Monthly Archive: dezembro 2012

31
dez

#Feliz Ano Novo

Adriano Vargas

Já reparou como é bom dizer “o ano passado”? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem… Mas no ano passado, afinal faltam poucas horas, recebi um mail duma revista de musculação que sou assinante (mesmo sem estar malhando, mas na segunda feira começo), enfim, o tal mail anunciava como seria comemorado nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informando o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

“Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados”.

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, um bilhete de explicação para as autoridades, familiares e pra vocês, minha imaginação é fértil. Calma, pensei que seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque moro numa casa de um piso só, em que o lugar mais alto seja talvez se me jogasse do guarda roupas abaixo.

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado… Morri? Não. Ressuscitei.

Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição – morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova que quero viver ao lado de meu Criador e Senhor, novo ano, nova vida…

Mais um ano passou… é… passou rápido!! Posso parar e examinar o que aconteceu nesses últimos 365 dias, mas eu prefiro não pensar nisso… o que devemos fazer é olhar os próximos dias, e apenas visualizar o que queremos que esteja reservado para nós dentro de cada um deles…
É assim que um ano feliz é feito: de esperanças…afinal estamos aprendendo a esperar um “novo céu e nova terra.”

Ah! Lembram faço aniversário em outubro, e quando alguém, em setembro, pergunta quantos anos tenho, já respondo com a idade nova. Não sei até quando terei essa coragem de me envelhecer antes da hora, mas, por enquanto, ainda arredondo pra cima…por isso costumo dizer que tenho 3.1. Com o ano novo, é a mesma coisa. Já estou em 2013 faz uns 19 dias. Coloquei-o em total vigência, é um ano em curso, mergulhei de cabeça nele. 2012 já era, já deu o que tinha que dar. Aliás, foi bom pra você?

Poucas pessoas viveram grandes feitos, grandes viagens ou grandes paixões. A maioria viveu o que podia ter vivido. Foi ao cinema e adorou (ou odiou) BatmanReturnes . Leu alguns livros. Curtiu alguns churrascos. Passou uns finais de semana fora da cidade. Reclamou da falta de dinheiro. Brigou com pais e irmãos. Fez as pazes com pais e irmãos. E depois brigou de novo. Esperou em filas. Assistiu a pelo menos um show. Achou a Adriana Esteves boa atriz em Avenida Brasil. Reclamou muito do frio. Bebeu demais. Pensou em casar. Pensou em descasar. Pensou em ter um cachorro.

“Ano da virada” é apenas força de expressão e titulo do programa da Globo. A maioria de nós viveu um ano semelhante aos outros anos, salvo aqueles que foram colhidos por uma fatalidade – já não é fatalidade suficiente estar vivo?

Eu tive um ano muito bom e muito parecido com outros anos bons, inclusive nas partes ruins. Ainda assim, o melhor de chegar aqui, na saideira, é olhar para trás e concluir que o aconteceu de mais diferente foi eu mesmo. Entrei de um jeito em 2012 e estou saindo outro, mesmo que eu pouco perceba essa alteração. Quando olho para o meu passado, encontro um homem bem parecido comigo – por acaso, eu mesmo – porém esse homem sabia menos, conhecia menos lugares, menos emoções. Ora, por mais legal que a gente tenha sido, sempre fomos mais pobres em relação ao presente – e não estou falando de dinheiro, mas de vivência. Involuir é muito trabalhoso, exige que rejeitemos todos os aprendizados: quem faria essa maldade consigo mesmo? Evoluir é que está na ordem natural das coisas.

