Monthly Archive: agosto 2016

31
ago

O que você deseja?

Gelson de Almeida Jr.

Você, assim como eu, já ouviu essa pergunta diversas vezes. Com algumas variantes, via de regra é uma pergunta que nos traz alívio, principalmente quando nos sentimos meio perdidos ou confusos em uma determinada situação, querendo muito a ajuda de alguém.

Jesus-em-BetesdaEssa era a situação de um homem, paralítico há 38 anos e que estava junto ao tanque de Betesda aguardando um milagre, o de que alguém o colocasse no tanque assim que as águas fossem agitadas. Segundo a crença da época, o movimento das águas era causado por um anjo que descia dos céus, agitava as águas e curava o primeiro que nela entrasse.

Cansado de esperar pelo milagre o homem viu, certo dia, um estranho se aproximar e perguntar se queria ser curado. Respondeu que não tinha quem o colocasse dentro do tanque quando as águas se agitassem. Pobre coitado, estava diante do Comandante de toda a hoste angélica, que lhe pergunta se queria ser curado e ele apenas reclama que não tinha quem o colocasse na água quando o anjo viesse!

Situação idêntica a dele é a de muitos hoje em dia. Passam pela vida esperando por um milagre, querem a atuação do emissário celeste em sua vida, mas, quando estão diante dAquele que comanda todo o universo, Aquele que realmente pode mudar o curso de sua vida, que lhes pergunta o que desejam ou se querem ser curados, focam o olhar apenas no seu problema e na solução que acham ser a mais viável.

Tivesse Cristo atendido o desejo daquele homem, e o colocado dentro do tanque quando as águas se agitassem, provavelmente ele teria morrido paralítico. Felizmente o Eterno não nos atende do modo como gostaríamos. Nem sempre nos dá o que pedimos, mas sempre nos concede muito mais do que precisamos. Assim como atendeu os mais profundos anseios do paralítico Ele quer atender os seus. Portanto, abra os olhos, preste atenção no Homem que está ao seu lado. Deixe-O atuar em sua vida.

30
ago

Principados, potestades

Marco Aurélio Brasil

O incrível avanço da Física nos últimos dois séculos provou a existência dos átomos, depois foi mais longe, mostrando do que eles são feitos, e aí virou tudo de cabeça para baixo com teorias aparentemente incompatíveis como a quântica e a da relatividade. O resultado disso tudo foi uma certa arrogância, sobretudo nos leigos (os físicos profissionais tendem a ter uma noção mais aproximada do gigantismo de nossa ignorância e de nossos limites). Ao explicar parcialmente o mundo material, descartamos rapidamente o espiritual.

Se existe um mundo espiritual a nossa volta, se estão acontecendo coisas que não podemos ver nem sentir e que terão forte impacto em nosso destino e bem estar, de certo modo aqueles primitivos que temiam a divindade porque uma tempestade de raios era interpretada como a fúria de Deus têm uma clara vantagem sobre os esclarecidos habitantes do século XXI.
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É evidente que não estou pregando um retorno ao primitivismo ignorante, mas um simples retorno à consciência do espiritual. Entender o mundo material nos tornou a todos materialistas demais. Isso respinga até nas nossas práticas espirituais, e a quantidade enorme de músicas cristãs que cantamos hoje em dia com versos do tipo “me toca, Senhor”, “quero sentir o seu toque”, etc não me deixa mentir. O que você não pode apalpar tende a parecer ficção, mito.
Uma consequência funesta do materialismo é confundir o nosso inimigo. Paulo disse que “nossa luta não é contra seres humanos, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6:12). Nos cursos “Pra toda vida”, que fazemos com casais, temos que repetir esse texto e sua conclusão lógica o tempo todo: por mais que pareça, seu inimigo não é o seu cônjuge. 
 
