Monthly Archive: julho 2016

30
jul

Realidade humana e religião

Realidade humana e religiãoHá um debate em vídeo em que um pastor, um chefe de uma comunidade católica, um ateu e uma agnóstica se reuniram em torno de um filósofo para falar sobre Deus. O tema, à primeira vista, parece tratar da crença ou não na existência do Criador. Contudo, o curso do debate clarifica outras reflexões, quais sejam a extensão da tolerância religiosa e a compreensão do homem quanto à sabedoria de Deus, oculta em mistério.

O ateu, ao se apresentar diz ao final que não crê em Deus afirmando simplesmente “não ter nada”, expressão em si que confesso, causou-me algum impacto. Perguntado se sempre foi ateu, ele responde que foi um “processo de crescimento”. Outra resposta no mínimo intrigante.

Indagados se toda religião é válida, se toda religião está certa, o chefe da comunidade católica responde que talvez não seja a questão do certo ou do errado se partirmos do ponto de vista da família humana. Entretanto, o filósofo ao lhe perguntar sobre a aceitação de um familiar decidir se casar em uma sinagoga, a resposta surge negativa, demonstrando haver uma tolerância nas escolhas de cultos alheios, contudo uma ausência de respeito no sentido de ter em consideração dentro de seu espaço.

Assim, seguimos “brincando de relativistas apenas para evitar as discussões”, reafirma o filósofo. Nesse momento o pastor opina sobre o assunto e diz não haver espaço para o relativismo, bastando-lhe dizer que não compreende um padre realizar cultos na Bahia em comunhão com pais de santo, afinal, as escrituras são claras ao demonstrar que nesse contexto há lógicas em choque. Conclui afirmando não haver o respeito no sentido de deferência à união de conceitos tão diversos.

A agnóstica, por sua vez, explica que sua crença passa por um método de vida pelo qual é através da meditação que ela alcança a possibilidade de se conhecer melhor e dessa forma se equilibrar, expandindo o resultado por suas ações, que acabam por beneficiar vidas em seu entorno.

Conscientes que somos de a realidade de Deus não se afetar pela sabedoria do mundo, sabemos que é preciso muito mais do que um debate como esse para compreender o que forma a mente de um homem crente ou não na existência divina, sobretudo porque cada um tem uma história particular que o conduz e a misericórdia de Deus está disposta a todos. Basta lembrar o que escreveu Paulo aos Romanos dizendo que aquilo que o povo judeu recebeu e buscou, não encontrou. Não que tenha caído, mas beneficiou o gentio ao ser enxertado na oliveira.

De outra feita, pela lavra de Paulo aos Coríntios, pergunto: quem conhece a mente do Senhor? Que a resposta seja direta. O espiritual discerne a tudo e a ele ninguém pode discernir, a não ser mediante a mente de Cristo, pois, como bem escreveu: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas”. Amém!

Sadi – O Peregrino da Palavra

29
jul

Às armas soldado

Gelson de Almeida Jr.

capacete e espadaDurante uma batalha, na luta pela independência dos EUA, um rapaz aproximou-se de George Washington e disse-lhe que acreditava muito nele e na causa que defendia, G. Washington agradeceu e perguntou ao rapaz em qual regimento servia. O jovem disse que não servia em nenhum, pois era um civil. O general disse-lhe solenemente: “Se você realmente crê em mim, como diz, e também na causa que defendo, una-se ao exército imediatamente, pegue uma farda e suas armas e venha para a luta”.

No Grande Conflito, na batalha do Bem contra o Mal, temos a oportunidade de mostrar ao mundo em qual lado estamos, a qual exército pertencemos e em quem acreditamos, somos um espetáculo ao mundo (I Coríntios 4:9). Muito mais que falar, temos que agir. Lembro-me de uma frase que minha mãe sempre dizia: “Falar é fácil, fazer é que são elas”.

Na Baixa Idade Média a Igreja organizou expedições militares/religiosas para o Oriente, tendo como pretexto a retomada da Terra Santa das mãos dos povos muçulmanos. Essas expedições receberam o nome de Cruzadas, pois seus participantes traziam estampada no peito uma cruz e se denominavam “soldados de Cristo”.

