Monthly Archive: junho 2016

30
jun

A verdade está lá fora

Marco Aurélio Brasil

Estes dias descobri a origem do nome de uma revistinha em quadrinhos que me dava calafrios de só ver pendurada na banca, lá nos longínquos anos 80: “Contos da Krypta”. Pelo menos eu acho que descobri. Foi quando descobri também a origem da palavra “criptografia”, que vem a ser “kriptos” = desconhecido, misterioso, ignorado, + “graphos” = escrita.

“Contos da Krypta” era uma publicação de histórias de terror tipo “c” (chamar de tipo “b” seria um insulto a essa forma de expressão artística, se é que você me entende). Sendo seu nome derivado de algo que remete a mistério, desconhecimento, isso faz o maior sentido. Não é à toa que os investigadores de “Arquivo X” (que, confesso, nunca tive ocasião de assistir), vivem repetindo, com olhar enigmaticamente soturno, que “a verdade está lá fora”. A frase cai bem a um seriado de mistério.
aa
Na verdade, o ser humano morre de medo do que não conhece. O que lhe é desconhecido é uma fonte interminável de pavor. Temos medo de escuro, porque não estamos vendo o que está lá, então, pode ser que exista alguma ameaça. Temos medo de pessoas muito diferentes, porque se elas se vestem tão diferente, se usam o cabelo tão diferente, têm uma opção sexual ou religiosa distinta, algum mal podem nos fazer! A verdade está lá fora, nós não a temos, nós estamos “aqui dentro” e ela, a verdade, pode ser aterradora.

Pois bem, acontece que o que nós não sabemos é infinitamente superior à quantidade de coisas que nós sabemos. Ou julgamos saber. Estamos em uma jangada de paus verdes amarrados com cipó, boiando num mar de ignorância.

Todo esse oceano não cabe em nossa pequenez, eis aí um fato consumado. É por essa razão que Deus nos compara a ovelhas e a Si mesmo como um pastor que as guia com seu cajado. O pastor ajuda a ovelha a orientar seus próximos um ou dois passos, tem que ir orientando o tempo todo, porque ela é meio burra, coitada, além de enxergar muito mal. De igual maneira, o Senhor nos ilumina o espaço exato da próxima pisada. Ele diz que quando encontrarmos uma encruzilhada, ele vai orientar-nos a tomar o rumo certo (Isaías 30:21). Não diz que vamos saber o trajeto exato de antemão, a ponto de nem hesitarmos na encruzilhada. Não, não, somos pequenos e nossa tendência a não querer chegar no ponto certo, aonde existe luz sobre tudo, eternamente, é muito grande.

Temos que lidar com a ignorância, confiando que há uma luz confiável a nos guiar para longe dos perigos reais, aqueles que de fato existem, e que de fato representam uma ameaça digna de inspirar genuíno temor para nós.

Afinal de contas, se a verdade está lá fora, Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Louvado seja por isso! Dá para descansar, dormir
tranquilamente em nossa precária jangada, na certeza de que ela vai dar no Porto Seguro!

29
jun

Não tema, volte para casa.

Gelson de Almeida Jr.

mulher com mala na maoAmargo regresso, história contada como verídica, fala de um jovem soldado que voltava para casa após lutar numa sangrenta guerra. No meio do caminho liga para os pais e lhes pede um favor, queria levar para casa um amigo que pisara em uma mina e perdera um braço e uma perna. Os pais concordam dizendo que gostariam muito de conhecer o rapaz. O jovem, porém, diz que seu amigo não tinha para onde ir e que desejava que ele morasse com eles. Os pais respondem:

– Puxa, filho, não é fácil cuidar de uma pessoa com tantas dificuldades assim, mas traga-o com você, nós vamos ajudá-lo a encontrar um lugar para ele.

O jovem insiste e diz que queria que o amigo morasse com eles. Os pais novamente o decepcionam ao dizer que esse seria um fardo muito grande para eles, que perderiam parte de sua liberdade ao ter que cuidar de alguém nesse estado. O rapaz diz ao pai:

– Está certo papai, o senhor tem razão.

Dias depois o casal recebe outro telefonema, era a polícia dizendo que seu filho cometera um suicídio num hotel barato, de beira de estrada, bem perto dali. Ao fazerem o reconhecimento do corpo viram, com lágrimas nos olhos, que faltava ao filho um braço e uma perna. Ele era o jovem que se ferira na guerra e ficara mutilado, com medo da rejeição, não terminou o caminho de volta para casa.