A mesma dinâmica se aplica aos colegas de trabalho, aos demais membros da família, aos vizinhos, aos membros da igreja e até mesmo aos folgados que mudam de faixa sem dar seta no trânsito. Eles, essas pessoas, não são nossos inimigos. Nossos inimigos de verdade estão invisíveis aos olhos e é contra eles que devemos lutar, com toda a armadura de Deus mencionada por Paulo na sequência.
Que Deus nos arranque do materialismo em todas as suas formas.

27
ago

Julgamentos superficiais

Julgamentos superficiaisUma publicação na rede social mostra uma pessoa totalmente tatuada afirmando não entender, ainda que se vista adequadamente, por que não consegue empregos de direção apenas por ter optado em se tatuar. Compreendidas as razões de muitas empresas, mas, ao julgar alguém segundo o estereótipo, estamos diante de uma ideia classificatória preconcebida sobre ele, resultante de expectativa, hábitos de julgamento ou falsas generalizações.

Os inúmeros comentários na publicação são de opiniões no sentido de pena por aquela ser uma pessoa perdida, entre outros absurdos resultantes de julgamentos preconcebidos, realizados a partir do exterior tão somente. Engraçado é ler naquelas linhas as opiniões de cristãos de toda sorte que se esquecem de que grandes nomes bíblicos eram pessoas com pouca ou nenhuma classificação para as missões a que foram chamados por ninguém menos do que Aquele que conhece o coração das pessoas e não faz acepção das mesmas.

Eis o limite estabelecido no mundo dos homens e que não raro separa as pessoas pela cor da pele, pela música que ouvem, tatuagens que usem, religiões que professem, etc. Uma atitude proveniente de um tempo na sociedade em que os padrões externos foram estabelecidos e pouquíssimas eram as pessoas que se destoavam deles.

Se nos aprofundarmos um pouco mais nessa seara de juízos, pergunto quantas igrejas cristãs pelo mundo julgam e agridem pessoas por decisões que possam ter tomado no passado, condenando-as para sempre? Quantos de nós está disposto, por exemplo, a acolher nas igrejas, criminosos conhecidos que assassinaram seus pais na última década e se tornaram famosos na mídia policial? São comuns as situações de condenação eterna dessas pessoas por parte de nossos próprios irmãos de fé.

Incontáveis são os cristãos de diversas denominações que, por exemplo, fazem o pior juízo do povo judeu, tomando-os por sua postura política que aqui não vem ao caso, até por que não representa a opinião de todos eles. Tomam a parte pelo todo. Até hoje há quem afirme serem os judeus os algozes do Cristo. Absurdo maior, só mesmo pelo desconhecimento da fala do próprio filho de Deus.

Eu mesmo quando passei a frequentar os cultos na igreja adventista, ouvia amigos de outras denominações dizendo que eu estava entrando em uma seita. Um dia apresentei um livro a uma dessas pessoas e sem que ela soubesse que o autor é um adventista, pude ouvi-la afirmar que aquela era uma obra maravilhosa. Imagine sua surpresa quando eu lhe disse do autor e que aquela era também a linha de pensamento da igreja adventista.

Por que não ouvimos mais as pessoas, buscando conhecê-las melhor e às suas razões, acolhendo-as? Permaneça o amor fraternal, escreveu Paulo aos hebreus. Por ele, alguns, sem que soubessem, acolheram anjos.

Sadi – O Peregrino da Palavra

26
ago

O Melhor Amigo

Gelson de Almeida Jr.

Existe uma lenda árabe que relata a história de dois amigos que discutiram quando viajavam pelo deserto. A discussão foi tão acalorada que um deles acertou o rosto do outro com um soco. Imediatamente, o que foi agredido, se curvou e escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo me deu um soco no rosto”.

Continuaram a viagem em silêncio até que se depararam com um oásis, começaram a se banhar e, o que havia levado um soco, começou a se afogar e foi salvo pelo outro. Assim que se recuperou, pegou um instrumento pontiagudo e escreveu numa pedra: “Hoje, meu melhor amigo salvou minha vida”.

pazA Bíblia apresenta inúmeras demonstrações de amizade do Eterno para conosco. O Salmo 23 apresenta um pequeno resumo disso. Afirma que o Eterno é nosso Pastor e, como tal, não nos deixa faltar alimento, nos faz repousar em lugares tranquilos, nos refrigera a alma, está ao nosso lado nos momentos mais difíceis, nos ampara e restaura mesmo quando rodeados de adversários. Finaliza dizendo que bondade e misericórdia são Seus traços característicos.