O Mestre deseja que sejamos soldados de Seu exército, mas, muito mais que carregar uma cruz no peito, devemos carregar Sua cruz em nosso coração. Você não é aquilo que fala, aquilo que afirma ser, você é aquilo que faz. Palavras, por mais belas e concatenadas que sejam não mostram quem realmente somos ou em quem acreditamos, são as atitudes que comprovam se o que dizemos é digno de crédito. Você acredita no Eterno e em Sua Causa? Seja um soldado de Seu Exército.

28
jul

O ruído do templo

Marco Aurélio Brasil

Esdras 3 relata os primeiros esforços da comitiva que voltou a Jerusalém depois do exílio em Babilônia e Medo-Pérsia no sentido de reconstruir o templo. Ele havia sido completamente destruído por Nabucodonosor quando tomou Jerusalém.

O final do capítulo é interessantíssimo. Conta que quando os encarregados da reconstrução acabaram os alicerces, o povo todo veio. Havia sacerdotes tocando trombetas e uma enorme algazarra. O curioso da tal algazarra é que no meio dela estava uma série de velhinhos que haviam conhecido o templo que Salomão construíra e que agora choravam em altos brados, bem à moda oriental, e Esdras diz que a coisa era de tal modo escandalosa que era difícil distinguir quem gritava por júbilo dos que o faziam de tristeza

A cena da mais extrema alegria convivendo com tão extravagante tristeza causa estranheza. Decerto os que haviam visto o primeiro templo choravam por ver que o novo, mesmo estando ainda só nos alicerces, não seria mais que uma pálida sombra daquele. Claro, o primeiro fora construído no momento de ápice do reino de Israel. Davi passou boa parte de sua vida acumulando materiais finíssimos para que seu filho Salomão erigisse um belo edifício, um dos mais gloriosos do Oriente, e assim foi. Daí a dor dos saudosistas. Foi profetizado, contudo, que a glória do segundo superaria a do primeiro. Dito e feito, Cristo andou foi pelo segundo, conferindo a ele um tipo de glória diferente, menos visível, mas mais real. Infinitamente mais glória!

Dirigindo com o rádio desligado para pensar um pouco no que havia acabado de ler, lembrei da minha igreja. Da minha igreja e do seu barulho. Também ali misturam-se duas sortes distintas de ruído: júbilo e tristeza. Há muita gente feliz, animada, olhando o futuro, certos de que a glória que está por vir há de superar em muito a que se perdeu. Há, contudo, muita gente clamando em alta voz e chorando copiosamente porque um dia viu uma outra igreja, mais pura, com maior conhecimento da Bíblia, mais contrastante com o mundo ao redor. O escopo desse choro é, no mais das vezes, não frisando as vantagens daquela sobre esta em que são agora obrigados a viver, mas apontando o dedo para o que consideram errado, podre e distorcido. Dias há, devo dizer, em que o clamor destes é bastante mais forte que o dos outros.

Não creio que um grupo esteja certo e outro errado. Acho legítimo o choro, embora reprove o método com que o externam muitas vezes. Mas que é legítimo suspirar por algo mais substancioso, isso é. Prefiro, contudo, ser contado entre os que confiam na glória que está por vir e se regozijam. Nesse aspecto estou com Vinícius: “é melhor ser alegre que ser triste”.

850_400_oracaopoderosacuraQuando estou nesse dilema volto sempre a João 4:35. É Jesus quem diz que o que nos parece um campo ainda verde, longe de estar maduro, é para Ele um campo em flor, pronto para a sega. Ele diz:”levante os olhos”. Então levanto os meus e os coloco ali, naquele futuro que pode ser estupidamente próximo, já que depende não de minha força ou da dos meus irmãos, mas unicamente da ação dEle, que o prometeu.

Conhecer a profecia, conhecer a promessa, é imprescindível para escolher o tipo de clamor que você deve alçar. Deus o abençoe!