O medo de não ser aceito pelos pais fez aquele jovem tomar duas atitudes drásticas, nunca voltou para casa e tirou a própria vida.

Diariamente participamos de uma guerra contra o pecado e as forças do mal, muitas vezes saímos do conflito completamente alquebrados, mutilados e desfigurados. A boa nova, porém, é que podemos ser rejeitados pelos amigos, pela família e pela sociedade, mas nunca o seremos pelo Eterno. Ele nos aceita tal qual estamos, mais que isso, nos restaura, nos cura e nos transforma. Eleva-nos a uma condição tal como se nunca houvéssemos pecado. Ele nos ama e, mais que qualquer outra coisa, deseja que voltemos para casa, a Sua casa.

28
jun

Aqui se faz, aqui há graça

Marco Aurélio Brasil

Aqui se faz, aqui se paga, não é? Sei. Veja Arão, por exemplo.

Poucos personagens da Bíblia me intrigam tanto. Enquanto seu irmão está no Sinai, recebendo as tábuas dos dez mandamentos, ele está lá embaixo fazendo uma escultura em ouro no formato de um bezerro para o povo adorar como se ele fosse seu deus, como se esse ídolo tosco e recém criado tivesse tirado o povo do Egito. E o povo não faz apenas isso, em adoração ao bezerro de ouro o povo “se levanta para folgar”. Arão acaba por estimular uma orgia regada a vinho no meio do arraial israelita.
osdezmandamentos1208
O papel de Arão nesse episódio é inequívoco. “Feriu, pois, o Senhor ao povo, por ter feito o bezerro que Arão formara” (Êxodo 32:35). Quer dizer que caiu um raio na cabeça do irmão mais velho de Moisés? Não.
Ele se safou dessa e não apenas isso, mas foi eleito sumo sacerdote na sequência.
Mais adiante ele e sua irmã, Miriã, se lançam a esporte favorito de muita gente: falar mal dos parentes. No caso, de Moisés e de sua esposa. É tanta fofoca que aquilo evoluiu para um verdadeiro motim, uma “sedição”. Deus também fala por nós, diziam eles. Como resposta, Deus faz com que Miriã fique leprosa. Ei, como assim? E Arão?
Moisés intercede por sua irmã e aquela doença incurável é curada. Em Deuteronômio 9 há uma pista de porque Arão se safou também, falando especificamente do episódio do bezerro de ouro:“O Senhor se irou muito contra Arão para o destruir; mas também orei em favor de Arão” (verso 20).
Arão me ensina que não é legítimo alimentar expectativas de que a punição pelos erros (dos outros, mas também dos meus), seja tão automática e exemplar como se isso aqui fosse um filme americano. Arão também me ensina que a graça divina soa injusta muitas vezes. Arão me ensina que uma vida de retidão e devoção a Deus impacta as pessoas ao meu redor, já que foi em deferência à oração de Moisés que seu irmão não fez e pagou já aqui. E Arão me faz lembrar do poder que tem a oração intercessória.
Você quer abençoar seus filhos? Servir a Deus com integridade certamente é um investimento melhor do que qualquer poupança polpuda ou previdência privada. Esse investimento, aliás, pode impactar até mil gerações.

25
jun

Mudança de Reinos

Mudança de ReinosA notícia polêmica desta sexta não foi outra senão a da saída do Reino Unido do bloco da União Europeia. Naquele solo pátrio, os mais jovens lamentam e os mais velhos se regozijam. Para alguns dos países daquele mercado comum o caminho deverá ser o mesmo. Pelo mundo, as bolsas caíram e não se fala de outra coisa, a não ser que o quadro geopolítico mundial começa a mudar.

Da parte dos teólogos veio a relação do fato com a profecia de Daniel 2, passagem que trata do sonho de Nabucodonosor com a estátua feita de materiais diferentes. É sobre este aspecto que os convido a meditar, afinal, nem tudo o que se relaciona a esse assunto ocorrido na Europa interessa aos que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.

A estátua mostrou reinos que o tempo comprovou, a saber: a cabeça de ouro (Babilônia), o tronco de prata (Medos e Persas), a cintura de bronze (Grécia), as pernas de ferro (Império Romano) e os pés de uma mistura de barro com ferro (Países europeus, que são a divisão do Império Romano).