Portanto, tenho certeza de que em 2013 eu verei alguns filmes, assistirei pelo menos a um show, lerei alguns livros, sairei da cidade uns finais de semana, irei bater ótimos papos com amigos, terei uns arranca-rabos com minha esposa e com minha família também, até talvez com a sua e depois voltarei às boas, perderei tempo em filas e reclamarei do frio. E mesmo sendo mais um ano como tantos outros – no caso de nenhuma fatalidade ocorrer – , sairei de 2013 melhor do que estou entrando, simplesmente porque é impossível desprezar conhecimentos, conversas, sensações – tudo o que parece repetitivo, mas que nos dá uma cancha necessária pra seguir adiante e viver melhor.

Então, FELIZ VOCÊ NOVO, mesmo que pareça igualzinho…a qualquer outro…

31
dez

Presépio

Maninho Alves

Quando as luzes de Natal se acendem pela cidade as pessoas começam a correr. Corremos por causa do trabalho, por causa das compras, corremos com os arranjos para as viagens e para as festas de fim de ano. É o espírito do consumo que nos move e nos apressa ainda mais. Nessa correria toda, deixamos de perceber as pessoas e o que elas têm em comum conosco. O Natal é a época do encontro, a oportunidade de conhecer e ser conhecido. Natal é a união das diferenças e a celebração da vida. Isso aconteceu no primeiro Natal e precisa se repetir mais uma vez. Você já se perguntou sobre o que trabalhadores rurais podiam ter em comum com astrônomos estrangeiros? Por que uma família de migrantes despertou o interesse dessas pessoas tão diferentes? Provavelmente você também se interessará por encontrar e conhecer melhor essa família que está no centro de todas as outras.

Série: Presépio (Vídeos)

[toggle title=”01/12/12 | Em Belém”]

[/toggle]

[toggle title=”08/12/12 | Nos Campos”]

[/toggle]

[toggle title=”15/1 2/12 | Musical de Natal”]

[/toggle]

[toggle title=”22/12/12 | No Oriente”][/toggle]

Adquirir DVD

Se você deseja adquirir as séries apresentadas em formato DVD, quer seja para você ou para presentear familiares e amigos, acesse nossa loja virtual em http://www.institutonovasemente.com.

27
dez

Fechado pra balanço

Marco Aurélio Brasil

Nos últimos estertores do ano que vai morrendo temos mais uma vez a chance única de olhar para trás e fazer um balanço dos erros e acertos. É preciso uma dose salutar de solidão pra fazer isso, e é altamente recomendável. Você reflete no que investiu seu tempo, por exemplo, e se o investimento foi lucrativo. Você reflete nas metas que traçou e falhou em alcançar. Você analisa os relacionamentos que desenvolveu (ou perdeu). É recomendável fechar para balanço para poder projetar acertadamente o novo período.

Você pode dizer que é bobagem fazer isso agora, que os dias que fecham um ano têm o mesmo peso e duração que os demais todos, mas por que perder o ensejo? Por que deixar passar a oportunidade?

Olhar para trás pode ser essencial para você notar que as lacunas que 2012 deixam apontam para uma certa insuficiência, para uma incapacidade latente que você tem de simplesmente fazer as coisas acontecerem como elas deveriam acontecer. Olhar para trás pode ser essencial para você sentir que precisa de alguém fora de si mesmo. Olhar para trás pode ser vital para que você note que 2013 só vai ser tudo o que você precisa que seja se você convidar Jesus Cristo, Aquele que pode fazer as coisas acontecerem, para comandar sua embarcação.

Olhe para trás e viva.

26
dez

Não havia lugar para eles

Gelson de Almeida Jr.

Devido a um grande evento numa cidade próxima à zona rural um marido angustiado não encontra onde pernoitar com sua esposa, tudo era agravado pelo fato de a mulher estar nos últimos momentos de gestação. Nem isto fez com que conseguisse um simples local para passar a noite. O melhor que conseguiu foi passarem a noite junto aos animais de uma estalagem. Pouco depois de instalados o bebê nasceu, como expectadores os animais, como sua primeira cama um monte de capim. Triste situação a desta família, pior ainda para os que haviam negado acolhida, pois o bebê era o Deus encarnado que viera ao mundo para redimir e salvar a raça humana.

