Monthly Archive: janeiro 2016

30
jan

Agir com amor

perdaoÉ impressionante como o amor está se esvaziando cada vez mais. Não raro lemos opiniões de evangélicos de toda sorte falando de forma grosseira e indelicada, mesmo tendo razão sobre determinado assunto. O que nos leva a agirmos dessa forma? Parece-me que a resposta seja por ainda estarmos vivendo pela carne, sem uma transformação legítima e verdadeira.

Agirmos e falarmos com amor, por palavras doces que de fato edificam, ainda que tenhamos que ensinar a saída do erro, da idolatria e das faltas, é fundamental que tenhamos um coração alegre, sem lamentações, sem tristezas, vivendo com a mente e o corpo envolvidos pelo amor de Deus.

Como podemos agir diferente disso depois de meditarmos coerentemente sobre o amor ensinado pela Palavra, fundamento da vida de um discípulo? Como avançar na fé e na vida santa sem se render à essa verdade? E quando estivermos diante de quem nos maltrata ou persegue? E quando nos deparamos com a falibilidade dos homens que erroneamente interpretam as escrituras?

Como poderíamos ir contra ao que disse Cristo? Se orar por inimigos e por quem nos persegue é muito difícil, seja esse o ponto em que devemos nos concentrar mais e mais todos os dias, pois só assim seremos e nos manteremos transformados. Como refutar ao que disse Paulo quando afirmou que o amor tudo suporta? Lembremos da sentença que completa essa assertiva – Tudo suporta, mas não será por isso que venha a se alegrar com a injustiça. O amor se alegra com a verdade.

Em qualquer situação com que nos deparemos, que nossa atitude seja de suportar com amor mesmo aquele que diante de nós esteja dizendo alguma bobagem ou cometendo um erro, um desequilíbrio. Se temos algo a ensinar, que seja com amor; se tivermos que corrigir, que seja com amor.

Só o amor poderá construir alguma coisa. Se nos justificarmos como não tendo nada a ver com as atitudes que diante de nós se mostrem desequilibradas e errôneas, sobretudo dentro da igreja, saibamos que mesmo essa omissão nos será cobrada por Deus. Se não nos querem ouvir, é outra coisa. Que então nos coloquemos em apartado para orar por quem não compreenda a razão de ser discípulo de Cristo.

Agindo assim, a nossa própria vida, mente e espírito crescerão em amor e de forma alguma conseguiremos viver de outra forma. É algo que precisamos experimentar com o coração inteiro.

Sadi – O Peregrino da Palavra

29
jan

Dedicação

Gelson de Almeida Jr.

“Dedicação total a você” é o slogan das Casas Bahia, uma das maiores redes populares de venda de móveis e eletrodomésticos no Brasil. Alardeando não perder um negócio sequer, e num corpo a corpo invejável com cada cliente que entra em uma de suas lojas, tem se mantido no topo do mercado varejista há décadas. O resultado é uma carteira de clientes que passa de 27 milhões de pessoas.

No mundo em que vivemos, com o materialismo cada vez mais visível e latente, o “ser” deu lugar ao “ter”. Dias atrás, conversando com meu filho mais velho, ele mostrava toda a sua decepção e revolta contra a sociedade de um modo geral. Disse ele:

– Sabe pai, hoje em dia dá raiva ver como as pessoas são, elas não querem saber quem você é, mas sim o que você tem.

É triste ver que ele tem razão, pior ainda é saber que, em nossa busca desenfreada pelo ter, deixamos de lado as relações interpessoais, inclusive com Aquele que é o Doador de todas as boas coisas que temos. Coisa difícil de se admitir, mas muito fácil de comprovar. Quer ver? Faça um teste simples e rápido, liste as coisas que ocupam o seu tempo diariamente e veja quanto gasta em sua comunhão pessoal com o Pai. E aí, passou no teste?

