Monthly Archive: abril 2016

30
abr

Flores e Espinhos

Flores e EspinhosO que é natural em nossa vida senão reagirmos às afrontas que nos chegam. Resultado de um processo humano que por milênios nos separou de Deus, tornando-nos escravos de inclinações carnais que não encontram, por exemplo, no domínio próprio, a reação equilibrada que nos faz andar na contramão do mundo.

Assim também as nossas ações que se voltam apenas para o curtir, comer, dormir, elas que são naturais ao homem. Instintos que precisam ser controlados para que não sejam a regra de vida. O domínio próprio faz morrer em nós essas atitudes que se desalinham à natureza de Deus.

Como todos sabem, a vida nem sempre são flores, mas alguns espinhos servem para nos proporcionar a direção ao justo e ao perfeito, aproximando-nos cada vez mais da cumplicidade necessária ao relacionamento com Deus. Por isso a necessidade de plantar sementes que venham do Espírito de Deus, segundo a palavra de Paulo em Gálatas. Se guiados pelo Espírito de Deus, somos tidos por filhos de Deus, segundo também a palavra de Paulo na carta aos Romanos.

Só assim poderemos colher frutos do amor verdadeiro e do crescimento. Vivenciar as dificuldades de um relacionamento pessoal, assim como a dois ou em sociedade, é preciso se alinhar à responsabilidade e à firmeza nos levam a superar nossos limites humanos, fazendo-nos a conhecer a essência do amor que está em nós, à espera da descoberta e crescimento, afinal, fomos feitos à imagem e semelhança de nosso Criador, bendito seja.

Só regando esse jardim se consegue superar problemas comuns aos relacionamentos, a começar de nós conosco mesmos, fazendo com que a vida valha a pena ser vivida de forma transformada. No mais, sim, tudo são flores. E que Deus nos abençoe a todos.

Sadi – Um peregrino da palavra

29
abr

O Toque do Mestre

Gelson de Almeida Jr.

É conhecida a história do leiloeiro que, leiloando um velho violino, estava tendo muita dificuldade para conseguir um valor razoável pelo instrumento, os lances estavam muito aquém do valor esperado. De repente um velho homem se levanta no auditório, dirige-se até onde estava o violino e começa a tocar uma linda canção. Quando acabou o público estava em êxtase, que som maravilhoso possuía aquele instrumento. O leilão recomeçou e o preço alcançado foi muito maior que o esperado. O toque do mestre fez com que todos vissem o verdadeiro valor daquele instrumento.

Ao longo do Seu ministério Cristo teve dezenas de encontros com pessoas que eram desprezadas pela sociedade. Leprosos, cobradores de impostos, surdos, mudos, paralíticos, endemoniados e mulheres com os mais diversos tipos de doenças e visibilidade social, pessoas que, no “leilão social”, nem atenção recebiam, foram por Ele atendidas, mais que atendidas, foram amadas, curadas e restauradas.

mao divina estendidaÉ interessante perceber que não existe nenhum relato de pessoas restauradas pelo Mestre que continuassem desvalorizadas após receberem o Seu toque. Assim como o toque do mestre fez subir o valor do velho violino, o toque do Mestre fez “subir o valor” de cada uma daquelas pessoas.

O Mestre que nunca rejeitou uma pessoa sequer, que mesmo pendurado na cruz restaurou um ladrão e lhe garantiu a vida eterna, quer tocar em você, transformá-lo, restaurá-lo e colocá-lo numa condição que nunca esteve antes. Não importa o seu valor, após o toque do Mestre ele aumentará inimaginavelmente. Vá até Ele, você não será rejeitado (João 6:37). Sua mão está estendida, deixe que Ele toque você.

28
abr

Por que?