Cristo morreu em nosso lugar, pois é nosso Amigo e Seu amor é incondicional. Somos seus amigos por escolha Sua (João 15:3 3 16). É por essa razão que que quando o magoamos Ele escreve nossas faltas na “areia” do tempo. Ele não guarda rancor nem mágoa, faz questão de esquecer as coisas ruins (Hebreus 10:7), mas valoriza cada ato de obediência de nossa parte, pois é assim que mostramos ser seus amigos (João 15:14). Portanto, vá até Ele, você pode procurar, mas nunca achará amigo igual ou maior ao Eterno.

25
ago

Desenvolvimento sustentado

Marco Aurélio Brasil

Pouca coisa pode ser mais cheia de surpresas, encantamentos e alegrias do que acompanhar o crescimento de uma criança. Eu já estou na quarta e não canso disso.

No começo eles são aquele pacotinho sossegado que não se manifesta; pouco chora, não aparenta ter vontade nenhuma, só bem de vez em quando dá uma reclamadinha. Ele precisa que a gente faça tudo, claro, e a gente faz: põe de barriga pra baixo na hora da cólica, troca quando a coisa fede ou molha e alimenta (isso é exclusividade da mãe). Alguma interação, só quando eu coloco meu dedo na palma da sua minúscula mão, aí ele fechava um pouco a mão por alguns instantes, meio que por reflexo.shutterstock_127815176

Do estágio pacotinho passamos ao estágio “olha! Eu já sei que você é uma pessoa!” caracterizado por começar a fixar os olhos nos nossos. Acelerando um pouco o processo, chegamos ao estágio em que ele fala. Sim, fala, naquele idioma misterioso dele. Depois de só olhar nos olhos começa a comunicação de fato. Mãozinha nos cabelos, mãozinha no rosto e (glória das glórias!) sorrisos.

O autor de Hebreus compara nossa vida ao lado de Cristo com o desenvolvimento de uma criança. Ele diz que há o tempo de tomar o só leitinho e há o tempo para buscar alimento sólido (Hebreus 5:12 a 14).

Na verdade, toda pessoa que vem a Cristo precisa conhecer a fase “pacotinho”; passar um tempo sendo alimentado e cuidado, sem espernear, sem querer determinar o que comer, aonde comer e quando comer. Muitos não se desenvolvem porque evitam essa fase, querem estar sempre no comando de tudo e confiam demais na sua própria capacidade de determinar que verdade é boa e qual não é, que enfoque é saudável e qual não vale. É absolutamente imprescindível que nós, como seres alijados da glória divina, separados dEle e da Sua paz, nos larguemos pelo tempo que for necessário, só sentindo o calor do Seu abraço; isso faz com que nossas baterias emocionais e espirituais sejam carregadas, isso vai dar energia para, mais adiante, engatinhar.

Mas já podemos olhar nos olhos das pessoas e comunicar-lhes a felicidade, a glória das glórias, nosso sorriso satisfeito de quem conheceu salvação eterna.

Não há virtude em estacionar em qualquer das fases. Aí atrofia-se, interrompe-se o ciclo que quer nos levar “à estatura de homens feitos”. No momento em que sentimos forças para passar ao estágio seguinte devemos nos jogar nele com a volúpia de um bebê que quer conhecer o mundo, as cores, formas, texturas, sabores, temperaturas e cheiros.

Que Deus abençoe seus passos ou suas engatinhadas; ou quem sabe, sua decisão de se jogar nos braços dEle pela primeira vez, para que experimente a delícia de sentir seus pés firmando no chão, sustentados pela mão forte, precisa e infalível do Pai.

24
ago

Deixe-O tocar

Gelson de Almeida Jr.