Dias atrás conversei com uma pessoa que disse considerar boa sua relação com o Eterno, perguntei-lhe quanto do seu tempo era gasto na comunhão com Ele e ela me disse que orava todos os dias. Perguntei-lhe quanto tempo gastava na oração e se eram apenas aquelas orações rotineiras (ao despertar, antes das refeições e ao deitar), nesse instante ela ficou muda.

homem de maos erguidasDedicação não é dizer que O ama, que O adora, que quer passar a eternidade ao Seu lado, dedicação é agir como quem realmente quer isto. Dedicação é dar-Lhe o início e o final do seu dia, dedicação é dar-Lhe o melhor do seu dia. Aproveite e fale com Ele agora, não importa onde esteja ou o que esteja fazendo, torne esse o seu momento com Ele. Valerá a pena, o dia seguirá muito melhor.

28
jan

Nascer chorando

Marco Aurélio Brasil

Quando minha esposa e eu engravidamos pela primeira vez, fizemos um curso para gestantes. Aprendemos a dar banho num bonequinho, como vestir um nenê, como trocar fraldas. Quer dizer, eu aprendi tudo isso,  porque a Tatiana parece que nasceu sabendo. Eu aprendi também técnicas para não desmaiar na hora do parto, o que foi muito importante. Mas teve uma coisa que ambos aprendemos:  ouvimos falar de um certo Dr. Leboyer, um obstetra francês que usa técnicas inovadoras no parto. Parece que ele estava meio desencantado com a vida ocidental e se bandeou pra Índia, voltando de lá com mil idéias. Ele, que escreveu o livro “Nascer sorrindo”, defende que, como a criança está envolta por líquido, que abafa o som e a mantém no escuro durante toda a
gestação, quentinha, aconchegada, o momento do parto é extremamente traumático para ela. De repente, luz, barulho, frio, tudo depois de passar por uma passagenzinha toda apertada, empurrado pelo útero. Ele diz que esse choque afeta a pessoa deixando sequelas irreparáveis em sua personalidade.

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Por isso ele mantém as salas de parto na penumbra e todos são obrigados a falar sussurrando. A criança é, depois de “expulsa”, imediatamente envolta de modo a manter-lhe o calor e sua adaptação ao meio externo é feita gradual e lentamente.

Tatiana e eu achamos aquilo moderno e inteligente. Até conversar com o nosso obstetra… Ele deu detalhes que desconhecíamos: Leboyer, médium espírita, teve sua visão científica profundamente afetada por sua crença, como não poderia deixar de ser. Consta que um médico brasileiro esteve por lá na França, fez amizade com Leboyer e trouxe a técnica para o Brasil, a princípio para o Hospital Albert Einstein, aqui em São Paulo. Depois de alguns meses de aplicação da técnica, foi convocada uma reunião para avaliar os resultados dela e chegou-se à conclusão de que os bebês que “nasciam sorrindo” tinham muito mais problemas respiratórios que os outros, que nasciam chorando mesmo. Aquele médico então levou sua técnica para outro hospital e a utiliza até hoje, salvo ledo engano.

A explicação do nosso médico, um cristão, foi singela e precisa: nós vemos no parto um elemento projetado, pensado pelo nosso Criador, não o fruto de um processo evolutivo calcado em seleção natural e mutação aleatória. Para nós faz todo o sentido que o ato de “dar à luz” (e não “dar à penumbra”) seja o ápice de um processo natural perfeito, de modo que ao começar o processo de expulsão do bebê, ele esteja plenamente preparado para respirar ar, ver luz, ouvir sons. Não só está preparado, mas está na hora de isso acontecer! Tentar driblar a natureza acaba tendo resultados adversos.

De modo similar acontece nossa gestação espiritual. Como diz o salmista, no Salmo 1, “bem aventurado o que… tem prazer na lei do Senhor… pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria.” Depois de sorver o alimento espiritual durante nossa “gestação”, formando um caráter novo, obtendo novos vislumbres da pessoa de nosso Deus, renovando idéias, sentimentos e gostos, o momento chega – e é o que o salmista chama de “estação própria” – de passar isso tudo adiante – o que o salmista chama de “dar o seu fruto”. Esse período gestacional varia em tempo de pessoa para pessoa, mas vem o momento certo em que o fruto aparece.

