Monthly Archive: fevereiro 2014

27
fev

O Deus de pobres e necessitados

Marco Aurélio Brasil

Frequentemente assumimos que Deus é aquilo que gostaríamos que fosse, e mais frequentemente ainda aquilo que gostaríamos que Ele fosse é diferente do que Ele de fato é e como Se mostra em Sua palavra. Da mesma forma que adolescentes costumam ter objeções a seus pais, nós preferiríamos que Deus fosse do tipo “eu dou tudo o que você quer”. Enquanto isso, Ele está preocupado em dar tudo de que precisamos.

Davi conhecia bem o fato. Seu salmo 40 termina assim: Quanto a mim, sou pobre e necessitado, porém o Senhor se importa comigo e cuida de mim. O Senhor é o meu apoio e o meu Salvador! Venha salvar-me! Venha depressa, ó meu Deus!

Porque Deus é o Deus de pessoas pobres e necessitadas também.

Poderão me faltar riquezas e poderei sentir falta de algumas coisas, mas o apoio do Salvador jamais me faltará.

26
fev

A porta fechou?

Gelson de Almeida Jr.

“Eu desisto, acho que Deus não quer que eu tenha ninguém” e “Eu acho que Deus me criou para viver sozinha” foram frases que ouvi dias atrás de jovens desesperançadas em relação ao matrimônio. Para uma delas, com quem tive mais tempo para conversar, argumentei que o problema poderia não estar com a “vontade de Deus” para ela, mas com ela mesma, que talvez estivesse procurando do modo incorreto ou em locais errados. É muito fácil, quando algo dá errado e achamos estar fazendo a coisa certa, dizer que foi a vontade de Deus. Mas que Deus é este que fecha as portas para a felicidade dos Seus filhos?

Graham Bell dizia que muitos ficam olhando de modo tão arrependido para a porta que se fechou que não veem outras portas que foram abertas ao seu redor. Porta fechada não é obstáculo, é oportunidade. Oportunidade de reflexão, oportunidade de crescimento, oportunidade para a busca de novos caminhos, enfim, oportunidade de redirecionamento em nossa vida.

Quando Deus permite que uma porta se feche não o faz por prazer ou para nos impedir de caminhar rumo à felicidade. Faz porque, conhecendo o fim desde o princípio sabe o que é melhor para nós e, nem sempre estamos no caminho mais seguro. Muitas vezes tentou nos mostrar que existe um caminho melhor, mas insistimos tanto no nosso caminho que não Lhe sobrou outra alternativa que não fosse fechar a porta. Fechou para que parássemos, refletíssemos e tomássemos um novo rumo na vida. Em seu caminho uma porta se fechou, não se desespere, olhe ao redor e procure cuidadosamente, você encontrará uma porta que Deus abriu para que continue a caminhar em segurança, tranquilidade e receba o melhor que a vida pode lhe oferecer.

25
fev

O silêncio da montanha

Marco Aurélio Brasil

“Elevo aos montes o meu olhar”, escreve o salmista, “de onde me vem socorro?” (Salmo 121:1)


Porque às vezes você parece encurralado. Parece cercado. Parece que o universo inteiro está conspirando contra você. Você se recorda das histórias de salvação. Quando, na última hora, ouve-se a corneta da cavalaria e os bárbaros são surpreendidos pela chegada dos reforços. Quando o vilão está prestes a disparar o tiro fatal e ouve-se o estampido mas quem cai é ele, vitimado pelo salvador que chegou bem na hora. Bem na hora.
E aí você lembra dessas histórias. Eu não sou o mocinho desta história? Eu não deveria ser salvo? E você olha pras montanhas esperando ver a cavalaria descendo a galope. De onde me vem socorro?
O Salmo continua com uma afirmação descolada do cruel silêncio em que está a montanha: “O meu socorro vem do Senhor que criou os céus e a terra” (verso 2). Não há cavalaria, mas há uma lembrança que se impõe inclusive sobre as lembranças das histórias de cavalaria. Esses montes, que estão ainda irritantemente, angustiadamente silenciosos, quietos, parados, esses montes foram criados por Alguém. Esse Alguém fez também o céu que está acima deles.
Assim, embora seus olhos não vejam nada e seus ouvidos não escutem nenhuma corneta ecoando, sua razão se impõe. É algo que você sabe. É algo que você conhece.
“Ele não deixará que você tropece. Ele vigia de perto cada um dos seus passos, sem cochilar. É verdade! O protetor de Israel não cochila nem dorme. Ele está sempre alerta! O Senhor é o seu protetor. Ele estará sempre ao seu lado como sombra para o proteger. O sol não lhe fará mal de dia, nem a lua, de noite. O Senhor o protegerá de todo o mal, ele protegerá sua vida! O Senhor tomará conta da sua entrada e da sua saída, agora e sempre”. (versos 3-8, Bíblia Viva).
Porque a memória deste fato é o quanto lhe basta por agora. Ainda que os montes permanecem calados, você sabe. E então encara seu algoz, estufa o peito ante os bárbaros. E sorri.