órgão catedral de FriburgoEm visita à Catedral de Friburgo, o célebre compositor Mendelssohn, ao final do serviço religioso, dirigiu-se ao organista da igreja e pediu licença para tocar um pouco tão afamado órgão. Muito zeloso e receoso o homem relutou, mas, diante da insistência do estranho, decidiu deixar-lhe tocar um pouco.

Momentos após Mendelssohn começar a tocar o idoso homem, num misto de êxtase e curiosidade, colocando as mãos em seu ombro perguntou-lhe qual era o seu nome. Assim que ouviu quem era, com lágrimas nos olhos, o idoso homem disse: “E pensar que eu quase impedi Mendelssohn de tocar nesse órgão”!

Como o velho organista gostamos de tocar sozinhos o “órgão” da nossa vida, fazemos da melhor maneira que conseguimos, alguns se acham muito bons, outros, nem tanto, mas, a grande verdade, é que, nesse tipo de questão, quase todos se acham muito bons, por que não dizer virtuoses.

A grande verdade, porém, é que nesse quesito apenas o Maestro do Universo, o Criador de todos os “órgãos”, o Compositor de todas as belas canções é que sabe quando e como tocar. A menos que deixemos que Ele domine nossa vida, dirija nossos passos, conduza-nos pelo caminho seguro e eficaz, a música da nossa vida será um verdadeiro desastre, um fiasco total.

Acerca disto, muito apropriadamente Davi nos aconselha: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará” (Salmos 37:5), afirma ainda que, se assim procedermos, nosso direito prevalecerá como sol do meio dia (v.6). Não importa o que você faça com a sua vida, não importa quão bem a governe, o Eterno fará muito melhor, apenas Ele pode juntar todas as notas de sua vida e torná-la a melhor de todas as músicas.

23
ago

Em berço esplêndido

Marco Aurélio Brasil

Enquanto nós, cristãos professos, estamos absortos em pagar as contas do mês, em trocar de carro, na próxima viagem ou no próximo corte de cabelo (eu poderia dizer, enquanto estamos comendo e bebendo, casando e dando-se em casamento), há diversos sinais de alerta lá fora.
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Slavoj Zizek, o pensador comunista esloveno, escreveu o livro “Vivendo no fim dos tempos”, onde defende que o mundo como conhecemos está no seus respiros finais. Para ele, os quatro cavaleiros do Apocalipse seriam questões ecológicas, uma revolução biogenética já impossível de evitar, problemas insolúveis do capitalismo como escassez de matérias-primas e questões de propriedade intelectual e, por fim, superpopulação e aumento da desigualdade.
O astrofísico britânico de renome mundial Martin Rees escreveu “Hora Final”, no qual afirma que estima que as chances de a raça humana sobreviver a este século são de 50%. Para ele, desastres naturais, bioterrorismo, manipulação genética, ciberterrorismo, erros de cientistas, radicalismo ideológico e muitos outros fatores têm um potencial destrutivo que faz com que a calma com que as pessoas vivem como se tudo fosse continuar sempre igual e o desinteresse por essas ameaças reais e presentes sejam absolutamente inacreditáveis.
 
Ele cita um manifesto assinado por Einstein e outros brilhantes físicos e cientistas da primeira metade do século XX, criado para tentar alertar as nações dos perigos da recém desenvolvida tecnologia nuclear, no qual se afirma: “descobrimos que os [cientistas] que sabem mais são os mais sombrios”.
 
E nós, que temos nas mãos a revelação, que sabemos o final da História, estamos comendo e bebendo.
 
(Só não podemos imitar a prática de alguns de nossos irmãozinhos. James G. Watt, por exemplo, secretário do interior no governo Reagan e crente no breve arrebatamento secreto por Jesus Cristo, foi responsável pela postura antiecológica daquela gestão e das que a sucederam. Ele acreditava que Jesus voltaria antes de todo combustível fóssil ser consumido, então – com o perdão da palavra – dane-se o planeta.)
 