Triste quando alguém luta para continuar na paz do receber apenas. Na tranquilidade do alimentar-se, do papar sermões anos a fio, lutando contra a natureza que pede um minutinho de choro, de passar pela passagem apertada, de atrair responsabilidades manifestando posições claras, posições tantas vezes impopulares. Triste quando brecamos a sequência de nosso crescimento, por evitar declarar em Quem cremos, por evitar assumir o papel de Seus filhos e servos. Estamos prontos para isso! O apóstolo diria assim: “não é possível que, sendo tempo
de comer comida sólida, eu ainda tenha de lhes dar leitinho!”

O que eu digo hoje é: não queira amenizar, com tuas idéias tortas do que seria “amenizar”, as etapas pensadas por nosso Deus. Se você não viveu ainda a gestação espiritual, “cumpre-vos nascer de novo”, peça-o a Deus agora! Se você já viveu, pense que cada novo vislumbre do Céu representa uma escolha que você tem que tomar. Então tome a escolha certa.

27
jan

Eu!!!

Gelson de Almeida Jr.

“(…) minha família é a mais pobre… eu o menor na casa de meu pai”. Juízes 6:15


 

placa com setaVocê já se sentiu pequeno demais diante de um trabalho que tinha que fazer? Alguma vez recebeu uma incumbência que gostaria de não haver recebido? Esse foi o caso de Gideão. O anjo do Senhor apareceu-lhe e ordenou que se preparasse para combater os midianitas, povo que, há muito, oprimia o povo de Israel.

Era uma tarefa tão inglória que, na primeira oportunidade, 22 mil homens abandonaram o exército e voltaram para casa. Após mais uma prova, 9.700 homens foram dispensados, restaram apenas trezentos. Para piorar, Gideão viu que a batalha seria contra uma coligação de povos do Oriente. Como derrotar milhares de soldados muito bem preparados e armados com apenas trezentos homens, que tinham nas mãos uma espada e um cântaro com uma tocha acesa? Humanamente falando, não tinha como dar certo, não tinha como acabar bem, a não ser por um detalhe, e que detalhe! O Eterno estava com eles.

Ao longo da História o que não faltam são exemplos de tarefas “inglórias” e “missões suicidas” dadas a pessoas comuns. A Noé foi pedido que construísse a arca, a Abrão foi pedido que abandonasse tudo para se engajar num projeto divino, a Davi foi pedido que reinasse em Israel, a João Batista foi pedido que preparasse o caminho para o Messias… Com certeza você conhece outros exemplos.

A todas essas pessoas o Eterno pediu que deixassem o que faziam e obedecessem à Sua voz. O mesmo se dá conosco, provavelmente o convite não virá do modo que veio a eles, nem será para uma empreitada com a mesma com a importância social, mas, com certeza, terá importância individual igual ou maior.

Portanto, quando o Eterno lhe pedir algo ou indicar uma direção, não importa qual ou quando, ou o que peça a você, não tente alegar despreparo ou falta de condições para atender. Aquele que pede é O que dará a vitória, Ele é fiel, não mente e nunca abandonou um filho seu.

26
jan

Ídolos

Marco Aurélio Brasil

É impossível ler a Bíblia, especialmente o Velho Testamento, e não ficar impressionado com a condenação que se faz da idolatria. A ênfase dada nisso é absolutamente desproporcional em relação a qualquer outro pecado. Ele parece estar no epicentro das decisões divinas por permitir que Israel seja subjugado, escravizado e levado em exílio por outros povos, e o mandamento, dos dez, que trata disso diretamente acrescenta uma advertência das mais curiosas: diz não farás imagens de escultura para os adorar “porque eu, o Senhor, o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e obedecem os meus mandamentos” (Êxodo 20:5 e 6). Uma coisa que merece tanto relevo assim na Palavra de Deus não poderia simplesmente desaparecer da face da Terra no tempo em que vivemos, correto?

