Monthly Archive: agosto 2014

30
ago

Inspiração e Transpiração

1665Sabe aquele dia em que você se senta à frente de um computador para escrever uma meditação e nem um tema lhe vem à cabeça? Pior que isso é ter passado a semana inteira sabendo que chegaria esse momento, e por diversas vezes ao longo dos dias você encontra situações interessantes e logo pensa – vou escrever sobre isso na meditação de sábado.

Chega o pôr do sol da sexta e você não aproveitou qualquer um daqueles momentos e nada escreveu. E você pensa: tenho que escrever a meditação. O horário vai avançando e nada. Quando se dá conta, já é bem tarde e você não cumpriu com sua obrigação, e ainda acha ser capaz de resolver isso por pura inspiração. Ledo engano.

Não apenas se demonstra com esse posicionamento, a falta de prioridades para com as coisas de Deus, mas, sobretudo falta de disciplina e de busca que transforme nossa mente.

Disciplina. Treino. Insistência. Aperfeiçoamento. Experiência. Eis o resultado para tudo na vida.  Thomas Edison e Albert Einstein nos deixaram lições importantes, inclusive uma sentença cunhada, certamente, por alguém antes deles, quando afirmaram o que pensavam a respeito dos trabalhos que exerciam.

Edison afirmou que genialidade é resultado de 1% de inspiração e 99% de transpiração, enquanto Einstein afirmava que a física teórica moderna é 10% de inspiração e 90% de transpiração. A diferença da porcentagem é o que menos importa. A essência do pensamento diz tudo. Você só pode alcançar bons resultados se aproveitar todas as circunstâncias para se aperfeiçoar. Não amanhã, mas hoje, agora, e também amanhã, se houver.

Adquirir a experiência real com Deus passa por um posicionamento que temos que buscar, não por inspiração, pois estaríamos sujeitos a deixar passar momentos importantes de transformação, mas como quem transpira e faz acontecer, pois como disse o Eterno, o momento é agora, o tempo é agora, conforme a lição dita por Paulo aos coríntios, repetindo as palavras de Isaías, para que no momento em que mais precisarmos, sermos aprovados. Assim como Einstein superou todas as expectativas, e Edison, depois de centenas de tentativas, alcançou o objetivo.

No entanto, é preciso que se entenda algo importante: os altos índices de transpiração, de trabalho em busca do aperfeiçoamento que permite a transformação, depende sobretudo da graça que há no Senhor, pois por nosso esforço, como se dependesse apenas dele, não alcançaremos o objetivo que o Senhor pensou para nossas vidas.

A propósito, apenas conhecer bem as escrituras fará do leitor um homem transformado? O homem deve vigiar e orar, estar alerta, pois não sabe a hora em que voltará o Senhor para terminar a obra. Acaso não necessita o empregado estar alerta ao patrão que chegará a qualquer momento? Guiados pela sabedoria do alto, devemos escrever a história todos os dias, confiando que o Senhor nos aperfeiçoa, inspirando-nos 100% através de Sua palavra, e por ela, transpiramos 100% em nosso caminho, ou seja, nos posicionamos para que haja a transformação em nós.

Feliz Sábado!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

28
ago

Melhores

Marco Aurélio Brasil

Pamela Druckerman cita (em Crianças francesas não fazem manha) Jeffrey Steingarten, autor de “O homem que comeu de tudo”, que, quando foi nomeado crítico gastronômico da Vogue decidiu que precisava comer mesmo de tudo, até do que ele odiava.

Fez uma listinha das comidas que detestava e começou a comer uma por dia. Anchovas, conserva de repolho coreana, banha de porco, mariscos… Em pouco tempo, com raras exceções, ao seu paladar se familiarizar com cheiros, sabores e texturas, o que ele antes detestava passou a tolerar e até desejar.

Se é mesmo verdade que a gente se adapta a tudo, e pela familiaridade chega a gostar do que odiava, a pergunta que podemos fazer é: por que a gente não se submete ao que sabe ser bom? Por que não aplicamos nosso tempo a familiarizar-se com melhores (mais saudáveis) sabores, leituras,  amizades e ideias de lazer?

Você tem uma boa explicação para isso?

27
ago

Anjezë Gonxhe Bojaxhiu

Gelson de Almeida Jr.

Que palavras estranhas são essas! Muito provavelmente você, como eu, sequer consegue pronunciá-las adequadamente, esse é o nome de uma das mulheres mais conhecidas no século vinte, que conseguiu a façanha, mesmo sem buscar, de ser amada e respeitada por todos. Algumas frases suas são famosas: ” Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz“, ” É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado” e ” Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota“.

Conhecida  como Madre Teresa de Calcutá ficou famosa pelos relevantes trabalhos desenvolvidos na Índia junto aos menos favorecidos, um dos seus apelidos em vida foi o de Santa das sarjetas.  Desde cedo decidiu viver para o próximo, principalmente aquele que a sociedade deixava de lado e assim o fez por toda a sua vida. A ordem do Mestre de amar o próximo e ajudar os desfavorecidos (Mateus 25:35-45) foi seguida a risca por ela.

