Monthly Archive: junho 2014

28
jun

Excelentes coisas

É comum conhecermos pessoas que se sobressaem no meio em que vivem, sejam como profissionais, sejam simplesmente por transparecerem maturidade diante da vida, dando-lhes um ar racional diante dos fatos, que qualquer um gostaria de ter para lidar com os problemas diários.

Sim, elas são vencedoras, mas não são especiais ao ponto de serem únicas. Essas pessoas tornam-se especiais e todos nós podemos o mesmo, bastando que, como elas, encaremos a existência de frente. Mas não se engane, pois também elas têm seus temores e suas dúvidas. O que as diferencia é olhar para a vida como a oportunidade que têm para vivê-la, não perdendo seu tempo com coisas que as impossibilite crescerem.

Mesmo às vezes, porque são simplesmente pessoas, também elas caem, se levantam, mas, sobretudo analisam seus erros, as circunstâncias, e assim seguem seu caminho, retomando suas metas, focados em seus objetivos. E vencem.

No entanto, isso está ajustado a um tempo limitado. O da existência. Quando acaba, o máximo que se poderá dizer é: Foi um vencedor. Alguém arrojado, digno etc.

Mas, é só isso? Morreu, acabou? O que importava era ter enfrentado a vida com todos seus enfados e pesos, e vencido? Percorrido a raia e alcançado a vitória? É só isso que alguém que a testemunhe queira espelhar-se para também ser um vencedor?

A palavra do Eterno é o conhecimento da vida. Ao se revelar à humanidade, deu a conhecer dois aspectos fundamentais a serem considerados durante a jornada. O primeiro deles, que nos prepara melhor para, inclusive, as derrotas, mas, sobretudo para as vitórias, é que a conquista está além da existência física, ainda que para alcança-la, estejamos limitados ao curto tempo da vida.

Infelizmente, muitos vencedores deste mundo não consideram essa circunstância enquanto lutam.

O segundo aspecto é compreendermos que, ainda que alcancemos ou não as satisfações que revelem alguma justiça no mundo, para isto, diferentemente da verdadeira vitória que não se limita pela morte física, há um limite. Também o da própria existência física.

Sagrar-se vencedor será refletido, de fato, pela forma como encaramos tais peculiaridades da existência, ambas desconhecidas do homem mais sábio, se não fosse revelada pelo Eterno.

Inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento. Porque te será agradável se as guardares no teu íntimo, se aplicares todas elas aos teus lábios. Para que a tua confiança esteja no Senhor, faço-te sabê-las hoje, a ti mesmo. Porventura não te escrevi excelentes coisas, acerca de todo conselho e conhecimento, Para fazer-te saber a certeza das palavras da verdade, e assim possas responder palavras de verdade aos que te consultarem?” (Provérbios 22)

Shabbat Shalom!

Um Peregrino da Palavra

24
jun

Filiais de Nínive

Marco Aurélio Brasil

“Ai da rebelde e contaminada, da cidade opressora!”, é como começa Sofonias 3. O capítulo anterior termina com profecias funestas contra vários povos, mas a tal “cidade opressora” parece ser Nínive, a grande capital do reino assírio.

Nínive, famosa entre os leitores da Bíblia por ser a cidade que se arrependeu com a pregação esquisita do profeta Jonas, era conhecida como “cidade dos ladrões”, uma espécie de Brasília da antiguidade, mas alguns a mais graus na escala de barbaridades. Os assírios eram dados a empalamentos, emparedamentos, esfolamentos, argolas no nariz e olhos furados. Ser derrotado por eles deveria ser um mau negócio. Então, lógico que Deus venha e diga “ai!” dessa cidade e derrame algum castigo sobre ela.
Contudo, no verso seguinte ele enumera quatro razões porque essa cidade está na mira do juízo divino, e nenhum deles tem algo a ver com roubos, empalamentos e coisas do gênero. O profeta dá quatro razões para a desgraça de Nínive:
1 – Não escuta a voz. Esta primeira razão, assim algo enigmática na versão Almeida, está vertida como “não ouviu o chamado” na Bíblia de Jerusalém, “ela é tão orgulhosa que nem sequer ouviu o chamado do Senhor”, na Bíblia Viva, e “não ouve a ninguém” na NVI. Qualquer que seja o sentido, para que “não escutar a voz” seja algo deplorável, é preciso que a voz esteja falando de forma audível e a cidade esteja escolhendo não ouvir. Essa voz pode ser a de Deus ou a dEle através dos profetas, que parece ser o caso, já que no versos seguintes a profecia fala de profetas levianos. Onde eles falam hoje? A qual voz poderíamos estar escolhendo não ouvir, talvez por termos coisas mais “importantes” para fazer, talvez porque o que eles têm a dizer nos é inconveniente?
2 – Não aceita a correção. Curioso que no episódio de Jonas Nínive foi bem propensa a ouvir a correção. Aqui, contudo, parece que aquela inclinação a reconhecer seus erros já se perdeu. Portanto, um dos pontos que faz com que Deus resolva enviar Seus juízos sobre eles está em não admitir que pode haver algo em seu estilo de vida que mereça correção.
3 – Não confia no Senhor. Engraçado,  não? Uma atitude de reiterada desconfiança de Deus, ou confiança em outra coisa qualquer, é algo que suscita a ira dEle. E confiança é algo que se adquire pela convivência, pela proximidade, o que nos leva ao último ponto:
4 – Não se aproxima do Senhor. Porque é tudo uma questão de relacionamento, de escolher estar perto.
Duvido que você seja chegado a roubos, empalamentos e esfolamentos, mas sua casa pode ser uma pequena Nínive no que ela tem de pior aos olhos de Deus.
Escute a voz e viva.

