Monthly Archive: setembro 2015

30
set

A derrota de Davi – Parte III

Gelson de Almeida Jr.

“Depois disse Davi a Urias: Desce à tua casa, e lava os teus pés”. II Samuel 11:8 (NIV)


 

Davi não saiu à guerra com o povo de Deus, dormiu enquanto guerreavam e, como não tinha nada para fazer, foi para a cama com a mulher do seu soldado Urias. Agora, estando ela grávida, toma providências para que o caso fique encoberto. Para tanto, sob uma capa de preocupação com o bem estar de seu súdito, manda que Urias vá para casa ver sua mulher. Caso seu plano desse certo, Urias assumiria a paternidade da criança e ele sairia ileso da situação.

Ele queria resolver o problema, mas não acertar contas com o Eterno e com o seu próximo, isto seria o correto, mas o mais difícil, escolheu então o caminho da facilidade, da obscuridade e do engano. Um erro seria encoberto com outro. Era muito mais fácil esconder o pecado que assumir e enfrentar as consequências do mesmo. Tivera meses para se arrepender e resolver o problema, mas seu único desejo era escondê-lo e fugir das consequências. Tão cegado estava que esqueceu que o Eterno tudo vê e que nada Lhe é oculto, pois Seus olhos estão em todo o lugar (Provérbios 15:3).

Assim como Davi, muitos há que não fazem o menor esforço para não pecar e, depois de pecarem, tentam desesperadamente esconder seu erro, acham mais fácil ocultá-lo que acertar as coisas e colocar a vida em ordem. Um dos “ais” do profeta Isaías é justamente contra aqueles que fazem as coisas às escuras, que procuram esconder suas más obras do Senhor (29:15). É interessante que anos mais tarde o filho de Davi afirmou que os que confessam e deixam as suas transgressões alcançam misericórdia, mas os que as encobrem nunca prosperarão (Provérbios 28:13). O mal pode prosperar por um tempo, mas um dia tudo se revela, a verdade aparece e a conta tem que ser paga. O único meio de ter uma consciência tranquila e viver sem sobressaltos é viver à altura do chamado diário que Deus faz a cada um de Seus filhos. Esteja em paz com Deus e estará em paz consigo e com o mundo.

29
set

Desfibrilador, por favor

Marco Aurélio Brasil

“Um sintoma de que sua igreja está morrendo é se nela não há ninguém na liderança que há três ou quatro anos estava morto”.

Li isso algum tempo atrás, provavelmente em “Rethinking the church”, de James Emery White. Bem, se esse critério é válido, a verdade é que minha igreja está morrendo. E provavelmente a sua também. Ela pode até estar crescendo de ano para ano, mas em essência ela está morrendo. Porque ela é um organismo projetado para a multiplicação. E se ela não está no serviço de ressurreição massiva de mortos, ela é um morto e não sabe, tão carente de ressurreição quanto aqueles a quem ela deveria alcançar.
Podemos pensar em como mudar esse quadro e alcançar de verdade os mortos, como invadir o reino de Satanás de forma que as portas do inferno não aguentem. Vamos mudar a música? Vamos mudar nossas roupas? Vamos falar mais gírias?
Concordo que ajustes precisam ser feitos, porque ninguém deixa de estar morto e vem para a vida sem que haja discipulado e discipulado envolve comunicação. Precisamos nos comunicar com eles, aprender sua língua. Mas o fato é que quem opera o milagre da ressurreição é o Espírito Santo.
Nurse and Doctor with Defibrillators --- Image by © Royalty-Free/Corbis

Nurse and Doctor with Defibrillators — Image by © Royalty-Free/Corbis

Ficou fácil, né? Vamos botar a culpa no Espírito Santo, que está fazendo um péssimo trabalho.
Bem, se sua mãe estivesse doente e você tiver estas duas opções de hospitais, qual você escolheria? No primeiro, os equipamentos são de ponta, as camas têm aqueles motorzinhos que levantam a cabeceira e no quarto há uma TV com 200 canais. Só que os médicos e enfermeiros não ligam a mínima para os pacientes. Eles fazem o mínimo necessário, demoram a atender chamados e o fazem de má vontade. No segundo, sua mãe ficaria numa enfermaria sem TV, com outros doentes, mas a equipe atende seus pacientes com amor e desvelo.
Não sei qual seria a sua opção, mas, à luz do evangelho, a de Deus me parece ser a do segundo hospital. Bem, se Jesus e o Espírito Santo são o samaritano da parábola, recolhendo o morto do caminho e o confiando a alguém para cuidar dele até que volte, fico pensando se ele não passa com o coitado montado em sua jumenta, olha para dentro da minha igreja, vê a TV com trocentos canais e tudo mais e, lastimando o fato, o leva até outra hospedaria qualquer.
“Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).
É hora de parar de falar em comprar mais TVs e camas motorizadas e pensar que nossa missão é fazer discípulos.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 25/09/15