Marco Aurélio Brasil

A Guerra do Vietnã popularizou uma estampa de camisetas em que se via um soldado de joelhos, chorando, os braços levantados, os punhos fechados e acima dele uma única palavra, em letras garrafais: “Why?” Por que aquilo tinha que acontecer? Os historiadores, analistas, jornalistas, comentaristas e intelectuais teriam diversas respostas,
mas a pergunta persiste: Afinal de contas, por que? Detalhes estratégicos transformando o mapa múndi num complexo tabuleiro de xadrez chinês, mil e um motivos, políticos, bélicos, hegemônicos, econômicos. Sim, mas POR QUE? Veja aquelas pessoas todas, sem casas, sem braços, sem familiares, sem vida. Em face disso, por que? Em face disso não há nada que possa explicar, entende?

Não só o ápice da estupidez humana, a guerra, suscita a pergunta, mas há neste exato momento milhões de pessoas que não estão necessariamente voltados para o Oriente Médio ou outra zona de conflito qualquer e que, no entanto, têm reboando de um lado para o outro de suas mentes a pergunta Por que?
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Pessoas que indagam se já não sofreram bastante. Ao sentirem em suas peles a dor outra vez, encaram o Céu e suplicam por uma resposta que satisfaça sua sede de lógica e justiça nisso tudo. Pessoas que se sentem, num repente, o alvo exclusivo de todas as desgraças do mundo, problemas sobre problemas, um labirinto sem saída dentro do outro.

Gostaria de poder sentar ao lado de cada uma dessas pessoas e lembrar-lhes o principal representante dessa classe de sofredores dentre seres humanos; alguém que também encarou o Céu com perguntas angustiadas por muitos e muitos dias; ele, que costurou uma interminável lista de perguntas na busca do entendimento. Ele, Jó, que num único dia perdeu tudo o que tinha, incluindo aí família, propriedades e saúde. E ele tinha abundância disso tudo, o que só agrava a dor.

O relato bíblico explica que ele estava no meio de uma verdadeira disputa teológica, um conflito de caracteres entre Deus e Satanás. Mas Jó não sabia de nada disso, e perguntava. Perguntou tanto e tanto, que Deus veio e… não respondeu. Ao contrário, soterrou Jó com ainda muito mais perguntas. Perguntou a Jó onde ele estivera quando Ele lançara os fundamentos da Terra, se Jó sabia como acontecia a gestação das cabras montesas, se era Jó quem ensinava o cavalo a pular, quem é que havia fixado os limites do mar e por aí afora.

Jó não entendeu. Deus não lhe explicou. Ele não alcançou em vida a razão de todo aquele sofrimento. Simplesmente, no meio de sua dor, Deus lhe fez perguntas e um milagre aconteceu, porque diz a Bíblia que Jó creu, que Ele confiou na guia divina e o período de provações terminou, ele voltou aos dias áureos, mais áureos que nunca.

O que o ser humano precisa não é dos porquês, mas olhar nos olhos de Deus. Desesperadamente.

Enquanto não percebe essa necessidade urgente, meu Deus, não canse de olhar na nossa direção! Não desista ainda! Não tomes mais essa prova de estupidez como a final. Não tomes nossa insistência em se angustiar com os problemas comezinhos que nos afligem como definitiva!

Olha, Pai. Olha.

27
abr

Ipê ou Videira?

Gelson de Almeida Jr.

ipeAo lado de minha casa há muito tempo plantamos alguns ipês rosa, foi uma alegria quando meu pai chegou com as mudas, não via a hora de as plantar. Finalmente, no fim de semana, ele teve tempo e me chamou para plantar, logo a maioria dos vizinhos plantou sua árvore. .

Quando estão floridos esses ipês tornam a rua mais bela e agradável, pessoas tiram fotos das enormes árvores floridas. Hoje, porém, em pleno outono, além de não existir uma flor sequer, centenas de folhas caem diariamente, sujando as casas e a rua. Enquanto escrevo, ainda estou lembrando do balde de folhas secas que recolhi do quintal minutos atrás, confesso que cada dia que faço isso fico a pensar se vale a pena tanta sujeira para pouco tempo de encantamento com as flores.