24
fev

Rua 05, nº 77

Adriano Vargas

Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos morada nele. João 14:23

Sem sombra de dúvidas um dos maiores sonhos do ser humano é o “sonho da casa própria”, dum lugar pra chamar de “meu cantinho”, “meu cafofô”. O governo até criou um plano que diz auxiliar nesse sonho: “minha casa, minha vida”.

O que me impressiona é esse desejo do Eterno quer morar conosco. Ele não deseja ser apenas o destino para o descanso nos fins de semana, um lazer aos domingos ou uma casa onde se possa passar o verão. E nem pense em usar o Eterno como espécie de refúgio de férias, ou um eventual retiro. Ele quer ser sua habitação hoje e eternamente. Ele quer ser sua referência, seu endereço; Deus deseja ser seu lar…

Isto pode soar como novidade para muitas pessoas. A gente entende que o Eterno deve ser analisado; não o vemos como a nossa morada. Olhamos para Deus como um ser sobrenatural capaz de fazer milagres e maravilhas, mas não o vemos como nosso lar. Ele é criador de tudo e alguém a quem buscamos ajuda, não a casa onde vivemos. Porém, a vontade de nosso Pai celeste é ir além disso.

Pois nele vivemos, nos movemos e existimos.” Atos 17:28.

*Foto: O pátio da minha casa, rs… na Rua 05, nº 77.

23
fev

# O encontro da verdade

Conta uma história que a verdade saiu de casa com o fim de compartilhar seu conhecimento entre os homens. O primeiro grupo que encontrou não lhe deu a menor atenção. Achou estranho o tal comportamento, porém não desejou forçar-lhes a nada. Assim seguiu seu caminho, não se desviando nem para a direita, nem para a esquerda, até que encontrou outro grupo de pessoas. O tratamento lhe pareceu semelhante ao anterior. Resoluta, seguiu sem querer incomodar a nenhum daqueles com pergunta que fosse. Outras e outras ocasiões surgiram em meio ao caminho e em nenhuma delas teve uma recepção que diferenciasse das anteriores.

Entristecida com todo aquele desprezo, ela voltou ao seu lugar de origem e ali permaneceu recolhida até que um dia alguém bateu à porta. Ao abrir, deparou-se com a parábola. A parábola foi logo perguntando o porquê daquele semblante tão triste, ao que de pronto ouviu a verdade dizer que havia tido uma péssima experiência com os humanos. A parábola, por sua vez abraçou-a e adentrando à casa, ofereceu-se para fazer um chá, assim conversariam um pouco.

Sentadas à mesa, a parábola passou a lhe explicar o motivo pelo qual havia sido tratada com tanto desprezo.

Os humanos não gostam de encarar os fatos, disse ela à verdade. Preferem, muitas vezes, a companhia até mesmo do engano e da mentira, pois estes lhes são bajuladores e, sem que eles saibam, normalmente lhes entregam uma confiança fruto de sofismas, criados por meio de conceitos antigos encontrados fora do caminho. Mistura-os a algum incentivo que poderia ser tomado como verídico, é assim fisgam definitivamente a confiança dos homens.

E a parábola continuou a lhe falar sobre os homens, até que a verdade, horrorizada com a explicação, e quase sem esperança de obter algum relacionamento com eles, perguntou se havia algo que pudesse fazer para obter a atenção dos humanos. Foi então que ouviu as seguintes palavras.

Veja bem, a maioria deles age da maneira como eu te afirmei; mas, também é certo que, assim como outros mais acessíveis, eles a entenderão melhor se a receberem vestida de forma que os faça pensar e percebam que estão diante dos fatos. Portanto, vou lhe dar algumas de minhas roupas, presenteadas pela sabedoria real, e assim com certeza poderá ganhar-lhes a confiança, abrindo-lhes, inclusive, os olhos para as más companhias a que se acostumaram.

A verdade pensou um pouco e questionou se aquela não seria também uma forma de disfarçar-se como o fazem o engano e a mentira. Nesse momento, com toda tranquilidade, a parábola mostrou à verdade que havia um enorme abismo entre eles, pois aqueles se valiam de artifícios para iludir aos homens, enquanto ela, conseguindo o acesso aos humanos, só haveria de beneficia-los com sua companhia.

Pense bem, concluiu a parábola, você não irá se esconder como se quisesse perverter a cabeça dos homens, mas irá tão somente vestir-se de maneira que eles aceitem ouvi-la e possam enxergá-la.

E assim fez a verdade, sendo, enfim, ouvida e aceita por muitos homens.