28
set

Forum sigaME 2015

Comunicação

Durante dois dias você poderá redescobrir o significado do convite de Jesus Cristo a cada um de Seus seguidores e como melhor desenvolver ferramentas para que isso se torne uma realidade em sua vida e sua igreja.

Durante dois dias você poderá redescobrir o significado do convite de Jesus Cristo a cada um de Seus seguidores e como melhor desenvolver ferramentas para que isso se torne uma realidade em sua vida e sua igreja. No fórum sigaME você terá a oportunidade de participar de uma experiência interativa de discipulado relacional que irá desafiar, inspirar e—se você permitir—transformar sua perspectiva do que significa ser e fazer discípulos para Jesus.

Elementos essenciais do processo de discipulado serão explorados em sete sessões onde após uma breve reflexão você participará de uma experiência única de discipulado relacional em discussão, troca de experiências e interatividade espiritual.
Junte-se a nós para um diálogo aberto e enriquecedor sobre discipulado através de um formato diferenciando e em um ambiente de aprendizado único. Por que você deve estar conosco? Há diversas razões. Mas se você busca encontrar caminhos para que sua igreja aprimore seu sistema de discipulado, em primeiro lugar você precisa analisar e considerar como sua compreensão e prática pessoal de discipulado precisa crescer. Além disso, como incentivar e motivar outras pessoas e igrejas a ter uma real experiência de discipulado se nós como líderes ainda não vivemos essa experiência em nossa própria vida? Participar do sigaME será uma oportunidade única que você não pode perder.

 

28
set

#quemnunca

Adriano Vargas

Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. Marcos‬ ‭14:38‬ ‭NVI‬‬

Você já julgou alguém? Você já mentiu? Já reclamou de outra pessoa? Se responder negativamente a todas estas perguntas, acabou de tropeçar na segunda delas! Ainda que uma destas situações não tenha sido recente, basta que você se lembre de alguma ocasião em que tropeçou em uma delas. Que cristão, por mais “santo” que seja, não caiu em pelo menos em um destes pecados: julgamento, mentira e reclamação

A realidade é clara, porém de que não existe mentira pequena ou grande, boa ou ruim. Simplesmente, não deveríamos julgar, não deveríamos mentir e não deveríamos viver reclamando ou murmurando. Não fomos criados  para isso. 

Somos criação de Deus, feitos para boas obras, antes da fundação do mundo, como está escrito em Efésios 2.10. Creio que todos nós, em Cristo, conseguimos ser pessoas melhores. 

Podemos derrotar nossa religiosidade, fortalecer nosso espírito e subjugar os desejos da carne e as insistentes tentações de Satanás. Podemos crescer juntos! 

Que vivamos em mutualidade a Palavra que recebemos e na qual cremos.

Sem julgar:Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.” (Romanos 14.13). 

Sem mentir:Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador.” (Colossenses 3.9-10). 

Sem reclamar:Respondeu Jesus: Parem de me criticar.” (João 6.43). 

Abra a sua mente e coração e decida colocar força de vontade em prática.

27
set

# Ler, meditar e escrever a vida.

lkjlkjOntem eu escrevi um texto para meditar um comentário de alguém que havia lido uma meditação que publiquei na rede social. O leitor, um servo de Deus, afirmou que esperava se tornar um discípulo que pudesse expressar sua fé com palavras como aquelas que eu havia escrito. Respondi-lhe que importa mesmo o bom testemunho com que alguém escreve seus dias, a fim de ler seu nome inscrito no Livro da Vida.

Só assim se pode escrever a vida no Caminho do Eterno. Permito-me aqui comparar o discípulo de Cristo com um bom escritor que vive seu ofício de forma séria. O discípulo é um escritor da própria vida, e pela seriedade como o faz, acaba por edificar vidas alheias mediante seu bom testemunho.

