, a solução está em atender este convite.

21
set

Os dois lagos

Gelson de Almeida Jr.

aridez-espiritualEm Israel existem dois lagos que, devido ao tamanho, são chamados de mares, o Mar da Galileia e o Mar Morto. Ambos se formam a partir das águas do Rio Jordão, mas a semelhança para por aí. Segundo especialistas, para cada gota que recebe o Mar da Galileia dispensa uma gota, inclusive para formar o rio que alimentará o Mar Morto. Muito diferente é o Mar Morto que, por estar localizado na parte mais baixa da região, retém toda a água que recebe do Rio Jordão.

Ambos possuem uma taxa de 100%, no Mar da Galileia se refere à distribuição e no Mar Morto à retenção. O resultado é que no Mar da Galileia há vida, tanto dentro como fora, no entorno, no Mar Morto, tudo que chega vivo morre em questão de segundos. O Mar da Galileia recebeu o Salvador da humanidade e nele ocorreram impressionantes milagres, já no Mar Morto…

Falando à samaritana Cristo se identificou como a Água da Vida. Como filhos do Eterno, todos temos direito às Suas bênçãos, somos alimentados pela mesma fonte de vida, dela recebemos o melhor que o Eterno pode nos oferecer, mas porque alguns evoluem na fé e outros patinam? Por que uns crescem e outros morrem, espiritualmente falando?

O florescer ou o morrer, o levar vida ou espalhar a morte e o caos são escolhas pessoais. Nada tem a ver com a fonte originadora, ela é perfeita. Tiago afirma que toda boa dádiva e todo o dom perfeito vem do Céu, do Pai das luzes (1:17). Desse modo fica claro que é tudo uma questão de escolha, o que fazemos com aquilo que recebemos do Pai. Recebemos água da vida, reparti-la ou matá-la, é tudo uma questão de escolha pessoal. Vida ou morte, a escolha é sua.

20
set

Respire fundo

Marco Aurélio Brasil

“Muita oração”, dizia o pastor Jonas Pinho, “muito poder. Pouca oração, pouco poder. Nenhuma oração, nenhum poder”.

aaaÉ uma afirmação verdadeira, sem dúvida alguma, mas esconde aquela visão utilitária da fé sobre a qual escrevi aqui há algumas semanas. Você ora para acessar o poder. A oração é a ferramenta, o mero meio de transporte para chegar a ter poder. Ou para chegar até ter paz de espírito. Ou para chegar até ter aquilo que estamos pedindo: saúde, emprego, solução para um relacionamento conflituoso, mais dinheiro, amor, etc.
Mas para Oswald Chambers, “a oração não nos prepara para as obras maiores; a oração é a maior obra“.
Na oração do Pai Nosso, Jesus disse para orarmos pelo pão de cada dia, por perdão, pelo livramento do mal, mas começou tudo nos ensinando a se aproximar de Deus chamando-O Pai. A gente talvez tenha entendido errado as coisas. A gente não pede pão para um pai sob pena de, não o fazendo, passar fome. Ainda mais quando o Pai em questão é onisciente e tem pelo filho um amor que já se provou (na cruz) do nível mais sublime e abnegado que pode existir. Logo, eu não preciso pedir para ganhar. Ele não vai deixar faltar nada essencial, como um bom pastor.
Então por que sou encorajado a pedir? Bem, eu preciso pedir porque nesse ato estou em contato com Ele. E estando em contato com Ele, estou salvo. Estou crescendo. Estou adquirindo Sua mente e Seu olhar.
Essa também é a razão pela qual Ele não responde a oração na primeira vez em que a fazemos. Além disso nos dar a absurda ideia de que somos merecedores, seríamos desencorajados a continuar na presença dEle. Já teríamos alcançado o que pretendíamos. Por isso Ele diz:: perseverem, batam até abrir, insistam.
Se obedecemos essa ordem, veremos que nossa oração começa a mudar. Começamos a interceder mais do que a pedir por nós mesmos. Começamos a orar para que Ele mande mais servos para a obra, uma oração profundamente desinteressada, descentrada no eu. Uma oração espiritualmente madura, de quem começa a pensar mais parecido com Ele.
Ellen White disse que a oração é a respiração da alma. Se você não respira, não vive. Portanto, espiritualmente é fácil detectar se você está vivo, vegetando ou morto. Oro, logo existo.

16
set

Obediência

Gelson de Almeida Jr.

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. João 15:14


obedecer-e-desobedecerGosto da história do garoto que estava sentado junto ao portão que dava acesso à propriedade da família quando dele se aproximou Napoleão Bonaparte com seus homens, ele queria cruzar a propriedade, mas o menino o impediu. Zangado, o arrogante general se identificou e ordenou ao menino que o deixasse passar. Educadamente o garoto fez-lhe uma reverência e disse:

– O senhor vai querer que eu desobedeça meu pai? Esse portão está fechado, aqui ninguém passa, conforme meu pai determinou”.

Obediência admirável a desse garoto que, tendo à frente tão grande prova, não hesitou em obedecer ao pai. Tivessem Adão e Eva agido como o garoto e o pecado não teria entrado em nosso planeta. Tivesse o povo de Israel agido como o garoto e o plano do Eterno teria se cumprido há muito. Quanta dor e sofrimento já existiram ao longo da história apenas porque o Pai foi desobedecido!

Mas, antes que culpe os que vieram antes de você, pergunto: Será que sua vida e daqueles que o rodeiam não seria diferente se você obedecesse às ordens do Pai? Quanta dor, quanto sofrimento, quantas lutas e batalhas deixariam de existir se as ordens do Pai fossem obedecidas! O passado não pode ser mudado, ele não mais lhe pertence, mas o presente e o futuro sim. Obedeça as ordens do Pai, você só terá a ganhar.

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