Quem sabe você pense que não tem condições de, como ela, se dirigir a lugares distantes, como a Índia para ajudar os necessitados. Tenho ouvido muitos dizerem que gostariam de possuir recursos para fazer um grande trabalho pelos marginalizados de nossa sociedade, mas é igualmente grande, ou maior ainda, o número daqueles que dificilmente separam uma parcela do seu tempo para ajudar o próximo. Não estou aqui a pedir que use seus recursos em benefício do próximo, mesmo porque sequer sei o seu nome ou o que faz, mas, utilizando mais uma frase da Madre Teresa, “Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”, pedir que faça aquilo que está ao seu alcance.

Quanto custa um sorriso, um abraço ou um aperto de mão? Muito pouco, mas como fazem bem! Você se lembra do sentimento que teve ao receber um deles sem esperar, porque não fazer o mesmo com os que o cercam? Um pouco de interesse pelo bem estar do outro  e desprendimento de sua parte fará com que o mundo se torne um lugar mais agradável e bom para se viver. Melhore o mundo dos outros, pois você vive nele também.

26
ago

A grande tentação

Marco Aurélio Brasil

O racionalismo humanista trata a fé como uma muleta psicológica, um recurso para os fracos que precisam de consolo e que só conseguem encontrar paz se acreditarem que existe um propósito maior para as vicissitudes da vida, que existe um duelo entre o bem e o mal e um Deus amoroso que no fim triunfará. Crer, dizem eles, seria ceder à tentação da solução fácil mística para o sofrimento e a angústia.

Mas eu optei por crer a despeito da identificação com os fracos e os loucos. Decidi dar créditos às placas de sinalização que a mão invisível plantou ao meu redor e essa questão já ficou superada há muito tempo (vinte anos agora, para ser mais exato). A fé, de muleta, se fez meu suplemento de ar, a fonte não de minhas fraquezas, mas de minhas virtudes. É uma convicção que o racionalismo já não consegue apodrecer, e tanto que ele já não mais me desperta qualquer atração. surpresa
Só que aí o fenômeno se inverte. Um bebê recém nascido de amigos luta numa UTI, num doloroso contraste com o que deveria ser o momento da suprema felicidade. Um casal que você tem como referência anuncia a insuspeitada separação. Uma pessoa querida e cheia de vida é diagnosticada com câncer. Enfim, qualquer desses eventos aparece como o choque elétrico que eu levava ao abrir um livro de capa promissora que aquele amigo sarrista trazia à escola na infância. Como aquelas caixas que você abre e algum boneco sinistro pula na sua cara. Surpresa!
Quando acontece algo assim é que a verdadeira tentação se insinua. A tentação de admitir que nada disso faz sentido, que Deus não existe, que a vida não tem propósito e que estamos largados à nossa sorte.
Mas o Autor e Consumador de nossa fé garantiu que no mundo teríamos aflições (João 16:33). Aflição, segundo o único dicionário que tenho em casa (um certo Dicionário Escolar da Língua Portuguesa), é “agonia; atribulação; angústia; ansiedade; tormento”. A fé, portanto, pressupõe a certeza de que vamos tropeçar nessas coisas. Pressupõe também que Deus faz com que tudo contribua para o bem daqueles que o amam (Romanos 8:28). Que a crise contribui para um propósito que não conhecemos mas que um dia conheceremos (I Coríntios 13:12). As surpresas da vida nos jogam mais fundo nos braços de Deus, o único lugar onde estamos seguros de fato.
A tentação de descrer se torna um fortificante para a fé. Como eu aprenderia a orar não fosse ela?

25
ago

Reino de amigos

Adriano Vargas

Não os chamo de empregados, porque os empregados não entendem o que o patrão pensa ou planeja. Eu os chamo de amigos porque contei a vocês tudo que ouvi de meu Pai. João 15:15

Foi assim que Jesus disse que deseja que O vejamos, e que assim, Nele, nos percebêssemos.

Claro que o Evangelho que é Jesus e Jesus que é o Evangelho – pois a Boa Nova é Jesus e Jesus é a Boa Nova – nos ensina a viver e caminhar neste mundo de cardos e abrolhos. Mesmo que tudo pareça meio estranho.

No entanto, o Alvo de Tudo é muito claro!

Deus quer amizade, intimidade, unidade nossa Nele e uns com os outros, e com o todo de tudo o que Ele chama para um reino de amigos.

Após dizer que nos chama de amigos e não de servos, e também tendo antes definido que os amigos Dele são os que entendem os mandamentos com a alegria da obediência impulsionada pelo bem que o caminhar em fé mediante o amor produz

Ele concluiu, na chamada Oração Sacerdotal (João 15) que o desejo Dele era que víssemos a glória do amor Dele no Pai, e que também nos tornássemos parte disso, numa fusão misteriosa que Ele definiu apenas como…

– EU NELES, TU EM MIM E ELES EM NÓS!

Esta é a minha e sua vocação/propósito de ser!

O resto é a confusão que turva a visão simples do chamado para nos fundirmos no amor de Deus, em Sua amizade, e em Sua glória, que é nos amarmos Nele eternamente num reino de amigos.

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