Um escritor sério e compromissado com seu ofício é, antes de tudo, um solitário. Sim, pois, deve estar só com seus pensamentos, meditando a partir de determinado assunto, em busca de conclusões que possam lhe trazer boa compreensão e ato contínuo, edificação sólida à obra que esteja escrevendo.

Ainda que o salmista diga quão bom é estarem os irmãos em união, contudo é solitariamente que o discípulo deve se encontrar para orar. Também em um ambiente sem distrações é que se recolhe para ler e meditar a palavra de Deus. Por fim, é mediante o jejum silencioso que comunga de fato seus pensamentos com o Eterno.

Tanto quanto a arte de escrever acontece mediante estudo de técnicas, leitura de outros autores e prática incessante, revertendo o desejo em aptidão, sim, pois escrever bem não é característica inata a ninguém, ser um discípulo aprovado requer leitura incessante e atenta das escrituras, de autores que as interpretam movidos pela verdade, disposto assim a alcançar o aperfeiçoamento mediante a prática que é a expressão final de todo o entendimento.

Assim como os bons escritores se valem das técnicas adquiridas pela leitura de autores consagrados, o que deve fazer o discípulo senão seguir aos exemplos dos bons testemunhos, deles se valendo para sua própria meditação. A esse propósito, decidem sabiamente quando procuram pastores que têm seus testemunhos de vida alinhados à palavra de Deus.

Da mesma forma podemos lembrar do estilo de um escritor. Este deve ser encontrado dentro dele, entre os seus mais nobres valores, não os pervertendo jamais para agradar pessoas à sua volta. O discípulo encontra o melhor estilo no Caminho, na Verdade e na Vida, sobretudo quando ouve e obedece a voz do Cristo. Por fim, quando se conecta à essência da palavra de Deus mediante a transformação de sua vida.

Para se escrever a vida de fato a partir dos mandamentos de Deus e da fé em Jesus é preciso, portanto, se entregar totalmente, se deixar transformar pela Palavra, vivenciando-a para testemunhá-la. É preciso ser um com Deus, pois só assim se tornará escritor do personagem a ser incluído no Livro da Vida.

Pense nisso. Escreva sua vida a partir dos mandamentos de Deus e da fé em Jesus.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

26
set

# Escreva a sua história

pergaminhoNestes dias escrevi um texto meditando na palavra do Eterno e um amigo comentou seu desejo de ser um discípulo de Cristo que pudesse se expressar tal qual a meditação que estava diante dele, crendo ser ainda alguém limitado por não o fazer igualmente. Qual foi a minha resposta senão o que seria do discípulo se a conversão se medisse tão somente pelas frases que saiba formar.

É certo que as escrituras nos revelam o poder de Deus. Se a lemos atentamente, alcançamos conhecimento diferenciado do discurso pronunciado pelo mundo. Isso nos faz vivenciar um conforto como nada é capaz de oferecer, afinal, limitados em diversos sentidos que se perdem no também limitado regramento social, no momento em que nos deparamos com a força das escrituras, mudamos o discurso.

É bem verdade que nem todos a compreendem dessa forma, entregando suas vidas a outros caminhos, sejam eles espirituais ou simplesmente morais. Claro, há os que nem a isso se prestem, tornando-se pessoas que parecem viver para contrariar ou contestar escolhas alheias. A estes últimos, a misericórdia e o perdão, pois o desequilíbrio pode também se mover por belos discursos.

O fato é que não basta apenas conhecer o poder que há na palavra de Deus e os conceitos que o abalizam, apoderando-se dele para tornar o discurso forte e repleto de verdades que traduzam a conversão. Isso pode se transformar em instrumento para o ego. O testemunho de ações, sim, é o único caminho que pode comprovar a conversão, pois é pela exata compreensão da palavra que alcançamos rumo ao comportamento que importa.

A transformação entregue à condução do espírito santo é a única certeza que nos revela honestos no Caminho das escrituras. Pedro, por exemplo, vivenciou o dia a dia de Cristo e dizia amá-lo, defendendo-o o tempo todo, no entanto, suas palavras mais verdadeiras em determinado momento foram pronunciadas para negá-lo.