O que é a União Europeia e o início de seu rompimento, que agora ocorre com a saída da Inglaterra e a manifestação de outros países a pender nesse sentido, senão o reflexo da passagem de Daniel quando afirma: “…se procurará fazer alianças políticas por meio de casamentos, mas essa união não se firmará”.

A União Europeia parece forte, contudo, sabemos, é composta por países fortes e fracos. Basta comparar a Alemanha ou a Inglaterra com a Grécia ou Portugal. Também este fato se adequa à profecia de Daniel, que afirma: “…esse reino será em parte forte e em parte frágil”.

Nesse diapasão, muitos já imaginam que tais rumos possam levar as nações (reinos) europeias a se afastarem umas das outras, criando barreiras entre si, ocasionando extremismos nacionalistas que jamais produziram bons resultados. Una-se a isso os fundamentalismos político e religioso em ascensão no mundo, gerando reconhecida desigualdade e violência, e a falência de uma série de outros sistemas que guarnecem a estabilidade de uma sociedade justa, culminando na degradação de valores sociais e morais, temos aí um barril de pólvora pronto a explodir.

Dois fatos, segundo as escrituras, surgirão desse quadro. Primeiro, o levantamento de um líder que conduza o mundo à paz, o que convenhamos, também é profético no sentido dos tempos do fim. Segundo, conforme ainda o livro de Daniel, na época desses “reis”, o Deus dos céus destruirá todos esses reinos e os exterminará, estabelecendo um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo, durando para sempre.

Mudança por mudança, aguardamos a que vem da parte de Deus, com a volta de Jesus. Portanto, não nos preocupemos com estas coisas, a não ser para reconhecer as profecias e nos fortalecermos mais ainda no sentido de guardarmos os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.

Sadi – O Peregrino da Palavra.

24
jun

Gelson de Almeida Jr.

Quando pequeno meu pai me contou uma história sobre fé que recordei dias atrás. Num vilarejo assolado pela seca que castigava a região, a população, que vivia à base da agricultura, estava perdendo a esperança de aproveitar qualquer coisa daquilo que plantara.

Certo dia resolveram se reunir no final da tarde em uma capela que ficava no alto de um monte. Quando todos estavam reunidos na praça, prontos para iniciar a subida, uma garotinha deu um grito e pediu que todos esperassem, ela tinha esquecido algo em casa. Corre em casa e volta com um guarda-chuva debaixo do braço. Alguns sorriram e perguntaram qual a razão de voltar para pegar um guarda-chuva já que a estiagem era tão grande. Com a inocência própria de uma criança ela respondeu:

– Se vamos orar para que chova, eu não quero me molhar!

homem orandoBasicamente pode-se afirmar que existem três tipos de atitudes ao se orar:

  • Os que oram duvidando de resposta favorável. Sua frase típica quando a resposta não vem de imediato é: “Eu sabia que não iria conseguir! ”
  • Os que oram com fé, mas possuem uma fé tão pequena que é praticamente imperceptível. Sua frase favorita: “Cansei de esperar, Deus nunca me responde mesmo! ”
  • Os que verdadeiramente oram com fé. Sua frase típica: “Senhor, não sei qual a Tua vontade, mas confio que farás o melhor! ”

Tiago afirma que se orarmos ao Pai com uma mente duvidosa não devemos esperar dEle nenhuma resposta concreta (Tiago 1: 6-8 BV). Paulo diz que não se pode agradar a Deus sem fé, sem confiar nEle e que qualquer um queira ir até Ele deve crer que Ele existe e que recompensará os que sinceramente O procuram (Hebreus 11:6 BV).

Como você tem orado ao Pai? Sua oração e sua atitude ao orar mostram o tipo de fé que você possui.

22
jun

Derrota para o Everest

Gelson de Almeida Jr.

1951, Edmund Percival Hillary fracassa por completo em sua tentativa de escalada do Everest, mesmo assim, os ingleses o convidam para ser fosse homenageado. Durante o evento ele discursa, fazendo um relato do que havia enfrentado pelo caminho, em certo ponto, larga o microfone, dirige-se para a enorme figura que retratava seu percurso na montanha, e diz em tom solene: – Monte Everest, você me venceu esta primeira vez. Mas eu irei vencê-lo no próximo ano, por uma razão bem simples: você já chegou ao máximo de sua altura, enquanto eu ainda estou crescendo!

hillary-edmund-norgay-tenzingEm 29 de maio de 1953, Hillary, e seu ajudante Tenzing Norgay, foram os primeiros homens a atingir o cume do Everest (8848m) e retornar para contar a história.

