Monthly Archive: novembro 2013

30
nov

# Batismo

Há exatos quatro anos, eu desci às águas do batismo pelas mãos ordenadas do pastor Kleber, ele que é um servo do Senhor Jesus, também um instrumento da grande comissão instruída pelo Mestre. Jesus, já ressurreto, disse aos onze apóstolos: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. Mateus 28:18-20.

Desde esse dia tenho procurado ouvir as pregações, ler a palavra, orar, fazer a obra mediante os dons concedidos por Deus e, especialmente, manter-me distante do velho homem que fui. Confesso que por mim mesmo, não é nada fácil controlar sentimentos, julgamentos, e aspectos outros que sempre marcaram minha carne, minha mente pensadora e crítica, ainda que justificada por valores morais que, de fato, são importantes em face do mundo. O que me leva a concluir que somente ao aceitar a graça de Jesus, entregando meu fardo a Ele, é que de fato consigo viver modificações consistentes em minha vida.

É importante deixar para trás o velho homem, para que o novo renasça em seu lugar. E, tenho buscado vivê-lo dessa forma, ainda que muitas vezes, a exemplo do apóstolo Paulo, acabo por fazer o que não quero, e o que quero, isto não faço. Contudo, de fé em fé tenho andado em direção ao alvo que é Cristo, e assim minha vida tem mudado. Nada de melhor que havia em meu velho homem, supera o que tenho aprendido nos dias posteriores ao meu batismo. Valores justos para o mundo, é preciso que se saiba, podem não valer nada na seara cristã. Nela, o novo homem que saiu das águas, sempre irá se deparar com situações em que mais vale se calar, que propriamente defender-se. Mais vale aceitar com humildade as provações, eivado de sentimentos nobres desconhecidos pelo mundo, do que lutar com as próprias forças para modificá-las ou lamentar-se por sua ocorrência.

O mundo de Cristo é bastante diferente. Tudo que o formata é perfeito, ainda que estranho aos olhos do mundo. Por isso a contestação de tantas mentes ditas inteligentes como de Sartre, Nietzsche, entre outros sejam limitadas, pois se recusam a estarem abertas ao comportamento que vive e espera, segundo os valores do Filho de Deus. Não se trata simplesmente em aceitá-los pelo sim ou pelo não. Ao contrário, o mundo de Cristo quando buscado, é revelado ao nosso coração pelo Espírito Santo, ainda que tropecemos aqui ou acolá. O fato é que quando a ele somos apresentados e recebemos seu sinal, nunca mais somos os mesmos.

Naquele 30 de novembro de quatro anos atrás, disse-me o pastor Kleber no momento em que me retirou das águas do batismo, segurando meu rosto e olhando nos meus olhos: “Sady, mantenha os olhos firmes em Jesus“. Eu sou profundamente grato a Deus por ter arquitetado toda essa obra de redenção e, por ter constituído servos por meio da grande comissão. Também sou grato ao pastor Kleber que ouviu ao chamado de Deus e hoje batiza e prega a palavra por todo o mundo, sendo eu, uma das ovelhas que ele entregou a Cristo.

Shabbat Shalom

Sadi – Um Peregrino da Palavra

28
nov

Para um final feliz

Marco Aurélio Brasil

II Coríntios 20 começa sinistro mas termina com um final radiante. O Jeosafá recebe a notícia de que uma enorme multidão constituída por três povos inimigos está marchando em direção de Jerusalém. O que parecia ser uma enorme tragédia, dias depois se revela uma inesperada benção. Esses povos lutam entre si e os judeus terminam saqueando os despojos do exército dizimado.

Entre o momento da notícia sombria e do canto de vitória há uma oração. Jeosafá reúne o povo e ora a Deus. Na oração, ele afirma: ó nosso Deus, não os julgarás? Porque nós não temos força para resistirmos a esta grande multidão que vem contra nós, nem sabemos o que havemos de fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti.

E é evidente que não estou falando aqui de algo que aconteceu há três mil anos no Oriente Médio. Estou me referindo às lutas que você tem pela frente hoje.

Para ter um final feliz não é preciso que você saiba como vai derrotar esses exércitos enormes. Só é necessário que você, confessando sua impotência, coloque os olhos em que faz qualquer gigante cair.

27
nov

Deus do impossível

Gelson de Almeida Jr.

Gosto da história do jovem soldado que sempre era humilhado por sua fé. Querendo humilhá-lo diante do pelotão, seu superior deu-lhe uma chave na mão, apontou para um jipe e mandou que estacionasse o veículo. O jovem disse que não sabia dirigir. Com ar de zombaria seu superior disse-lhe que pedisse ajuda para Deus. Trêmulo assentou atrás do volante e pediu um milagre a Deus. Girou a chave, manobrou o carro e estacionou no local indicado. Ao descer do veículo viu todos, inclusive seu superior, ajoelhados. Espantado ouviu aquele homem dizer: “Queremos conhecer o seu Deus”. Mais surpreso ainda ele perguntou o que estava acontecendo e o homem em prantos abriu o capô do veículo e mostrou que o mesmo estava sem motor. O Deus do impossível entrar em ação.