Somente quando ele se permitiu a transformação real é que obteve um discurso de fato consistente e alinhado à voz das escrituras. Vide suas cartas que o traduzem um discípulo diverso ao que em uma tarde negou ao Mestre. Diferentemente da transformação de apenas o discurso, pelo que o deseja forte, a conversão real testemunha a força do silêncio, da misericórdia, do perdão, do amor, do desapego, da anulação do ego.

Onde está a prática que nos conduz a parâmetros que nos equiparam perfeitamente a Cristo, como Paulo bem orientou deveríamos ser imitadores? O que importa se um ensina, se outro é profeta, ou o outro seja um líder se não for para a glória da obra a que dizemos estar sujeitos?

Importa que saibamos escrever testemunhos com perfeição por meio de ações alinhadas à essência da palavra, sobretudo cuidando o que vai ao coração e ao pensamento, pois a frase perfeita que nos interessa vivenciar um dia é aquela que discípulo algum, erudito ou não, é capaz de escrever a não ser por seu comportamento diante da obra: a que diz seu nome estar escrito no Livro da Vida.

Feliz sábado!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

24
set

Uma lei universal

Marco Aurélio Brasil

Você chegou da rua com muita fome e correu para a cozinha. A fome é tanta que você opta por fazer um sanduíche, mas não tanta que você não se decida a fazer “o sanduíche perfeito”. Você desce da despensa o que há de melhor e monta sua refeição com requintes de plasticidade. Depois de pronto, olhando para sua criação com orgulho e impelido por um desejo irrefreável de destruí-la imediatamente, você se senta, o pega nas mãos e abre a boca. Mas antes de morder, eis que o seu cachorro chega e senta à sua frente. Talvez até ponha uma pata sobre o seu joelho. Pode ser que você não dê uma única lasquinha do pão do seu sanduíche, mas eu duvido que você possa comer simplesmente ignorando que ele está ali, olhando pra você com olhos suplicantes. Por mais que ele faça isso toda refeição e que você tenha dito “não” milhões de vezes, o pedido sempre mexe com a gente e se não o atendemos, ele nos põe desconfortáveis.
img_como_evitar_que_meu_cao_peca_comida_quando_estou_comendo_8276_orig

Essa imagem foi sugerida por Dallas Willard no livro The divine conspiracy como forma de demonstrar o que ele chamou “uma lei universal”: a lei do pedido. Viver com outras criaturas é pedir e ser pedido o tempo todo. Os especialistas dizem que crianças com problemas de comportamento estão geralmente pedindo, seja atenção – por terem carência disso junto a seus pais – seja um gesto qualquer de afirmação, algo que lhes faça saber que são amadas incondicionalmente. Willard chega a sugerir que ensinamos nossos filhos a dizer “muito obrigado” e “por favor” como forma de torná-los civilizados e educados, mas, no fundo, também como uma forma de tornar mais eficazes seus pedidos, de ajudá-los a conseguir o que precisam.

Jesus insistiu muito na necessidade de pedirmos coisas a Deus e pedirmos insistentemente (Mateus 7:7, Lucas11:9) e dá até algumas interessantes parábolas para ilustrar o fato. Ele não insistiria tanto em algo que não fosse útil para nós, algo de que precisássemos. É que não pedimos. Pedimos pouco. Acho que homens, primordialmente – nós odiamos pedir informações no trânsito e ferramentas emprestadas. Deixamos de pedir porque não nos consideramos dignos – o que seria uma grande ofensa para nosso Pai – ou porque temos orgulho e não queremos reconhecer que precisamos de algo fora de nós mesmos. Podemos pedir, mas timidamente e sem insistir no pedido, ou porque achamos que Deus teria obrigação de  atender ao primeiro pedido ou porque desconfiamos do amor dEle ou de Sua capacidade de atender. Não pedir a Deus o que nos vai ao coração é contrariar uma lei do universo criado por Ele. Você não se diminuirá por pedir, ao contrário, estará conectado à fonte da verdadeira grandeza.

E não se esqueça. A lei é a expressão do caráter do legislador. Pedir é uma lei do universo criada por Alguém ávido de que Lhe peçam, mas que também pede. Ele tem pedidos a você hoje. Toda relação é uma via de mão dupla, não cometa a loucura de tratar o Seu Criador como uma dessas máquinas onde colocamos uma moedinha (a oração), retiramos uma latinha de refrigerante, viramos as costas e vamos embora. Ele não hesita em pedir.

23
set

A derrota de Davi – Parte II

Gelson de Almeida Jr.

