Monthly Archive: janeiro 2015

31
jan

# A Palavra em nós

weNesta semana o mundo lembrou o dia internacional das vítimas do holocausto. Esse horror instalado durante a II Guerra conseguiu exterminar em torno de seis milhões de judeus. Aliás, desde Abraão eles têm que suportar perseguições e preconceitos de toda sorte. Contudo, sobreviveram. E, convenhamos, tanto pela parte das perseguições, quanto da sobrevivência, um motivo valoroso os manteve unidos ao longo de milênios: o chamado do Eterno.

Tesouro inigualável, a Torá os ensinou a viver e a se posicionar com distinção e dignidade, diferenciando-os de um mundo violento e caótico. Por meio dos livros dos profetas eles receberam registros que ao longo dos séculos os recordaria a sua história, permitindo-os viver segundo os mandamentos e testemunhos. “Recordações valem mais do que vestidos”, escreveu Anne Frank em seu diário entre 1942 e 1944.

Por essa frase, talvez inconscientemente, Anne Frank consegue nos demonstrar esse aspecto internalizado na vida do povo judeu. Ainda apenas uma menina, ela escreve essa frase enquanto relata sobre a necessidade que teria, juntamente à família, de se esconder dos nazistas, levando apenas o seu diário.

Isso nos faz lembrar os registros de Mateus quanto à advertência de Jesus, pois chegaria um tempo em que os discípulos seriam perseguidos e mortos, que o amor esfriaria, que a traição se instalaria por meio de falsos profetas e falsos cristos. Contudo, pior será no momento em que a abominação se encontrar no lugar santo, mencionado pelo profeta Daniel. Teremos que fugir sem pertences e nem mesmo olhar para trás, pois em tempo algum houve desolação semelhante.

Assim como o povo judeu internalizou os livros da primeira aliança em seus corações, agindo conforme tudo o que está escrito, também devemos nós. Essa é perseverança dos santos: cumprir os mandamentos e manter a fé em Jesus. Como fazer isso sem conhecer bem as escrituras? Somente assim nos abriremos para a promessa registrada por Paulo e Ezequiel, porquanto o Senhor nos dará um coração novo para nele colocar a sua lei.

Essa é a transformação que precisamos vivenciar, internalizando as escrituras e o exemplo de Cristo, externando-os por onde formos, unindo-nos pelo amor à verdade. A palavra é a verdade, segundo Cristo. Já não há mais tempo para perder, pois o machado está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo. É preciso conhecer as escrituras a fim de não perecermos, conforme advertia o profeta Oseias, afinal, “bem-aventurados aqueles que guardam os mandamentos para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.

Shabbat Shalom

Sadi – Um Peregrino da Palavra

30
jan

Comunicação

Série:  Morte e Vida

Rejeitados. Excluídos. Abandonados. Invisíveis. Colocados à margem pela sociedade sem qualquer esperança de um futuro melhor. Deixaram de “viver”, apenas existiam. Assim eram vistos e tratados pelos demais. O curso “normal” da existência de cada um deles permaneceria nessa triste situação não fosse um encontro pessoal e extraordinário com a real fonte de Vida. Daquele momento em diante tudo mudou. Como? Se ainda não sabe, não deixe de estar conosco. O mesmo poderá acontecer com você.

29
jan

Serpentes

Marco Aurélio Brasil

Na travessia do Egito para Canaã, todo dia era dia de resmungar e reclamar. O povo de Israel, recém liberto espetacularmente de um cativeiro de 400 anos, achava razão para reclamar de tudo. Num desses dias (Números 21) uma porção de serpentes invadiu o arraial, distribuindo picadas a torto e a direito. Mais uma vez Moisés intercedeu pelos reclamões e Deus disse que ele fizesse uma serpente de cobre e a colocasse numa vara. Aquele que tivesse sido picado e olhasse a serpente, seria curado.

Imagine um povo traumatizado com cobras e Moisés vai e faz uma imagem de cobra. Se eu tivesse sido picado, tudo o que eu não ia querer ver na minha frente seria um desses bichinhos esgueirentos, nem que fosse em cobre. Só que quem olhou, viveu.

Sabe, boa parte da literatura dita espiritual que se publica hoje fala apenas de amenidades, destacando a capacidade de cada um tem de superar seus problemas. Esses gurus fazem muito sucesso. Eu também poderia hoje falar da importância de amarmos o que fazemos, amarmos as pessoas, de como é lindo ver o lado bom de todas as coisas, de como devemos acreditar nas nossas capacidades e de preferência contar historinhas bonitinhas que reforçam a idéia. Eu seria com certeza mais popular se o fizesse.

espelho_image1São todos bons assuntos, só que entendo que para Deus, o tema “pecado” continua sendo muito popular e Ele gostaria que falássemos nEle. Não foi idéia dEle transformar pecado em um tabú, uma coisa ultrapassada, uma idéia tolhedora, castradora. O pecado continua existindo, continua sendo odioso aos olhos dEle. E nós continuamos pecando. Acontece que encará-lo de frente, como um picado encarou a cobra na haste, pode ser desagradável. Esse processo doloroso, no entanto, foi o escolhido por Deus.