Enquanto recolhia as folhas hoje pensei se em minha vida como cristão não tenho sido como esses ipês que passam a maior parte do ano fazendo sombra, umas poucas semanas alegrando com as flores e outra grande parte do ano apenas poluindo o ambiente.

Certa feita, falando da nossa relação com o Ele e o Pai, Cristo disse que é a videira, nós somos os ramos e o Pai o viticultor (João 15: 1-8), disse ainda que todo aquele que estiver firmemente ligado a Ele dará muito fruto.

Em sua vida o que você tem mostrado ser, um ramo da videira ou um ipê? Se for ramo da videira, e estiver unido a Cristo, continuamente produzirá bons frutos, mas se for como os ipês ao lado de casa, durante um pequeno tempo deslumbrará com suas flores, mas terá longos períodos de sombra e outros em que se desnudará e poluirá o ambiente.

O ipê não tem escolha, essa é a sua natureza, mas você tem escolha, una-se a Cristo e torne-se uma nova criatura (II Coríntios 5:17), uma que produza continuamente bons frutos.

26
abr

Nova ordem

Marco Aurélio Brasil

É isso aí o que nós temos. Lá, representantes de péssimo calibre, que aproveitam seus 10 segundos de cadeia nacional para assassinar o português e reforçar o estereótipo de que trabalham não pelo bem comum, mas por suas famílias, seu curral eleitoral e, no máximo, pelo seu estado, incapazes de mencionar o fato que teoricamente dava ensejo àquela votação, vociferando protestos anticorrupção como se fossem impolutos. Vergonha. Aqui, indignados de Facebook flamulando suas bandeiras míopes em discursos transbordantes de ódio e ignorância. Ali, violência, preconceito, desamor. É isso o que temos. Essa é nossa ordem de coisas.

“Veja, estou fazendo novas todas as coisas!” (Apocalipse 21:5 Viva).bemestar
A antiga ordem se encerra, e uma nova é estabelecida. Uma ordem em que o mar já não existe, é uma única nação pulsando em uníssono, sem ninguém que “pratique coisas vergonhosas ou mentirosas” (27), sem “covardes, incrédulos, depravados, assassinos, imorais, bruxos, ocultistas, ídolos e mentirosos” (8). Harmonia enfim. Nivelada por cima, e não por baixo.
E Deus mesmo agora entre nós, acessível, próximo, palpável. “Eles contemplarão a sua face” (22:4). Porque a nova ordem, mais do que aquilo que não tem (representantes do povo de baixíssima qualidade movidos a fisiologia, mentirosos, imorais, etc), é marcada por aquilo que ela tem e que não havia na ordem anterior. Deus entre nós. Nós perto dEle. Sem ânsia por se esconder, sem vergonha por uma nudez inventada, sem a sensação de que sere


mos fulminados. E enfim sem a sensação de que algo nos falta.

Nada nos falta na nova ordem, é isso o que temos ali.
Você pode me chamar de escapista. Mas eu tenho esse consolo.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 22/04/15

22
abr

O celular tocou e…

Gelson de Almeida Jr.

celular no carroDias atrás uma amiga dirigia pelas ruas de São Paulo quando o celular tocou, a baixa velocidade do trânsito trouxe-lhe uma sensação de segurança e ela resolveu atender a ligação. Um solavanco fez o celular cair a seus pés, como não visse perigo aparente, se abaixou para pegá-lo. Nesse instante o carro da frente parou. Você pode imaginar o que aconteceu a seguir, apesar da baixa velocidade ocorreu uma violenta colisão.

Felizmente ela não teve nenhum ferimento, mas a colisão causou “perda total” em seu veículo. Agora utiliza um veículo muito inferior ao seu, concedido pela companhia de seguros, que logo será devolvido e terá que providenciar outro meio de locomoção. Também apresenta sintomas de pânico. Quanto prejuízo por uma simples desobediência! A autossuficiência e sensação de segurança e impunidade foram completamente desastrosas para ela.