Que as palavras que Jesus ouviu do Pai e transmitiu à humanidade, Ele que é a Verdade que pode libertar, inclusive dos sofismas, transformem nosso entendimento.

Bendito seja o nome do Eterno!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

22
fev

# Um coração transformado

Há uma lenda árabe que conta que dois grandes amigos seguiam pelo deserto quando um deles manifestou pensamentos depressivos e iniciou uma discussão. O amigo que o ouvia logo intercedeu pelo outro, tentando tranquiliza-lo. O indivíduo que estava desgostoso passou então a relatar os motivos de sua tristeza e começou a relembrar coisas que o outro o dissera e que o levaram àquela depressão.

Sem conseguir ser dissuadido de que as coisas que ouvira no passado haviam sido ditas para seu próprio bem, o indivíduo que estava profundamente entristecido sacou da adaga que carregava e tentou tirar a própria vida. Neste instante, durante uma rápida distração, teve a arma retirada de suas mãos e de pronto recebeu um tapa no rosto. Assim os ânimos acalmaram-se, e ficaram ali, aguardando em silêncio. Passado um tempo, o que foi ferido escreveu na areia sobre o tapa que havia recebido de seu amigo naquele dia.

Levantaram-se e seguiram o caminho pelo deserto. Ao encontrarem um grande oásis resolveram banhar-se. Aquele que levou o tapa no rosto avançou para a região aonde havia certa profundidade. Nesse momento começou a se afogar, o que fez com que o amigo que mesmo sem saber nadar, saltasse em sua direção, salvando-lhe a vida. Após recuperar-se, o que foi salvo escreveu em uma pedra o que acabara de acontecer.

Nesse momento, aquele que no mesmo dia o repreendeu e também o salvou do afogamento perguntou-lhe por que horas atrás escrevera na areia e ali registrava o ocorrido por sobre a pedra. Quando então, o que foi salvo respondeu: “Você é meu melhor amigo e eu não entendia os seus motivos de repreensão, tomando-os como uma agressão a minha vida. Mas, foram nos momentos seguintes, em que ficamos ali sentados em silêncio, que pude refletir o quanto tudo que fizera tenha sido para o meu bem. Por isso fui tomado pelo ato de registrar todos os ocorridos na areia, para que o tempo se encarregasse, através do vento, de apagar aquelas palavras arraigadas em minha mente“.

E continuou, dizendo: “Quando chegamos a este oásis, agora então com o espírito transformado, presenciei o ato maior de seu amor por mim, objetivando minha alegria, minha paz e salvação. Consciente disto e ao testemunhar aqui a medida real deste laço, senti a necessidade de escrever na pedra para que nada e nem ninguém pudesse apagar“.

Esta lenda nos leva a refletir sobre os testemunhos quando Jesus esteve na terra, dando a medida da compreensão sobre as coisas que Ele disse e tenha magoado pessoas em face das orgulhosas convicções de cada uma delas. Aqueles que não o aceitaram, por manterem vivo seu orgulho, em detrimento de sua paz, escreveram palavras duras em seus velhos corações, eternizando assim seus passos no deserto das trevas da ignorância.

No entanto, aqueles que perceberam que Ele era o Messias, e que mesmo sem pecado, dera sua vida pela humanidade perdida, estes deixaram transformar-se, permitindo a substituição do velho coração por um novo em seu lugar, aonde escreveram para a eternidade, o testemunho da compreensão do milagre do amor que os transformara, tornando-se luz e refrigério em seu caminho.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

20
fev

Discípulos, não membros

Marco Aurélio Brasil

Não importa o quanto tentem nos convencer do contrário, tornar-se um discípulo de Jesus Cristo é uma coisa diferente de tornar-se membro de uma igreja. Você se torna membro de uma igreja tomando parte em alguns rituais, vivendo de um certo modo e atuando de um certo jeito em alguns momentos da semana. O discípulo, contudo, segue seu Mestre todo o tempo, 24/7. Discipulado de verdade abrange sua vida inteira. Mexe com o horário em que você acorda. Mexe com o jeito como você se relaciona com sua família. Mexe com o que você escolhe comer logo no café da manhã e com a forma como lida com a pessoa dilacerada que há na porta da sua casa.

Como afirma Reggie McNeal, “O consumo de produtos espirituais – sejam eles louvor, estudo da Bíblia, oração, jejum, caridade – é geralmente entendido numa moldura congregacional ou como parte de um programa de igreja. Discipulado veio a ser medido como participação fervorosa nessas atividades de igreja. Boas obras feitas em favor de outros em arenas fora da igreja não são muito celebradas como parte do caminho do discipulado. O resultado disso é que as pessoas não vêem toda sua vida como uma plataforma de discipulado”.

E nossa missão é ser e fazer discípulos. Algo mais do que meros membros de igreja.

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