Como puderam fazer isto! Ah, se fosse comigo a história seria diferente. Talvez este pensamento já lhe ocorreu diversas vezes, mas será que seria mesmo diferente? Horas atrás você comemorou o Natal, teve seus momentos de alegria, diversão, boa comida, deu e recebeu presentes. Como você se sentiu alegre, satisfeito? Lembrou-se de Jesus, a justificativa para a festa?

Há pouco mais de dois mil anos a família do Salvador não encontrou local adequado onde passar a noite, mas hoje Seu maior desejo não é o de entrar em sua casa, é o de entrar em sua vida (Apocalipse 3:20), não espera de você presentes caros, quer apenas o seu coração (Provérbios 23:26). Você Lhe concede um lugar especial ou pede que fique do lado de fora, “junto aos animais”? Convida-O para entrar ou pede que vá para o vizinho? Não existe alegria, não existe Natal, não existe vida sem a presença de Cristo. Convide-o a participar de sua vida e veja a diferença

25
dez

#Natal e o propósito da vida

Adriano Vargas

Acordei, hoje e percebi que é Natal. Impregnado da sensação de que a saga humana tem um andar de cima. E um andar de baixo. Pensei, nesse 2012, e qualquer pessoa que se sinta à vontade neste mundo, tal como se apresenta agora, não o percebeu adequadamente. Quem convive passivamente com as causas aparentemente aleatórias que distinguem felizes de infelizes, no mínimo ainda não teve coragem de levantar a cortina para ver o que se passa do outro lado do mundo visível.

Sempre desconfiei que, por trás da trama humana no mundo visível, há fatores determinantes no mundo invisível. “Crescer e multiplicar” não resume satisfatoriamente a razão pela qual existo. Considero até blasfemo aquele que chama de vida apenas a sucessão de atividades inerentes à sobrevivência: comer, beber, dormir, procriar, trabalhar e ter prazer eventual (digo isso mesmo com essa resseca pós-ceia)….

O mundo cor–de–rosa não durou muito este ano, né!!! Já nos primeiros dias, convivemos com as mais diversas histórias de mazelas pessoais e familiares. E acreditar em Papai Noel, no fim do ano, fica cada vez mais difícil. Mas o evangelho de Cristo não é baseado numa fantasia, o cristianismo fala de outro lugar, de outro estado de ser, de outra possibilidade de relação com Deus, o Criador amoroso que não desistiu de sua criação.

Hoje entendo quando Deus me olha nos olhos e sussurra repetidas vezes: “Com amor eterno eu te amei… com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3, ARA). Esse amor eterno é a única explicação para que eu tenha sido preservado em meio a tantas idas e vindas. Minha peregrinação teve início na eternidade. Desde então, quando oficializei minha entrada nos horizontes do corpo místico de Cristo, passei a ser acompanhado por uma nuvem do céu: anjos, amigos, mentores e irmãos. Uma nuvem do céu que, depois de longa caminhada e de muita poeira nos pés e na alma, fez–me assentar à mesa em família na noite passada com minha mulher e meus amigos – a ante–sala do céu, o paraíso numa Terra marcada pelo caos.

As perguntas que sempre povoaram meus recônditos mais íntimos encontraram calmaria em Cristo, o verdadeiro NATAL. Com Cristo aprendi que viver é peregrinar. Uma peregrinação visível cheia de interações invisíveis. Viver é transitar entre um lugar e outro, um estado de ser e outro, uma condição humana e outra, um mundo e outro. E foi por isso, quem sabe, não me adaptei até hoje. Pois continuo peregrino. Não sinto que cheguei. Nossa vida é uma história de estar a caminho, e justamente assim, ou por isso mesmo, enxergo a experiência espiritual como uma peregrinação. Vejo a existência humana como uma peregrinação rumo às verdadeiras dimensões da vida. Uma peregrinação em companhia de pares que nos são acrescentados ao longo da trilha. Ninguém peregrina sozinho. Caminha, inclusive, ao lado de companheiros invisíveis aos olhos humanos. Quanto maior a capacidade de discernir e de escolher companhias, maior a possibilidade de êxito do peregrino.

