Monthly Archive: abril 2014

30
abr

O conselho de Zeres

Gelson de Almeida Jr.

Zeres é daqueles personagens bíblicos de quem pouco se fala, mas quando se fala não se tem nada de bom a dizer. Aparece rapidamente no livro de Ester como a mulher de Hamã, um alto oficial no império persa. Hamã estava cada dia mais descontente com Mardoqueu, que não se curvava diante dele. Certo dia, muito irado com o fato, foi para casa e se aconselhou com sua mulher. Ao invés de acalmar o coração do marido Zeres aconselhou-o que fizesse uma forca para nela pendurar seu desafeto (Ester 5).

Foi um daqueles momentos em que um tolo se aconselha com um estúpido e quando isto acontece o resultado nunca é bom. Em poucas horas a forca ficou pronta e Hamã imaginou que era uma questão de tempo para se livrar de Mardoqueu. A única coisa que ele e sua mulher não imaginavam é que haveria uma inversão de papéis, pois ele morreu enforcado e Mardoqueu ocupou o seu lugar no reino. Se pudesse voltar no tempo Zeres jamais teria aconselhado seu marido do modo como o fez. Como resultado viu o marido morrer enforcado e seus bens serem entregues à rainha.

Quanta coisa seria diferente se agíssemos de modo oposto ao de Zeres. Dificilmente conseguimos mudar o rumo das coisas depois que falamos algo. Um dia teremos que dar contas de toda palavra que sai de nossa boca (Mateus 12:36), mas, em muitos casos, assim como Zeres, colheremos os frutos rapidamente. Cuide para nunca ser condenado por suas palavras.

29
abr

Interrogações

Marco Aurélio Brasil

“Meu projeto de vida era fazer o curso x na faculdade y, mas eu estou fazendo o curso w na faculdade z. Eu não entendo porque! Por que Deus me levou para um lado tão diferente do que eu sonhei?” Não sei se o amigo que me fez essa pergunta há uns quinze anos atrás se lembra dela, mas ainda esta semana essas palavras ecoaram em minha memória enquanto eu ouvia outra pergunta parecida, apenas em um contexto diferente. “Quando descobri que meu sócio cometia uma série de fraudes, inclusive prejudicando criancinhas, eu rompi imediatamente, mas parece que tudo que eu tento fazer com o patrimônio adquirido naquela sociedade dá errado. Você acha que aquele dinheiro é amaldiçoado? E essas maldades que estão fazendo comigo, será que elas vão mesmo ser julgadas só na eternidade? Isso não é justiça, terá demorado muito!”

Quinze anos atrás minha resposta foi diferente. Com um sorrisinho algo pretensioso, olhei fundo nos olhos do meu amigo e disse: “você vai descobrir. Fique tranquilo, um dia você vai entender perfeitamente.” Eu era jovem demais. Não sei se esse meu amigo descobriu porque sua vida deu as voltas que deu, se ele chegou a alguma conclusão, mas eu jamais poderia dar uma resposta dessas hoje em dia, pelo simples fato de que às vezes a gente não descobre. Jó não descobriu porque seus filhos foram mortos, seu patrimônio destruído e seu corpo ficou coberto de chagas. João Batista não descobriu porque teve de ser aprisionado e decapitado. Ninguém disse a Paulo porque exatamente aquele “espinho na carne” de que ele fala continuou lá.
Por mais que a ideia de dinheiro ser “amaldiçoado” me pareça estranha e eu tenha toda uma teologia a respeito da justiça divina, os cursos incertos da vida e essas experiências todas encontradas na Bíblia já não me deixam mais ser o gatilho mais rápido do Oeste na hora de dar respostas. É que Deus nunca prometeu respostas. Ele deixou princípios gerais na Bíblia e a gente patina um pouco na hora de trazê-los para os casos concretos.
Mas pensando nisso tudo esta semana me veio uma ideia que me parece digna de ser compartilhada: acredito que isso não seja por acaso. Enquanto estamos lutando com Ele para entender os porquês da vida, estamos no lugar em que Ele quer que estejamos. Na presença dEle. Olhando para Ele. Esperneando, sim, mas perto dEle. Aí um dia as perguntas mudam e podemos perder a paciência porque Ele insiste em não vir aqui e responder em bom português, mas se insistimos em questionar Seu silêncio ou se o aceitamos e O louvamos, estamos salvos. É que pessoas que entendem tudo, que têm todas as respostas, que sabem o fim desde o começo, como Ele, não precisam confiar.
E é a confiança que nos salva. “Voltando e descansando sereis salvos, na calma e na confiança estará sua força” Isaías 30:15.
E Ele nos quer salvos.