Nunca vi ninguém falar ou escrever sobre isso sem tentar traçar um paralelo entre a idolatria do Velho Testamento e a prática moderna de colocar alguma coisa no lugar de Deus. Se você é cristão há algum tempo, certamente tem sido advertido de púlpitos, de revistas e de livros a não “idolatrar” o dinheiro, a TV, o esporte, o sexo, o trabalho, etc e etc. “Tudo o que você coloca no lugar de Deus se torna um ídolo para você”. A gente até usa o termo ídolo para falar de astros pop. Eu concordo com essa tentativa de modernização da idolatria, mas temos que admitir que há um problema com ela.2. Bezerro de ouro
Me parece que em momento algum existe menção na Bíblia a “adoração inconsciente”. A adoração é sempre um ato consciente. O sujeito que se prostra perante uma estátua e reza a ela decidiu adora-la como uma divindade. Ele pode não acreditar no seu íntimo que aquilo é uma divindade, como a multidão na planície de Dura, que se prostrou perante a estátua de Nabucodonosor muito provavelmente porque a alternativa a isso era um decreto de morte (Daniel 3), mas o fato é que aquele monte de gente decidiu, conscientemente, tomar parte numa atitude de adoração.
A “idolatria moderna”, contudo, segundo a visão geral cristã, é uma adoração inconsciente. Embora alguns de nossos “ídolos” requeiram algum tipo de culto, como acontece com certos torcedores de times de futebol, as outras coisas todas são objetos que amamos muito, mas que não tratamos conscientemente como uma divindade. Nenhuma adolescente reza a Justin Bieber pedindo que ele faça algum milagre, certo?
Não, eu ficaria mais preocupado com a possibilidade de estar adorando um deus falso. O  Novo Testamento adverte para falsos cristos,falsos profetas e uma falsa religião no final dos tempos. Pessoas que adoram o nome de Deus e de Jesus, mas que estão adorando um Deus e um Jesus falsos. “Nunca vos conheci”, será a resposta dEle naquele dia.
Ultimamente tenho enxergado a idolatria como a adoração de um deus pela metade. Eu me conformo com o quanto aprendi dEle, com o quanto conheci dEle e então passo a louvar um deus distorcido. Um deus legalista demais ou liberal demais, um deus tipo “teologia da prosperidade” ou um deus distante e indiferente, um deus que não liga para coisas que Ele de fato dá muita importância ou o contrário.
Quem é o Deus que eu conscientemente adoro? Quem é? Eu me conformei com duas ou três pinceladas de Seu retrato que um dia recebi e parei de procurá-lO? Eu perdi a sede e fome por conhecê-lO, eu liguei o ponto morto e me contentei com o deus que eu construí para minha maior conveniência?
Isso é idolatria. “Conheçamos o nosso Deus, prossigamos em conhecê-lO” (Oseias 6:3).

24
jan

Falar com Deus

perdaoO rei David certa vez escreveu que enquanto permaneceu calado diante de Deus, sobretudo por suas transgressões, os seus ossos envelheceram. No entanto, quando resolveu se voltar a Adonai, confessando sua culpa, o vigor retornou ao seu corpo, percebendo que a bênção do perdão estava sobre ele.

Quantas vezes nos calamos diante de Deus em face das decisões que tomamos no dia a dia? Não me refiro nem mesmo a transgressões, mas a fatos corriqueiros que muitas vezes julgamos dispensáveis à consulta divina, colocando-os diante do Criador. De minha parte, passei a vigiar esse aspecto, sobretudo depois que percebi que o desdobramento de atitudes simples poderia se transformar em desequilíbrios. Daí para tentar consertar a situação com as próprias forças é um pulo.

O que dirá quando permanecemos calados diante de Deus, não confessando culpas, levando a vida a reboque de uma força que achamos que temos, mas que não passa de um engano. No mínimo, ainda que consigamos reverter alguma situação, é preciso compreender que se fosse tratada pela visão do Eterno, bendito seja, resultados verdadeiramente edificadores serão a tônica de nossa experiência.

Que esse testemunho do rei David, registrado no salmo 32, seja um paradigma em face da experiência real com Deus que a nós está reservada. Não nos importando com o que diz o mundo ao nosso respeito, especialmente por colocarmos tudo diante de Deus. Seja essa a nossa atitude, pois ela certamente nos fortalece. Assim alcançamos a bênção do perdão e também do restauro de nosso vigor. Agindo assim experimentamos as consequências do que seja andar segundo os seus mandamentos.