O cristão é um peregrino que caminha em comunhão. O cristianismo é a trilha da intimidade com Deus e com o próximo. Cristianismo é conexão, é viver uma experiência real. A vida faz sentido quando conseguimos extrair o sentido de cada momento, cada NATAL, cada dia. O sentido da vida está em viver. Mas não um viver qualquer. Um viver qualquer é mera existência, suceder de dias. Há um jeito de viver, e esse jeito de viver está embutido em cada ser humano. Assim, espero encontrar a felicidade ali e além, mas também aqui e agora…#FelizNatal

23
dez

# A Profecia Excelsa

Nestes tempos, como em outros passados, a humanidade tem falado sobre profecias, no entanto, poucos têm vivenciado a maior de todas elas, qual seja a que anunciou a vinda do Messias. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. (Isaías 9:6). Naquela época e depois dela, muitos foram os que a rejeitaram.

Em Cristo foram cumpridas todas as profecias do Antigo Testamento que concerniam a sua vinda, crescimento, santidade, obra, padecimento e ressurreição. Quem as viveria senão o único que poderia na terra efetivá-las? Quem pode contestar o cumprimento delas em Cristo, se em sua maioria não estiveram ao alcance de arranjos humanos para que parecessem verídicas? Só mesmo um tolo se presta a deixar de viver esta experiência real com Deus.

As profecias a respeito de Jesus foram tão maravilhosamente cumpridas que até aos contextos temporais preditos centenas de anos antes dele foram minimamente verificados.  Como desconsiderar ou renunciar a fatos tão precisos?

Tão certo quanto ao cumprimento destas profecias, sábio e prudente será aquele que observar e viver pelas palavras do evangelho da graça, pois, a profecia excelsa ainda está por se cumprir, e cedo virá. Assim disse o Mestre a respeito dela: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. (João 14).

Para aquele que aguarda a Sua volta pensando estar só, não bastasse a presença do Espírito Santo que intercede por nós, e nos revela tudo o que ouve do Pai, estas são as palavras que entregam a paz que o mundo não pode dar: Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama. Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Tenho-vos dito isto, estando convosco. Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho para vós. (João 14).

E para aqueles que ainda insistem em desacreditar na realidade que está diante dos olhos, meditem também nesta palavra:Eu vo-lo disse agora antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis”. (João 14).

Que o amor de Deus, a graça do Filho e a comunhão do Espírito Santo estejam sobre todos neste Natal.

.

Feliz Natal!

Sady – Um Peregrino da Palavra

22
dez

# Fim do Mundo ou Mundo do Fim ?

Fala-se muito sobre o fim do mundo. Aliás, há tempos o homem vem “profetizando” esta possibilidade. Cometas, asteroides, catástrofes geológicas, profecias resultantes de interpretações dos textos de Nostradamus, dos Maias, e até mesmo, por que não dizer, houve os que profetizaram a volta de Cristo no século XIX, e assim venderam seus bens e o aguardaram pela manhã, seguida pela tarde, e quando a noite havia caído, sentiram a escuridão de sua decepção.

É engraçado dizer isso, mas a imprecisão parece ser o que há em comum a essas previsões. E o que causa surpresa são aquelas vividas pelos cristãos. Oras, se eles têm uma base de fé encontrada nas sagradas escrituras, estas que afirmam incondicionalmente que a ninguém é conhecido o dia do fim, ou se quiser usar da terminologia teológica, o dia do juízo final, a pergunta que não se cala é: Por que se preocupam tanto com estas possibilidades? Ou melhor, por que se dispõe a abrir sua boca para “profetizar” algo que se sabe esteja diretamente em contradição com a palavra de Deus?