Ao longo de nossa vida nos deparamos com problemas que nos torturam, nos massacram e, até nos deixam prostrados por muito tempo. São coisas que quase nos fazem perder a esperança de uma solução favorável. Mas, assim como foi o Everest para Hillary, eles devem ser para nós, um desafio a ser vencido, um alvo a ser perseguido, um objetivo a ser alcançado.

Tivesse Hillary se desanimado e caísse prostrado, lamentando sua triste sorte, não teria chegado ao cume do Everest, mas, ao contrário disto, levantou a cabeça, se preparou e iniciou a jornada de subida novamente, para se deter apenas no cume da montanha.

Na vida cristã devemos fazer o mesmo, não ficar pensando nas quedas e nas derrotas, pelo contrário, elas devem servir como lição para a próxima tentativa, uma hora conseguiremos a vitória. Como filho do Pai celeste você tem duas certezas, a de que enfrentará aflições (João 16:33) e a de que Ele sempre estará ao seu lado onde quer que você vá. Não tema, não desanime, porque o Senhor Deus estará com você, onde quer que estiver (Josué 1:9).

21
jun

Justiça

Marco Aurélio Brasil

justiçaQuando Bush filho resolveu jogar as bombas americanas sobre o Iraque, que estava quietinho no canto dele há tanto tempo, como se ele tivesse alguma coisa a ver com os atentados de 11/09, o maniqueísmo tomou de assalto a opinião pública americana. Vendeu-se  a ideia de que se tratava de uma luta do bem contra o mal. Pra que ficar buscando sutilezas se nós somos bonzinhos, defensores da liberdade, paladinos dos direitos humanos, enquanto eles são assassinos contumazes, fundamentalistas retrógrados, comedores de criancinhas?

Leia A ditadura envergonhada e A ditadura escancarada, obras capitais de Elio Gaspari, e perceba que esse simplismo determinava as ações de ambos os lados, os repressores e os reprimidos, e ambos cometeram barbáries sob a justificativa pueril de que estavam “do lado certo”.

Os detratores do cristianismo o acusam desse tipo de simplismo. O que é ruim é culpa de Satanás, o que é bom vem de Deus. Enxergam no discurso bíblico uma pintura do bem contra o mal em tintas primárias, infantis. A ideia de alguém que é bom porque é bom, encarna esse conceito, sob o lado iluminado do ringue, e, do lado escuro, alguém que é mau porque é mau, e faz malvadezas porque gosta disso cheira, aos intelectos refinados do século XXI, como manipulação dos medos e anseios das massas. Em suma, o cristianismo seria fruto da imaginação humana, propositalmente destituído de sutilezas ou complexidades.

Em parte eles têm razão. O cristianismo é simples. Tão simples que parece loucura aos sábios, como louca é a sabedoria deles aos olhos de Deus. Mas esses leitores desatentos da Bíblia ignoram que a batalha, a grande guerra na qual estão todos envolvidos (você e eu também), descrita nas Escrituras, gira em torno de algo mais do que um antagonismo natural entre o que “é bom” e o que “é mau”. O que realmente está em jogo nessa guerra é o binômio “adoração/obediência”.

Em jogo está o que realmente é digno de ser adorado e de ser obedecido. Era o que estava em jogo quando Satanás tentou a Cristo no deserto. Era o que estava em jogo na batalha no Céu. É o que está em jogo neste exato momento nas escolhas mais banais que você e eu fazemos.

Satanás começou sua bem sucedida obra moderna nos convencendo que não precisamos necessariamente adorar ou obedecer a alguém. Ledo engano
cometem os que caem nessa ladainha. “Justiça”, me disseram nas primeiras aulas de Direito, “é dar a cada um o que é seu”. Se Deus pede adoração e louvor é porque Ele é digno disso! Ele merece! Não é que seja egoísta, edonista ou algo do gênero. Para confirmar o que digo, basta passar algum tempo com Ele. Seu caráter é inignorável. É do tipo que encarna, diminuindo-se infinitamente, e morre em favor de criaturas mesquinhas.