Longe de querer criticá-la quero fazer uma pequena comparação do que ocorreu com ela e o nosso comportamento diário. Temos um conjunto de regras deixadas pelo Eterno que, se seguidas fielmente, nos trará segurança nessa vida e garantirá a vida eterna. Infelizmente muitos, por excesso de confiança, descuido, despreocupação e desprezo às Leis divinas passam por situações de constrangimento e dor.

Embora muitos achem que os preceitos do Eterno são desnecessários, e nos impedem da total felicidade, Tiago os chama de “lei da liberdade” (2:12), o salmista afirma que pensava neles muitas vezes para não fazer coisas erradas (Salmo 119:11 BV) e Paulo afirma que a lei é santa e o mandamento é justo e bom (Romanos 7:12).

Desobedecer a lei pode parecer algo inofensivo, que não trará maiores consequências, mas desobediência nunca é algo seguro, Tiago afirma que a desobediência de apenas um dos preceitos divinos nos torna culpado de todos (2:10). Minha amiga teve uma segunda chance e me garantiu que aprendeu a lição, agora andará dentro daquilo que a lei pede. Com certeza você recebeu outra chance após desobedecer aos preceitos divinos, o que está fazendo com essa nova oportunidade?

21
abr

O enigma da esfinge

Marco Aurélio Brasil

A esfinge era um leão com cabeça de gente que ficava na beira da estrada. Quando alguém se aproximava, ela dizia: “decifra-me ou devorar-te-ei”, e lascava uma charada que se o viajante não matasse, morria, virava comida de esfinge. Ela sempre teve comida abundante, até cruzar com Hércules, que, além de fortão, mandava bem no quesito argúcia. Aí ela não só não lanchou, como foi morta pelo herói.

A esfinge tem sido usada ao longo dos séculos para simbolizar o enigma do auto-conhecimento. Quem é esse estranho a quem precisamos desesperadamente decifrar, sob pena de morrer, e dentro de quem moramos? Quem é esse, que enxergamos na frente do espelho? Sim, diz a esfinge, “decifra-te, ou devorar-te-ei”.

Olha que curioso: hoje, a ideia corrente de lazer envolve música muito alta e luzes frenéticas, te tirando de dentro de você mesmo, te impedindo de perder tempo com reflexões e auto-análises, te jogando na massa, te fazendo amalgamar-se a ela. Esse ambiente é sintomático do pavor que adquirimos pelo ensimesmamento, pela reflexão. Assim, uma boa parte de nós (nós, seres humanos), tapamos ostensivamente os ouvidos ao lenga-lenga ameaçador da esfinge e fugimos apavorados daquela balança onde pesamos nossos motivos e intentos. Só conseguimos fazer assim, contudo, porque acreditamos que não há o que conhecer, ou melhor: que nos conhecemos muito bem, como à palma da própria mão. Aliás, quem aí perde muito tempo olhando a palma da mão? Não há engano mais fatal! Quem se conhece?
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Há alguns anos fui envolvido, por conta de minha atividade como advogado em uma empresa, na seguinte situação: um empregado havia chamado um caminhão, mandado carregar uma porção de móveis que a empresa não estava mais usando, e tocar para sua casa. O segurança perguntou o que estava havendo, o cara mandou ele ficar quieto, valendo-se de sua condição de responsável pela administração do patrimônio. No dia seguinte, o segurança comunicou o fato, claro. Falei com o tal cidadão e ele me disse que estava com muita raiva da empresa, a quem devotara anos de serviços, suando sangue, só para promoverem um outro muito mais novo na frente dele.