O discurso de Jesus em Sua última semana foi basicamente “vigiai”. Mas em lugar de imitar o Mestre e atentar a Sua voz, imitamos os discípulos, incapazes de permanecer acordados no Getsêmani.
 
Erga a cabeça, irmão.

18
ago

Coceira nos ouvidos

Marco Aurélio Brasil

escutar-1024x568No começo do século passado uma enciclopédia apregoava que dentro de algumas poucas décadas o mundo seria limpo de toda sorte de crendice e superstição. A afirmativa era razoável; a revolução industrial e o tremendo progresso e prosperidade que ocasionou chancelavam a ideia. O homem se sentia o máximo, capaz de construir o paraíso na Terra, capaz de construir justiça, encontrar a cura para doenças, eliminar cada mazela, qualquer que fosse. Deus não era mais necessário e Nietzsche vaticinou apregoando Sua morte.

O mesmo século acabou com milhares de crenças distintas em algo sobrenatural. Parece que não apenas as crendices e superstições não foram eliminadas pelo absurdo progresso tecnológico e científico do século, mas foram mesmo multiplicadas. Milhares de matizes de cristianismo, gente que faz feitiços para todo tipo de problema distribuindo panfletos nas ruas de metrópoles, pessoas inteligentíssimas tentando contato com óvnis, uma nata cultural do ocidente participando de estranhos ritos espiritistas de forte influência oriental, curas espirituais, multidões adorando Alá às seis da tarde, adesivos de carro e filmes da Xuxa apregoando crença em duendes, bruxas saindo do armário e sendo aclamadas como minoria injustiçada, livros espíritas virando best sellers, iridólogos, mestres de yoga, Pró-Vida, messiânicos, mórmons, maçons, satanistas, cultos ecumênicos… Os exemplos parecem não ter fim.

Na sua segunda carta a Timóteo, Paulo profetiza sobre um tempo que haveria de chegar no qual os homens não suportariam a verdade como ela é, mas teriam coceira nos ouvidos para ouvir coisas agradáveis, e aclamariam mestres que dissessem essas coisas e que os fizessem voltar às fábulas (II Tim 4:3 e 4). Ora, a religião do longo período da Idade Média, que seguiu-se ao tempo de Paulo, pode ser tudo, menos agradável. Não dá pra imaginar que os humildes campônios europeus rejeitassem a verdade preferindo ouvir a religião apregoada pela igreja, com suas indulgências, penitências, culto de formas austeras e distantes… A religião reformada que apareceu no final desse tempo não tinha toda essa carga, mas, cá entre nós, também não era muito agradável, já que enfatizava tanto a pureza moral, a distância do padrão “do mundo”.

Amigos, parece que o tempo profetizado por Paulo chegou. As pessoas passeiam por entre as religiões como quem anda num supermercado, escolhendo a que melhor se ajusta ao seu modo de ver as coisas. Cada vez mais, os frequentadores da igreja são confundidos com clientes, ao invés de serem tratados como adoradores. Com cada vez maior frequência se vê gente voltando às fábulas”, construindo seus ídolos à sua imagem e semelhança, evitando a ideia de que existe um Deus justo e amoroso, mas que tem uma lei (física e moral).

Aos que vivem esse tempo, Paulo aconselha: “Tu, porém, sê sóbrio e vigilante, sofre as aflições…” (verso 5). Uma religião sóbria? Vigilante? Disposta a sofrer as aflições? Puxa, mas isso dá uma preguiiiiiiiiça…. Pois bem, o conselho é para o nosso tempo. Como diz o Apocalipse, quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E então peça a Deus que o faça ter coragem para ouvir a verdade. Tal como ela é. E em seguida abra a Bíblia.

17
ago

Flor Artificial

Gelson de Almeida Jr.

abelha na flor IIConta-se que uma mulher, querendo testar um sábio, mandou confeccionar uma flor artificial de beleza e perfeição extraordinárias, semelhante às que havia no vaso em sua casa. Mostrou as flores juntas ao sábio e lhe fez um desafio, deveria apontar qual das flores era artificial, apenas olhando, sem tocá-las, disse ainda que, até então, ninguém conseguira acertar.