Quando o povo de Israel, perseguido pelo exército de um enlouquecido faraó, não tinha mais para onde ir, o Eterno mandou que marchassem mar adentro, o mar se abriu e o povo caminhou a seco (Êxodo 14:15 e 22); quando o povo teve de lutar contra uma das cidades melhor fortificadas da época, Jericó, o Eterno mandou que apenas rodeassem a cidade tocassem a trombeta, os muros da cidade ruíram  e derrotaram o inimigo (Josué 6). Quando eu e você estávamos perdidos em virtude de nossos pecados Ele enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar.

Você crê no Deus do impossível? Prove, deixe-O agir em sua vida, pois o impossível é apenas uma de Suas especialidades. Deixo como sugestão a canção “Deus do impossível” na interpretação da cantora gospel Aline Barros (http://www.youtube.com/watch?v=85_wB8NEGSo).

26
nov

Isso não me representa

Marco Aurélio Brasil

A ascensão do pastor Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, no começo deste ano, com suas declarações consideradas homofóbicas e racistas, gerou um enorme bafafá. De repente, essa comissão, que não havia jamais recebido mais que duas linhas no noticiário, se tornou o epicentro do cosmos. Não se falava de outra coisa: celebridades, manifestações públicas e, claro, o bordão “Marco Feliciano não me representa” virando meme nas redes sociais.

Graças à  polêmica, a expressão “não me representa” entrou no cotidiano das pessoas, passando rapidamente a ser aplicada a qualquer outra coisa. Páginas no Facebook foram criadas para detratar tudo o que “não nos representa “. Os presidentes da Câmara e do Senado, técnicos de futebol, times de futebol, órgãos públicos e até o Eike Batista tiveram seus nomes acrescentados com o “não me representa” postados na rede ou em matérias jornalísticas. A expressão claramente rompeu os limites da questão da representatividade parlamentar para atingir qualquer coisa que nos cause aversão.
Identificar coisas e pessoas que “não nos representam” é relativamente fácil. Determinar se os princípios e valores que alguém prega e os princípios e valores que realmente regem suas ações são condizentes com os nossos é tarefa nem tão difícil assim. Se você é tolerante com a diversidade, alguém que não seja é facilmente identificado. Se você é honesto, alguém que desvia dinheiro público e chama qualquer oposição de perseguição política não despertará nenhuma identificação com você. Se você não joga um papel no chão, alguém que o faça não o “representará”. Podemos discutir então a validade de sair tascando etiquetas com o “isso não me representa” em tudo com o quê você discorda. Talvez tenha sua utilidade, para mostrar seu caráter, já que, para Goethe, “nada prova mais o caráter de alguém do que aquilo que ele odeia”, mas quando a coisa se torna uma moda, dá vontade de dizer: quem perguntou?.
Mas acredito que o exercício mais eficaz e urgente não é esse, de identificar e rotular tudo que não nos representa, e sim pensar nas pessoas, nos valores e nas instituições que nós não “representamos”. E deveríamos representar.
Em II Crônicas 7:14 o povo de Deus é chamado de “o povo que se chama pelo meu nome”. Por outras palavras, o povo de Deus é o povo que O “representa”. O terceiro mandamento diz que é um pecado tomar o nome de Deus em vão, frisando a importância de representar a Deus dignamente. Jesus odeia a figueira com flores e sem frutos porque ela ostenta algo que não é. As pessoas que andam ao redor da figueira vêm as flores e acreditam que ela é do tipo que dá frutos. Mas quando chegam perto se decepcionam. E então elas passam a ter outro conceito sobre figueiras em geral, passam a desconfiar das flores.
Jesus narra o dia em que muitas pessoas vão lhe dizer tudo o que fizeram no nome dEle e, contudo, receberão um “não vos conheço” em resposta. “Não vos conheço” é o “você não me representa” de dois mil anos atrás.
Pense em como você usa seu tempo livre, no que você faz quando acha que ninguém está olhando, nas coisas que seus atos, e não suas palavras, dizem que são mais importantes para você. Pense em suas prioridades reais nessa vida e então responda: a quem você representa?

24
nov

24/11/2013 – No Palco

admin

Fotos produzidas por Ingrid Oliveira e Patricia Spissoto
www.imquadrado.com e www.flickr.com/photos/pspissoto

20
nov

Dia da Consciência Negra

Gelson de Almeida Jr.

Hoje comemora-se em nosso país o Dia da Consciência Negra, criado em de 09 de janeiro de 2003 (Lei 10.639). O principal objetivo do governo foi o de aumentar o reconhecimento e valorizar a raça negra, uma das matrizes formadoras do nosso povo, que sempre ocupou um lugar secundário em nossa sociedade. Gostei de uma frase que circula no Facebook: “Não precisamos de um dia da Consciência Negra, Branca, Parda, Amarela, Albina… Precisamos de 365 dias de Consciência humana”. Não quero aqui debater acerca do preconceito racial ou algo parecido, mas fazer uma breve reflexão sobre este tipo de comportamento.