Tenham todos uma semana de paz e felicidades, sobretudo pela comunhão com o Espírito de Deus, Ele que é Santo e a quem todo o universo proclama a Sua glória.

Sadi – O Peregrino da Palavra

23
jan

Riquezas e Plenitude

Igreja_Advenista_na_AmazôniaO que pode ser mais poderoso e libertador que uma vida simples? Simples no sentido de desapego e não propriamente de ausência de riquezas materiais, pois convenhamos, não há mal algum em possuir bens. Contudo, possui-los não significa que tenha que viver para desfrutá-los tão somente, esquecendo-se de que há uma obra a ser realizada. Esta, a razão de nossa existência.

O que pode representar a riqueza na vida de um homem? Seus amigos? Sua família? Sua saúde? Seria a riqueza o seu tempo para desfrutar todas as anteriores ou o tempo que já não mais é seu, mas apenas para se dedicar aos que não têm nada?

A riqueza de um homem, mesmo disposta a guarnecer outros homens, assim como a luta de um líder pela liberdade de um povo, são apenas testemunhos de nobreza vividos de forma altruística. Jesus, de sua parte, ao agir pelo ideal de liberdade dos homens de sua terra, Israel, o fez no sentido de prepara-los com valores imorredouros, para que ensinassem ao mundo inteiro, conduzindo a humanidade à liberdade plena, raramente compreendida pelo homem, ela que é a maior de todas as riquezas.

Capaz de interferir em qualquer das leis físicas, porquanto andou sobre as águas, multiplicou pães e peixes, se deslocou para Cafarnaum sem que soubessem como ele havia chegado do outro lado do mar, os homens ouviram dele que o buscavam não por conta dos sinais, mas pela comida que comeram.

Em João está registrado: “Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pela comida que permanece para a vida eterna”. Então aqueles homens o questionaram o que deveriam fazer para realizar a obra. Oras, eram judeus! Conheciam as promessas, a lei e os profetas! E viram os sinais, mas ainda assim não se deixaram transformar pelo pão do céu.

E ele os respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por Ele foi enviado.”  E mais ao longo desse mesmo discurso relatado por João (6), ele afirmou que aquele que o busca e dele se alimenta, esse viverá por sua causa, pois, na verdade, é o Espírito que alimenta e a carne de nada tem proveito.

Mesmo não o compreendendo totalmente, sobretudo atônitos pelas palavras duras que ouviram, ainda assim, quando ele lhes perguntou se desejavam ir embora, eles o responderam: Para onde iríamos se só tu tens palavras de vida eterna?

Tudo o que fizermos, ainda que por obras de altruísmo, que seja feito e alinhado com a obra de Deus, qual seja, o pleno entendimento do ensinamento de Cristo, ele que nos conduz a uma vida simples, contudo mais abundante que poderiam todas as riquezas do mundo inteiro. Quem ler, entenda.

Sadi – O Peregrino da Palavra

22
jan

A forca e a Cruz

Gelson de Almeida Jr.

Certo fazendeiro tinha um filho a quem muito amava, mas pesaroso via o filho não se preocupar com o futuro e gastar todo o tempo e o dinheiro que lhe caía nas mãos com festas e diversões. Pediu que lhe construíssem um pequeno celeiro. Assim que ficou pronto o idoso homem para lá se dirigia todas as tardes. Entrava sozinho e passava horas lá dentro. Pelo barulho vindo dava para perceber que ele construía alguma coisa. Ao anoitecer saía, trancava a porta e voltava para casa. Essa rotina se repetiu por semanas.

Certo dia o homem chama o filho e pede que o acompanhe para dentro do celeiro. Lá dentro o idoso homem mostra ao filho a sua obra, no meio do celeiro estava erguida uma forca. Aponta para ela, coloca as mãos no ombro do rapaz, e fala em tom solene:

– Filho, estou velho e, após a minha morte sei que tomará conta de tudo que é meu, sei que deixará a fazenda nas mãos dos empregados e continuará a gastar tudo com seus amigos. Venderá os animais e os bens para se sustentar e, quando acabar o dinheiro perderá todos os seus amigos. Não terá a quem recorrer e vai se arrepender de nunca ter me ouvido. Por isso construí essa forca para você. Quero que me prometa que, caso isto aconteça, você vai se enforcar nela. Rindo, o jovem prometeu ao pai que atenderia seu pedido.