27
jul

Peça com Fé

Gelson de Almeida Jr.

mãos postas em oraçãoQuando estava nas ilhas britânicas John McNeil conta que pastoreou uma igreja que tinha pesadas dívidas. Preocupado com a situação orou a Deus e pediu-Lhe que fizesse algo a respeito. Dias depois um estranho entrou em seu escritório, disse-lhe que tinha conhecimento das dívidas da igreja e que queria ajudar, em seguida, entregou-lhe uma folha de cheque em branco. Disse que fizesse o levantamento do total da dívida e preenchesse o cheque, pois dali a alguns dias viria para assiná-lo. McNeil quase não acreditou no que acabara de ouvir.

Após o estranho sair começou a pensar que tudo aquilo era muito bom para ser verdade. Como o homem prometera saldar uma dívida que era tão grande! Não querendo abusar da bondade do homem, preencheu o cheque com a metade do valor da dívida. Dias depois o homem retornou e nem prestou atenção no valor preenchido, apenas assinou o cheque e saiu. Arrependido descobriu que se tivesse colocado o valor total da dívida o homem, um rico filantropo da região, teria assinado o cheque, mas agora era tarde demais.

O pastor orara ao Pai pedindo ajuda com o problema das dívidas da igreja, quando sua oração foi atendida não teve fé suficiente para ir até o fim. Como ele, muitos abrem o coração ao Pai e suplicam por algo, mas quando o Eterno se manifesta não possuem fé suficiente para receber toda a dádiva, a benção completa.

Tiago aponta duas razões básicas para nossas orações não serem atendidas, a primeira é que nunca pedimos, e quando pedimos, pedimos mal (4:2 e 3), outra razão é que não pedimos com fé, segundo ele devemos pedir e em nada duvidar, pois “(…) se vocês não pedirem com fé, não esperem que o Senhor lhes dê nenhuma resposta concreta” (1:8 BV).

Na próxima vez que elevar uma prece ao Céu não duvide, pois “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sobra de variação” (Tiago 1:17).

26
jul

O leão dentro de si

Marco Aurélio Brasil

Quando eu vi na prateleira da livraria “Descontentamento santo – frustrações que impulsionam à mudança de vida”, fiquei todo empolgado. Não apenas por ser escrito por Bill Hybels, mas porque a insatisfação parece ser unanimidade ao meu redor.

Não sei ainda se essa é apenas uma marca da meia-idade ou se é uma marca específica de nosso tempo. Nos amigos meus contemporâneos e até em gente dez anos mais nova identifico esse descontentamento meio generalizado. Entre os que alcançaram sucesso em suas carreiras, noto uma insatisfação com o preço que foram forçados a pagar por isso; aos que não tiveram sucesso o descontentamento do confronto dos sonhos juvenis e da realidade é evidente. As primeiras marcas da decrepitude física são um cruel lembrete de que já não temos mais todo tempo do mundo e nenhuma das coisas nas quais depositávamos nossos afetos parece satisfazer aquela sede… Para piorar, somos brasileiros, com tudo o que isso tem se mostrado de isento de perspectivas.why-am-i-still-so-discontent
A insatisfação pode ser boa. Pode ser a mola propulsora para fora da zona de conforto e é nesse sentido que o livro de Hybels anda. O problema é que os efeitos desse descontentamento em muitos amigos parece ser altamente prejudicial. Vejo gente fomentando mudanças radicais de vida pelo simples fato de mudar, como se querendo sentir a adrenalina da montanha russa (esquecendo que essa adrenalina é sempre passageira e fugaz por definição). Rasgam o casamento como se fosse papel. Mudam para outro país atrás de não sabem o quê. Descartam a fé da juventude, que em algum momento deixou de ser alimentada, com indisfarçada vergonha de um dia haverem crido em Deus ou talvez com uma leve nostalgia do tempo em que a crença era um elemento importante de sua identidade, de sua noção de mundo, de sua percepção de propósito para a existência e de sua felicidade. Enfim, vejo pessoas queridas impulsionadas pela insatisfação com surpreendente facilidade descartando partes de si mesmas, e o triste é que, em lugar de descartar aquilo que as faz infelizes, elas optam por descartar justamente aquilo que as faz feliz ou que um dia foi a fonte de sua felicidade. Só pra ver o que acontece.
Não me entenda mal, também tenho meu descontentamento. O cabelo que se foi e a barba branca que chegou, os óculos de leitura, a distância entre o que gostaria de estar fazendo e o que faço e as dificuldades financeiras também pesam sobre mim, também inquietam e fazem querer respirar outros ares com frequência. Não me coloco acima de minha geração na mínima coisa. Só queria consignar minha preocupação e contar para você a saída que encontrei.
Aprendi com os salmistas. Nem gosto muito do livro de Salmos para ser bem sincero, mas me encanta ver o que aquela gente faz com cada emoção, as positivas e as negativas. Eles levam todas a Deus. As vitórias para louvá-lO, as derrotas para perguntar “por que?!” Assim fazendo, na maior parte das vezes sem resposta a essa pergunta, testemunho maravilhado o renascer de certas coisas dentro de mim. O amor e a confiança nEle. O amor e a atração por minha esposa. A vontade de fazer um bom trabalho e de ser um bom pai. As coisas de onde tantas vezes extraí a mais pura felicidade, enfim. E o leão do descontentamento fica domado e já nem macula a paz do espírito.
A paz que lhe desejo, a você, que sente o leão rugir dentro de si.