” (…) se levantou e foi para o terraço do palácio real para distrair-se. Olhando para fora, começou a prestar atenção em uma mulher que tomava o seu banho, e que mesmo de longe parecia de uma beleza fora do comum. Então chamou um dos seus auxiliares e mandou indagar quem era aquela mulher.” 2 Samuel 11:2 e 3 (Bíblia Viva)


Semana passada mostrei que o primeiro erro de Davi foi não sair à guerra com o povo de Deus. O povo ainda está em guerra, depois de dormir ele sai para se distrair. Como não tinha o que fazer começou a passear pelo terraço do palácio e viu a mulher que se banhava. Até esse instante os pecados da cobiça, da luxúria e do adultério não o haviam alcançado. Ele tinha duas alternativas, virar as costas  e não pecar ou deter-se ali, olhar a mulher e pecar. A história mostra que fez a escolha errada, mesmo sendo casado mandou indagar quem era a mulher. Nem o fato de ela também ser casada impediu-o de continuar em seu projeto de pecado.

Tivesse ele se afastado do local e não permitisse que o pensamento vagasse solto, a vitória teria sido certa, mas a derrota veio, veio porque dentro dele tudo estava preparado para aquele momento. O espectro do pecado estava completo, faltava apenas a execução e agora surgira o momento, fora atraído e engodado por sua própria concupiscência e esta resultara em pecado (Tiago 1:14 e 15). A derrota de Davi começara muito tempo antes, naquele instante ele apenas colocara em prática o desejo latente que possuía. O “sonho” virou realidade, mas mostrou-se um grande pesadelo.

Como Davi muitos há que erram em deixar que o mal permaneça em sua mente, acham ser inofensivo acalentar pensamentos desse tipo e o resultado é a derrota, muitas vezes fragorosa. Muitos  pensam ser inofensivo se deter diante do pecado, mas a história de Davi está aí para provar o contrário. Cristo nunca caiu em pecado, pois nunca parou diante da tentação nem dialogou com ela. Eis o segredo da vitória sobre a tentação, fugir o mais rápido e para o mais longe possível, mas isso só será conseguido com poder do alto. Não podemos evitar a tentação, mas podemos tomar providências para que ela não nos derrote. Em sua carta aos colossenses Paulo recomenda que busquemos e pensemos nas coisas do alto (3:1 e 2). Apegue-se ao Eterno e à Sua Palavra e a vitória estará garantida.

22
set

O seu papel nisso tudo

Marco Aurélio Brasil

Sabe aqueles imperativos absolutos que nós amamos fazer malabarismos retóricos para conseguir relativizar? Coisas como “buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de TODO o coração” (Jeremias 29:13) ou “buscai PRIMEIRO o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33)? Pois é. A Bíblia é recheada deles e quando a gente finalmente entendeu e aceitou a ideia da graça esses imperativos vêm e nos confundem.

Afinal de contas, somos salvos pela graça ou só depois de empregar TODO o coração e de colocar essa busca em PRIMEIRO lugar? Por que razão o mandamento nos ordena a amar com TODO o coração, TODA a alma e TODAS as nossas forças?
de todo coração
Em minhas leituras diárias estou quase terminando o Novo Testamento e pela primeira vez fiz acompanhar minhas leituras do registro de minhas impressões delas em um caderno. Eu leio um capítulo e então registro no caderno aquilo que me impressionou ou que entendi no texto e essa experiência tem sido fantástica, principalmente para entender a mensagem mais global, e não compartimentada em capítulos. E o resultado dessa experiência tem sido notar a tônica comum a Paulo, Tiago, Pedro e João. Parece que todas aquelas epístolas são um grito desses homens inspirados: “não usem a ideia revolucionária da graça para colocarem o motor na banguela! não pensem que a graça os joga numa zona de conforto! Como disse o profeta Isaías, ‘aqui não é lugar de descanso” ainda. O descanso está mais à frente, não parem de andar!”
A resposta que vejo à pergunta que fiz dois parágrafos acima é: sim, somos salvos TOTALMENTE pela graça. Antes de conseguirmos buscar a Deus com 1% do nosso coração. Enquanto o reino de Deus era a última de nossas prioridades. A graça nos alcançou enquanto estávamos longe e de costas para Deus.
Mas o complemento necessário é: se a graça nos salvou inteiramente enquanto ainda éramos o oposto de Jesus Cristo, ela colocou em nosso coração o desejo genuíno de caminhar na direção da semelhança absoluta com Ele. Isso se faz com a aplicação de todo o coração e fazendo dessa busca o objeto primeiro de nossa agenda. Isso se faz empregando na tarefa de aprender a amar nosso coração, nossa alma e nossos esforços. Não para sermos salvos, mas porque fomos. Não para tentar nos melhorar como pessoas, mas para estar em harmonia com o poder que é capaz de o fazer.
Enquanto estamos nessa caminhada, Cristo alegremente completa o que falta com Sua justiça perfeita. Quando, contudo, interrompemos essa caminhada, estamos acreditando na mentira de que o grau de semelhança com Ele que já alcançamos é suficiente porque já é bem maior do que o das pessoas ao nosso redor ou bem maior do que aquele que tínhamos tempos atrás.
Se Ele te deu o desejo de buscá-lO, é porque você foi alcançado. Empregue nisso tudo o que tem. Ele vai operar cada vez mais o querer e o efetuar.