26
abr

# Semeando a Palavra

Atualmente o que mais se vê nas exposições midiáticas sobre o evangelho são pregações em nome da verdade, por pessoas que se dizem discípulos ou sacerdotes de Cristo, entretanto ofendendo-se uns aos outros, acusando-se mutuamente por aquilo que entendam serem distorções de interpretação (muitas delas evidentes), ou ainda tratando-se com tal indiferença ou hipocrisia que chega a ser triste, para não se dizer, trágico.

Isto sem citar as ocasiões em que, por supostas defesas do evangelho em face de valores do mundo secular que a ele se apresentem dissonantes, o fazem de maneira agressiva, comportamento este mais desarmônico ainda. O certo é que as escrituras têm sido expostas sem qualquer expressão de sua essência, qual seja amor a Deus e ao próximo, vivenciados mediante a mansidão do coração.

Quanto à diversidade de doutrinas, é sabido, perfeitamente, muitas foram criadas a partir de textos bíblicos retirados de seu contexto e, por atenderem a conveniências humanas, ainda que sejam frutos de enganos a que foram submetidos por não as colocarem à prova diante da Palavra, o certo é que voltar atrás se tornou complicado. Daí em diante a natureza humana, nada espiritual, se convence que o melhor a fazer é continuar, ainda que exponha o evangelho ao ridículo, em meio a brigas e discussões doutrinárias, resultando no afastamento de pessoas que poderiam conhecê-lo em uma experiência real com Deus.

Em determinada ocasião, Paulo ao se dirigir aos cristãos na cidade de Corinto, advertiu-lhes estarem ainda se comportando como crianças, devido a tanta divisão doutrinária a que deixaram submeter-se, sendo impossível dar-lhes alimento espiritual sólido, pois estavam totalmente limitados na compreensão da essência do evangelho. Diziam os coríntios: “Eu sigo a Paulo”; e o outro: “Eu sigo a Apolo”; como se isso fosse credencial para alguma certeza de melhor doutrina. Razão pela qual o apóstolo perguntou a eles quem era Paulo (ele mesmo) ou Apolo, senão cooperadores de Deus. E sentenciou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento”.

Oras, se um ser humano que por ventura busque ter comunhão com Cristo e ainda ignore determinadas verdades, quem pode as revelar em caso de incompreensão total senão o espírito de Deus? Ainda que o homem possa fazê-lo mediante estudos comprometidos com a verdade, deve se dirigir com amor, paciência, alegria, paz e bondade, pois estes são frutos do espírito, jamais mediante a agressividade das imposições.

Outro aspecto desta “guerra santa” é a contraposição dos valores humanos aos do evangelho da forma como tem se dado em meio à mídia, nas casas legislativas, tornando-se um ringue aos pés dos opositores, em nada acrescentando ao conhecimento da palavra de Deus, ao contrário, tornando pessoas que não a conhecem, detentoras de um ódio injusto para com o evangelho.

É certo que Cristo afirmou que o mundo odiaria aos que amam e vivem pelo evangelho, contudo, isto se daria em face de um comportamento cristão condizente à sua essência, e não mediante um comportamento humano que procura falar em nome do evangelho. Quando contraposto, Jesus revelava a verdade com sabedoria e retirava-se. A ninguém impunha nada. Buscava alcançar os corações mediante o amor. Apenas aos sacerdotes fariseus, cheios de si que eram, os chamou de hipócritas, contrapondo-os à verdade, mas, neste caso porque aqueles se diziam servos de Deus, justificada assim, a dureza da fala de Cristo.

A semente do evangelho é plantada nos corações pela pregação, e quem a faz crescer no entendimento é Deus, e não o homem discípulo ou sacerdote, por meio de suas imposições doutrinárias e ofensas pessoais; a estes, no máximo, se couber-lhes acrescentar algo, o será pelo bom testemunho, tão somente.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

 

23
abr

Encontros

Comunicação

Alguns são inesperados. Outros esperados por toda a vida. Uma única palavra, um gesto ou mesmo um detalhe qualquer e o levamos conosco em nossas mais profundas memórias. Qual o segredo? Talvez seja o que se desperta em você. E assim, nossa vida descobre novos significados e percorre novos caminhos. Quando chegar a sua vez, como será? Pode ser que você não se sinta preparado para algo tão novo, mas que sempre esteve lá, esperando por você. Ele vai acontecer, e você precisa estar lá. Encontros, você é nosso convidado.

Nova Semente

23
abr

O que falam de você?

Gelson de Almeida Jr.

No último final de semana os fãs do esporte em nosso país se chocaram com a notícia da morte de Luciano do Valle. Minha admiração por ele aumentou ao ouvir depoimentos sobre ele de pessoas ligadas a diferentes segmentos esportivos. Uma frase, porém, dita por sua filha, muito me chamou a atenção: “Eu perdi o meu herói”. Como é bom ser lembrado desta maneira.