19
jun

Volta olímpica

Marco Aurélio Brasil

O pastor José Maria Barbosa tinha essa ilustração genial sobre o que significa escolher Jesus Cristo hoje. É como se você ganhasse um concurso do patrocinador da seleção e tivesse o direito de ser relacionado como jogador na final da Copa do Mundo. Você assistiria o jogo lá de dentro do campo, junto dos outros jogadores, com um uniforme com o seu nome.

E começa o jogo e as coisas vão bem. E o artilheiro do time faz quatro gols antes do intervalo e outros quatro logo depois dele. E então, 8×0 placar, o outro time abatido, o técnico vira para você e diz: entra lá. Ele coloca você em campo. Não importa quantas caneladas você dê e quantos passes errados, o placar está consolidado, a vitória está assegurada e você foi colocado em campo apenas para que a glória seja sua também, para que você dê a volta olímpica e apareça na foto oficial.

Daniel 7 afirma que, finalizado o julgamento, o reino será dado a Jesus. Ele ganhou o reino, Ele mereceu o reino. Ele é o nosso artilheiro. Mas ele então pega esse troféu e passa para mim e para você. Para que a glória que é dEle, que Ele conquistou, seja nossa também. Porque somos lindos e perfeitos? Não, porque somos criaturas Suas, e ao escolhê-lo como Salvador ganhamos o tícket para a volta olímpica final, a volta olímpica eterna.

17
jun

Pátria(s) amada(s)

Marco Aurélio Brasil

Minha timeline se pinta de amarelo, mesmo fenômeno que toma as ruas. Um fenômeno que só acontece a cada quatro anos. 

 Dessa vez, contudo, é uma invasão amarela um tanto envergonhada. Ninguém queria estruturas milionárias em que as luzes não funcionam direito, ou receber os visitantes com assaltos e duas horas de fila para pegar um táxi, entre outras tantas lacunas de nossa pátria. Mas nos pintamos de amarelo assim mesmo porque o futebol é nossa chance de redenção, nossa chance de ver a pátria amada no alto do pódio. O balé de equilíbrio improvável de Neymar agrega camadas de autoestima na gente.
Na última quinta-feira escrevi aqui que esse tipo de patriotismo conflita com o patriotismo que me inspira minha dupla cidadania, a cidadania daquela outra pátria… Este patriotismo verde-amarelo é daquele gênero exclusivista e excludente: quero ver minha pátria incensada porque as outras todas estarão subjugadas. A minha vitória é também a derrota de todos os outros. Agora, o sentimento daquela outra pátria, a da cidade que tem fundamentos, que Deus é o arquiteto e construtor (Heb 6:11) não é nada excludente. Quando um vence, reparte a vitória com todos (Dan 7:27) e quem quiser pode vir e beber de graça da água dessa vida (Isa 55:1).
Minha dupla cidadania me dá hoje esses sentimentos divididos. Mergulho na turba amarela e grito o gol com ela. Mas aqui no íntimo intuo que a glória da pátria que está por vir há de ser muito, muito superior. Não por tudo que ela excluirá e subjugará, mas por sua natureza ímpar: amor, e não excelência pura e simples. Assim, o dia em que tudo se pinta de amarelo me dá saudades daquela outra pátria. A pátria sem lacunas.
Ora vem, Senhor Jesus.

16
jun

Sempre ao nosso alcance…

Adriano Vargas

Àquele que se lembrou de nós quando fomos humilhados O seu amor dura para sempre! Salmo 136:23

Se há algo que me impressiona sempre no amor de Deus, esse algo é o mistério da encarnação. Sim, o Eterno decidiu torna-se conhecido por meio do corpo de um ser humano.

Era humana língua que ordenou ao defunto deixar sua sepultura. A mão que tocou o homem leproso tinha sujeira embaixo das unhas. Eram calejados e empoeirados os pés sobre os quais a mulher chorou. E seu choro…sim, não esconda suas lágrimas…brotaram de um coração tão ferido como o seu ou meu já foram.

Dessa forma as pessoas o procuravam. E como elas iam a ele. Era ao anoitecer; procuravam encostar nele durante suas peregrinações, acompanhavam-o pela praia; pediam que fosse até suas casas, colocavam as crianças sobre seus joelhos. E qual a razão de tudo isso? O Cristo não aceitava ser como uma estátua emoldurada numa catedral ou ser tratado como um religioso numa plataforma. Pelo contrário, o Cristo quis estar mais próximo, ser acessível e troçável.

Cristo nunca se afasta daqueles que o amam. Quando se retirou da presença dos seus discípulos, deixou o Espírito Santo para habitar em nós. Ele está sempre ao nosso alcance…

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Foto tirada no torneio de futebol no Unasp com o curso de teologia

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