O tempo passou, o homem morreu e tudo aconteceu como previra. O filho perdeu toda a riqueza, os amigos e, por fim, perdeu também a dignidade.O jovem, desesperado e refletindo sobre a sua vida, viu quão tolo havia sido. Lembrou-se de cada conselho do pai e em prantos dizia a si mesmo como sua vida teria sido diferente se tivesse seguido os conselhos do pai. Mas era tarde demais, não lhe restava outra alternativa a não ser cumprir a promessa de se enforcar no celeiro. Já que nunca atendera os pedidos do pai quando ele vivia, atenderia agora depois que ele morrera.

Dirigiu-se ao celeiro, subiu os degraus da forca e colocou a corda ao redor do pescoço. Pensando que tudo o que queria naquele instante era apenas mais uma chance, pulou. A corda apertou seu pescoço, mas o braço da forca era oco e se quebrou. Caiu ao chão e sobre ele caiu uma infinidade de joias de todo o tipo. Junto caiu também um bilhete onde reconheceu a letra do pai e nele estava escrito:

– Meu filho, essa é sua nova chance, aproveite-a. Eu o amo muito.

homem ao pé da cruzÉ muito comum criticarmos o filho da história, mas agimos de forma parecida. O amanhã não nos preocupa e a salvação é coisa de menor importância. Tudo é mais importante que os conselhos do Pai. Imaginamos que todos os Seus pedidos/avisos são coisas de um Alguém exagerado. Adão e Eva foram avisados do mal que os espreitava, mas fizeram o que acharam melhor, o resultado é sentido até os dias de hoje. Felizmente, para eles e para nós, o Pai, que sabe o fim desde o princípio, deixou tudo organizado, para que nosso destino final não fosse o pior. Não ergueu uma forca, “ergueu” uma cruz e nela pendurou Seu Filho, para que todo o que nEle cresse não perecesse, mas tivesse a vida eterna (João 3:16).

Portanto, não importa quão longe você tenha ido, importa que tudo o que precisava ser feito para que os efeitos dos seus erros não o alcançassem já foi feito. Esta é a sua nova oportunidade, sua nova chance. Vá até a cruz e viva.

21
jan

Mutilados

Marco Aurélio Brasil

Não assisti a Encaixotando Helena, um filme de 1993, mas pelo que sei se trata da  história de um cara tímido que é apaixonado por um mulherão, que, contudo – adivinhe – , não lhe dá muita coisa além de desprezo. Bom, ele faz o que qualquer um na sua situação faria, claro: sequestra a beldade e a cada sinal dela de rebeldia e desamor ele lhe amputa um membro. Até que ela fica sem braços e sem pernas. E tem mais: na medida em que ele pratica essas crueldades, o sentimento dela por ele vai mudando, até que, só tronco e cabeça, descobre-se apaixonada por seu algoz.

Bom, se você ainda não tinha ouvido falar nesse filme e ainda está lendo isto aqui, parabéns. Podemos passar ao estágio seguinte. Veja, o realmente estranho no roteiro desse filme não reside exatamente no fato de o cidadão decidir resolver suas carências com sequestro e uma faca de açougue (perdoem-me os sensíveis). Não, porque nos dias em que vivemos toda sorte de crueldade e horror parece já ser conhecido de cor. O cinema encontra-se numa crise desgraçada porque ninguém consegue mais imaginar mortes horripilantes para vilões, todas já foram filmadas. Os noticiários cospem dia após dia as mais infames barbaridades, as mais repugnantes atrocidades com fleuma profissional de quem, logo em seguida, precisa falar “boa noite”. Assim, mais uma história de psicopata celerado não haveria de causar qualquer espanto.

Sim, o estranho da história, o que nos faz balançar a cabeça e achar tudo muito bizarro é a moça apaixonar-se por quem lhe fere.blind

E, no entanto, somos todos Helenas nas mãos do pecado. Ele nos mutila, ele nos fustiga, nos queima, nos machuca, ele nos retalha, acaba com nossa auto-estima, nossa saúde, nosso senso do correto, nossa relação com Deus e quanto mais age, mais nossas afeições se escravizam por ele.