Veja, ele passou muito tempo deixando fermentar dentro dele o desgosto com a empresa. Incontáveis vezes contabilizou as horas trabalhadas a mais, os desvios de função, enfim, tudo o que, aos seus olhos, seria mais justificativa para receber alguma vantagem. Incontáveis vezes pensou e comentou com os que estavam ao seu redor que ganhava pouco, que merecia muito mais. Não julgo o mérito da questão, provavelmente merecesse mesmo, mas o fato é que chegou a acreditar que teria toda justificativa do mundo para até mesmo descer umas mesas e cadeiras (alheias) no quintal da sua casa!

Na verdade, é absolutamente impressionante o que somos, eu e você, capazes de fazer. Achamos justificativas para as coisas mais horripilantes! Os pecados mais atrozes podem, com a ação do tempo e da fuga da autoanálise, da fuga de Deus (como é mesmo que João fala? Quem é das trevas não quer vir para a luz, a fim de que suas más obras não sejam descobertas…), serem atos justos, cheios de legitimidade aos olhos do pecador.

Ah, se o homem compreendesse que não se conhece, que não pode confiar em si mesmo! O sábio Salomão dizia que “maldito é o homem que confia no homem”. Mais maldito é o homem, digo eu, que confia nele próprio. Ah, se tão somente você e eu orássemos como Davi todo santo dia: “Senhor, perscruta-me. Vê se há em mim algum caminho mau e endireita-o”. Louvado seja Deus, porque podemos terceirizar a resposta à esfinge: eu não me decifro, mas Ele sim.

20
abr

A Promessa

Gelson de Almeida Jr.

O grande conferencista William L. Stidger (1885-1949) conta a história de um garoto que estava na mesa de operação, prestes a passar por um procedimento cirúrgico um tanto complexo. Olhando para o pai, que estava próximo, estendeu a mão e pediu-lhe para que a segurasse durante a anestesia. Antes que lhe colocassem a máscara com éter virou-se novamente ao pai e disse-lhe:

– O senhor ficará comigo até o fim, não é papai?

Com lágrimas nos olhos o pai prometeu que não sairia do seu lado.

mao divina estendidaHá quase dois mil anos, logo após sua ressurreição, Cristo encontrou um clima de dúvida e ceticismo entre os discípulos. Como estava para retornar ao Céus deu-lhes Suas últimas instruções, mas o melhor de tudo aparece ao final de Seu discurso, a promessa de que estaria ao lado deles todos os dias (Mateus 28:20b).

Talvez você ache que a promessa fosse restrita àqueles homens, mas se atentar para o que o Mestre disse verá que a promessa de estar ao lado de Seus filhos não possui restrição de local ou tempo, pois Ele afirma que estará ao nosso lado até a consumação dos séculos. Sendo eterno, é como se Ele estivesse dizendo: “Estarei para sempre ao seu lado”.

Não tema as provas do dia a dia, não se apequene diante dos problemas que vez por outra o assaltam. Não se atemorize se parecer que uma nuvem trouxe sombra em sua vida. Muito maior que tudo isso é o seu Deus, mas, muito melhor que ter um Deus poderoso, é saber que Ele está ao nosso lado em todos os momentos. Não importa onde ou quando, Ele sempre está ao lado de Seus filhos. Essa é a promessa e Fiel é Aquele que a fez. Louvado seja nosso Deus.

19
abr

Os verdadeiros adoradores

Marco Aurélio Brasil

Para ilustrar o que estava tentando dizer, perguntei ao auditório naquela manhã de sábado quantos ali haviam assistido ao primeiro culto. Várias mãos se levantaram, a grande maioria, aliás.