O sábio observou o vaso por alguns segundos e, de modo preciso, apontou para a flor artificial. Surpresa a mulher perguntou como ele descobrira tão rapidamente qual era a flor artificial. Apontando para algumas abelhas ele disse que elas haviam pousado em todas as flores, menos na artificial, pois não se colhe néctar em flor artificial.

Em João 15 Cristo afirma que somente os cristãos (galhos) que estivessem ligados a Ele (videira), produzirão bons frutos (v. 5). Frutos, a maioria dos filhos de Deus pode produzir, mas, para produzir frutos em quantidade e com qualidade, é fundamental que estejamos ligados a Ele. Ainda sobre isso Cristo afirmou que a maneira pela qual os cristãos podem ser testados “é pela qualidade dos frutos que dão” (Mateus 7:20).

O conceito que os outros tem a seu respeito é o mesmo quando estão longe e perto, ou você é do tipo de cristão que de longe mostra-se aceitável, irrepreensível e santo, mas que é reprovado no teste da proximidade? O Eterno espera de Seus filhos união total com Ele, para que sejam seus legítimos representantes aqui na Terra. Seja você uma flor (pessoa) onde as abelhas (seu próximo) tenham prazer de pousar (estar próximo), pois sempre terá algo de bom para lhe dar.

16
ago

Cadê o final da história?

Marco Aurélio Brasil

Nos tempos de faculdade fiquei fascinado com um filme franco-polonês chamado “A dupla vida de Verònique”, do diretor Kzistof Kieslowski. Tão fascinado que o assisti quatro vezes em um espaço de um ou dois anos. E a verdade é que assisti quatro vezes na esperança de conseguir entender alguma coisa. Depois da quarta vez tenho aqui a pretensão de haver começado a entender. Mas o fato é que ele termina com Irene Jacob meio que abraçando uma árvore e sorrindo. Fique tranquilo que isso não é nenhum spoiler, a árvore não tinha aparecido antes e salvo ledo engano aquilo não representava efetivamente um desfecho para a trama. Então é isso. Pela janela do carro ela faz um cafuné numa árvore, dá um sorriso, e sobem os créditos e você, acostumado com o cinema tudo-explicadinho-americano, exclama: ei! cadê o fim da história?

1aaA Bíblia muitas vezes está mais para o cinema franco-polonês do que para o americano. O livro de Jonas termina com uma pergunta de Deus para o protagonista. Qual teria sido a resposta do profeta teimoso? Não sabemos. O livro de Jó termina com um bom desfecho para a trama, mas a gente fica sem saber se Jó teve alguma pista da razão de todo seu sofrimento, já que quando Deus lhe aparece, despeja um monte de perguntas sobre ele e vai embora. A parábola do filho pródigo termina sem dizer se o filho mais velho deu razão ao pai e entrou na festa que havia sido preparada para o filho ingrato que havia voltado. Cadê o final da história?
O que importa é que o que poderíamos de chamar de “o último final”, o grand finale, o final de todas as histórias, esse a Bíblia não esconde. “Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo… Então vi novos céus e nova terra… Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, a antiga ordem já passou” (Apocalipse 20:14, 21:1-4).
Ou, emprestando as palavras de Ellen G. White: “O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e gozo, declaram que Deus é amor.” (O Grande Conflito, p. 678)
Portanto, o último final é mais à la cinema americano. Cada i recebe seu pingo, cada dúvida recebe sua resposta, cada dor encontra seu fim e cada injustiça recebe sua paga. E o final é feliz.
E por ser assim, feliz, por hoje aqui serem muitas as injustiças, por multiplicarem-se as dúvidas e incertezas, e porque as dores não dão trégua aos meus queridos, a mesma pergunta me ocorre, mas por razões diversas: cadê o final da história?
Em meus ossos sinto vibrar a resposta: ele vem logo. Ele vem logo.

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