Assim como lá, precisamos reconhecer o nosso problema, olhar para ele, examinar-nos com sinceridade. Jesus Cristo veio Se fazer semelhança de pecado, ser exatamente o que nos aflige, para que não mais sejamos afligidos. Olhando hoje para Ele, vamos reconhecer o que temos tentado evitar chamar “pecado”, colocando outros nomes, mais amenos, como “necessidades momentâneas”, “necessidades fisiológicas”, “meras concessões”, “divertimentos inocentes”, esperando sempre que “Deus entenda”. Quanto mais encararmos o Cristo da cruz, que Se fez pecado para que nEle fôssemos justificados e que foi ali levantado para a todos atrair a Si, mais veremos o quanto dEle estamos distantes.

Se não o fizermos, morreremos.

28
jan

Zona de conforto

Gelson de Almeida Jr.

Um rei ganhou dois filhotes de aves de caça e mandou que fossem treinados para serem utilizados o mais rápido possível. Pouco tempo depois o treinador procurou o monarca e disse-lhe que uma das aves estava pronta. O rei ficou muito feliz com a demonstração que lhe foi feita. Perguntou então como estava a outra ave e soube que ela nem se mexia no galho, até a comida tinha que ser levada ao bico. O rei prometeu uma recompensa àquele que fizesse a ave voar. Muitos tentaram, mas sem sucesso, até que um dia o rei viu a ave voando. Quis saber quem conseguira tal proeza. Um modesto homem foi trazido e o rei perguntou-lhe o que tinha feito, disse-lhe  que queria aprender sua técnica mágica. Balançando a cabeça o homem disse que não fizera nada especial, apenas cortara o galho e o atirara longe.

Em nosso dia a dia ocorrem situações onde achamos que o Pai nos abandonou. Olhamos ao redor e parece que, tirando nós, todos estão bem. Vamos então buscar refúgio e alento na Bíblia e lemos que todas as coisas contribuem para o bem dos filhos de Deus (Romanos 8:28), que nunca virá sobre nós uma prova que não possamos suportar (I Coríntios 10:13) ou que devemos nos alegrar quando passarmos por provações (Tiago 4:13). Será que o Eterno gosta que Seus filhos sofram? Tem Ele prazer em nos ver sendo provados? Claro que não. Por que então permite certas coisas em nossa vida? Simples, Ele quer nos aperfeiçoar e nos preparar para coisas maiores, coisas que nem imaginamos existir. É como se nos dissesse: “Meu filho preparei algo grandioso para você, mas preciso que saia da ‘zona de conforto'”.

Não se entristeça ou se desespere se o Pai permitir que o galho onde você está confortavelmente instalado desapareça. Não se trata de um castigo, mas de uma benção, quer levá-lo a alçar voos maiores e talvez esta seja a única maneira de Ele conseguir. Apena confie nEle, pois tudo o que Ele faz é perfeito, justo e bom e a sua benignidade dura para sempre.

27
jan

Pra que serve religião?

Marco Aurélio Brasil

Toda vez que encontro uma pessoa em situação difícil na rua, maltrapilha e com aquele característico olhar humilhado, e tenho a reação automática de fingir que não vi ou dizer um “não” o mais duro e irrecorrível possível, embora tenha o bolso cheio de moedas, me pergunto na seqüência, imediatamente: para quê serve minha religião?

Há pelo menos duas formas de responder a essa pergunta: a mais comum hoje em dia é dizer que religião serve para a gente se sentir bem, ter paz, botar a cabeça no lugar. Nesse nosso tempo individualista tudo deve ser utilitário, deve trazer benesses palpáveis para a pessoa. A religião, portanto, seria uma coisa a serviço da pessoa. Atingindo seu fim, tanto faz qual seja ela.

indiferenca2 Mas há a outra resposta, que, de tão complexa, só posso aqui rascunhar uma de suas facetas. Religião é um instrumento de transformação. Religião, a religião genuína de Cristo, toma sua escala de valores natural e vira de cabeça para baixo. Toma seus gostos e preferências e muda de lugar. Radicalmente. Religião, ou melhor, cristianismo, empurra você, o molda, formata, faz com que você reproduza (aos poucos ou aos muitos, cada caso é um caso) o caráter dAquele a Quem você passou a contemplar longamente. Assim, o cristianismo, se vivido de fato, não serve como um refresco ou como uma espécie de terapia, pra você tocar sua vida normalmente, perseguindo os mesmos sonhos e tendo as mesmas atitudes nas situações inesperadas da vida.