23
jul

Jesus, o Coach

Jesus, o CoachEm certa ocasião, durante uma palestra, Bill Gates afirmara que todas as pessoas, famosas ou não, precisam de um Coach para lhes ajudar a ver a vida sobre outra perspectiva.

A palavra Coach significa “treinador”, e no mundo dos esportes designa aquele que treina, por exemplo, um time de futebol, para que alcance o melhor resultado na competição. No entanto, o Coach a que se refere Bill Gates tem um papel diferente do de um treinador que diz o que se deve fazer.

O Coach é o profissional habilitado para conduzir um processo investigativo interno, para que seu cliente alcance um objetivo específico ou mesmo queira se conhecer melhor; e aqui, cumpre dizer, não se confunde com um terapeuta. Nesse processo, por meio de ferramentas eficientes, crenças e potencialidades são descobertas, reavaliadas e paradigmas mudados.

Ao observar e perceber os pontos fracos e fortes de seu cliente, o Coach apenas fará perguntas que lhe despertem essa consciência que pode estar oculta, sem jamais forçá-lo a se conscientizar sobre a necessidade de cumprir as etapas para alcançar, enfim, o objetivo pretendido.

A proposta do processo de Coaching é a pessoa descobrir-se a si mesma, enxergando-se de forma plena e assim alcançar seu objetivo com eficiência. Por isso a série de direções que são estimuladas pelas ferramentas para que a transformação ocorra mediante esse despertar pessoal.

Surgem, então, ao longo desse processo, desafios que se voltam ao objetivo que se deseja alcançar, e esse ponto é crítico, pois a pessoa pode simplesmente se negar a absorvê-los, imputando-se uma espécie de sabotagem, desistindo, portanto, de seu objetivo.

Aponto certa semelhança desse procedimento com a maneira como o Cristo se comportava diante dos homens que se voltavam a ele, em busca de cura ou de esclarecimentos a respeito da experiência real com Deus. Vide as situações em que ele promove a cura. Qual é a pergunta inicial? “Você crê? ”. Ato contínuo, como ele conclui? “A tua fé te salvou”. Há aí uma aceitação do discípulo pelas ferramentas do Mestre.

Assim como o profissional Coach observa e reconhece os pontos fortes e fracos de seu cliente, Deus faz o mesmo, afinal, quem poderia dizer não encaixado aos padrões humanos enumerados pelas escrituras? Nesse diapasão, o Eterno sugere os caminhos perfeitos para cada situação, funcionando como ferramentas que levarão a criatura em direção ao Criador. Aceitar ou não é uma questão pessoal.