Os livros de Samuel, Reis e Crônicas tratam da vida dos reis de Judá e Israel.  O relato é interessante, pois apresenta o nome do rei, seu período de reinado e se fez ou não o que era reto aos olhos do Senhor. Infelizmente a maioria é apontada como alguém que “não fez o que era reto aos olhos do Senhor”.

Se fosse perguntado a seus colegas de trabalho, de estudo, a familiares, amigos e   pessoas com quem você já teve contato, mesmo que uma única vez, o que seria dito a seu respeito? Mais ainda, e se fosse possível saber a opinião do Eterno o que seria dito a seu respeito?

É muito bom ser reconhecido como alguém de bem pelos homens, mas é maravilhoso que o Eterno diga o mesmo a nosso respeito. Você deseja ser reconhecido com alguém de bem, pois então, antes de fazer qualquer coisa, peça Sua ajuda para que não deslize e seu nome fique maculado. Lembre-se você é filho dEle e, como tal, tem a responsabilidade de mostrar quem Ele é a todos com quem entrar em contato. Se falhar, não desanime, Ele está ao seu lado guiando, aconselhando, amparando e ajudando.

21
abr

Felizes para Sempre

nsadmin

E foram felizes para sempre…” Todos nós desejamos esta frase escrita em nossa história, mas nem sempre é fácil aceitar e compreender o caminho que nos leva até o desfecho final. Deus é especialista em transformar o simples em extraordinário. Só Ele é capaz de tornar o mal inevitável em bem ilimitado. Você consegue ver Deus trabalhando em sua história? O que faz quando não compreende Seu misterioso modo de agir? Você realmente confia que Ele está conduzindo você a um final feliz? Nesta série descobriremos como Deus age e anseia escrever na história de cada um de nós. Baseado em Isaias, 55:8, Felizes para Sempre.

Nova Semente

20
abr

# O meu redentor vive!

Há algumas relações interessantes entre a páscoa judaica e a cristã.

Pessach em hebraico significa passagem. A festa da páscoa na cultura judaica, como todos sabem, comemora a libertação de Israel da escravidão no Egito. Isso teria acontecido no mês de nissan, que marca também a transição entre o inverno e a primavera no hemisfério norte. Por aí é fácil verificar como inverno e escravidão, primavera e liberdade se relacionem simbolicamente.

A páscoa cristã, por sua vez, comemora a ressurreição de Cristo e representa a vitória da vida sobre a morte, relacionando-se à libertação da sujeição do ser humano ao pecado e, consequentemente, da morte que não nos permitiu vivermos a plenitude com Deus desde a separação.

No entanto, por vivermos, ainda, em corpo corruptível, o pecado permanece em nós, todavia pela realização da promessa de liberdade por ocasião da morte ter sido vencida, recebemos a possibilidade de vivermos pela graça, rejeitando o pecado, até a volta de Jesus.

A ressurreição de Cristo se tornou nossa páscoa, ou seja, nossa passagem: da morte espiritual para a vida e, porque ainda esperamos a sua volta, para enfim vivermos a plenitude dessa vida espiritual, a graça representa um reflexo da vida plena que haveremos de viver, assim como os israelitas que foram libertos da escravidão, continuaram no deserto até que pudessem entrar na terra prometida.

A abundância que vivemos o é por meio da graça, que nos permite suplantar a corrupção de que é feita nosso corpo. Isto, pois, em Cristo depositamos toda a confiança que precisamos para seguir com fé neste deserto. A ele entregamos nossos fardos, impossíveis de carregar por nós mesmos e, recebemos a sua paz que excede ao entendimento humano, justamente para que possamos ter uma postura diferenciada da que tem o mundo diante das adversidades.

Dito isto, é importante ressaltar uma forte semelhança entre os fatos que ensejaram ambas as páscoas. Cumpre dizer que a festa de “pessach” tem seu significado – passagem – por conta da passagem do anjo enviado por Deus ao Egito, e não da passagem, essencialmente, da escravidão para a liberdade. Aqui reside a semelhança maior. Foi comunicado a Moisés que as casas dos israelitas deveriam ter seus umbrais marcados pelo sangue de um cordeiro, e assim os escolhidos não seriam atingidos pela morte.

Cristo é esse cordeiro. Dele é o sangue que nos marca, que nos sela para o tempo do juízo, que haverá de ocorrer por ocasião de sua volta. Maranata! E, como afirmou Paulo ter o Eterno ressuscitado a seu filho, o pregação do evangelho e a fé em Cristo não são vãs.

Por tudo isso podemos evocar as palavras de Jó, e dizer felizes: Porque eu sei que o meu redentor vive!

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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