– Então nós temos um problema sério – concluí. Afinal, culto não se assiste, culto se presta.
Os samaritanos defendiam o monte Gerizim, dentro de seu território, como sendo o único local correto de adoração, graças a esses malabarismos retóricos e argumentativos típicos dos teólogos. Quando aquela mulher samaritana percebeu que Jesus era mais do que um simples homem, aproveitou para lançar essa controvérsia e ver o que o profeta judeu dizia: “Senhor, vejo que és profeta. Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (João 4:19 e 20).
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A resposta de Jesus lançou uma profunda e radical alteração no entendimento do que é adoração. Ele disse que até aquele momento o local correto era mesmo Jerusalém, não importando as firulas teológicas em sentido contrário, mas que logo essa controvérsia seria tão útil quanto definir quem foi o melhor jogador, se Pelé ou Maradona. É que o elemento geográfico estava pronto a desaparecer. “Está chegando a hora”, disse Ele, “e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (23). Quando Ele expulsa os vendilhões do templo, mais do que defendendo aquele edifício, Jesus estava expulsando os que adoravam com segundas intenções e tornavam a adoração dos “verdadeiros adoradores” praticamente impossível.
Durante séculos a igreja cristã não teve um templo e isso não foi problema nenhum, porque o conceito de templo estava superado. “Nem lá nem cá”, foi a resposta de Jesus à samaritana, mas em todo lugar, constantemente. A dinâmica mudou. Você não vai mais atrair pessoas a um prédio santo para que lá elas conheçam a Deus. Agora, os que conhecem a Deus vão (“ide”!) e por onde vão fazem discípulos.
Agora a igreja está andando. No exato instante em que escrevo isto, ela está espalhada pelos ônibus, subindo elevadores, escovando os dentes, comprando pão, ouvindo notícias no rádio do carro. No GPS divino, ela está se movendo pela cidade.
Não se engane, meu amigo. Não é uma determinada roupa, vestida num determinado dia, para ir a um determinado lugar que faz de você um adorador verdadeiro.
O tempo já chegou. O tempo em que você adora a Deus quando o faz em espírito e em verdade, com espírito e com entendimento, com honestidade e com integridade. O tempo em que você presta cultos, e não apenas os consome como um expectador passivo. O tempo em que Deus é adorado na sua vida inteira, e não apenas em gestos automáticos mimetizados dentro do prédio em que a igreja se reúne.
Mas hoje, como nos tempos de Jesus, há os adoradores verdadeiros e há os falsos. De que tipo é você?

15
abr

Resplandeça vossa luz

Gelson de Almeida Jr.

Na segunda metade do século XVII, quando George Fox, um dos fundadores da Sociedade Religiosa dos Amigos, os quakers, foi condenado e preso por dissidência pelo governo inglês, um amigo seu pediu a Oliver Cromwell, líder do governo, para ficar preso em seu lugar. Impressionado com a atitude do homem Cromwell perguntou aos seus líderes de governo se fariam o mesmo por ele. Diz a história que ninguém conseguiu responder satisfatoriamente.

Deus provou Seu amor para conosco enviando Cristo para morrer por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8) e quando aqui chegou Cristo “(…) colocou sobre si mesmo as nossas dores… carregou nosso sofrimento… foi ferido por causa de nossos pecados; seu corpo foi maltratado por causa das nossas desobediências. Ele foi castigado para nós termos paz… foi chicoteado e nós fomos curados… Deus jogou sobre Ele a culpa e os pecados de cada um de nós” (Isaías 53: 4-6) [BV].

velaDesde pequeno aprendi uma grande verdade, a de que Cristo morreu por você e por mim. Lembro-me de que quando era garoto, sempre que ouvia relatos de homens e mulheres que haviam sofrido ou dado a sua vida pelo evangelho, imaginava-me fazendo o mesmo. Como eu era corajoso!

Talvez você tenha a mesma coragem que eu tinha quando criança, mas agora, como adulto, descobri outra grande verdade: Cristo não está procurando pessoas que morram por Ele, Ele procura pessoas que vivam por Ele. Dar a vida por Ele é fácil, difícil é viver para Ele. O desafio é fazer nossa luz resplandecer diante dos que nos cercam para que o Pai seja glorificado (Mateus 5:16).

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