Quem busca a experiência divina real, o faz consciente de que deseja alcançar um objetivo que sozinho jamais conseguiria. Contudo, ao ingressar no Caminho, desafios são propostos, devendo, portanto, se submeter ao processo investigativo interno para que as crenças sejam reavaliadas e paradigmas mudados. Crescer e se transformar é uma decisão pessoal. Deus jamais nos forçará a nada.

E você? Que se entregou ao Coach Jesus Cristo, tem aceitado o desafio de reavaliar as crenças a seu respeito em relação a Deus, ou acredita que diante desses desafios é melhor deixar tudo como está?

Sadi – O Peregrino na Palavra

22
jul

Resplandeça Sua Luz

Gelson de Almeida Jr.

Conta-se que havia um rei muito rico, mas era difícil saber o que era maior, se sua riqueza ou seu desapego das coisas materiais. Certo dia um dos seus súditos perguntou-lhe qual era o segredo de combinar tamanha riqueza com tanta simplicidade. O rei então ordenou a um soldado que desse uma lamparina ao homem e o levasse à sala do tesouro. Disse que era para deixá-lo olhar e tocar em tudo o que quisesse, mas, se a chama da lamparina apagasse, deveria receber 10 açoites.

Duas horas depois o homem voltou à presença do rei, que viu a lamparina ainda acesa. Perguntou então ao homem o que achara de seus tesouros. Timidamente o homem respondeu que se preocupara tanto em manter a chama acesa que nem prestara muita atenção aos tesouros. O rei disse-lhe qual era seu segredo: “Fico tão ocupado em manter a chama da minha alma acesa que nem reparo direito nessas coisas”.

Lâmpada acesaQuando esteve entre nós o Mestre disse que, enquanto aqui estivesse, Ele era a “Luz do mundo” (João 9:5), há quase dois mil anos Ele voltou ao Céus e, para que o mundo não ficasse em trevas, passou a nós a tarefa de ser a “luz do mundo”. Ordenou ainda que deixássemos nossa luz brilhar e que a fizéssemos brilhar de tal modo que o Pai fosse glorificado por nossas ações (Mateus 5:14 – 16).

Diariamente temos oportunidade de fazer nossa luz brilhar, mas, se os cuidados da vida ocuparem o primeiro lugar em nossa mente, deixaremos de iluminar os que nos rodeiam. O maior tesouro, pelo qual devemos lutar, não é o ganho ou enriquecimento pessoal, mas a salvação daqueles pelos quais Cristo morreu no Calvário. Resplandeça sua luz diante dos homens.

21
jul

Técnicas de venda

Marco Aurélio Brasil

Ok, comece chamando a atenção do potencial cliente. Diga, por exemplo: “porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.” A palavra vomitar não é do tipo que se ignora facilmente, e neste caso há o agravante: o cliente é quem está correndo o risco de ser vomitado.

Ótimo, você conseguiu sua atenção. Agora faça-o sentir necessidade do produto, o que ele ainda não sente. Diga: “porquanto dizes: rico sou… de nada tenho falta…” mas em seguida engrosse: “…e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.” Não tenha medo de pintar a miserabilidade do cliente com imagens repetidas, elas se reforçam e exigem reflexão. Afinal, temos aqui alguém falando com muita convicção que ele está redondamente enganado sobre coisas absolutamente evidentes a respeito de si mesmo. Estamos mostrando a ele que embora lhe pareça estar imerso numa abundância sem fim, ele está nu, ele não tem onde cair morto. Aliás, seu destino fatal É cair morto!

Não se engane, mesmo depois de aplicadas essas técnicas iniciais tão eficazes, muitos deles vão tampar os ouvidos, ou então dar uma risadinha amarela, ou quem sabe assentir com a cabeça e em seguida olhar para o lado, como quem diz: “viu? Tá falando com você aí, mané!” Quem sabe o próximo passo da “oferta” não surta efeito? Vamos a ele:

Diga com amor na voz: “aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha de tua nudez; e colírio, a fim de ungires teus olhos, para que vejas.”