Talvez por que o homem tenha uma hereditária incapacidade de se desvencilhar dos sons que emanam da carne, é que se perca neste labirinto em que ele próprio cria para se deixar enredar. E para concertar o estrago cria uma situação nova que o redime. Quem lê, entenda. As histórias das dezenas de profecias falam por si. E pelos homens.

As ditas profecias de fim do mundo parecem ter sido nada mais que a expressão da angústia humana que em determinado momento alcançou ápice. Mas, por que isto ocorre? Poder-se-ia dizer que pela própria angústia que acompanha o ser desde o dia em que nasce, posto que conheça seu destino – a morte física – e assim vive em um mundo de impropriedades.

Enfim, deixemos de lado todas estas ponderações e vamos ao que interessa. Seria a expressão correta falar do fim do mundo, ou o mundo do fim? Provavelmente por ser esta segunda hipótese a que mais esteja relacionada à vida humana, é que o homem tente se esconder por detrás da primeira – o fim do mundo – pois nesta, permita-me repetir o termo, ele se redime de suas atitudes, ainda que ocultas, que levam ao mundo do fim.

Shabbat Shalom!

Sady – Um Peregrino da Palavra.

20
dez

Jack Bauer e o bem maior

Marco Aurélio Brasil

Durante as oito temporadas de 24 horas, série de TV americana estrelada por Kiefer Sutherland, vemos o agente Jack Bauer salvando a pátria ou a vida de milhões de pessoas em “tempo real”, ou seja, acompanhamos oito dias inteiros, de 24 horas, na vida desse personagem. Ele é um agente de uma unidade antiterrorismo e luta contra chineses, árabes, grupos paramilitares de ultradireita dos próprios Estados Unidos e outros inimigos, aparentes ou ocultos, enquanto precisa proteger a própria família. O reloginho digital que aparece de quando em quando mostra que o tempo está escoando e confere um ar de urgência e uma adrenalina difíceis de rivalizar na ficção contemporânea.
Mas há um outro aspecto da série que a torna um caso único: para conseguir seus fins, para alcançar seus nobres objetivos, Bauer não hesita em torturar. A tortura tem sido um tabu para a sociedade moderna. O mocinho pode matar à vontade, mas torturar não. A tortura é ultrapassar um limite vital. Mas no caso de Jack Bauer, para o grande público não há problemas nisso. Embora seja a primeira vez que o mocinho de uma série de TV lança mão de expedientes assim, está claro que ele está agindo por um bem maior. Sua ação está justificada. Além disso, vê-se que Bauer não é imune ao dilema ético envolvido na tortura; ele sofre, se angustia. O fato de ser um homem digno e de tentar ser um bom pai de família e esposo suavizam esse traço negro de sua personalidade.
A dúvida aqui é: um cristão estaria justificado por fazer o trabalho sujo por um bem maior? Há, enfim, fins que justificam alguns meios?
Penso que Deus tomou uma decisão análoga para nos liberar dela. Para que a raça humana sobrevivesse, Ele consentiu em entregar Seu Filho para ser torturado. Deus não tortura o outro, Ele Se deixa torturar para me fazer entender o quanto uma vida humana é sagrada e o quanto uma vida humana vale de fato. Ele faz isso com um respeito estrito à Lei. Ele critica as
relativizações da Lei. “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (Tiago 2:10).
Existem momentos em que uma mentira esteja justificada? Mesmo que seja uma mentirinha? Será que em alguns momentos não estamos justificados por reter alguns impostos? Será mesmo que não existem situações em que precisamos de uma válvula de escape moral para conseguir manter nossa caminhada ascendente?
Não, é a resposta dEle. Ainda que você sofra. Ainda que alguém que você ama sofra. Melhor coisa é chorar e sofrer agora para estar longe do choro e do sofrimento eternamente.

1 2 4