O que me leva a outro filme, Monty Python em busca do cálice sagrado. Deveria ser um filme sobre o Rei Arthur, mas é um amotoado de piadas sem nexo (que eu, particularmente, acho muito engraçadas). No começo do filme o Rei Arthur vem trotando em seu cavalo invisível, com seu fiel escudeiro atrás batendo duas metades de coco para imitar o som do cavalo, até que encontram o temível Cavaleiro Negro. Ele não deixa ninguém passar pela sua floresta sem duelar com ele, nem o próprio rei! Sem alternativa, Arthur põe-se a duelar e logo corta um braço inteiro do temível Cavaleiro Negro, por onde começa a esguichar sangue. O vencedor começa a embainhar sua espada, mas o Cavaleiro Negro reclama: – Que é que há? Lute como homem! O rei manifesta sua surpresa e pondera que o seu oponente estava sem um braço e então o temível Cavaleiro Negro olha pro ombro, de onde esguicha de forma estudadamente exagerada todo aquele sangue e diz: “Não estou nem, quer me enganar, é?” e se atira sobre o rei Arthur com o outro braço. O fim do Cavaleiro Negro é parecido com o de Helena, sem braço e sem pernas, mas mesmo lá, caído ao chão, fica vociferando, chamando o rei de covarde, que está fugindo da luta, que ele está em perfeitas condições, etc.

Pois é, não basta que sejamos escravizados e mutilados, ao nos olhar no espelho não vemos nada. Vemos uma anatomia perfeita, sem um só arranhão.

Mágica? Não, cegueira.

Spoilers ahead. No Encaixotando Helena parece que o tal rapaz apaixonado, ou então a Helena, não sei, no final acorda e percebe que tudo não passou de um sonho.

Nós, no final da história, vamos acordar também. E perceber que nossa real imagem no espelho é tétrica e o tempo de fugir do algoz já passou.

Queira Deus que acordemos antes. Hoje, quem sabe? 

20
jan

Deus não dorme

Gelson de Almeida Jr.

Sexto dia, Deus está na fase final de Sua obra criadora, nosso planeta estava pronto, luminares no céu, a flora e a fauna completas, faltava apenas alguém para cuidar e administrar toda aquela perfeição e Adão é criado. Criado à imagem e semelhança do Eterno, olha boquiaberto para tudo que havia em seu redor, tudo era tão perfeito… Recebe instruções do Eterno, passeia pelo jardim, nomeia todas as aves e animais, mas sente um vazio, faltava alguma coisa. Não sabe direito como explicar, apenas sente falta.

Em Sua infinita sabedoria o Eterno percebe que lhe faltava uma companheira, alguém igual a ele, a quem pudesse amar e ser amado, que lhe fizesse companhia e o ajudasse. Faz então cair um pesado sono sobre Adão e de uma de suas costelas cria Eva, a mais perfeita mulher que habitou nosso planeta. Imagine o espanto de Adão ao sair de seu estado de inconsciência, abrir os olhos e ver aquela que, para ele, era a mais perfeita e maravilhosa obra da Criação.

jesuseouniversoO episódio acima nos apresenta algumas lições importantes. A primeira é que o Eterno, muito melhor que nós, sabe exatamente do que precisamos, a segunda é que Ele sempre supre nossas necessidades, mesmo as que nem sabemos como explicar. Outra lição é que Ele trabalha por nós, mesmo enquanto dormimos. Exatamente isso, trabalha por você e por mim o tempo todo, até quando dormimos, porque Ele não dorme, nem cochila (Salmo 121:4).

Da mesma forma que colocou Adão em repouso e criou Eva, o Eterno pode fazer maravilhas em sua vida enquanto você dorme. Seus problemas podem ter sono leve, mas Deus não dorme e, enquanto você dorme, Ele trabalha. Não se preocupe com o amanhã, busque o Eterno e todo o resto lhe será acrescentado (Mateus 6:33 e 34).

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