Veja, nós acabamos de mostrar-lhe que ele é miserável e nu, então não corremos o risco (esse risco não deveria haver, pelo menos…) de ele entender que nossos produtos demandam o dispêndio de dinheiro. Mesmo assim precisamos usar o termo “compre”, porque ele precisa entender que há um preço e o preço envolve reconhecer sua necessidade e buscar os produtos com todo coração e entendimento! Ele precisa entender que custa tempo, custa desprendimento.

Você sabe, nosso ouro é o melhor que há. É sabedoria que opera salvação, é alto conceito para com Deus. Esse ouro é do tipo que conserta prioridades, ajeita os rumos, põe em perspectiva os valores, gostos e preferências. Nossa roupa não tem igual, o cliente precisa ver isso. Precisa ver que a roupa que ele pensa que o está cobrindo são trapos de imundícia, ou seja, panos usados à guisa de absorvente feminino, sujos! Precisa entender que a sensação de desconforto da nudez advém de estar em desarmonia com a lei divina e que as vestes que estamos vendendo acabam com esse problema. Não tenha medo de enaltecer as enormes vantagens desse produto; lembre o cliente que ele não precisa sequer tentar tirar a roupa anterior, nós é que vamos
despi-lo, limpá-lo e cobrir de justiça branquinha, que tem um ótimo caimento e vai estar na moda pela próxima eternidade inteira. Enfim, temos que mostrar ao cliente que não é à toa que ele é comparado a uma ovelha, já que ovelhas enxergam muito mal. O cliente precisa reconhecer que sua visão é toda torta e extremamente curta. Umas gotas do nosso colírio resolvem isso até que ele seja definitivamente transplantado. Ele precisa ver que para que o colírio seja pingado é preciso submeter-se à sua aplicação, abrir bem os olhos para cima e deixá-los pregados lá, para na seqüência ele ter uma visão mais clara e límpida das coisas rasteiras deste mundo.

A oferta termina com o lembrete de Quem é o vendedor. Diga com tons de confiabilidade a toda prova, diga com o calor de teu amor inigualável, com o poder que só você tem,diga: “eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso e arrepende-te.” Se ele tinha alguma dúvida de que isso foi um puxão de orelhas, se ele pensava que se tratava de mais uma dessas promoções baratas que se fazem a todo instante, não vai mais pensar depois de ouvir isso.

O quê? Você quer acrescentar “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei e ele comigo”? É uma linda figura! Tanto mais quanto seja mais verdade que meramente figura. Fique à vontade. E prepare-se! Pode ser que você tenha de repetir a oferta várias vezes durante a vida do cliente, até ele aceitar nossos produtos. Fale até ficar rouco, se precisar, em diversas ocasiões e de várias maneiras, mas fale, não canse, fale!

Quem sabe não será hoje que ele vai ouvir?

(baseado em Apocalipse 3:14 a 20)

20
jul

Dê o melhor de si

Gelson de Almeida Jr.

Nos dias 03 a 05 de setembro de 1666 um incêndio aniquilou grande parte da cidade de Londres. Foram destruídas 13.200 casas, 87 igrejas, inclusive a célebre catedral de St. Paul e 44 prédios públicos, deixando cerca de 100.000 desabrigados. Sir Christopher Wren, um dos maiores arquitetos da época, liderou o grupo responsável pela reconstrução.

Certo dia, ao visitar uma região onde uma grande igreja era reconstruída, o famoso arquiteto viu que um pedreiro se destacava dos demais pelo capricho e esmero com que trabalhava. Chegou perto do homem e lhe perguntou o que estava fazendo, o homem, que não o conhecia pessoalmente, respondeu:

– Estou ajudando Sir Cristopher Wren na reconstrução desta catedral.