20
set

# Ame e viverá

kjhOntem eu escrevia sobre o triste testemunho que o mundo tem presenciado diante do êxodo que ocorre no Oriente Médio, porquanto a atitude despótica se caracteriza, desde que o mundo é mundo, por violências de toda a sorte apenas para manter o poder.

Dentre a completude dos esclarecimentos que nos levam a amar a Deus (especialmente porque Ele nos amou primeiro), está o fato de Ele não nos forçar a nada, esperando paciente e amorosamente que nos voltemos a Ele. Esta, sim, é uma atitude a que podemos acreditar esteja repleta de verdade e esperança, de segurança e fidelidade em todas as horas.

Os homens que procuram sua própria glória, vivendo por discursos que não passam de armadilhas para os desavisados, a eles todo o cuidado é pouco, pois ainda que o favoreçam com alguns benefícios, será no momento em que mais precisar de sua ajuda quando eles o abandonarão.

Somente nas escrituras podemos encontrar o que de fato é a verdade, sobretudo a compreensão quanto à esperança e a paz, estas que são colunas especialmente preparadas por Deus para momentos turbulentos. Entre todos esses contextos e compreensões, algo se sobressai e os constitui: o amor.

O apóstolo Paulo, à época em que ainda era Saulo perseguia e matava os cristãos. Convertido, escreveu aos coríntios dizendo: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha”. Ao dizer isso, Paulo demonstrou a verdade também reconhecida por Pedro, quando escreveu que quem “ama é nascido de Deus, pois Deus é amor”.

As barbáries que presenciamos no Oriente Médio devem nos mover em amor àqueles que sofrem, para fazermos o que estiver ao nosso alcance, ainda que seja ajoelhar e orar, o que, diga-se de passagem, pode muito diante de Deus. Quanto aos déspotas, não devemos odiá-los em nenhum momento, pois são criaturas de Deus e podem a qualquer instante, como ocorrera com Paulo, arrependerem-se e voltarem-se para Deus.

Por estes devemos orar com maior amor ainda, pois ao agirem com tamanha crueldade, sofrem muito, ainda que não o compreendam e também à ignorância de seus atos. Cristo pediu que orássemos pelos inimigos. Pergunte-se se alguém consegue orar por outra pessoa tendo ódio dentro de si. Somente amando-nos uns aos outros é possível que o amor de Deus se aperfeiçoe em nós, possibilitando que Ele permaneça em nós.

Logo, podemos concluir que ainda que estejamos diante de situações pavorosas como as que ocorrem na Síria (e haverá de chegar o dia em que a perseguição aos cristãos, especialmente aos que guardam o sábado ocorrerá) não devemos odiar, tampouco sentir medo, pois, ainda tomando de empréstimo as lições na carta de João, ressalte-se que aquele que sente medo não está aperfeiçoado no amor.

Creio que estas sejam as lições com as quais devemos imprimir a transformação de nossa mente, não nos conformando com este mundo. Amar é tudo o que podemos fazer. Se o fizermos verdadeiramente, tudo o mais nos será acrescentado em força e poder da parte de Deus, pois ainda segundo a carta de João, é o amor que faz com que no dia do juízo teremos confiança.

Que o amor de Deus seja a razão de viver para cada um de nós, hoje e por toda a vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

1 2 3