Se Ele merece adoração e obediência, por ser digno disso, por ser o criador e mantenedor de tudo, e por ter como primeiro e mais evidente traço de seu caráter o Amor, se Ele nos chama para semelhança com Ele, se está disposto a efetuar uma cirurgia plástica, nos moldado à sua imagem e semelhança, e um transplante, trocando nosso coração de pedra por um de carne, nos mudando o querer e possibilitando o efetuar; bom, se tudo isso é mesmo assim (venha e veja!), então o sorriso que eu deixo de dar ao que está ao meu lado não é só um ato de insensibilidade, é louvor que deixou de ser dado. O interesse que eu deixo de ter em quem passa por problemas não é só “cada um com seus problemas”, mas adoração prática que foi suprimida a Deus, e dada ao seu oponente.

Quem perde com isso sou eu mesmo, porque não há gozo maior do que fazer a justiça,dar as coisas a quem merece, estar em harmonia com as leis que Ele desenhou. É por isso que Ele diz, poeticamente: “ah, se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos… Seria então a tua paz como um rio! (Isa 48:18). Fazer o certo é fonte de alegria, de paz de espírito, como um rio que corre sereno por entre as rochas!

Para adorar direito e a Quem merece, o primeiro passo não é sair desesperadamente sorrindo pra todo lado, mas ajoelhar e entregar-se nas mãos dEle. Usando suas palavras, expressando seus sentimentos. Como disse Jesus, “aquilo no que está o seu coração, aí também estará o seu tesouro”. Ele quer tomar o teu coração, o teu afeto. Acredite, Ele é irresistível, basta passar tempo admirando. O resto é com Ele.

Se você já sabe tudo isso muito bem, oro pra que este sábado seja de reafirmação da tua adoração e obediência a Quem de direito.

21
jun

Saia do barco

Marco Aurélio Brasil

You call me out upon the waters, é como começa Oceans, canção lançada em 2013 pelos australianos do Hillsong United. Você me chama para sair do barco e andar sobre as águas, sobre o desconhecido, onde os pés podem vacilar.

Porque tudo começa numa crise. Trocar a previsibilidade do barco pela incerteza das águas? As razões para não dar esse passo são ótimas, são razoáveis, são confortáveis. Eu tento sufocar a voz que me chama para andar sobre as águas. Eu tento não ouvir, tento negar. Se eu não ouvi esse convite, então estou no barco ainda. Se eu não ouvi, estou onde Tu não estás e minha vida jamais vai ser diferente do que foi até aqui. Posso, no máximo, almejar repetir a melhor alegria que já tive. Sem nenhuma certeza de conseguir, mas se conseguir, bem, essa terá sido toda minha recompensa.

HillsongOceansCrise.

And there I find you in the mystery, in oceans deep my faith will stand. Porque é se permitindo deixar que o Autor do chamado me reinvente, é permitindo que a crise se instale e que meus pés se movam por terreno desconhecido que eu O encontro. E sobre as águas profundas minha fé endireita sua espinha, se põe totalmente de pé e respira fundo. Nas águas profundas ela pode vicejar. Your grace abound in deepest waters. Tua graça, que alguém que já esteve lá chamou de maravilhosa, é mais abundante nas águas mais profundas. Se eu fico no rasinho tenho um pálido vislumbre dela. Se eu fico no raso da zona de conforto, se eu fico no raso das noções enlatadas sobre quem Tu és, se eu fico no raso das opiniões de outros, do contato frio, semanal contigo, se eu não avanço sobre as águas mais profundas… terei me conformado em ver muito de longe a terra prometida.

And I will call upon Your name/and keep my eyes above the waves/when oceans rise/my soul will rest in Your embrace/For I am Yours and You are mine. É que depois da crise não há a menor chance de eu querer retornar. Eu Te encontrei. Senti a doçura incomparável de pertencer a Ti. Mas o barco lá atrás tem seu clamor, eu sei. Eu sinto. Então preciso me lembrar constantemente para manter os olhos sobre as ondas, fixos nAquele que me chamou.

Your sovereign hand will be my guide. Tua soberana mão me guiará. Por onde? Talvez where feet may fail and fear surrounds me (para fora da zona de conforto, onde os pés vacilam e os medos me cercam), mas You’ve never failed and You won’t start now. Ah, não, não será agora que Aquele que jamais falhou falhará!

A entrega é um ato de coragem, não de fraqueza. Permitir que a crise se instale e deixar que ela cresça até assumir a forma inequívoca de um chamado inignorável para sair do barco e andar sobre águas escuras, águas profundas, no meio da noite… meu amigo, isso requer valentia. Que eu não tenho. Que Ele dá.