Os danos causados pelo pecado em nosso planeta podem ser vistos por toda a parte, são muito maiores que os causados pelo incêndio em Londres. Cristo, o Grande Arquiteto do universo e responsável pela reconstrução do planeta, e da restauração da imagem de Deus em cada ser humano, conta conosco para realizar Sua Obra.

coração nas mãos

O pedreiro dava o melhor de si na reconstrução da catedral porque sentia-se parte do time de Sir Cristopher Wren. O Eterno deu o Seu melhor para que tivéssemos a chance da salvação e espera que cada um de Seus filhos dê o melhor de si.

Trabalhando ao lado do Criador e Mantenedor do universo, não temos como falhar, Ele nunca falhou, Sua Obra restauradora será concluída a contento, com ou sem a nossa participação, mas como será maravilhoso participar dessa grandiosa tarefa! Você pertence ao time dEle? Então dê o melhor de si.

19
jul

O pior do homem, o melhor de Deus

Marco Aurélio Brasil

Pouco tempo – talvez uma semana- depois do furacão Katrina arrasar New Orleans, em agosto de 2005, lembro de ter ficado profundamente impressionado com uma entrevista feita por telefone como uma brasileira moradora da cidade, exibida numa rádio daqui. Era difícil acreditar que as cenas que ela descrevia estavam tomando lugar dentro da maior potência mundial. Falava de hordas de bandidos que aproveitavam o caos instalado para invadir, roubar, estuprar e matar. Falava de estupros e violência dentro do ginásio onde os desabrigados estavam instalados. Falava do medo, da falta de tudo, da sensação de abandono.

Na época escrevi que basta uma situação limite como a do furacão para que a velha natureza consiga botar sua cabeça hedionda pelas frinchas da casca de civilidade que afetamos ter, como um alien só esperando a ocasião se mostrar.na6xta

De fato, o homem em seu pior é capaz das mais arrematadas barbaridades. Em nome de Deus ele pode pegar um caminhão e sair atropelando inocentes, pode se explodir com eles ou pode (como fez ao menos um importante pastor evangélico americano) ficar feliz com o atentado numa boate gay, afirmando que o atirador fazia o trabalho de Deus. Especialmente numa situação limite, quando as coisas faltam, você e eu temos essa besta querendo aparecer, e que dizer das tantas e tantas vezes que ela assume o controle sem nem notarmos, nos levando a cultivar hábitos destrutivos, nos convencendo a se conformar com o inconformável em nós?

Bem, Philip Yancey cita John Marks, produtor do prestigiado programa de TV americano Sixty Minutes, que escreveu um livro sobre uma pesquisa de dois anos que ele fez sobre os evangélicos. “A resposta da igreja ao furacão Katrina provocou para ele uma reviravolta e se tornou uma forte razão para crer. Uma igreja batista de Baton Rouge alimentou 16 mil pessoas por dia durante semanas; outra abrigou 700 que tiveram de deixar suas casas. Mais outra igreja funcionou como ponto de distribuição para 56 igrejas, e igrejas de estas vizinhos enviaram regularmente equipes de ajuda humanitária para a reconstrução de casas durante anos, muito tempo depois que a ajuda federal se havia esgotado.” O discurso evangélico enojava Marks, mas sua ação quando outros se omitiam ou, pior, pilhavam e saqueavam, falou mais alto que qualquer discurso.

Quando o homem tem a ocasião perfeita para mostrar seu pior, Deus tem a ocasião perfeita para mostrar o Seu melhor. E, por absurdo, escandaloso e contra producente como possa parecer, o melhor de Deus somos você e eu.

Não estou falando de New Orleans, Nice, Paris, Darfur, Somália ou Síria, mas de um certo país em crise da América do Sul. Estou falando de onde você está. Aí mesmo, amigo, você é o melhor de Deus. Ele livremente escolheu abster-Se de tomar a frente, respeitando nossa (da humanidade) escolha por mantê-lO longe, e abriu caminho para ser representado por criaturas minúsculas como nós aqui. Nós, os que temos aquele alien querendo assumir o controle todo tempo. Nós, que fomos salvos e redimidos, mergulhados nas águas e renascidos novas criaturas em Cristo.

Seja tudo que pode ser.

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