Os seres humanos foram criados em igualdade de direitos e à imagem e semelhança do Eterno (Gênesis 1:26 e 27), mas com a entrada do pecado, egoísmo, egocentrismo, inveja, cobiça, etc., quase que passaram a fazer parte do nosso DNA. Desde o primeiro homicídio até o mais simples conflito interpessoal em nossos dias vemos pelo menos um desses traços expostos. A falta de amor e respeito ao próximo é cada vez mais perceptível. Nos esquecemos da nossa origem comum, as mãos do Criador.

Após milhares de anos onde este tipo de comportamento degradou cada vez mais a raça humana, o Criador assumiu a forma humana e habitou entre nós, para nos mostrar como é que deveriam ser as coisas (João 1: 1-4, 14). Coisas como: “dar a outra face” quando agredido (Lucas 6:29); “amar os inimigos”, “bendizer os que nos maldizem”, “fazer o bem aos que nos odeiam” e “orar pelos que nos perseguem” (Mateus 5:44) definitivamente não fazem parte de nossa rotina, se fizessem… Como as coisas seriam diferentes!

Duas coisas tem que ficar muito claras em nossa mente: “em Cristo somos todos iguais e livres” (Gálatas 3:28) e  que “o Eterno não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). As coisas mudarão quando o amor do Pai permear nossas ações e seguirmos os ensinamentos do Mestre. Não espere pelo outro comece hoje a fazer a sua parte, milagres acontecerão.

19
nov

Desproclamando a República

Marco Aurélio Brasil

Há alguns dias comemoramos o dia em que gritamos que não queríamos mais ter um rei. A ideia de monarquia começava a ficar fora de moda. Tenho lá minhas dúvidas se ganhamos muita coisa trocando a família real pelo que veio na sequência.

Mas houve um tempo em que ter um rei era algo super moderno e a teocracia de Israel quis estar antenada com os novos tempos. Exigiram um rei. Atendendo à dica de Bruce Cameron, fui a Deuteronômio 17 ler uma curiosa profecia de Moisés. No fim de sua vida, o velho líder previu que chegaria o dia em que o povo de Israel desejaria ter um rei. Veja que dicas interessantes ele deu:

“Quando vocês entrarem na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá, tiverem conquistado aquele território, viverem nele e disserem: ‘Bem que poderíamos ter um rei que nos governe, como as outras nações ao redor de nós’, tenham o cuidado de proclamar rei aquele que o Senhor, o seu Deus, escolher. Esse rei terá que vir dos seus próprios irmãos israelitas… Aquele que for coroado rei não poderá adquirir para si um grande número de cavalos… Também não deverá ter muitas mulheres, para que seu coração não se desvie do Senhor. Além disso, não deverá acumular muita prata e ouro. Quando for coroado e se assentar no trono como rei, terá que fazer uma cópia desta lei, do livro guardado pelos levitas. Essa cópia da lei estará sempre junto dele. O rei precisará ler esse livro todos os dias da sua vida para aprender a respeitar o Senhor, o seu Deus, e a obedecer a todas as palavras desta lei e todos os seus mandamentos. Isso impedirá que o rei ache que é superior aos demais irmãos israelitas. Também impedirá que ele se desvie da lei… Assim garantirá um reinado longo e feliz sobre Israelm bem como para os seus descendentes” (17:14-20).

Não dá para deixar de pensar em Salomão, lendo isso. Acumular cavalos, mulheres, prata e ouro e sentir-se superior aos demais foi tudo o que ele fez.

Interessante notar que um rei obrigado a fazer qualquer coisa (como fazer uma cópia à mão do pentateuco!) e que não se ponha numa situação de superioridade divina sobre seus súditos é uma ideia extremamente moderna, inaugurada pela noção de estado de Direito que só veio a lume com os escritos de Montesquieu e, um pouco mais tarde, com a obra do alemão Robert von Mohl, no século XIX. Moisés estava quase três milênios à frente de seu tempo, já que inspirado por Deus. 

Há alguns dias comemoramos o dia em que gritamos que não queríamos mais um rei, trocando uma servidão por outra. Nossos representantes, eleitos democraticamente ou não, raramente nos representam de fato e a lei à qual deveriam estar sujeitos raramente adere a eles. Raramente? “Nunca” seria mais adequado. Estamos prestes a ver isso acontecer pela primeira vez com o julgamento do mensalão.

Mas temos uma chance de ouro. Podemos coroar Jesus Cristo nosso rei. Ele está sujeito à lei. E está sujeito porque quando quis subvertê-la, fazendo com que o condenado de morte não morresse, Ele o fez pagando o preço no lugar dele. Ele morreu no lugar do condenado (eu!) para que a lei fosse observada e o condenado (eu!) continuasse vivo.

No dia em que gritamos que não queríamos um rei podemos comemorar o dia em que escolhemos direito. O dia em que escolhemos o rei cujo fardo é leve, que está disposto a nos ensinar a mansidão e a nos aliviar quando estamos cansados e sobrecarregados.


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