Spirit lead me where my trust is without borders. Espírito, me guie até o local onde minha confiança não conheça limites. Me leve ao local mais profundo. Sobre a fossa das Marianas, onde minha fé seja obrigada a malhar loucamente para adquirir músculos e se tornar maior bem maior do que eu. Me leve onde Tu estás. Me faça esquecer o conforto estéril daquele barco, não posso, não quero voltar lá nunca mais, não quero tirar os olhos de Ti e afundar, não quero a solução fácil de uma certeza calçada na ilusão.

Que eu veja (que não esqueça) que o barco é ilusão, por mais que meus sentidos o apalpem. Amém.

18
jun

Inclinações

InclinaçõesTodos já devem ter reparado que basta assistir uma edição de jornal para saber sobre as nefastas notícias que ocorrem no país e no mundo. A repetição nas outras edições do mesmo dia é uma regra. Você muda de canal, e lá está a notícia novamente, com comentários que pouco ou nada acrescentam ao tema.

Nesse diapasão, não raro permitimos a entrada de uma carga enorme de informações negativas em nossa mente. Saber o que se passa é importante, por isso a escolha que possa informar, comentar e analisar a notícia com qualidade e equilíbrio é fundamental. Ajuda-nos a pensar o mundo em que vivemos e a discutirmos a sociedade que queremos viver. Mas isso só não basta. É preciso manter a mente em paz, refletindo de forma nobre, pura e amável, voltando-a, sobretudo aos interesses do Alto.

Digo isso, pois, passei a perceber de uns tempos para cá que os desequilíbrios noticiados no Brasil e no mundo são tão intensos que influenciam muito o pensamento das pessoas, sobretudo sua paz de espírito, inclinando-as a comportamentos igualmente desequilibrados. Não raro percebo amigos que conhecem e vivem pelo evangelho, bastante alterados com as notícias.

Convenhamos, nada de novo debaixo do sol. E de mais a mais, com algumas exceções em que seja preciso se posicionar construtivamente, pergunto o que mais importa a quem vive do evangelho senão manter o espírito e a mente em paz.

Se deixarmos nos contaminar pelas ocorrências anunciadas todos os dias, o que sobrará de nossa fé? Devemos lembrar de Paulo quando anunciou que todos os lados somos pressionados, mas não devemos desanimar; que também ficamos perplexos, mas não desesperados. É preciso manter o equilíbrio da fé que vive em nós.

Importa nos livrarmos da contaminação deste mundo e do pecado que nos envolve, não andando ansiosos por coisa alguma, para que a paz que excede todo o entendimento guarde os nossos corações e mentes em Cristo. Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno, conforme ensina ainda a construtiva lição de Paulo.

Sadi – O Peregrino da Palavra

17
jun

E a minha vida

Gelson de Almeida Jr.

PeterTorjesenPeter Torjensen, um jovem norueguês, aos 18 anos ouviu um apelo para contribuir com a obra missionária. Resolveu entregar como oferta todo o dinheiro que tinha dentro de sua carteira, mas, enquanto fazia isto, sentiu-se impelido a fazer mais, imediatamente pegou um pedaço de papel e escreveu: “E minha vida”, e colocou junto com o dinheiro. Oito anos mais tarde ele estava na China trabalhando como missionário.

Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa ele e sua esposa Valborg, abriram as portas de sua casa e da igreja, em Shanxi, para 1000 refugiados. Seu trabalho entre os moradores da região foi tão profícuo que lhe deram um nome chinês, Ye Yongqing (Folha Sempre Verde). Em 14 de dezembro de 1939, aos 47 anos, faleceu vitimado por um ataque japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Até hoje é reverenciado pela população da região.

Qual tem sido a sua oferta diária ao Doador de todas as coisas? “Dá-me, filho meu, o teu coração…” (Provérbios 23:26) é o pedido que o Eterno fez a Torjensen e continua a nos fazer diariamente. Aquele jovem de 18 anos entendeu muito bem o que o Eterno pedia e se entregou por inteiro.

O Eterno espera de cada um de nós uma entrega total e irrestrita, provavelmente nunca será pedido a você que O sirva em terras longínquas, mas, Ele espera de você e de mim, confiança e entrega como a de Torjensen. “E a minha vida”, esse é o complemento da entrega que o Eterno espera de cada um de seus filhos.

1 2 3