Em Mateus 23:23, Jesus faz uma declaração lapidar: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas”. Extremamente pedagógico, esse texto. Jesus ensina que religião não é uma coisa baseada em: “faça isto e isto, participe deste e deste rito, abstenha-se de comer ou fazer isto e aquilo e pronto, viva feliz, se achando santo e digno”. Religião é tudo isso como resposta ao “que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé”. Umas coisas, sem prescindir das outras. Mas o que é mais importante vem primeiro.

Pra quê serve minha religião se ela não me molda à imagem e semelhança dAquele a Quem adoro? Se meus gestos automáticos continuam sendo egoístas? Se o sofrimento alheio continua me sendo indiferente? Se minha atitude no momento em que surge a oportunidade de servir como Ele serviu muitas vezes é igualzinha à que eu tinha no tempo em que não O conhecia?

26
jan

Sim, faz diferença…

Adriano Vargas

É fato bem conhecido que Deus não age por meio de pecadores, mas ouve quem vive em reverência e cumpre sua vontade.” João 9:31 BM

Penso que boa parte de nossas orações poderiam passar por severas mudanças.

Algumas delas precisam de mais coerência. As vezes elas são um deserto, por outras, um oásis. São uma multidão de palavras compridas, secas, áridas, com pequenos instantes de imersão nas águas da comunhão com o o Eterno. (poético, deve ser por que estou em Uruguaiana, na fronteira com Argentina e está muito calor….srsr)

Outras faltam franqueza. Nossos clamores são um pouco vazios, mensagens repetidas e pouca flexibilidade. Sobra liturgia e falta vida. E mesmo sendo executadas diariamente, são muito entediantes.

Outras padecem de… sinceramente, de honestidade. Verdadeiramente nos questionamos se orar vai mudar alguma coisa. Mas quem disse que a funcionalidade da oração está um mudar algo? Por qual razão o Eterno vai querer falar comigo? Se o Eterno já conhece tudo sobre mim, por que preciso dizer-lhe o que se passa? Se o Eterno tem todo o controle, qual a minha necessidade de fazer algo?

As nossas orações até podem ser atrapalhadas. Nossos esforços podem ser insuficientes. Porém, o poder da oração está no Eterno, que a ouve, e não em nós, que balbuciamos apenas palavras. Por isso digo que nossas orações fazem diferença.

Se você conseguir lembrar de algum momento em que, por algum motivo qualquer, você passou a orar menos ou mesmo parou de falar com o Eterno. Lembra da falta que isso fez em sua vida e de como você se sentiu melhor quando voltou a falar com o Pai…Orar…sim, faz diferença!

25
jan

# Felicidade Interna Bruta

img51Há um País situado entre a China e a Índia chamado Butão, e em 1974, quando um rei assumiu o trono, este decidiu que devido ao crescimento do consumo no mundo, o seu País não acompanharia tal hábito, que a seu ver prejudicava a convivência entre as famílias. Sua meta seria implementar a Felicidade Interna Bruta, ao invés de fomentar o crescimento do Produto Interno Bruto. Seu desejo era implantar o desenvolvimento da felicidade de seu povo.

Situado a mais de 3 mil metros de altitude, o ideal daquele País parece ter prosperado, pois em que pese a população viver uma vida simples, as aldeias são autossuficientes em tudo e uma característica que as diferencia é a alegria. Sorrisos não faltam entre os aldeões butaneses, que contam com um produto interno bruto de pouco mais de U$5 bilhões.

Se transportarmos esse ideal real para o contexto pensado pelo Rei dos reis para toda a humanidade, há pouco mais de dois mil anos, e meditando a essência de suas palavras registradas pelas escrituras, acredito que tenhamos muitos maiores motivos para nos alegrarmos. Mas, por que isso não acontece? Por que há lamentações, intrigas e infelicidades mesmo entre os que se dizem discípulos do Mestre?

Será por não o terem visto como os discípulos do monarca asiático conheceram a seu rei? Não pode ser, pois as novas gerações de butaneses não o conheceram; logo, pressupõe-se que sua população melhor absorveu àqueles conceitos de felicidade do que nós, os crentes nas palavras de Cristo, tenhamos compreendido, por exemplo, o conceito de amar ao próximo.

Uma coisa é certa. Permanece a máxima de Cristo para que dela ainda nos embriaguemos de felicidade: “Bem-aventurados os que não me viram e creram”. A propósito, cumpre salientar a conclusão de João, o apóstolo evangelista que registrou que, crendo, teremos vida em nome do Messias.

Que nossa semana seja abençoada por grandes alegrias, para honra do Eterno, bendito seja o Seu nome.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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